COLÔNIA NOVA

Figura 1: 1. Gaspar Brandl, que trabalhava na sua profissão de ferreiro junto ao habitante do lugar, Sr. Adeodato Dutra; 2. Emílio Otte, carpinteiro e plantador ao mesmo tempo; 3. FRANCISCO KRENZINGER, a minha própria insignificância, auxiliada pelo meu laborioso cunhado Ernesto Beskow; finalmente ainda devo mencionar Alberto Schneider, cuja atividade aqui foi pouco depois encerrada com sua volta à Pelotas. (sem ordem definida, na fotografia; sem data; sem nome do fotógrafo; sem local definido). http://www.hulhanegra.rs.gov.br/imagem_pagina/112810262401_os3_primeiros.jpg .
A COLONIZAÇÃO ALEMÃ
A Formação da Colônia
FRANCISCO KRENZINGER[1]
Quem atualmente apreciar as lavouras verdejantes e os sítios circundados por jardins amenos, recostados nas coxilhas intermináveis, marginando a estrada de Bagé à Candiota, quem observar o trabalho ativo dos camponeses e suas famílias, acompanhado, desde alguns anos, pelo incessante roncar de muitos tratores, perceberá agradavelmente surpreso, que se encontra num oásis em meio da imensa campanha e sentirá a pulsação duma vigorosa colônia.
É neste recanto que mãos incansáveis empunharam o arado fazendo rasgá-lo a terra fecunda e mobilizando aquelas suas forças das quais, pelo simples e usual apascentamento, se poderia aproveitar somente uma pequena fração; é aqui que o homem modelou a paisagem.
Porém, aquele que ainda se lembrar da monotonia inóspita desta região dominada pela chirca, há 25 anos, involuntariamente deparar-se-á com a interrogação do quem, quando e como desta metamorfose; perguntará pelas causas e relações que conduziram a formação e a evolução desta nossa colônia.
Procurarei responder a estas questões, a seguir, da melhor maneira possível.
Confesso, no entanto, que dificilmente poderei dar um relato objetivo e não vejo outro meio que não seja o de relacionar a narração histórica com casos e impressões pessoais, ao menos no que concerne aos primeiros acontecimentos.
Nos anos anteriores a 1925 estive radicado como colono no município de Pelotas, onde o trabalho extraordinariamente árduo e rudimentar me satisfazia tanto menos quanto estava acostumado a condições tão outras como agrônomo europeu.
Sucedeu comigo exatamente o mesmo que acontecera a milhares de outros, e segui o fluxo dos imigrantes agrários que, desde há mais de cem anos, se dirigia à mata virgem, onde era e ainda é possível chegar lentamente a conquistar sua propriedade, com os menores e mais primitivos meios materiais.
O machado e a foice de roçar, a enxada e o picão, são estes os singelos utensílios do desbravador das matas; coragem e laboriosidade, persistência e sobriedade suas qualidades essenciais.
Só a severa renúncia a enumeras comodidades da vida, a frugalidade e uma saúde férrea poderão habilitá-lo a vencer os duros anos iniciais na mata virgem.
E isto é compreensível quando se considera que o único amparo do intrépido colonizador são as suas mãos calejadas e as simples ferramentas que empunham.
Quantos e quantos aportaram com fantásticos planos de derrubar e destocar grandes complexos de mato com possantes máquinas para cultivá-los posteriormente? –
Esforços vãos!
A rotina de trabalho nas selvas até hoje continua e certamente permanecerá a mesma enquanto se conhecer colônias de mato.
Em face das penosas e antieconômicas práticas de trabalho para arrancar o pão quotidiano das canhadas, por entre pedras onde nem sequer um arado podia ser aplicado, refleti e interroguei-me, naquela época, se de fato só mesmo nas zonas de mato do sul do Brasil se poderia exercer proveitosamente a agricultura.
Lembrava-me, então, da agricultura extensiva e altamente desenvolvida em terras de campo nos países vizinhos, Uruguai e Argentina.
Não se tinha desenvolvido uma sã agricultura naqueles campos?
Uma agricultura capaz de apresentar-se como concorrente no mercado mundial, sem que exigisse proteção alfandegária e sem ser condicionada às maléficas derrubadas de mato?
Seriam as condições dos solos de campo naqueles países tanto mais favoráveis que no Rio Grande do Sul?
Não restava dúvida ser os campos ao redor de Pelotas e também os de outras partes do Estado inferiores e nada animadores.
Em meio destas ponderações vieram-me as mãos o conhecido livro do Dr. Assis Brasil: "A Cultura dos Campos” [2], o qual condena a colonização de matas, apregoando, ao mesmo tempo as possibilidades de atividades agrícolas em boas terras de campo de modo tão convincente que se me tornou fácil tomar uma resolução.

Figura 2: http://assisbrasil.org/joaquim.jpg .
Lançando-me a procura de campos realmente férteis que, pela conformação topográfica, permitissem o emprego de modernas máquinas agrícolas e que estivessem situados em zona de fáceis comunicações, cheguei a Bagé em Abril de 1925.
Acompanhavam-me os amigos Luiz Maciel e Otto Mielke.
Onde quer que fosse, manifestavam-se geral simpatia pelo nosso projeto da fundação de um núcleo colonial.
Tanto a população como os poderes oficiais nos demonstravam seu vivo interesse no caso.
Por intermédio de nosso amigo Eugênio Oberst[3], infelizmente, já falecido, imediatamente estabeleceu contato com o operoso e previdente, Dr. Carlos Mangabeira, então intendente de Bagé, o qual logo nos conseguiu, desinteressadamente, ofertas de vendas de diversas glebas de terras.
Entre os terrenos e fazendas oferecidos decidi-me, desde logo, pelo campo do Sr. Miguel Bifano, com 549 hm² de área.
Motivou a escolha a boa qualidade de suas terras negras e sua privilegiada posição geográfica.
A propriedade era denominada "Santa Theodora"; fazia limite com a “Ponta do Banhado Grande", a cerca de 4-8 km, ao sul da estação ferroviária do Rio Negro, posteriormente denominada Hulha Negra.
Diga-se, de passagem, que esta mesma propriedade anteriormente já tinha sido oferecida pelo Sr. Bifano à Intendência Municipal para fins de colonização.
Todas estas démarches tinham sido bem sucedidas e absolutamente não me faltava ânimo para lançar o início da colônia planejada.
Havia, porém, um grave senão: faltava-me o mais importante, o dinheiro, bem como mais outro fator essencial ao sucesso: colonos imbuídos do mesmo ideal que estivessem dispostos a se estabelecer no local escolhido.
Meus companheiros de viagem representavam apenas certo apoio moral e eu pessoalmente nada tinha.
Ah! Como a gente de Bagé teria ficado surpresa se tivesse tentado revolver meus bolsos vazios!
De volta de viagem, desenvolvi propaganda tão intensa nas antigas colônias de Pelotas, como se tivesse descoberto o paraíso.
De fato, depois de poucos dias consegui dirigir uma "expedição" ao Rio Negro, composta de 12 agricultores, parte dos quais simplesmente atraídos pela curiosidade, outra parte, porém, constituída de elementos realmente ansiosos na procura de boas terras.
Mas a excursão iniciada tão auspiciosamente redundou num fracasso.
