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domingo, 25 de julho de 2010

A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA EM BAGÉ

28 DE SETEMBRO DE 1884[1]

Apresentação

Cláudio Antunes Boucinha[2]

Na medida em que se sucedem atitudes ou iniciativas que pretendem valorizar a etnia negra, resgatando a história do negro e da escravidão em nosso país, vale à pena lembrar a colaboração de Tarcísio Antônio Costa Taborda, em 1984, quando do centenário da Abolição da Escravatura em Bagé, com o artigo (publicado em forma de livreto) “A Abolição Da Escravatura Em Bagé: 28 De Setembro De 1884”.

A idéia é inserir a data de 28 de setembro (de 1884), no calendário de eventos culturais da cidade.

Nesse sentido, pretende-se que o dia 28 de setembro seja organizado em torno de uma programação, buscando parcerias com o poder público.

Para que se compreenda o processo de abolição que aconteceu em Bagé e região (visto que o mapa de Bagé atual – 2007 – não corresponde, nem de longe ao mapa de Bagé antigo – 1884 -; e muito menos com o mapa de Bagé do ano 1846, quando houve a primeira definição de seus limites), é preciso que se considere o contexto histórico da época, a conjuntura em que estava inserida a abolição no país, especialmente a partir da Lei do Ventre Livre, de 1871, que configurou um novo estatuto ligado a escravidão, o Fundo de Emancipação de Escravos, que deu margem para que grupos organizados da sociedade civil, ou até mesmo movimentos espontâneos da população negra, buscassem o aprofundamento da crise do Estado e do escravismo que existia no Brasil.

A Lei do Ventre Livre

A lei n.o 2.040, de 28 de setembro de 1871, que ficou conhecida como a Lei do Ventre Livre, por conta do cabeçalho de seu primeiro artigo, tratava de aspectos diversos da escravidão e de maneiras de um escravo adquirir sua liberdade.

A Lei Rio Branco, como também foi conhecida, era um sistema complexo que visava a uma extinção gradual do escravismo, garantindo, contudo o interesse dos proprietários e a condição livre dos que nascessem dali em diante.

Além de garantir o ventre livre, ainda que em condições extremamente vantajosas aos senhores das mães, a lei reconhecia pela primeira vez o direito do escravo ao acúmulo de uma poupança, chamado pecúlio, para com ele comprar a sua própria liberdade.

Até então, a concessão de liberdade era prerrogativa do senhor, pelo menos no que tange aos mecanismos legais.

Considerada uma débil tentativa de abolir a escravidão, criticada pelos escravistas por ser uma tentativa e pelos abolicionistas por ser débil, a lei do Ventre Livre trouxe mudanças significativas ao escravismo do Brasil, por demonstrar um engajamento do próprio governo na erradicação do sistema e possibilitar novas maneiras de os próprios escravos, ou de outros agindo em seu benefício, buscarem modos de abandonar a condição servil.

Com todas as suas falhas e hesitações, é inegável que a lei de 1871 abalou profundamente o escravismo no Brasil.[3]

O Fundo de emancipação de escravos

A Lei 2.040 também instituiu um fundo de emancipação de escravos, a ser constituído nos municípios, e que receberia recursos do Império para classificar e alforriar escravos.

A iniciativa era uma tentativa do governo central de apressar a libertação no país, mas que obteve resultados muito fracos.

A historiografia que trata da abolição é curiosamente lacônica a respeito do fundo de emancipação dos escravos, e seria interessante analisarem-se as razões desse silêncio.

Certamente que todas as boas obras a respeito do assunto o mencionam, mas apenas como mais um mecanismo criado pela lei, cuja pouca relevância se explica pela pequena quantidade de escravos que libertou; sobretudo se comparado a outras modalidades de manumissão, ou mesmo como uma instituição pouco ambiciosa e que teria fracassado em seus objetivos.

Robert Conrad o descreve como não mais que

"um gesto humanitário, um instrumento de libertação menor ou uma prova de boa vontade. Na pior das hipóteses, foi um meio para os proprietários se desembaraçarem dos seus escravos menos úteis a preços muito satisfatórios”.

Destaque-se que o autor, utilizando preferencialmente fontes oficiais, tais como Anais do Senado, Relatórios do Ministro da Agricultura, além de jornais e livros sobre o tema, capturou com mais facilidade os problemas do fundo do que sua operacionalidade e seus processos bem-sucedidos.

Na documentação que utilizo nesta pesquisa, transcrita dos arquivos do Fórum Municipal de Florianópolis, os processos do fundo de emancipação permitem uma visão distinta da apresentada pelo brasilianista.

Esse suposto "fracasso" merece ser questionado.

De fato, o fundo deixou muito a desejar quanto à quantidade de escravos manumitidos (alforriados), por conta das pequenas verbas de que dispunha, e certamente foi abusado em diversas regiões e diversos momentos.

No entanto, a existência de uma instituição governamental visando à libertação de escravos era uma demonstração de que a escravidão já não era mais tolerada pelo Império como havia sido, a ponto de este alocar recursos para o seu combate.

Ademais, o fundo de emancipação afetou de alguma maneira a vida de escravos, senhores e libertos.

Na terminologia de Michel de Certeau, quais eram as táticas que lhes permitiam escapar à dominação de um sistema opressivo.

O tratamento dispensado ao fundo pela lei n.o 2.040 não ia além da descrição das fontes de recursos com que contaria.

Foi a Resolução n.o 5.135, de 13 de novembro de 1872, que regulou a classificação dos escravos para serem libertados pelo fundo.

A preferência para a libertação foi dada às famílias, especialmente quando pertenciam a senhores diferentes ou quando envolvessem escravos jovens e suas mães.

Indivíduos isolados eram preteridos em um primeiro momento, o que costumava significar, dado o baixo valor destinado ao fundo, que ficariam continuamente de fora da classificação. [4]

Campanha abolicionista

Em 1880, políticos e intelectuais importantes, como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio, criam, no Rio de Janeiro, a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, que estimula a formação de dezenas de agremiações semelhantes pelo país.

Da mesma forma, o jornal O Abolicionista e o manifesto O Abolicionismo, de Nabuco, e a Revista Ilustrada, de Ângelo Agostini, servem de modelo a outras publicações antiescravistas.

Advogados, artistas, intelectuais, jornalistas e parlamentares engajam-se no movimento e arrecada fundos para pagamento de cartas de alforria, documento que concedia liberdade ao escravo.

