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domingo, 25 de julho de 2010

BAGÉ: RUMO AOS DUZENTOS ANOS - OLHAR SULEAR, CONTEMPLANDO O MUNDO.

PRÉ-PROJETO

Por

Claudio Antunes Boucinha[1]

_______________________________

Pré-Projeto que visa encaminhar

O assunto sobre as comemorações

Que acontecerão no ano de 2011,

Quando Bagé fará 200 anos de existência.

Pretende-se que a Prefeitura Municipal

De Bagé seja uma das promotoras do evento

Público, que será apresentado

Ao povo do Município, de forma

Totalmente gratuita.

Maio, 2006.

CAPÍTULO I

17 DE JULHO DE 1811

Introdução

O texto que serve de introdução ao Pré-Projeto "BAGÉ: RUMO AOS DUZENTOS ANOS -OLHAR SULEAR, CONTEMPLANDO O MUNDO", foi produzido pelo eminente pesquisador Tarcísio Antônio Costa Taborda, que tão altos serviços prestou a comunidade de Bagé.

17 DE JULHO DE 1811

Apesar de João Antônio Cirne, o nosso proto-historiador, ter afirmado em seus “Apontamentos históricos de Bagé”, manuscrito datado de 1871, que a fundação desta cidade ocorrera a 17 de julho de 1811, quando Dom Diogo de Souza, depois de haver concentrado aqui o “Exército Pacificador” sob seu comando, rumou para Montevidéu, essa data ficou esquecida por largos anos.

Jorge Reis, ao publicar seus “Apontamentos históricos e estatísticos de Bagé”, em 1911, quando passou o centenário da Fundação de Bagé, deixou de registrar o dia desse acontecimento.

É a partir de 1951, em publicação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aparece a data de 11 de junho de 1811, como sendo a em que Dom Diogo de Souza levantara acampamento e nomeara comandante do Distrito ao Capitão Ricardo de Mello.

Em sua memorável “História de Bagé” , Eurico Salis segue a mesma linha, que passa então a tomar consistência.

Essa divergência entre a informação prestada por João Antônio Cirne, e a introduzida pelo IBGE e seguida por Eurico Salis, obrigou a realização de uma pesquisa, na farta documentação de Dom Diogo de Souza , referente a esse período, para esclarecer o momento em que Bagé nasceu.

Walter Spalding, convidado para também estudar o assunto, em artigo divulgado peloCorreio do Povo de 20 de janeiro de 1955, mostrou que em 11 de junho Dom Diogo de Souza não se encontrava em Bagé, embora em viagem para esse Acampamento, e que sobre a nomeação do Capitão Ricardo de Mello, nada encontrara a respeito.

O pesquisador gabrielense Gastão Abott, pelo mesmo jornal, em 1° de maio do mesmo ano, confirmava a data anunciada por João Antônio Cirne, como a da Fundação de Bagé e informava que o primeiro comandante do Distrito e Campo de Bagé havia sido o Tenente de Dragões Pedro Fagundes de Oliveira, dizendo inexistirem documentos sobre a presença de Ricardo Antônio de Mello e Albuquerque nesse posto, uma vez que à época era paisano.

Quando aqui se reuniu, nas comemorações do Bicentenário do nascimento de Dom Diogo de Souza, um Congresso de História, apresentei tese no sentido de ser fixado o dia 17 de julho de 1811 como a data da Fundação de Bagé.

Face à documentação oferecida ao exame dos participantes do conclave, entre os quais estavam os historiadores Walter Spalding , Dante de Laytano, Félix Contreiras Rodrigues, Eurico Salis, Francisco Marques dos Santos, para citar apenas estes, foi aprovada por unanimidade essa data, pois os documentos apresentados eram irretratáveis.

Em verdade, na correspondência expedida por Dom Diogo de Souza, como Governador do Rio Grande do Sul e Comandante em Chefe do “Exército Pacificador”, há um ofício dirigido ao Tenente de Dragões Pedro Fagundes de Oliveira, datado de 17 de julho de 1811, no qual anuncia a sua retirada deste “Acampamento dos Serros de Bagé”, e nomeia para Comandante do Campo e Distrito de Bagé, removendo-o da Guarda de São Sebastião onde se achava.

O inverno rigoroso, com passos cheios, caminhos pesados, cavalos em mau estado, obrigaram Dom Diogo de Souza deixar no Acampamento de Bagé, não só os animais que deveriam se recuperar em pastagens que viessem após as chuvas e as geadas, mas principalmente , oficiais e soldados que permaneciam no hospital, munições de boca e guerra, que ficavam nos armazéns reais, além das famílias que haviam sido autorizadas a se deslocar para Bagé, com a finalidade de acompanhar os oficiais e soldados que estiveram aqui estacionados por quase um semestre.

Assumindo o novo comando, Pedro Fagundes de Oliveira dizia a Dom Diogo de Souza, sentir-se “responsável por este Acampamento e seu Distrito, como autorizado para a defesa desta Fronteira, enquanto V.Ex.a. não permitir esta autoridade a outra patente mais superior”.