Como se o Todo Poderoso fosse contrário às nossas intenções, mandou abrir todos os diques celestes para uma chuva torrencial tão prolongada como nunca mais verifiquei outra igual.
Durante oito longos dias arrastamos nossa permanência num cubículo que se arrogava a denominação de "Hotel”, em Rio Negro, sem ao menos poder tentar um avanço de "patrulha".
Alfredo, nosso hoteleiro, nunca em sua vida tinha abrigado tantos hóspedes e por isso entregava-se a correrias nervosas, trazia cobertores, banha e cebolas e nos fazia a corte, cheio de reverência, tencionando angariar nossa simpatia.
No entanto, não havia o que nos pudesse confortar, matávamos o tempo com jogos de cartas e contando velhas anedotas, mas mesmo assim tornamo-nos presas duma irritação crescente, pouco faltando que mutuamente nos tocássemos para fora, a chuva interminável.
Finalmente, depois de longa e dura provação, reapareceu o sol, convidando-nos a iniciar a marcha para a "terra da promissão".
Havendo imensa dificuldade de progredir na estrada barrenta, caminhávamos pelo campo encharcado, saltando sobre sangas de águas crescidas; num destes saltos por obstáculos o velho Schnneider superestimou a força de suas pernas e se precipitou na água até a altura do umbigo.
Chegados à propriedade do Sr. Bifano todos puderam certificar-se da evidente fertilidade do solo, mas a maioria dos presentes insistia na volta imediata e isto, sem dúvida, era mau sinal.
Aquele que, da paisagem variável e atraente duma colônia do velho estilo, pela primeira vez chegar à solidão da campanha, nada mais avistando que a chirca cinzenta, sem querer se sentirá apossado dum sentimento de imenso abandono.
Dos doze esperançosos “conquistadores” por fim apenas três continuaram decididos a se empenhar com todas as suas forças na realização da colônia de campo.
Quando, depois de nova viagem de orientação, ainda só sobraram os mesmos três fiéis resolutos, convencionamos ultimar um contrato com o Sr. Bifano, contrato esse, que nos permitisse ganhar tempo a fim de arregimentar mais outros compradores dentro das colônias velhas.
Pelo contrato assinado em 28 de maio de 1925, redigido pelo notário bajeense Virgilino Antonio Flores, o curso de nossas idéias forçosamente entrava em forma mais concretas.
No citado contrato de arrendamento com opção de compra reza entre outras, verbalmente:
“... compareceram partes justas e contratadas de um lado como outorgante locador o Sr. Miguel Bifano, italiano, viúvo, proprietário, domiciliado nesta cidade e de outro como outorgados locatários os senhores Francisco Krenzinger, por si; e em representação na qualidade de procurador de Germano Bonow Primo, Francisco Beskow; e Carlos Schneider, todos casados, proprietários residentes na cidade de Pelotas...”
Resumindo para extrair somente o substancial e mais interessante do contrato, observem-se, ainda, os seguintes períodos:
“... O prazo do arrendamento é de seis meses consecutivos no máximo a contar do dia primeiro de junho próximo vindouro e terminar em primeiro de dezembro do corrente ano...”
“... Os locatários ficam com a faculdade e direito de lavrar as terras no dito imóvel, cada um dos quatro locatários uma área não superior a oito (oito) hectares, podendo, entretanto, arrancar toda chirca que quisessem...”
“... O locador se obriga a vender aos locatários o imóvel e as benfeitorias que faz objeto este contrato pelo preço de quatrocentos mil réis a braça de sesmaria... a ele ou a quem eles indicarem... pagamento metade à vista e o restante sobre hipoteca do mesmo imóvel...”
“... Fica estipulado que os locatários deixam depositados na mão do outorgante Miguel Bifano a quantia de dez contos de réis para garantia do cumprimento deste contrato de cuja quantia descontado o arrendamento do tempo decorrido a outra parte restante entrará como pagamento para dita compra e ainda acrescida com os juros de seis por cento ao ano”.
Parece-me que a citação destas cláusulas basta para demonstrar o peso dos compromissos assumidos que na realidade só poderiam ser satisfeitos se achássemos mais outros companheiros dispostos a participar na compra do imóvel.
Portanto, havia sobeja razão para intensificar a propaganda em prol da nova colônia de campo.
Não posso deixar de mencionar o companheiro mais resoluto e confiante da jornada: nosso velho amigo Gaspar Brandl.
Ele, após ouvir as descrições da situação que nos esperaria em Rio Negro, não teve dúvidas em arrumar suas malas e, acompanhado de sua esposa, embrenhar-se na região para ele ainda desconhecida.
A ele cabe, portanto, a honra de ser o primeiro pioneiro.
Passado um mês, em julho, segui-o, acompanhado de Emílio Otto e meu cunhado Ernesto Beskow, a fim de iniciar o desbravamento da área a mim destinada.
Trazíamos toda a nossa mudança; carroças, arados e outras ferramentas agrícolas dentro de um vagão.
Relembro sempre, com certa satisfação, da cena que se desenrolou na estação de Rio Negro; quando, ao descarregar nossos utensílios, acompanhados pelas vistas curiosas dos locais, um deles assim se manifestou:
- ”Estes alemães trazem muitos tarecos, mas ainda hão de abrir os olhos! Não lhes dou mais de um ano para se sumirem daqui, mas então desacompanhados de sua mudança, de tangas!”
Em fins de outubro, tínhamo-nos organizado de tal modo que o campo arrendado pode ser definitivamente dividido e escriturado.
De nenhuma parte se fez uso do direito de hipoteca, e no dia 29 de outubro de 1925 adquiriram propriedade, mediante pagamento à vista, os seguintes agricultores:
- Francisco Krenzinger..............96 Ha
- Germano Bonow Primo...........75 Ha
- Francisco Beskow................... 65 Ha
- Ernesto Beskow.......................65 Ha
- Carlos Schneider......................65 Ha
- Frederico Leitzke.....................40 Ha
- Germano Schneider................. 25 Ha
- Carlos Schneider Filho........... 25 Ha
- Alberto Schneider.....................25 Ha
- Emílio Otte.............................. 10 Ha
- Otto A. C. Mielke…………… 8 Ha
Total 499 Ha
O Sr. Miguel Bifano teve conivência e compreensão suficiente para esperar pela venda da área restante.
No entanto, desta última já em 11 de dezembro foram escriturados mais os seguintes lotes:
- Theodoro Perleberg..................25 Ha
- Carlos Noerenberg....................25 Ha
Até ai os nomes e algarismos que, porém, só tem importância relativa quando se quer saber da participação e do mérito de cada um na fundação de nossa colônia, hoje florescente.
Seria mesmo uma falsificação histórica se quisesse inscrever com letras douradas na crônica os nomes dos primeiros compradores.
Havia entre estes também os que adquiriram terras por mera especulação ou, na melhor das hipóteses para auxiliar na obra; outros, com menos espírito empreendedor, ficavam a esperar os resultados obtidos pela primeira patrulha avançada, tencionando se transferir para cá, no caso de se vislumbrar o sucesso e ser o risco já menor...
Conseqüentemente, com a simples compra das terras ainda não se tinha criado uma colônia.
Apenas tinha nascido um organismo cuja vitalidade ainda estava em dúvida.