Em 1884, o Ceará antecipa-se e decreta o fim da escravidão em seu território. [5]

A Abolição no Ceará

Comparado com outros estados do país, o Ceará não recebeu um grande número de escravos (em torno de 35 mil, segundo dados históricos).

Vindos principalmente de Angola e Congo, seu preço era caro para a economia baseada em gado extensivo, atividade que não carecia de muita mão-de-obra e facilitava a fuga dos escravos para o sertão.

A crise econômica do final do século XIX, agravada por grandes secas, resultou na venda de escravos para outras regiões do país.

Numa tentativa de manter o sistema escravocrata no Norte/Nordeste, fazendeiros paulistas conseguiram a proibição legal dessas transações.

Com a medida, no entanto, tornou-se inviável sustentar escravos nas fazendas cearenses, o que acelerou o processo de libertação.

Desde 1868 já havia uma orientação e verba da Assembléia Provincial para libertar escravos, de preferência do sexo feminino; e recém-nascidos.

O próprio governo instituíra, em 1868, por meio da lei nº 1.254, um “fundo especial de 15 contos de réis por ano, para a manumissão de cem escravos que fossem nascendo e levados a pia batismal, de preferência do sexo feminino”.[6]

Maçonaria

Começaram a aparecer no Ceará sociedades civis de combate à escravidão, entre elas a loja maçônica Fraternidade Cearense e a Sociedade Perseverança e Porvir (1879).

Em 1880, surge em Fortaleza a Sociedade Cearense Libertadora, composta por 225 sócios que se reuniram sob o juramento “matar ou ser morto em bem da abolição”.

O jornal Libertador, mantido pelo grupo, denunciava em suas páginas abusos contra escravos e, organizando manifestações públicas, pregava o fim do comércio negreiro.

E as organizações libertárias, que foram se constituindo, cumpriram um papel propulsor, como a “Sociedade Perseverança e Porvir”, o “Centro Abolicionista 25 de Dezembro”, a “Sociedade das Senhoras Libertadoras”.

“Por sua vez, a ‘Sociedade Cearense Libertadora’, fundada em 1880, se propunha, com enorme audácia, libertar os escravos por todos os meios ao seu alcance”.

As Sociedades Libertadoras, além da pregação política, se entregavam à tarefa de obter a alforria de escravos, pela pressão social junto aos escravocratas, pela campanha para angariar fundos e comprar escravos, ato contínuo libertando-os, e pela articulação da fuga de escravos, dando-lhes guarida e defesa, inclusive transferindo-os de uma Província para outra.

O jornalista José Lino da Justa, na série de artigos “Vultos da Abolição no Ceará” (que remontam a 1938), revela quanto ousava a ação libertadora: “Aqui, em Fortaleza, chegavam até a arrebentar, de bordo dos vapores, escravos que em trânsito procediam do Norte”.[7]

Jangadeiros

Nesse contexto, não cabe estranhar que, a 27 de janeiro de 1881, os jangadeiros, tendo à frente Francisco José do Nascimento, tenham assumido a responsabilidade histórica de proclamar: “No porto do Ceará não se embarcam mais escravos!”. O governo, por todos os meios, tentou esmagar o movimento.

Mas tudo em vão: os jangadeiros haviam abolido de fato o tráfico de escravos no Ceará. [8]

Acarape[9]

Em 1881, a campanha abolicionista convenceu os jangadeiros a não transportar mais escravos de uma região à outra.

Sob o slogan “No Ceará não se embarcam mais escravos”, o movimento, liderado por Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, ganha apoio total da população.

A campanha se espalha pelo interior.

Abolição Em Uma Vila

A vila do Acarape torna-se, em 1883, durante a visita do abolicionista José do Patrocínio, a primeira a libertar seus escravos.

A “Sociedade Cearense Libertadora” decidira, num gesto emblemático, alforriar todos os escravos de Acarape.

Vale dizer - e aí a força do símbolo-, abolir a escravidão na pequena vila...

A comissão da "Libertadora", composta de João Cordeiro, Almino Affonso, Antônio Martins e Frederico Borges, que visitara Acarape em novembro de 1882 - incumbida da pregação-, empolgou a cidadania.

Assim, quando se instalou o ato libertário, a 1º de janeiro de 1883, com a presença de José do Patrocínio (que viera do Rio de Janeiro para o evento) e das mais significativas lideranças do Ceará, foram distribuídas as últimas cartas de alforria.

Assim, quando se instalou o ato libertário, a 1º de janeiro de 1883, com a presença de José do Patrocínio (que viera do Rio de Janeiro para o evento) e das mais significativas lideranças do Ceará, foram distribuídas as últimas cartas de alforria.

Na pequenina vila, que logo mais se chamaria Redenção, todos se tornaram homens livres!

Na verdade, rompera-se a cadeia da escravatura no elo mais frágil...

Não obstante as dimensões de Acarape, a repercussão política daquela manhã foi enorme.

Joaquim Nabuco, em carta da Inglaterra, arrebata-se:

"O Ceará é maravilhoso. Parece incrível que essa Província faça parte do Império. Acarape é mais do que um farol para todo o país; é o começo de uma pátria livre".

Raul Pompéia, o grande romancista, derrama-se em louvores:

"O Acarape começa. Vai nascer o futuro".

De volta ao Rio de Janeiro, José do Patrocínio denomina o Ceará de "Terra da Luz".

Desafio à ordem

Na verdade, Acarape[10]representou um desafio à ordem constituída.

E um exemplo a ser seguido.

Não tardou muito e Fortaleza, a 24 de maio de 1883, também ousou libertar seus escravos.

Pelo interior afora, a correnteza abolicionista já não é contida.

Cidade por cidade, todas se orgulham de lavar-se do opróbrio escravagista.

Até que, a 25 de março de 1884, o presidente da Província - dr. Sátiro de Oliveira Dias - declara solenemente:

"A Província do Ceará não possui mais escravos!".

Os canhões da Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção reboaram, os sinos repicaram:

"É indescritível então o que se passou!".

Segundo Manoel Onofre os matutinos, em suas edições especiais, teceram

"homenagens aos vultos abolicionistas mais atuantes, notando-se o relevo dado à personalidade de João Cordeiro e à de Almino Affonso, entre os primeiros e outros denodados companheiros".