Nasceu Bagé, pois da disposição de Dom Diogo de Souza em deixar aqui por força das condições climáticas , parte de seu exército, e da dedicação de Pedro Fagundes de Oliveira em promover o bem estar das pessoas que ficaram sob sua responsabilidade.

O dia 17 de julho de 1811, como bem assinalava há 112 anos João Antônio Cirne, é o dia da Fundação de Bagé , e sempre o haveremos de comemorar com chuva e frio, que esses rigores da natureza foram os padrinhos desse nascimento.”(TABORDA, Tarcísio Antônio Costa. Texto publicado no jornal CORREIO DO SUL de 17/julho/1983, p. 02).

CAPÍTULO II

OS FESTEJOS

Introdução

Neste capítulo, pretende-se fazer uma lista de eventos que podem acontecer durante os festejos de 200 anos da cidade de Bagé.

Nesse sentido, é preciso antes discutir qual a concepção que vai sulear, que quer valorizar a visão do hemisfério Sul, dos céus do Cruzeiro do sul - contrário de nortear, que quer valorizar a visão do hemisfério Norte, do céu visto pelos europeus - os acontecimentos futuros, durante os festejos, procurando um ponto de vista, uma das visões que se podem imaginar sobre o acontecerá.

A idéia geral é que possamos contemplar o mundo a partir do local em que nascemos e vivemos. Não uma visão restrita, petrificada, estanque, fanática, ortodoxa, de seita, egoísta, estreita, excessivamente limitada, somente conservadora, narciso, masoquista ou sádica; um pensamento sobre a morte, mas também um pensamento sobre a vida.

Todos os campos do conhecimento humanos devem ser contemplados, em todos os seus aspectos, seja no político, ideológico, sociológico, antropológico, filosófico, psicológico, pedagógico, histórico, geográfico, das artes e da cultura em geral.

No entanto, deve-se evitar qualquer tipo de preconceito, discriminação, seja de ordem moral, religioso, de etnia, de gênero, de idade, ou mesmo de cunho político-ideológico.

No entanto, do ponto de vista da democracia, não podem ser toleradas visões que queiram acabar com a própria democracia, o que seria intolerável, visto que atinge um dos pressupostos básicos da vida em sociedade na modernidade.

Nesse sentido, qualquer forma de totalitarismo, anti-semitismo, racismo, machismo ou fundamentalismo, seja de origem política ou religiosa, de qualquer tipo, devem ser enquadrados dentro das leis vigentes no país.

Cidade Isolada, Cultura Isolada?

Como analisar o progresso da cidade de Bagé, ao longo dos anos? De uma cidade cosmopolita, com a presença de grandes eventos de caráter internacional, uma cidade que ansiava em copiar as grandes metrópoles, para uma cidade de costas para o Uruguai, com o olhar em São Paulo, isolada da metade norte do Estado, com poucas estradas de comunicação com o exterior e com o próprio Brasil, com estradas de terra, consolidando uma cultura isolada, peculiar, própria.

Do ponto de vista turístico, uma cultura peculiar para mostrar para o mundo.

Alguns Temas

Como estamos no ano de 2006, caberiam algumas projeções sobre o que pode acontecer em 20011.

1º Tema: O Dia 17 de julho de 1811.

Nesse tema, a idéia é identificar notícias, relatos, providências, todas relacionadas especificamente ao dia 17 de julho de 1811.

2º Tema: A Utopia, a Cidade Moderna, o Território Mítico, a arquitetura:

Nesse tema, uma abordagem arquitetônica da cidade, como ela foi pensada, construída, seus dilemas urbanos, a própria urbanização, as malocas, as favelas, o centro da cidade, a luz elétrica, o saneamento básico, a pavimentação, a água potável, o telefone, o automóvel, a televisão.

3º Tema: Maquete da Cidade Antiga

Nesse tema, pretende-se a construção de uma peça que constitua um polo de atração turística, em exposição permanente, reconstituindo, de forma fidedigna, pormenorizada, a cidade de Bagé, de antigamente, em que os visitantes poderão confrontar a cidade de antes e a cidade atual através: a) sistema de navegação por referência com percursos livres; b) visualizar cenas históricas; c) cenas do cotidiano; d) animações 3D; e) Quiosques multimídia.

4º Tema: Cartas Antigas e Viagens

Nesse tema, pretende-se visualizar o correio, a correspondência, as cartas, os contatos com o mundo, a caligrafia, as amizades no mundo, as comunicações de antigamente; Como chegar a Bagé (a carruagem, o trem, o automóvel, o avião).

5º Tema: Museu da cidade:

Nessa tema, pretende-se a construção de um espaço, em que as diversas exposições serão realizadas, seja de forma temporária ou permanente, inaugurando novas formasinterpretativas e de exploração do passado, usando materiais, técnicas, linguagens atuais, com recursos de tecnologia de informação.