A garantia pelo posterior desenvolvimento e os alicerces duma sólida existência estava baseada, por um lado na fertilidade da terra, e de outro, em última análise, na capacidade, na energia e na persistência de todos aqueles que conseguiram sobrepujar as contrariedades imprevistas em épocas adversas; estes vitoriosos se tornaram os verdadeiros pioneiros.
Antes de continuar no meu relato sobre o labor destes bravos, permita-me lembrar que já antes de nossa chegada em 1925 aqui se praticava agricultura.
A qualidade deste solo humo-argiloso muito antes de nós já tinha atraído outros agricultores, como por exemplo, os "Canários", oriundos das Ilhas Canárias, cujos descendentes ainda hoje[4] aqui vivem do cultivo da terra, embora com menor sucesso.
Identicamente também alguns franceses, vindos do município de Pelotas, já tinham iniciado um movimento colonizador destes campos, mas poucas testemunhas desta obra pioneira aqui restaram.
Provam-no os nomes Martins e Pradiel, a cujos portadores foram legado aquele admirável espírito campônio com que participaram na formação da nova colônia.
Não por último, também várias famílias brasileiras locais, tais como os Soares, Garcia e Dutra, já se dedicavam, na época, a cultura do trigo e do milho, na qual aplicavam curioso método de trabalho: rasgavam mais do que lavravam o campo com sólidos arados puxados a boi e a semeadura era procedida de cima do lombo do cavalo.
O saco contendo a semente, seguro por uma mão na frente do lombilho, a outra espalhava a semente; para que o cavalo não se espantasse com os largos movimentos do braço e, ao mesmo tempo, para impedir que os grãos lhe penetrassem nas vistas e ouvidos, simplesmente cobria-lhe estes órgãos com um trapo velho.
A máquina de plantar milho e o arado capinador eram instrumentos até então desconhecidos e depois desacreditados.
Contudo, tivemos ensejo de aprender muitas coisas destes lavradores indígenas: enquanto eles comodamente lavravam o campo bruto com arados reforçados, nós nos detínhamos no ingrato e desnecessário trabalho de arrancar a chirca antes de introduzir o primeiro ferro.
No decorrer dos anos seguintes[5], sobretudo nos últimos em que o cultivo do trigo se tornou negócio rendoso, a participação puramente brasileira na evolução agrícola desta região era e continua sendo de tamanha importância que facilmente estaríamos inclinados a exagerar as delimitações da área ocupada pelo núcleo colonial.
Indubitavelmente não se trata aqui de dar ênfase à nacionalidade ou à descendência dos agricultores, mas sim da capacidade ética para uma profissão que habilita um homem a ser colono e o agrupamento destes colonos (desbravadores) em uma verdadeira colônia.
Neste sentido, e com justa razão, sempre poderemos falar de "uma colônia".
Com estas poucas digressões de meu relato tive em mente demonstrar a ativa colaboração que nos foi prestada pela população do município de Bagé, benevolente e sem preconceitos, em prol da fundação e da evolução da nossa colônia.
Apesar de terem sido escrituradas 13 frações de campo a agricultores pelotenses, logo no primeiro ano, o pequeno grupo de colonizadores que efetivamente se radicara era composto dos seguintes:
1. Gaspar Brandl que trabalhava na sua profissão de ferreiro junto ao habitante do lugar, Sr. Adeodato Dutra;
2. Emílio Otte, carpinteiro e plantador ao mesmo tempo;
3. A minha própria insignificância, auxiliada pelo meu laborioso cunhado Ernesto Beskow; finalmente ainda devo mencionar Alberto Schneider, cuja atividade aqui foi pouco depois encerrada com sua volta à Pelotas.
A estes se juntaram mais os seguintes em 1926 e 1927:
1. Reinhold Hollatz que provou ser camponês trabalhador e tenaz;
2. Otto Hoesel e depois Wendelin Langer com sua família numerosa;
3. Frederico Ebert, ainda solteiro naquela época. Todos eram alemães.
Com a posterior chegada das tradicionais famílias de colonos Beskow, Leitzke e Schneider tínhamos formado um ótimo núcleo de agricultores sem ilusões e sem pretensões.
A estes últimos acrescentaram-se, cronologicamente, Langmantel, infelizmente tão prematuramente falecido; as famílias Faulstich, Hauck, Macke, Kloppenburg, Grunwald, Oertel, Moerbaecher, Groeger, Pichler e outros.
Cada um dos aqui arribados representava então, verdadeiro batalhador por sua gleba e hoje podem ser considerados merecidos vencedores.
A princípio antepunha-lhes não só a maneira de trabalhar desconhecida de novo ambiente, obrigando-os a pagar pesado tributo de aprendizagem, como também havia falta de meios em toda a parte, pois geralmente tinham comprado maior área de campo do que seus parcos recursos restantes teriam permitido amanhar.
Ao contrario da colônia de mato, a de campo exige maiores despesas, as quais em geral eram subestimadas, tais como as instalações de casa de moradia, poço d’água, cercados para potreiros e outras mais.
Também os gêneros alimentícios que nas colônias antigas são produzidas em abundância, tiveram de ser inicialmente comprados, muitas vezes a preços escorchantes.
Não sendo de sua índole o viver de créditos, esta gente honrada passava inúmeros dias de dieta forçada, cheia de grandes preocupações, acontecendo, como realmente aconteceu serem, às vezes, forçados a vender objetos de valor pessoal, a fim de proporcionar-lhes a simples sobrevivência.
Logicamente não poderia brotar lá grande ânimo otimista no seio da novel colônia (lembro-me perfeitamente de quando a Sr.ª Kloppenburg teve de empenhar, em certa ocasião, um relógio de ouro, relíquia da família).
Lembre-se o principiante de hoje que naquele tempo ainda não se conhecia o crédito agrícola, atualmente concedido pelo Banco do Brasil, nem existiam variedades de trigo adaptadas e tão pouco dispúnhamos da experiência técnica agrícola que tão cara nos saiu, justamente para nós colonos do campo.
A impressão de desânimo geral por fim determinou a desistência dos que vinham afluindo de todas as regiões à procura de “terra da promissão".
Tínhamos escrito numerosos artigos em diversos jornais e anuários, exaltando sempre as possibilidades da atividade agrícola em nossa colônia de campo.
Só poucos dos atraídos juntaram-se a nossa empreitada, porém estes eram então, quase sempre homens possuidores dum nível espiritual superior ao reinante nas colônias velhas.
Tinham-se livrado do tradicional engano de que só seria possível a colonização de terras de mato e que não haveria probabilidade de existência para o colono onde não houvesse água corrente e espessas matas virgens; um falso dogma que aparentemente pressupõe que o homem vive do mato e não dos frutos da lavoura por ele organizada!
"As pedras fazem parte do solo, como os ossos do boi" é o que afirmavam os que estavam arraigados à suas colônias rochosas.
Já em 1928, tinha escrito as seguintes palavras no meu livreto intitulado "Vom Urwald zum Kamp" (Da mata virgem rumo ao campo):
"Mais ainda que os colonos das antigas zonas de colonização, o colono dos campos deverá ter maiores habilidades e conhecimentos que os comumente encontrados. Lá se depara com o quadro desolador das lavouras agonizantes, aqui com campos realmente ainda férteis, mas não com densas matas que pudessem ser maltratadas a enxada e fogo durante decênios”. Serão os colonos mais progressistas, certamente, que irão fundar seu povo na campanha”.