Raimundo Nonato, por sua vez, destaca a contribuição do combativo rio-grandense-do-norte:

"Fato que não padece dúvida é que toda a campanha abolicionista do Ceará teve na palavra de Almino Affonso um dos seus elementos decisivos, senão sua principal figura pelo entusiasmo com que empolgava a Terra da Luz".[11]

Imposto

A legislação foi fechando o cerco e, em 25 de março de 1884, o imposto sobre a propriedade de escravos tornou-se maior que seu valor de mercado, impulsionando o processo final de abolição.

Dados do Ministério da Agricultura indicam que, em pouco mais de um ano, foram soltos mais de 22.000 escravos.

A notícia se espalha por todo o país e renova o ânimo dos abolicionistas e escravos do Sul, que inclusive passaram a fugir para o Ceará, onde seriam livres. [12]

Acarape e Ceará

Figura 1 - Acarape: Fonte -http://www.ceara.com.br/imagens/Acarape.gif. Acessado em: 16 de maio de 2007. Hora: 11:34 h.

A Medalha (da Abolição) celebra o pioneirismo da Província do Ceará na libertação dos escravos, em 25 de março de 1884, antecipando-se à Lei Áurea, que só foi assinada no dia 13 de maio de 1888.

A Vila de Acarape, atual[13]Redenção, foi a primeira a libertar seus escravos, ainda em 1883. [14]

Efeito moral e político

Vale insistir: quatro anos antes da Lei Áurea, a Província do Ceará, pela vontade política e social de seu povo, tornou-se pioneira na abolição da escravatura.

Joaquim Nabuco em Paris, em 1900, fez justiça a essa raça de lutadores:

“A emancipação do Ceará foi o acontecimento decisivo para a causa abolicionista. O efeito moral da existência de uma Província livre, resgatada e desde então fechada para a escravidão foi imenso; o efeito político, imediato!”.

Ao impulso da maçonaria, fora organizada em Mossoró (RN), a Sociedade Libertadora Mossoroense, sob a liderança de Joaquim Bezerra da Costa Menezes, Romualdo Lopes Galvão, Miguel Faustino do Monte e Francisco Romão Figueira.

Ainda se ouviam as ressonâncias de Acarape e Fortaleza quando Mossoró, a 30 de setembro de 1883, também se engalanou para declarar-se livre da escravidão. Foram sete dias de festa.

Com a presença de Almino Affonso, que viera de Fortaleza para compartir com seus conterrâneos aquele momento de grandeza, o presidente da Sociedade Libertadora Mossoroense - Joaquim Bezerra da Costa Mendes - fez a declaração histórica: “Mossoró está livre: aqui não há mais escravos!”.

Sem desmerecer a contribuição de tantas outras lideranças, os que se têm dedicado à história da Abolição em Mossoró são unânimes em reconhecer em Almino Affonso o condutor daquela jornada, sobretudo pela sua palavra dominadora.

Câmara Cascudo, por exemplo, na sua “História do Rio Grande do Norte”, interpreta esse fascínio coletivo:

“Almino Affonso surgia para a multidão como seu predestinado, um super-homem, um semideus”.

E linhas adiante:

“Na abolição de Mossoró, Almino, que fora para magna cearense, passara a fronteira e conquistara a idolatria com sua voz estentórica, reboante e vastíssima”.

A irradiação do movimento abolicionista também se antecipara na Província do Amazonas.

A Sociedade Emancipadora Amazonense, fundada em 1870, da qual foi presidente Terneiro Aranha, de longe cumpria o seu papel de proselitismo.

E o próprio governo, amparado na lei de 24 de abril de 1884,

“consignou a quantia de 30 contos de réis, num orçamento de 2.500 contos, para completar as alforrias, ao mesmo tempo proibindo a entrada de novos escravos na Província do Amazonas”.

A 1º de maio de 1884 fora constituída, em Manaus, a “Sociedade Emancipadora 25 de Março”.

Almino Affonso, que há pouco chegara do Ceará, incorpora-se à campanha abolicionista no Amazonas, ao lado de figuras proeminentes da Província, como Lima Bacury José Paranaguá, Leonardo Malcher.

A 24 de maio de 1884, Manaus libertou seus escravos.

Segundo Robério Braga, jovem e brilhante historiador amazonense, foi “da maior relevância o desempenho de Almino Affonso e Gentil Rodrigues de Souza”, inclusive na obtenção de recursos para alforriar os escravos que ainda restavam nas senzalas.

Por fim, a 10 de julho de 1884, o presidente da Província, Dr. Theodureto Souto, proclama a emancipação dos escravos no Amazonas:

“Ficando assim, e de hoje para sempre, abolida a escravidão e proclamada a igualdade dos direitos de todos os seus habitantes”.

Antecipando-se às demais Províncias, o Ceará, o Amazonas e o Rio Grande do Norte souberam plantar a sementeira da igualdade social, muito antes que a Lei Áurea ousasse fazê-lo. [15]

A Abolição em Bagé[16]

A primeira notícia[17] que conseguimos apurar sobre o movimento em Bagé é dada por uma nota oficial de número 62, da 5ª Diretoria[18].

Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.

Palácio do Governo de Porto Alegre, 18 de janeiro de 1884.[19]

Com o seu ofício de novembro findo[20], recebi acompanhada de cópias do termo da audiência desse juízo do dia 12 do mesmo mês[21], uma relação de escravos aí declarados livres[22] por conta dofundo de emancipação.[23]

...

Cumpre informar que a supramencionada quota foi de 6.706$968.

Deus guarde V.mcê.

José Julio de Albuquerque Barros.[24]

Sr. Juiz de Órfãos do Termo de Bagé[25]. [26]

Figura 2: http://www.pgr.mpf.gov.br/procurador-geral/galeria/p1b.jpg . José Júlio de Albuquerque.

O documento acima nos dá conhecimento de que a preocupação abolicionista nesta cidade é, na pior das hipóteses, de fins de 1883.

Em 31 de janeiro de 1884, o Sr. Martins Bidart Filho[27]preocupava-se, em carta dirigida ao ''Independente'' de Bagé, em ver organizar-se uma Associação Abolicionista nesta cidade, entusiasmado com o extraordinário movimento que se verificava em todo o Império, de sociedades fundadas e outras se fundando para tal fim.

Confessava não ter iniciado uma associação dessa ordem, por reconhecer a sua fraca posição e influência para colocar-se á frente de seus co-munícipes e obter a sua realização.