6º Tema: As Praças de Bagé:

Nesse tema, pretende-se resgatar o funcionamento, na cidade moderna, desse tipo de espaço; o cotidiano da cidade; a reconstrução da cidade; as intervenções urbanas; as zonas da cidade; os edifícios; as ruas, através de um roteiro turístico pela cidade, como também através de colóquios, conferências, seminários, edições e outras atividades.

7º Tema: A Cidade através da fotografia

Nesse tema, pretende-se mostrar a documentação fotográfica sobre Bagé, os fotógrafos, os eventos.

8º Tema: A Cidade através do Livro

Nesse tema, pretende-se mostrar o que se lia na cidade de Bagé, divulgando as obras clássicas, tanto as escritas por autores locais, como de outros autores do mundo. Encontros com os escritores locais e regionais, bem como de todo o país.

9º Tema: A História Militar de Bagé

Nesse tema, pretende-se organizar roteiros turísticos que valorizem a história militar de Bagé.

10º Tema: A História Legislativa do Município

Nesse tema, pretende-se resgatar a memória das leis que foram feitas em Bagé, no Rio Grande do Sul e no Brasil.

11º Tema: As grandes catástrofes que abalaram a história de Bagé

Os cuidados com os habitantes, a simulação dessas catástrofes, a defesa civil, os bombeiros,

12º Tema: A História da Saúde na Região

Os ferimentos, as doenças, os doentes, os desamparados, a morte, os hospitais, a medicina, as farmácias, os remédios, as epidemias.

13º Tema: Os Cemitérios:

A história dos cemitérios em Bagé, sua localização, os costumes, os comportamentos, os enterros, os mausoléus, mármores, catacumbas, registros, excentricidades, exotismo, transporte, religiosidade. O campo e a cidade.

14º Tema: A população marginal

Os roubos, os castigos, os ladrões, a segurança das casas, a segurança das instituições, a cadeia, a escravidão, as leis, os costumes, a alimentação dos presos, o transporte. O crime e a imprensa: os crimes que abalaram Bagé.

15º Tema: A História da Religiosidade em Bagé

Os Padres, as Freiras, a clausura, os bispos, ascapelas, igrejas, catedrais, grutas, procissões, festas, espetáculos, música, encenações, religiões de Bagé, lugares místicos, o batuque, o espiritismo, os protestantes.

16º Tema: Os Movimentos Migratórios

Os emigrantes em Bagé: Espanhóis, Italianos, Alemães, Judeus, árabes, japoneses.

17º Tema: A Educação em Bagé

As primeiras escolas, os primeiros professores, os métodos, a tecnologia, os instrumentos, o mobiliário, os costumes, as avaliações, o colégio Nossa Senhora Auxiliadora, o colégio Espírito Santo, o colégio protestante.

18º Tema: Arqueologia na Região:

Os indígenas, os animais pré-históricos; flora, fauna, cavernas.

19º Tema: As Missões Jesuíticas na Região

O Posto de Santa Tecla e região.

20º Tema: O Império

O Conselho Municipal; os conselheiros; políticas públicas; as leis; a formação da cidade. As Invasões na fronteira.

21º Tema: A Escravidão em Bagé

Os primeiros escravos, a estância, o escravo campeiro, o escravo urbano, os avisos nos jornais, os costumes, os castigos, as fugas, as prisões, vestuário, o gaúcho e o escravo, as amas de leite.

22º Tema: A República

A instalação da República em Bagé; o republicanismo na região; governos e governantes; as políticas públicas; os relatórios dos Intendentes e Prefeitos.

23º Tema: Tertúlia Literária

Construções literárias sobre Bagé, no tempo e no espaço.

24º Tema: As Artes em Bagé

Gravuras, desenho, pintura.

25º Tema: A Família em Bagé

Os grupos familiares, as atividades, os costumes.

26º Tema: Os jornais em Bagé

Os diversos jornais de Bagé, no tempo. As mudanças. As grandes reportagens.

27º Tema: As rádios em Bagé

As diferentes rádios, o primeiro aparelho de rádio, os radialistas, a propaganda.

28º Tema: A Televisão em Bagé

A história da Televisão em Bagé: os aparelhos de televisão; a reprodução da programação; a produção; a história; os repórteres e reportagens.

29º Tema: A história da Banda Municipal de Bagé

A primeira banda municipal, músicos, músicas, partituras, ensaios, apresentações.

30º Tema: A Cidade Através da Música

Concerto Musical evocativo aos 200 anos de Bagé, com orquestras de todo o país.

31º Tema: A Música de Bagé

A Música de Bagé em seus 200 anos, seus intérpretes, letras, ritmos, melodias, composições.

32º Tema: A História do Futebol Bageense

Os atletas, os clubes, os estádios, as equipes.

33º Tema: Os próximos 200 anos: A Bagé do Futuro

Exercício livre de imaginação criativa.


[1] Diretor do Arquivo Público Municipal de Bagé. Mestre em História do Brasil.

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