Neste sentido as necessidades, privações e misérias iniciais afortunadamente revelaram ser um fator, de sorte, porquanto os continuadores e a geração nova iam se compondo de elementos selecionados, ativos e resolutos que também nas épocas más não desistiram se seus intentos e assim garantiram a estabilidade da colônia.
Os méritos dos colonos aqui chegados em anos posteriores com isto absolutamente em nada são diminuídos, pois evidentemente também eles representam uma seleção de valores.
Basta citar os nomes dos Frantz, Mielke, Weis, Arns, Wechenfelder, Hamm, Schirmer, nomes estes, aureolados de virtudes e laboriosidade.
Todavia, o seu número é agora demasiadamente grande para que pudessem ser todos citados.
Os hábitos dos primeiros colonos eram caracterizados pelo seu pendor para a vida social, a qual se desenvolvia de modo intenso, embora houvesse tantos contratempos exteriores; sua expressão mais marcante se refletia em inesquecíveis festas acompanhadas de música, cantos e representações teatrais.
Era natural que estas festividades tivessem caráter germânico em virtude da nacionalidade ou descendência alemã de seus participantes.
Estávamos convictos do ponto de vista que prega ser imoral renegar a herança cultural dos antepassados e a repentina mudança da nacionalidade, tal como se muda de roupa.
Consideramos psiquicamente difícil esta transformação em brasileiros da gema, enquanto a voz do coração não no-la ditar, através de longos anos de colaboração e compartilha de sentimentos com o povo brasileiro.
Nossos filhos, porém, já são cidadãos completamente integrados na comunidade deste magnífico e futuroso país, ao qual nós os imigrados, agora expressamos nossa profunda gratidão pela maneira tolerante com que nos possibilitou a fundação de uma nova Pátria.
Não é possível detalhar estas resumidas explanações, citar todos os sucessos, acontecimentos e colaborações que contribuíram para a modelação do quadro atual da colônia, sobretudo os dos anos mais recentes.
O espaço é demasiadamente limitado para poder-se relembrar o auxílio altruísta a nós prestado durante decênios por um Álvaro Lopes Brasil ou seu irmão Dr. Jayme Brasil que aqui teve atuação destacada como agrônomo progressista.
Dever-se-ia citar também, e merecidamente, um Dr. Moritz e Dr. Beckman, bem como outros amigos da Estação Experimental.
Não se deveria omitir a família suíça Graf e de como prestou ajuda a tantos principiantes pobres, mas ativos, adiantando-lhes os meios para a formação de seus estabelecimentos que hoje florescem.
A família Graf era, por assim dizer, a antecessora da Carteira Agrícola do Banco do Brasil que atualmente financia plantadores grandes e pequenos agricultores por vocação e esporádicos.
É impossível cantar os louvores, em poucas palavras, merecidos pelos diversos administradores da comuna de Bagé entre os quais, não por último, nosso bom amigo Dr. Kluwe.
Agradecemos-lhes seu vivo interesse sempre demonstrado.
Deixaremos que outros, com melhores dons da palavra, enunciem o espírito e a incansável atividade dos Sacco, Deiro e outros, cuja operosidade à margem das atividades agrícolas, no comércio e na indústria, os fazem credores de nosso aplauso.
Antes do que a todos estes amigos, entretanto, as maiores honras cabem ao simples colono, ao desbravador, ao eterno criador do nosso pão de todos os dias e à sua inigualável esposa, sua fiel companheira no lar e na lavoura.
E por ser ele tão modesto de considerar uma graça de Deus o suor de seu nobre trabalho, por não fazer alarde de sua silenciosa atuação patriótica.
E por estas razões que com justiça o saudamos hoje, no dia em que a colônia completa 25 anos de existência, e lhe proclamamos: "Esta obra é tua".
Fonte: http://www.hulhanegra.rs.gov.br/php/pagina.php?id=73.
[1] COM TRADUÇÃO DO ALEMÃO DE GERD KORBERG.
[2] JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL. A CULTURA DOS CAMPOS: NOÇÕES GERAIS DE AGRICULTURA E ESPECIAIS DE ALGUNS CULTIVOS TUALMENTE MAIS URGENTES NO BRASIL. PRIMEIRA EDIÇÃO, PUBLICADA EM LISBOA, NO ANO DE 1898 E REEDITADA PELO GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL E PELA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. A SEGUNDA E A TERCEIRA FORAM EDITADAS EM PARIS, EM 1904 E 1909, RESPECTIVAMENTE.
[3] Bagé e a Grande Loja. Ainda não foi inteiramente superado o cisma maçônico de 1927 quando dissentiram o Grande Oriente do Brasil, potência que agrupava vários ritos e o Supremo Conselho, onde se praticava o sistema escocês. Alguns ainda desconhecem que essa cidade foi o embrião de uma grande potência. É que o grão-mestre Otávio Kelly pretendeu avocar, também, a direção do Conselho, que era comandado por Mário Behring; e, resistindo, o último se desligou do GOB e cuidou de reorganizar as lojas; e como as do Rio Grande do Sul se vincularam à Grande Loja do Rio de Janeiro, receberam instruções para fundar seu próprio consistório. Sugeriu-se que a loja Fraternidade, de Pelotas, buscasse as tratativas prévias, junto à Rocha Negra de São Gabriel e Amizade, de Bagé. As reuniões foram aqui realizadas por razões geográficas e se desenrolaram nos dias 8, 12, e 23 de dezembro de 1929 sempre com cultas delegações, destacando-se, entre outros, o doutor Brenno Brandão Fischer, que seria venerável da histórica Rocha Negra. Concluídas as etapas preliminares, finalmente, em oito de janeiro de 1929, instalou-se, no prédio da Loja Amizade, o célebre congresso maçônico que deu gênese à Grande Loja do Rio Grande do Sul. Os trabalhos iniciaram pela manhã, sob a presidência do venerável da loja gabrielense e secretariados por Otávio Pires Coelho, de Bagé, estando os bajeenses ainda representados por Claudionor Borges de Abreu, Eugenio Oberst, Ciríaco Lopes Couto e Brenno Fernando. Então, foram fundadoras da Grande Loja, a Rocha Negra nº 1; Amizade nº 2, Fraternidade n° 3 e a Caridade Santanense nº 4, que se incorporara ao novo grupo. Determinou-se que a potência seria sediada em Pelotas, até que a adesão das lojas de Rio Grande e Porto Alegre; e sendo seus primeiros dirigentes Manoel Serafim Gomes de Freitas, Grão-Mestre, da Fraternidade); Egralo de Souza, Grão-Mestre adjunto, pertencente à Rocha Negra;Eugênio Oberst, 1º Grande Vigilante (Amizade); Alexandre Gastau, 2º Grande Vigilante (Fraternidade); Rubens de Freitas Weyne, Grande Secretário (Fraternidade); Silvino J. Lopes, Grande Tesoureiro (Fraternidade); e Jorge Souza Duarte, Grande Orador (Caridade Santanense), completando os demais cargos um grupo de maçons pelotenses.