“Tendo, porém, boa vontade para esse fim, e julgando o mesmo nos demais, vem por este meio despertar o público bageense, oferecendo a quantia suficiente para a liberdade de um indivíduo, ou de 600 a 800$000, como iniciador de uma lista de sócios, que subscreverão com o que quiserem a fim de que no dia de sua instalação, caso leve-se a efeito a organização da sociedade, possa essa cidade ou município imitar ou acompanhar as outras localidades, libertando um bom número de escravos”. [28]

Mostrava também, em outra parte de sua carta, a conveniência de uma associação de tal ordem, “(...) firmada em boas bases e confiada sua direção a pessoas interessadas pelo desenvolvimento e prosperidade, podendo trazer muitos benefícios em favor da libertação total da escravatura”. [29]

Essa carta vem confirmar a saliência especial que lhe dá, na benemérita cruzada da abolição em Bagé, o historiador Souza Docca.[30]

É certo que foi criado a sonhada associação ou Clube do Sr. Bidart, pois se tem notícia que ocupou a presidência o Cônego João G. Bittencourt [31], mas não conseguimos reunir elementos para dizer quando isto ocorreu.[32]

O mesmo historiador nos afirma que a cidade ficou liberta no dia 28 de setembro de 1884. [33]

A Abolição Da Escravatura Em Bagé:

28 De Setembro De 1884[34]

Tarcísio Antônio Costa Taborda

Bagé não vivia os seus melhores dias em 1884. Essa é, pelo menos, a impressão que dá a correspondência enviada pelo vereador Feliciano Antônio de Moraes, Presidente da Câmara Municipal, ao Juiz de Direito da Comarca de Bagé, Doutor Vicente Alves Rodrigues d'Albuquerque.

Contrabando

Esse documento, datado de 13 de maio de 1884, retrata Bagé atravessando uma tremenda crise, quando nada significava progresso, pois o comércio, "se não definha conserva-se estacionário", pela concorrência que lhe fazia o contrabando.

Indústria

A indústria era representada por duas fábricas de sabão e velas, dois curtumes, dois moinhos, além dos ferreiros, sapateiros e carpinteiros, "como se vêem em todas as povoações, em maior ou menos escala".

Rigorosa Seca

Por sua vez, a pecuária se apresentava estacionária, com tendência a grandes prejuízos, pela seca rigorosa que se atravessava.

Estrada de Ferro

Havia uma grande esperança em torno da construção da estrada de ferro que, vindo de Rio Grande, se dirigia para Cacequi e daí atingiria a Capital e Uruguaiana.

Meios de Transporte

Enquanto isso, as carretinhas, carruagens, diligências e cavalos eram os meios usados para se ir a Porto Alegre, via Pelotas, usando, depois o Rio São Gonçalo e a Lagoa dos Patos, ou via pontas do Rio Pardo e Cachoeira, para seguirem pelo Rio Pardo ou pelo Jacuí.

População

Foi, pois, num clima assim, que Bagé, contando com uma população de cerca de 16.000 almas, ingressou na campanha pela abolição da escravidão.

Campanha pela Abolição da Escravidão

Primeira Manifestação

Em 16 de fevereiro de 1884, o jornal“Independente” publicava uma carta de Martin Bidart Filho convidando os bageenses para fundar uma sociedade abolicionista e oferecendo o valor de 600$000 a 800$000, valor de um indivíduo, para abrir a lista destinada ao fundo de libertação.

Era a primeira manifestação pública, a demonstração que o desejo de abolição da escravatura já fervilhava nas rodas e entre as lideranças da comunidade.

Clube Abolicionista de Bagé

Em seguida se aglutina o Capitão Rodrigo Nunes Galvão, José Bonifácio da Silva Tavares, Zeferino Gomes de Freitas e Manoel Dias dos Santos, para a organização do Clube Abolicionista de Bagé. [35]

Assim, no Domingo, dia 16 de março de 1884, na casa do Capitão Rodrigo Nunes Galvão, era fundado o Clube, com o apreciável número de 35 sócios. [36]

Na distribuição das tarefas coube ao Capitão Galvão, juntamente com Zeferino Gomes de Freitas e Jorge Reis, integrar a comissão que redigiria os estatutos da novel entidade, voltada para a grande tarefa de extirpar do solo bageense a mancha da escravidão.

Para angariar novos sócios foram constituídas outras comissões em que apareciam nomes como José Bonifácio da Silva Tavares, Viriato Vieira da Silva, Manoel Dias dos Santos, entre outros.

O jornal ''Cruzeiro do Sul'', de Jorge Reis, pôs suas colunas a serviço da causa abolicionista e en seu número de 03 de abril de 1884 publicava a seguinte nota:

''Clube Abolicionista - Devido aos esforços de alguns cidadãos patrióticos, foi instalado, se bem que com pequeno número de sócios, o Clube Abolicionista Bageense.

A civilizadora idéia da redação dos cativos, vencendo as maiores dificuldades, levanta-se com a impetuosidade do tufão, de norte a sul do Império, conquistando as mais legítimas e sinceras adesões.

Sempre triunfantes, ela, a mais legítima aspiração desta terra do Cruzeiro, comove a todos os corações, entusiasma a alma do povo, acende o patriotismo, e como movida por mágico poder agrupa em torno de si as simpatias públicas.

Já era tempo do Brasil trocar as algemas infamantes de centenares de escravos, pela bandeira abençoada da redenção dos cativos.

Assim o compreenderam as beneméritas Sociedades Abolicionistas que em toda à parte entoam hinos sagrados á liberdade.

A heróica Província do Ceará, a mártir dos horrores da fome e da seca, deu-nos a mais edificante prova do seu devotamento pela nobre causa da emancipação.

Parece que mesmo no sofrimento, entre as lágrimas e a peste que ceifou imensas vidas, os briosos cearenses não descuraram um só momento da grandiosa obra da civilização que é o seu pendão de glória e fará no futuro a felicidade da Pátria.

É completamente livre o Ceará!

Em seu solo não existe um único escravo!''

Logo a seguir, continuava Jorge Reis com esta outra proclamação:

''A Província do Rio Grande do Sul, que por espaço de dez anos desfraldou o estandarte o estandarte tricolor da liberdade, que se tornou respeitada e preponderante nos destinos do Brasil, não deve ficar aquém, temos certeza, da nossa irmã do norte.

Guarda avançada do extremo sul do Império, a primeira a chocar-se com o inimigo no campo de batalha, não pode, esta terra de heróis, deixar de acompanhar ativamente o movimento progressista da época, tudo enviando para a completa extinção do cancro da escravidão, que tanto nos humilha aos olhos do estrangeiro.