Mesmo com constituições provisórias, logo se acostaram outras oficinas, como Alegrete, Cacequi, Uruguaiana, São Francisco de Assis, Porto Alegre, etc. No Congresso de Paris de 1929, apenas os companheiros de Mário Behring foram admitidos no Supremo Conselho Mundial. Em 1928 começam as divergências locais, e a saída de alguns irmãos da Loja Amizade enseja a fundação da Loja Sigilo nº 14; fraternos desacordos, mais tarde, determinam a retirada de maçons desta loja e surge a Estrela dos Magos, de onde se retirariam outros iniciados, também, para organizar a Loja Adonai. Recentemente, confrades da Estrela dos Magos fundaram a Loja Estrela do Sul nº 84, que se filiou ao Grande Oriente do Brasil; egressos daquela oficina criaram a Loja ‘Cavalheiros da Liberdade nº 193’; e maçons oriundos da Loja Sigilo instalaram a Loja Rainha a Fronteira nº23. Sublinhe-se que em todas houve incorporação de irmãos adormecidos ou provenientes de outras entidades. Hoje pertencem à Grande Loja as oficinas Sigilo, Estrela dos Magos, Adonai, Cavalheiros da Liberdade e Rainha da Fronteira; a Amizade já se desgarrara há tempos para afiliar-se ao Grande Oriente do Rio Grande do Sul; e a Estrela do Sul, que recuperou o nome de uma das primeiras lojas de Bagé, pertence ao Grande Oriente do Brasil. Embora a tradição local aponte que os pioneiros de cada entidade tenham emigrado de outras lojas, a pluralidade não obscurece a harmonia. Muitos lembram que no passado alguns entusiastas da fraternidade vigorante chegaram a imaginar um Grande Oriente de Bagé, tal a unidade e sadia convivência entre os irmãos, o que encantava o país. (José Carlos Teixeira Giorgis). Disponível em: http://www.jornalminuano.com.br/noticia.php?id=23482&data=&volta==. Acessado em: 26 de outubro de 2009.
HISTÓRICO SOBRE OS SALESIANOS EM BAGÉ
ARQUIVO PÚBLICO MUNICIPAL DE BAGÉ
CLAUDIO ANTUNES BOUCINHA
BAGÉ, 2004-01-12
SALESIANOS EM BAGÉ: ORIGENS E TRANSFORMAÇÃO

Figura 1 http://www.salesianosuruguay.org/historia/images/testigos/gamba.jpg.
A Chegada
A vida religiosa em Bagé se desenvolveu com a chegada dos reverendíssimos padres Salesianos de Dom Bosco a esta cidade.
Atendendo ao pedido do Cônego Bittencourt, então vigário da Paróquia de São Sebastião de Bagé, os Superiores Salesianos mandaram os beneméritos padres a fim de abrirem uma casa para educação e instrução dos filhos da terra de Bagé.
O Exmo. Cônego Bittencourt faleceu e veio ocupar o lugar vago, para dirigir a paróquia, o Exmo. Monsenhor Costabile Hypólito[1], em 1906. [2]
Os primeiros Salesianos vieram do Uruguai, uma vez que a Inspetoria mais próxima de Bagé era daquele país[3].
As autoridades municipais solicitaram ao padre Carlos Peretto[4] - Inspetor Salesiano do Uruguai[5] - e o mesmo enviou os padres André Dell'Occa; Ezequiel Fraga; Roberto Germano; João Ilardia[6]. [7]
Em 20 de outubro de 1903(?), no relatório à Câmara Municipal de Bagé, o Intendente Municipal, José Octávio Gonçalves, relatava o seguinte: Estava decidida a instalação, "a primeiro de março próximo vindouro", de um colégio dirigido por padres Salesianos.
Na quadra "ultimamente demarcada à Praça da Constituição", foi cedida para construção de edifício. [8]
Chegaram à Bagé, em 15 de fevereiro de 1904:
a) padre salesiano André Dell'Occa[9], primeiro diretor;
b) padre salesiano Ezequiel Fraga; [10]
c) padre salesiano João Ollardia[11];
d) padre salesiano Roberto Germano[12] ("que chegou a Bagé com pouco mais de 20 anos de idade e faleceu aos 94 anos de idade, sem nunca ter deixado a cidade");
e) clérigo Manoel Ferrando;
f) clérigo Jacinto Avellã;
g) clérigo Felipe Petrini;
h) coadjutor (irmão leigo) Marcelo Rato. Procediam de Montevidéu e Paysandu. [13]
Padre Germano
Em 15 de fevereiro de 1904, "em pleno carnaval", chegou a Bagé o jovem padre Roberto Germano, nascido a oito de maio de 1880, em Rincón de Francia, Departamento de Rio Negro, Paisandú, Uruguai, acompanhado por mais sete Salesianos uruguaios. [14]
Também existe a indicação do dia 14 de fevereiro de 1904, para a chegada dos padres Salesianos em Bagé. [15]
O padre Germano faleceu a 29 de janeiro de 1973.[16]
Padre Germano era filho de Félix Germano e de Maria Bássio Germano, naturais da Itália.[17]
Durante 15 dias (a contar de 15 de fevereiro de 1904), os uruguaios foram hóspedes do Cônego José Inácio Bittencourt, em sua casa, ao lado da Igreja São Sebastião; o então vigário de Bagé liderou o movimento pró-fundação do colégio, com o Intendente José Otávio Gonçalves.[18]
Em 24 de fevereiro de 1904, foi publicado anúncio do Colégio Salesiano, informando a abertura de matrículas para meninos, até o dia 02 de março de 1904, na casa do Reverendo Vigário e, depois, na própria escola, cuja sede provisória foi em um prédio na rua três de Fevereiro. [19]
Em 02 de março de 1904, era aberto o colégio Salesiano de Bagé, no prédio em que funcionou posteriormente o "Ginásio Professora Mélanie Granier", "em cujo porão dormia o Padre Germano. [20]
O Colégio teria funcionado no prédio da "Enfermaria Militar.[21]
No dia 3(?) de março de 1904, foi inaugurado o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. Foi celebrada missa, em que também se apresentou orquestra dirigida por Bráulio Louzada. [22]
Na verdade, no dia 3 de março de 1904, foi publicada a notícia no jornal O DEVER, que se referia ao dia anterior, 02 de março de 1904: "Ontem (02 de março de 1904), às 9 horas da manhã", realizou-se a inauguração do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora.
A Escola funcionaria num "vasto edifício à rua três de Fevereiro, nº 88, onde antigamente esteve instalada a Enfermaria Militar".
Nas grandes salas, arejadas e ventiladas, foram instaladas as aulas e dormitórios. Numa pequena sala, foi instalada uma capela.
O Colégio foi "declarado instalado" após alocução do Cônego Bittencourt e do padre Dell'Occa, diretor do Colégio. [23]
Durante dois anos, (a contar de 02 de março de 1904?), o "Colégio dos Padres" permaneceu provisoriamente no primeiro prédio em que teria começado a funcionar, enquanto os irmãos Laranjeiras construíam o futuro Ginásio, na zona norte da cidade, em que existiam, em torno da lagoa, apenas duas casas pertencentes a um carpinteiro e a um comerciante, ambos espanhóis. [24]
O Ginásio Nossa Senhora Auxiliadora foi o primeiro da fronteira. [25]
No entanto, os Salesianos já marcavam presença na cidade de Rio Grande, e Bagé seria a Segunda cidade do Rio Grande do Sul a contar com uma Obra Salesiana. [26]
Com o aumento da cidade de Bagé, o Exmo. Dom Francisco de Campos Barreto, Bispo de Pelotas, a cuja diocese pertencia Bagé, dividiu a cidade de Bagé em duas zonas, criando a Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, entregando-a aos reverendíssimos padres Salesianos.
A Paróquia de São Sebastião estava na parte Sul da cidade de Bagé e ia até a Rua Marechal Deodoro, e, daí para o Norte era a paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora.
Criaram-se várias capelas, dada a extensão da cidade.
As da Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora eram as de São José, São Martin, de São Pedro e de São João.[27]
Em 08 de maio de 1919, o Bispo Dom Francisco Campos Barreto confiava aos Salesianos uma nova paróquia, que deveria funcionar na Capela Nossa Senhora Auxiliadora. [28]
Em 1919(?), trabalhavam 11 Salesianos, sendo sete sacerdotes, três clérigos e um irmão. Neste período, o diretor do Ginásio Auxiliadora era o padre Francisco Gayotto, também pároco da igreja Nossa Senhora Auxiliadora. [29]
Ginásio Municipal Nossa Senhora Auxiliadora
Dr. Heitor Schneider. Em 1931, o corpo docente do Ginásio contava com o Dr. Heitor Schneider, Arquiteto e Professor de Desenho. Era Arquiteto Salesiano, diretor das obras do Santuário Nossa Senhora Auxiliadora. "Presentemente” (em 1931?), achava-se em São Paulo, dirigindo as obras do grande Colégio Salesiano de São Bernardo. [30]
Escolas. "A Paróquia de Maria Auxiliadora mantém três Escolas Paroquiais gratuitas:
- (1) O curso noturno pra adultos, empregados no comércio, nas salas do Ginásio, sob a direção do Sr. Dr. Atila Taborda, coadjuvado pelo professor Djalma Coronel;
- (2) Colégio Santa Isabel, num esplendido edifício próprio, construído pela Associação de Damas do mesmo nome;
- (3) Escola São Pedro, numa sala própria junto à capela homônima. [31]
Em 1937, da Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora, o vigário era o reverendíssimo padre Leão Muzzarelli, sacerdote Salesiano. [32]
Considerando o ano 1905 como de início das atividades do colégio dos Salesianos, afirmava-se que, "há 32 anos ininterruptos funciona nesta cidade, servindo a sua mocidade estudiosa e à de suas adjacências”. [33]
Em 1937, o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora mantinha os cursos Primários, Ginasiais e Comerciais. [34]
Em 1937, o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora atendia "cabalmente" as exigências das leis de Equiparação, possuindo os Inspetores Federais para os Cursos; Ginasial Seriado e Propedêutico com o Técnico de Perito Contador. [35]
Em 1937, nas várias seções em que o Ginásio se dividia (Internato, semi-internato e Externato), apresentava uma matrícula anual de 500 alunos, aproximadamente. [36]
Em 1937, o Ginásio Nossa Senhora Auxiliadora mantinha um Curso Noturno de preparação aos exames baseados pelo artigo 100 e um Curso gratuito de admissão ao Propedêutico Comercial. [37]
Em 1937, o Ginásio Nossa Senhora Auxiliadora mantinha, nas suas várias seções, matrículas gratuitas e reduções consideráveis, para os menos favorecidos. [38]
Em 1937, O Diretor do Ginásio Nossa Senhora Auxiliadora era o Reverendíssimo padre Octacílio Oliveira, "sacerdote de profunda cultura, de nobres sentimentos e de uma amabilidade sem fim". [39]
"Está instalado em um amplo prédio onde os alunos são acomodados em salas profusamente iluminadas e ventiladas”.
“Suas dependências destinadas a dormitórios dos internos apresentam todos os requisitos necessários para um repouso completo e saudável”.
“O refeitório também observa as condições indispensáveis para lugares adequados a isso”.
“(...) Em um salão próprio está anexo o 'Teatro do Ginásio', onde são em determinadas épocas levadas a efeito peças teatrais que ilustram e sirvam para despertar nos seus alunos o gosto por essa arte, dentro dos moldes artísticos e os mesmo tempo cristãos”. [40]
Quadro nº 1
Os Diretores do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora
| Ordem | Nome do Padre | Período |
| 1. | André Dell'Occa | 1904-1906 |
| 2. | Pedro Rotta | 1907 |
| 3. | André Dell'Occa | 1908-1911 |
| 4. | Carlos Peretto | 1912-1917 |
| 5. | Francisco Gayotto | 1918-1922 |
| 6. | Antônio Lustosa | 1923-1924 |
| 7. | Theofilo Tworz[41] Figura 2 http://www.auxiliadora.org.br/historia/paroco6.jpg. | 1925-1930 |
| 8. | José Luiz Valentim | 1931-1933 |
| 9. | Otacílio Oliveira | 1934-1940 |
| 10. | Edgar de Aquino Rocha | 1941-1946 |
| 11. | Érico Schmengler | 1947-1951 |
| 12. | Mário Ramos | 1952 |
| 13. | Silvio Sattler | 1953-1954 |
| 14. | Alfredo Bortolini | 1955 |
| 15. | Hugo Neves Ferreira | 1956-1959 |
| 16. | Alfredo Bona | 1960 |
| 17. | Tercílio Chiarelli | 1961-1964 |
| 18. | Dario Bertoldi | 1965-1968 |
| 19. | Lauro Venturi | 1969 |
| 20. | Guerino Stringari | 1970-1971 |
| 21. | José Jovêncio Balestieri | 1972-1974 |
| 22. | Lino Fistarol | 1975-1976 |
| 23. | Ervin José Conzatti | 1977-1982 |
| 24. | Theobaldo Heck | 1983-1987 |
| 25. | Tercílio Nardelli | 1988-1991 |
| 26. | Nívio Jesus da Silva Hammes | 1992-1993 |
| 27. | Faustino Chiamenti | 1994-1997 |
| 28. | Ir. Vanilson Pudell | 1998-2003 |
| 29. | Dácio Elisio Bona | 2003-2004 |
Quadro nº 1: "Os Diretores do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora". In: ABERTURA DO CENTENÁRIO SALESIANO -COLÉGIO AUXILIADORA(encarte); MINUANO, Bagé, Sábado e Domingo, 16 e 17 de agosto de 2003.
Padre Edgar de Aquino Rocha
O padre Edgar de Aquino Rocha nasceu em Juiz de Fora (Minas Gerais), no dia 18 de dezembro de 1899; em 1924, foi estudar Teologia, na universidade Pontifícia de Turim, doutorando-se em 1927; foi ordenado sacerdote em julho de 1927.
Em 1941, o padre Aquino Rocha foi enviado para Bagé, como diretor do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora.
Entre 1948 e 1969, o padre Aquino Rocha esteve nos EUA, na Califórnia, na cidade de Oakland.
Em 1968, renunciou ao cargo que ocupava nos EUA.