Bagé tem patenteando o seu espírito altamente abolicionista nas inúmeras cartas de liberdade generosamente concedidas, sendo certo, que a estatística escrava tem diminuído consideravelmente. Tudo isso devido á filantropia de seus habitantes.

Hoje[37] que temos um nascente, mas prometedor Clube Abolicionista, em maior escala serão concedidas manumissões.

É preciso, porém, que o Clube Abolicionista não se afaste de certa norma de conduta, deixando-se levar por condescendências que podem prejudicar os interesses da causa que representa.

Não temos nem nunca possuímos escravos, por isso não queremos que a malevolência diga que por essa razão depreciamos a propriedade alheia.

Como jornalista, humilde, embora sem mérito, temos o direito de manifestar nossa opinião a respeito de tão negro assunto.

Entendemos que um escravo, dos bons e morigerados, não pode valer mais que 500$000 rs.

Não compreendemos como certos senhores pedem por um escravo que dizem ser preguiçoso e de maus costumes, 1:000$000 rs.

É isto um abuso que não se conta.

O Clube Abolicionista deve ter muito em vista estas circunstâncias, não se sujeitando a exigências desordenadas, que vão onerar os fundos da associação.

Para a concessão da liberdade deve o Clube Abolicionista observar a mais rigorosa justiça e equidade, a fim de que de parte dos libertados não se levante a menor queixa.

Estão lançadas as bases o grandioso templo onde se hão de celebraros atos fervorosos á liberdade, que há de iluminar o céu da Pátria.

Mostre cada cidadão à grandeza de seu coração partindo as pesadas algemas que prendem os míseros cativos.

Avante!

Obreiros do progresso heróis dessa cruzada humanitária, que as bênçãos da posteridade cairão sobre vós''.

O ''Álbum do Bem'', onde seriam escritos com letras de ouro os nomes daqueles filantrópicos cavalheiros que ''movidos pelo seu espírito eminentemente abolicionista, acabam de conceder liberdade a seus escravos'', foi instituído pelo Clube Abolicionista, e era divulgado pelo jornal "Cruzeiro do Sul”.

Entre os nomes lavrados a ouro, estava o do Comendador Candido Xavier de Azambuja, que concedera liberdade a oito de seus dez escravos.

O Sr. Bento Gonçalves Azambuja e o Sr. Gaspar José dos Santos Menezes, também libertaram os seus escravos, da mesma forma que o fizeram o Presidente da Câmara Capitão Feliciano Antônio de Moraes, o Dr. Candido Dias de Borba, o Major João Pompilio Bueno, João Anacieto Goulart e José Izaias do Amaral.

Também se proclamavam os nomes daqueles que se quotizavam para conceder a liberdade de escravos alheios, como foi o caso da preta Maria, escrava de Francisco Ventura, que foi libertada pela coleta feita entre o Major Felipe Martins, que deu a metade de seu valor, e as contribuições do Dr. Pedro Osório Filho, Major Manoel Luiz da Rocha Osório, Neru S. Martins, Martin Bidart e Cornélio Vieira.

Ia, assim, ''a idéia abolicionista caminhando triunfante entre nós'', já em 24 de julho de 1884.

Faziam-se quermesses, rifas, tômbolas, leilões, tudo o que permitisse reunir dinheiro para a libertação dos escravos.

Sugestivos ''slogans'' eram divulgados por todos os meios.

A carta que Vítor Hugo escrevera a José do Patrocínio era distribuída em folhetos. Contos onde se pintavam os horrores da escravidão se espalhavam pela cidade e campanha.

A atividade do Clube Abolicionista ia num crescendo, como num crescendo vinham às adesões á sua campanha.

Quando chegou a Bagé a notícia de que no dia 7 de setembro de 1884 Porto Alegre havia redimido seus escravos, chegou também o apelo de Joaquim Pedro Salgado estimulando a população local a seguir o gesto benemérito.

Jorge Reis, pelas colunas de seu Jornal dizia: ''O Povo de Bagé se entusiasmou aos hinos de liberdade que soam por toda a Província''.

Para comemorar a data que dava o nome ao Clube local, resolveram os seus dirigentes, que a emancipação seria a 28 de setembro, quando a Lei do Ventre Livre completaria seu 13º aniversário.

Nesse dia o povo foi convocado para se reunir na Praça da Matriz, a fim de pedir á Câmara Municipal que proclamasse o fim da escravidão.

Naquele Domingo primaveril, Bagé estava engalanada. Ás 16 horas, a câmara se reunira extraordinariamente, a fim de receber o apelo do povo.

Toda Bagé, por suas mais ilustres figuras, por seus mais modestos filhos, se aglomerava na Praça.

Eram as sociedades recreativas e beneficentes, como seus estandartes, eram as colônias estrangeiras, com suas bandeiras, era o povo em sua roupa domingueira, que ali estava para ser testemunha de um grande acontecimento.

Quando os sinos repicaram, da casa do Padre Bittencourt, saiu incorporado o ''Clube Abolicionista de Bagé 28 de setembro''.

Á frente ia o próprio padre-vigário, seu presidente seguido pelos dirigentes, por senhores, senhoras e senhoritas associados ao Clube.

O cortejo da redação, com seu estandarte alçado pela mão da Srta. Lídia de Liano foi recebida sob intensa ovação popular.

Uma guarda, composta de oficiais e soldados do 5º Regimento, postada à porta da igreja, fez continência ao cortejo que se dirigiu para o Paço da Municipalidade, onde hoje está a Escola Monsenhor Costabile Hipólito e foi recebido pela ilustríssima Câmara.

O recinto estava apinhado, mas quando o Padre Bittencourt falou e explicou os anseios do povo, pedindo por fim a, libertação dos escravos que ainda havia no município, o silêncio foi quebrado por estrepitosas aclamações, como a mostra á Câmara que o Povo desejava ardentemente seu pronunciamento.

Cessados os aplausos, levantou-se o capitão Feliciano Antonio de Moraes - Presidente da Câmara - que, em breve discurso congratulou-se com o Povo, por aquele nobre ideal, e declarou que aquela corporação, pela unanimidade de seus membros, proclamava extinta a escravidão no Município, e para que aquele momento nunca fosse esquecido, a Praça da Matriz, que fora cenário de tão grato acontecimento, passaria a chamar-se Praça da Matriz, que fora cenário de tão grato acontecimento, passaria a chamar-se Praça da Redenção.

Como a completar aquelas palavras, bombas e girândolas de foguetes e repiques festivos dos sinos, encheram os ares, ao mesmo tempo em que os estandartes, e bandeiras, e chapéus, e lenços abanavam numa demonstração do contentamento pelo ''ato grandioso e nobre da libertação de Bagé''.