No dia 29 de novembro de 1972, o padre Aquino Rocha, faleceu. [42]
Em 11 de fevereiro de 1941, assumiu a Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, ema Bagé. [43]
Em dezembro de 1941, organizou a procissão luminosa em honra de Nossa Senhora Auxiliadora. [44]
Em nove de maio de 1942, inaugurou a gruta de Lourdes. [45]
Em 11 de fevereiro de 1945, inaugurou a Gruta de Lourdes, em São José. [46]
Em 24 de maio de 1946, organizou a "Lâmpada da Paz". [47]
Em 24 de junho de 1944, benção na Capela São João (construída pelo Sr. João Oliveira). [48]
Em 29 de junho de 1944, festa de São Pedro e São Paulo, na Vila Petrópolis. [49]
Em 19 de novembro de 1944, festa de Santa Isabel, na Capela de São José. [50]
Em 26 de novembro de 1944, festa em São Martinho. [51]
Em 29 de junho de 1945, o padre Aquino Rocha celebrou as "Bodas de Prata" da Capela São Pedro (1920?), reestruturando a Escola Paroquial. [52]
Em 18 de novembro de 1945, os vinte e cinco anos da Capela de São Martinho (1920?). [53]
Em 12 de agosto de 1945, inauguração da Capela São Domingos. [54]
Em 1º de março de 1947, inauguração da Capela Santa Leocádia. [55]
ISPEA
Em 1953, era mantido, em Bagé, entre outros, pelos Salesianos, o Oratório Festivo da Capela São Pedro, com 200 crianças.
Foram entregues 200 m. de fazenda para fazer roupas para as crianças do Oratório Festivo da Capela São Pedro.
Cada criança teria recebido, ainda, um brinquedo e um objeto útil.
A Escola Gratuita de São Pedro, sob a orientação do reverendíssimo padre Mário Ramos, que lecionava 200 crianças, ensinadas por seis professoras, funcionando nas dependências da capela. [56]
Em 1955, o ISPEA contava com mais de 200 crianças. A partir de uma planta elaborada por um engenheiro francês, Dr. Bruno, seria construído um salão de festas, com 37 m de fundos, com amplo palco para festas.
Também seriam construídas oito salas de aulas. [57]
Estatutos
O dia 29 de junho era considerado uma data festiva "máxima", para o ISPEA. O Instituto São Pedro de Educação e Assistência teria sido inaugurado e seus Estatutos de Sociedade Civil foram registrados. O ISPEA localizava-se no Bairro Petrópolis, 1º distrito de Bagé, Avenida Santa Tecla, nº 336; o bairro era conhecido como "Povo Novo", bairro tipicamente "operário". O registro nº 128 classificava o registro dos Estatutos do ISPEA.
O Instituto foi fundado em 09 de março de 1952.
O patrimônio era constituído pelos imóveis onde estavam edificados os prédios e pátios do "Instituto S.P.E.A.". O ISPEA pretendia ser mantido também por subvenções dos poderes públicos. Cabia ao diretor ou ao seu representante, receber subvenções dos poderes públicos, por si ou por outros, passando o necessário documento de quitação. Eram entidades anexas aos ISPEA, de acordo com os Estatutos:
a) Escola São Pedro;
b) Oratório Festivo de São Pedro;
c) Associação das Damas de São Pedro;
d) Clube Social São Pedro;
e) Cruzada Infantil São Pedro;
f) Grupo Dramático São Pedro;
g) Assistência aos Pobres São Pedro;
h) Outras organizações Educativas e Assistenciais oportunas. Em caso de extinção, patrimônios e bens, pagas as dívidas, passariam para o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora.
Em 10 de março de 1955, o Diretor-Presidente do ISPEA era o padre Honorino João Muraro.
Ou seja, a fundação foi em 09 de março de 1952, mas os Estatutos foram registrados em 10 de março de 1955, três anos após a data de fundação. [58]
Em 1955, o poder executivo declarava e a Câmara de Vereadores reconhecia de utilidade pública o ISPEA. [59]
Em 1956, o poder executivo e a Câmara de Vereadores autorizaram a doação ao ISPEA de uma área situada na Vila Petrópolis, num total de 2.320 m² , "para a criação de uma Praça de Desportos", com os seguintes limites: Norte, rua IV; Leste, rua VI; Oeste, Avenida Santa Tecla; Sul, propriedade da entidade beneficiária e da sucessão Orvandil de Souza Luz. [60]
Povo Novo
Possivelmente em 1941, foi quando começou a idéia da construção de uma instituição que teria o nome de ISPEA, enquanto obra salesiana em Bagé.
Visitando o pároco da capela do Povo Novo, o padre Muraro teria sugerido a construção de uma grande obra de benemerência naquela região. [61]
Em 1955, o padre Muraro foi designado para a paróquia do "Povo Novo". Imediatamente procurou recursos e "deu início” [62] ao Instituto São Pedro de Educação e Assistência. [63]
O Instituto São Pedro de Educação e Assistência foi fundado no ano de 1955. [64]
Em 1959, o ISPEA já possuía personalidade jurídica e era considerada de utilidade pública pelo Município e pelo Estado.[65]
Em 1959, no ISPEA funciona o Grupo Escolar São Pedro, com 26 professores, com matrícula e freqüência em dois turnos, de 648 crianças, sendo o Jardim de Infância freqüentado por 32 alunos.
Cerca de 400 crianças era oferecido merenda escolar, bem como era prestada assistência à mais de 100 famílias pobres do "arrabalde". [66]
Em 1959, no Pavilhão Centenário de Bagé, inacabado, funcionava a Escola Profissional São Pedro, com curso de corte e costura; bordado à mão e à máquina, tricô, crochê, arte culinária e economia doméstica. [67]
Em 1959, a assistência religiosa era dada na Capela de São João, Capela de São Pedro, no distrito de Palmas e no distrito de Olhos d'Água. [68]
Também funcionava, "no edifício", o Cine-Teatro São Pedro, com uma lotação para 700 pessoas, com quatro sessões cinematográficas semanais e mais duas sessões cinematográficas gratuitas aos domingos.
A cabine do Cine-Teatro possuía dois modernos aparelhos de 16 m/m "Bell & Howell", mas por inúmeras vezes as sessões noturnas apresentavam prejuízos, pois os filmes eram rigorosamente escolhidos e, em geral, de aluguel elevadíssimo. [69]
"Para recreação da população", existia também o serviço de transmissão de alto-falantes, "A Voz do Povo Novo".[70]
"A educação física" era proporcionada pelo Grêmio Esportivo São Pedro, com seu “departamento” de futebol, basquete, vôlei, punhobol, bocha e educação física. [71]
Em 1959, encontrava-se em construção "a residência" para as Irmãs Salesianas Filhas de Maria Auxiliadora. [72]
Em 1959, o ISPEA mantinha as seguintes entidades anexas:
(1º) Escola São Pedro;
(2º) Associação das Damas de São Pedro, encarregada de efetuar a propaganda da instituição e cobrança das mensalidades;
(3º) Oratório Festivo de São Pedro;
(4º) Clube Social São Pedro;
(5º) Cruzada Infantil São Pedro;
(6º) Grupo Dramático São Pedro;
(7º) Assistência aos Pobres São Pedro;
(8º) De acordo com seus Estatutos, outras organizações educativas e assistenciais oportunas. [73]
Conforme balancete do ISPEA para o ano de 1958, o déficit do exercício foi de... Cr$ 1. 296.473, 60. [74]
Conforme balancete do ISPEA para o ano de 1958, o município não havia pagado o auxílio "concedido" em 1958, no valor de Cr$ 357.000,00. [75]
Considerando o Quadro nº 02, no que se refere às contribuições da Prefeitura Municipal para o ISPEA, para o ano de 1958, constava um valor bem menor ao valor que foi informado por ROTERMUND (1959).