Reunidos na Igreja, foi entoado, em seguida, um Te-Deum, em ação de graças. Dali, uma grande passeata percorreu as ruas da cidade, dando expansão á alegria popular, rumando, após, para o Teatro 28 de Setembro, onde, outra vez irmanados povo e autoridades, desfilaram oradores: Freitas, José Batista Pereira, o Capitão Serafim Souza e Antenor Soares, Idelfonso da Cunha Ribeiro e José Teixeira.

A festa da libertação continuou até horas adiantadas, tendo havido um grande leilão, reunido meios para colaborar com outros municípios, na campanha da redação dos escravos, pois Bagé já libertara todos os pretos que viviam em seus territórios.

Sessão extraordinária comemorativa da redação dos escravos da Cidade de Bagé

Presidência do Sr. Cap. Feliciano Antonio de Moraes

Aos vinte e oito dias do mês de setembro do ano de 1884, no Paço da Câmara Municipal, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, reunida ás quatro horas a corporação da mesma, com os Senhores Vereadores abaixo assinados e assistências das autoridades, senhoras e cavalheiros, foi aberta a sessão.

O Senhor Presidente declarado que convocara a Câmara para comemorar a libertação dos escravos na cidade, propôs para solenizar de uma maneira perdurável o fato grandioso e patriótico que a Praça da Matriz passe a denominar-se - Praça da Redenção.

É unanimemente aprovada esta proposta.

Propõe também que se consigne na ata um voto de louvor ao incansável e patriótico Clube Abolicionista de Bagé, pelos importantes serviços já prestados á causa da humanidade e da justiça.

É também unanimemente aprovada.

Em seguida participa que vai convidar o mesmo Clube a dar entrada no salão, e nomeia para recebê-la uma comissão composta dos Senhores Vereadores José Bonifácio da Silva Tavares, Martin Bidart Filho e Domingos Fernandes de Mesquita.

Comparecendo o Clube perante a reunião da Câmara ofereceu uma relação contendo os nomes de todos os proprietários de escravos residentes na cidade com as liberdades concedidas, cuja relação foi lida pelo presidente do mesmo Clube, o qual nessa ocasião fez ciente que concluída que seja a emancipação no Município, serão então apresentadas á ilustríssima Câmara o livro das atas de seus trabalhos, e um livro especial em que constará a relação de todas as libertações conferidas com os nomes dos libertados e respectivos senhores.

Em ato contínuo, pelo presidente da Câmara Municipal, depois de uma alocução análogas, proclamou a redação dos cativos da Cidade, que em seguida foi à mesma anunciada a todos os habitantes com salvas, repiques de sinos, etc.

Após, o Senhor Presidente da Câmara levantou a sessão dirigindo-se todos á Igreja para assistirem a um solene Te-Deum em ação de graças pela extinção dos cativos.

E eu Joaquim do Amorim Carvalho, secretário, lavrei esta ata.

Feliciano Antonio de Moraes

Domingos Fernandes de Mesquita

José Bonifácio da Silva Tavares

Martin Bidart Filho

Gaspar Corrêa da Silva

Cônego João Inácio de Bittencourt

Felipe Martins

Serafim dos Santos Souza

Dr. Pedro Osório Filho

Antenor Cancio Lopes Soares

João M. Peixoto

Domingos Damé

José Rodrigues Crespo Candiota

José Francisco de Freitas

Francisco de Paula Sá

Plácido Germano

Pedro Gonçalves Rodrigues

Antonio Paulo Fontoura

Pedro Rodrigues de Borba

Valeriano José Lopes

Dr. Antonio Marques da Silva Pavão

Dr. José Francisco de Azevedo Penna

Cornélio Vieira da Silva

Dr. Nicanor Peña

Jorge Reis

Referências Bibliográficas

CONRAD, Robert. Os últimos anos da escravatura no Brasil. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1978.

CERTEAU, Michel de. A Invenção do Cotidiano. Volume 1 – Artes de Fazer. Petrópolis, Vozes, 2000.

TABORDA, Tarcísio Antonio Costa. A Abolição da Escravatura em Bagé: 28 de Setembro de 1994. Bagé: Museu Dom Diogo de Souza/FAT-FunBa, 1984.


[1] MUSEU DOM DIOGO DE SOUZA.FAT/FUnBa. Bagé: 1984.

[2] Diretor do Arquivo Público Municipal de Bagé. Mestre em História do Brasil (PUCRS).

[3] Fonte: DAUWE, Fabiano. A Escravidão E O Fundo De Emancipação De Escravos Em Desterro: 1872-1888. In:http://www.multiculturalismo.hpg.ig.com.br/txtFabiano.htm.Acessado em: 04 de abril de 2007. Hora: 22:07 h.

[4] Fonte: DAUWE, Fabiano. “A Escravidão E O Fundo De Emancipação De Escravos Em Desterro: 1872-1888”. In:http://www.multiculturalismo.hpg.ig.com.br/txtFabiano.htm.Acessado em: 04 de abril de 2007. Hora: 22:07 h.

[5] Fonte:http://www.unificado.com.br/calendario/05/abolicao.htm. Acessado em: 16 de maio de 2007. Hora: 11:18 h.

[6] Fonte: AFFONSO, Almino. “A Abolição antes da Lei Áurea”. São Paulo: Folha de São Paulo, 07 de maio de 2000.www.race.nuca.ie.ufrj.br/journal/a/affonso1.doc . Acessado em 16 de maio de 2007. Hora: 19:51 h.

[7] Fonte: AFFONSO, Almino. “A Abolição antes da Lei Áurea”. São Paulo: Folha de São Paulo, 07 de maio de 2000.www.race.nuca.ie.ufrj.br/journal/a/affonso1.doc . Acessado em 16 de maio de 2007. Hora: 19:51 h.

[8] Fonte: AFFONSO, Almino. “A Abolição antes da Lei Áurea”. São Paulo: Folha de São Paulo, 07 de maio de 2000.www.race.nuca.ie.ufrj.br/journal/a/affonso1.doc . Acessado em 16 de maio de 2007. Hora: 19:51 h.

[9] Acarape

Toponímia:

Na língua tupi “dos Acarás.

Variação Toponímica

De Acara pé, Caminho dos Acarás, Canal do Peixe ou Caminho das Garças.

Desmembrado de Redenção.

História

Poder-se-ia admitir Acarape como sendo nada mais nada menos que simples prolongamento urbano de Redenção.

Três quilômetros, apenas, separam os dois Municípios, guardando geologicamente as mesmas características de solo, assim como os mesmos referenciais hídricos, considerando para tanto as águas originárias do rio Pacoti e demais afluentes com represamento no Açude Acarape do Meio.

Evolução Política

Primitivamente o nome Acarape designava a sede do Município.

O então povoado chamava-se Calaboca.

Com o pioneirismo do Município subordinante, na libertação dos escravos no Ceará, houve-lhe por outorga honorária o nome de Redenção.

Ainda modesto, o povoado de Calaboca quis homenagear as suas maternais origens, passando a chamar-se Acarape.

Antes, porém, desse fraternal e justo acontecimento, a povoação de Calaboca recebeu do acaso a cota de benefício pelo qual foi responsável a Ferrovia Fortaleza-Baturité.

Esse benefício constou da Estação Ferroviária, construída pela Companhia e inaugurada a 26 de outubro de 1879.

O povoado, então, despertou do seu longo e marasmático pesadelo.

Pequenos comerciantes se estabeleceram.

Quando chegou o momento oportuno, os moradores se arregimentaram, requereram e obtiveram a elevação do povoado à categoria de Vila, tendo como instrumento de apoio a Lei nº 2.376, de 18 de setembro de 1926, ganhando, também, a mudança de nome.

Sua elevação à categoria de Município, já com a denominação atual, provém da Lei nº 11.308, de 16 de abril de 1987. Fonte:http://www.ceara.com.br/m/acarape/ . Acessado em: 16 de maio de 2007. Hora: 11:42 h.

[10] “Por ser uma região próxima do litoral tivemos desde muito cedo a presença do colonizador, que subiram no século XVIII o rio Pacoti em busca de terras férteis para produção de cana e pasto para o gado (pecuária)”.

“Chegando lá os missionários jesuítas, denominaram de caminho das garças ou Acarape, que na língua tupi quer dizer caminho do peixe (acara = peixe; pê: caminho).

Isso deu início a um período de escravismo colonial na região, com a instituição das fazendas e dos engenhos.

“Negros e índios eram escravizados para servir de mão-de-obra dos senhores da época”.

“Como em todo o Ceará, já no século XIX, os movimentos abolicionistas foram bem fortes na região, o que fez com que Redenção e Acarape, ganhassem a fama de ter sido a primeira região do Brasil a ‘libertar’ os escravos”.

“Entretanto, o fator mais importante desta ‘abolição’ era o próprio fato de que a produção econômica não requeria tanta mão-de-obra escrava e não dava tanto lucro aos senhores de engenho para que eles pudessem manter os custos da produção e da mão-de-obra”.

Chegava-se a ponto dos senhores de engenho em processo de falência venderem a preço de banana ou por sacos de farinha os seus escravos para outras regiões do país, inclusive para se safarem das dívidas que contraiam.

Na realidade essa "libertação dos escravos" foi apenas o reconhecimento de que não era lucrativo manter a escravidão no Ceará.

O município que hoje se chama Acarape era antigamente chamada de "Cala a Boca", demonstrando como as pessoas tinham que suportar todas as injustiças caladas.

A cidade que é hoje Redenção era a antiga Acarape, que ganhou este nome por ser considerada a primeira a "libertar" os escravos no Brasil. Fonte:http://www.nodo50.org/insurgentes/textos/autonomia/16dossie24abril.htm. Acessado em: 16 de maio de 2007. Hora: 11:47 h.

[11] Fonte: AFFONSO, Almino. “A Abolição antes da Lei Áurea”. São Paulo: Folha de São Paulo, 07 de maio de 2000.www.race.nuca.ie.ufrj.br/journal/a/affonso1.doc . Acessado em 16 de maio de 2007. Hora: 19:51 h.

[12] Fonte:http://www.santuarios.com.br/canoaquebrada/pagina.asp?pag=shs14 . Acessado em: 16 de maio de 2007. Hora: 11:13 h.

[13] Ano de 2007.

[14] Fonte:http://www25.ceara.gov.br/noticias/noticias_detalhes.asp?nCodigoNoticia=14458 . Acessado em: 16 de maio de 2007. Hora: 11:30 h.

[15] Fonte: AFFONSO, Almino. “A Abolição antes da Lei Áurea”. São Paulo: Folha de São Paulo, 07 de maio de 2000.www.race.nuca.ie.ufrj.br/journal/a/affonso1.doc . Acessado em 16 de maio de 2007. Hora: 19:51 h.

[16] MONTI, Verônica. O Abolicionismo: Sua Hora Decisiva no Rio Grande do Sul – 1884. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1985.

[17] Verônica Monti aponta a emancipação dos escravos em Bagé, um pouco antes do que registrou Tarcísio Antônio Costa Taborda.

[18] Aparentemente, informação que precisaria detalhes maiores.

[19] Correspondência originada em Porto Alegre, da Presidência da Província.

[20] Novembro de 1883.

[21] Dia 12 de novembro de 1883.

[22] Declarados livres em Bagé.

[23] O fundo de emancipação já estava em pleno funcionamento, em Bagé, em 1883.

[24] José Júlio de Albuquerque Barros. José Júlio de Albuquerque Barros, o barão de Sobral (Sobral, 11 de maio de 1841 — Rio de Janeiro, 31 de agosto de 1893) foi um político brasileiro. Filho de João Fernandes de Barros e Luiza Amélia de Albuquerque Barros, bacharel pela Faculdade de Direito do Recife em 1861 e doutor pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1870. Foi secretário do governo dos presidentes da província do Ceará Lafayette Rodrigues Pereira e Francisco Inácio Marcondes Homem de Melo. Foi deputado à Assembléia Geral do Ceará na 13ª legislatura (1867 - 1870). Foi presidente da província do Ceará, nomeado por carta imperial de 09 de fevereiro de 1878, de 8 de março de 1878 até 2 de julho de 1880. Foi também presidente do Rio Grande do Sul, nomeado por carta imperial de 02 de junho de 1883, de 16 de julho de 1883 a 19 de setembro de 1885. Após a proclamação da república foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal, tomando posse em 28 de fevereiro de 1891. Por decreto de 03 de março de 1892 foi nomeado Procurador-Geral da República, exercendo o cargo até falecer. Foi agraciado com o grau de cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa e os títulos do Conselho e de Barão de Sobral, em decreto de 19 de janeiro de 1889. Referência: BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Diccionario bibliographico brazileiro. Typographia Nacional, Rio de Janeiro, 1893. http://pt.wikipedia.org/wiki/José_Júlio_de_Albuquerque_Barros.

José Júlio de Albuquerque. Nascido em 11 de maio de 1841, em Sobral, Província do Ceará, era o Barão de Sobral, filho do Dr. João Fernandes de Barros e D. Luíza Amélia de Albuquerque Barros. Recebeu o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade do Recife em 1861 e obteve o grau de Doutor em 16 de dezembro de 1870 na Faculdade de São Paulo. Exerceu os seguintes cargos públicos na cidade natal: Promotor Público, Diretor da Instrução Pública, Secretário de Governo dos Presidentes Lafaiete Rodrigues Pereira e Francisco Inácio Marcondes Homem de Melo e Diretor do Liceu do Ceará. De 1867 a 1870, foi Deputado à Assembléia Legislativa, na sua 13ª Legislatura. Exerceu, ainda, a presidência de duas províncias do Império: a do Ceará, para que foi nomeado por decreto de 9 de fevereiro de 1878, e exonerado a pedido por decreto de 4 de maio de 1880; e a do Rio Grande do Sul, nomeação datada de 2 de junho de 1883, cargo de que foi exonerado por decreto de 12 de setembro de 1885. Foi do Conselho de Sua Majestade e Comendador da Imperial Ordem da Rosa. Ao se exonerar da presidência da província do Ceará, assumiu a Diretoria da Agricultura da Secretaria de Estado da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, nomeado que foi por decreto de 1º de maio de 1880. Da mesma forma, ao deixar a presidência da segunda província, assumiu a Diretoria Geral da Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça, cargo para que foi nomeado por decreto de 10 de agosto de 1885. Prestou relevantes serviços nesta função, colaborando com o Ministro da Pasta, Manuel Ferraz de Campos Sales nas reformas que realizou, principalmente na organização judiciária e na elaboração do Código Civil. Proclamada a República e organizado o Supremo Tribunal Federal, foi dele nomeado Ministro pelo decreto de 12 de novembro de 1890, tomando posse a 28 de fevereiro de 1891 para, em seguida, 3 de março, ser nomeado Procurador-Geral da República, cargo que exerceu até 31 de agosto de 1893, quando faleceu no Rio de Janeiro.http://www.pgr.mpf.gov.br/procurador-geral/galeria/copy_of_biografia-de-jose-julio-de-albuquerque.

JOSÉ JÚLIO DE ALBUQUERQUE BARROS, mais conhecido como “Barão de Sobral” filho do Dr. João Fernandes de Barros e D. Luiza Amélia de Albuquerque Barros, nasceu a 11 de maio de 1841, em Sobral, província do Ceará. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade do Recife, recebendo o grau de Bacharel em 1861; defendendo tese na Faculdade de São Paulo, obteve o grau de Doutor, no dia 16 de dezembro de 1870. Foi Promotor Público em Sobral, Diretor da Instrução Pública da sua província natal, Secretário do Governo dos Presidentes da província Lafaiete Rodrigues Pereira e Francisco Inácio Marcondes Homem de Melo, sendo exonerado, a pedido, em decreto de 29 de março de 1866, e Diretor do Liceu do Ceará, por nomeação presidencial de 14 de dezembro de 1867. Foi Deputado à Assembléia-Geral Legislativa, pela referida província, na 13ª legislatura (1867-1870). Exerceu a alta administração em duas províncias do Império: Ceará — nomeado Presidente, em decreto de 9 de fevereiro de 1878, tomou posse em 8 de março seguinte e foi exonerado, a pedido, em decreto de 4 de maio de 1880; Rio Grande do Sul — nomeado Presidente, em carta de 2 de junho de 1883, assumiu o poder em 16 do mês de julho e foi exonerado em decreto de 12 de setembro de 1885. Foi nomeado, em decreto de 1º de maio de 1880, para a Diretoria da Agricultura da Secretaria de Estado da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, e por outro, de 10 de agosto de 1885, Diretor-Geral da Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça, em cujo exercício se encontrava quando foi proclamado o regime republicano, prestando então relevantes serviços, muito colaborando com o respectivo Ministro, Manuel Ferraz de Campos Sales, em todas as reformas realizadas, principalmente na Organização Judiciária e Código Civil. Com a organização do Supremo Tribunal Federal, foi nomeado Ministro do mesmo tribunal, em decreto de 12 de novembro de 1890; tomou posse em 28 de fevereiro de 1891. Por decreto de 3 de março seguinte, foi nomeado Procurador-Geral da República, exercendo as funções até falecer. José Júlio de Albuquerque Barros foi agraciado, por D. Pedro II, com o grau de Cavaleiro da Ordem da Rosa, em decreto de 19 de outubro de 1867, e os títulos do Conselho, em decreto de 5 de agosto de 1882, e de Barão de Sobral, em decreto de 19 de janeiro de 1889. Era casado com D. Maria Francisca Gomes da Costa, filha dos Barões do Arroio Grande. Este fez parte da Sessão do Conselho de Estado em que a Princesa Isabel assina a lei Áurea, sendo que assina junto a monarca o ato abolicionista. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 31 de agosto de 1893, sendo sepultado no Cemitério de São João Batista. Autor: Elenilton Roratto. Postado por Gemma Galgani às 13:53; quarta-feira, 20 de maio de 2009.http://sobralensedagemma.blogspot.com/2009/05/ha-168-anos-nascia-em-sobral-um-dos.html .

http://sobralensedagemma.blogspot.com/2009_05_01_archive.html.

[25]

[26] Diário de Pelotas. Pelotas, 25/janeiro/1884.

[27] A movimentação de Martins Bidart Filho também foi apontada por Tarcísio Taborda.

[28] DIÁRIO DE PELOTAS. Pelotas, 09 de fevereiro de 1884.

[29] Id. Ibd.

[30] DOCCA, E.F. de Souza. História do Rio Grande. Rio de Janeiro: Edição da ''Organização Simões'', 1954, p. 189.

[31] Id. Ibd.

[32] Dia 16 de março de 1884, conforme informação de Tarcísio Taborda.

[33] Id. Ibd.

[34] Taborda, Tarcísio Antonio Costa. A Abolição da Escravatura em Bagé: 28 de Setembro de 1994. Bagé: Museu Dom Diogo de Souza/FAT-FunBa, 1984.

[35] Fonte?

[36] Fonte?

[37]

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