Seria de interesse da pesquisa, buscar maiores e melhores informações sobre os dados informados.
Quadro nº 02
Contribuições Municipais (Assistência Social) para o ISPEA
| Designação da despesa | Ano | Subtotal (Cr$) | Total (Cr$) |
| 35 - Capela São Pedro para construção de uma escola | 1953 | 5.000,00 | |
| 33 - Capela São Pedro para construção de uma escola | 1954 | 5.000,00 | |
| 23 - Instituto São Pedro | 1957 | 35.000,00 | |
| 22 - Instituto São Pedro | 1958 | 85.000,00 | |
| 10 - Instituto São Pedro | 1960 | 50.000,00 | |
| 10 - Instituto São Pedro | 1961 | 80.000,00 | |
| 09 - Instituto São Pedro | 1962 | 40.000,00 | |
| 10 - Instituto São Pedro | 1963 | 30.000,00 | 330.000,00 |
Quadro 2 - Fonte: MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1953. Porto Alegre: Of. Gráficas da Livraria do Globo, 1953.
MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1954. Bagé: Tipografia Minerva, 1954.
MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1957. Porto Alegre: Of. Gráficas da Livraria do Globo, 1957.
MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1958. Porto Alegre: Of. Gráficas da Livraria do Globo, 1958.
MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1960. Porto Alegre: Of. Gráficas da Livraria do Globo, 1960.
MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1961. Porto Alegre: Of. Gráficas da Livraria do Globo, 1961.
MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1962. Porto Alegre: Of. Gráficas da Livraria do Globo, 1962.
MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1963. Porto Alegre: Of. Gráficas da Livraria do Globo, 1963.
Em junho de 1959, o edifício do ISPEA ainda não estava concluído.
Ao que parece, o edifício do ISPEA seria concluído em dezembro de 1959. [76]
Onde estava sendo construído o ISPEA, era um "arrabalde de má fama".
Padre Muraro teria terminado com os bordéis e com as casas de jogo.
Padre Muraro teria nascido no dia 19 de outubro.
Em 1959, era professor no Colégio Auxiliadora e professor na Faculdade de Ciências Econômicas.
Padre Muraro estava "radicado há vários anos" em Bagé.
Padre Muraro era diretor do ISPEA, obra "construída sobre os destroços de barracos que serviam de covil a vagabundos, jogadores e maus elementos”.
Havia parcos recursos para liquidar os débitos do ISPEA e terminar o edifício que estava em construção. [77]
Para Silveira, o Padre Muraro chegou à Bagé no ano de 1955: Honorino João Muraro “aqui chegou a mil novecentos e cinqüenta e cinco". [78]
No lugar em que foi erguido o ISPEA, era antigamente uma "velha chácara". [79]
A "pedra fundamental" foi "lançada" no dia nove de março de 1952, pelo Bispo D. Zattera e pelo padre Érico Schmemgler (em 1973, Schmemgler estava radicado na Alemanha). [80]
Ao longo do tempo, foram surgindo as seguintes instituições junto ao ISPEA:
a) Associação das Damas de São Pedro;
b) Escola São Pedro;
c) o Profissional São Pedro;
d) o Clube Domingos Sávio de Assistência ao Menor;
e) o Ginásio São Pedro;
f) a Escola Técnica "Dr. Celestino Goulart";
g) Assistência Social São Pedro;
h) Paróquia São Pedro;
i) Grêmio Esportivo São Pedro (que já existia quando da chegada do Padre Honorino e que veio a sofrer reformulações).
Em 1973, em fase de desenvolvimento encontravam-se:
a) Centro Social Nova Esperança;
b) Centro Juvenil São Bernardo. [81]
O padre Muraro seria "Florence por nascimento" e que, em tenra idade, foi para a cidade de Ijuí. [82]
A Paróquia São Pedro seria obra do ano de 1963. [83]
No entanto, a construção da igreja de São Pedro, no Bairro Getúlio Vargas, seria iniciada em 1973.
O terreno estava localizado na Avenida Santa Tecla, esquina com a rua Santa Cândida, antiga chácara da família Loureiro.
"A aquisição do terreno foi possível com a venda à Prefeitura Municipal, por 50 mil cruzeiros, de outro terreno do ISPEA, à rua Dr. Freitas, esquina São Carlos".
"Graças ao apoio do Prefeito Antônio Pires", as obras seriam iniciadas na terça-feira, com a terraplanagem no local, por máquinas da Prefeitura. [84]
A paróquia São Pedro, fundada em 03 de março de 1963, teve como primeiro vigário o padre Honorino João Muraro.
Funcionou no Salão do Colégio São Pedro até o ano de 1974, quando foi construído, sob a orientação do padre Geraldo D'Ávila, o prédio próprio na Av. Santa Tecla, nº 500.
A nova igreja foi inaugurada em 22 de outubro de 1974. [85]
Existe a indicação da inauguração da igreja matriz de São Pedro para o dia 20 de outubro de 1974, conforme notícia de jornal, informando a hora da inauguração, às 10 h., no Bairro Getúlio Vargas. [86]
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CORREIO DO SUL. "A Magnífica Obra Salesiana de Caridade e Auxílio à Classe Pobre". In: Correio do Sul, Bagé, 09 de janeiro de 1953
ANUÁRIO DO GINÁSIO MUNICIPAL NOSSA SENHORA AUXILIADORA/1931. Bagé: s/ed. , janeiro de 1932.
VIDA E OBRA DO PADRE ROBERTO GERMANO. Bagé: Oficinas Gráficas da Tipografia e Papelaria CETUBA Ltda., Departamento de Litografia; s/d.
DECRETO Nº 194. "Estabelece Luto Oficial". Gabinete do Prefeito Municipal de Bagé, 29 de Janeiro de 1973. In: VIDA E OBRA DO PADRE ROBERTO GERMANO. Bagé: Oficinas Gráficas da Tipografia e Papelaria CETUBA Ltda., Departamento de Litografia; s/d.
LEI MUNICIPAL Nº 1162. "Concede o Título Honorífico Especial de 'Benemérito' ao Reverendo Padre Roberto Germano e ao Colégio Nossa Senhora Auxiliadora". Gabinete do Prefeito Municipal de Bagé, 22 de maio de 1964. In: VIDA E OBRA DO PADRE ROBERTO GERMANO. Bagé: Oficinas Gráficas da Tipografia e Papelaria CETUBA Ltda., Departamento de Litografia; s/d.
MEDEIROS, Poty. GRANDE OFICIAL DA ORDEM NACIONAL DO MÉRITO EDUCATIVO. Discurso do Ministro Poty Medeiros, vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul. 29 de maio de 1971.In: VIDA E OBRA DO PADRE ROBERTO GERMANO. Bagé: Oficinas Gráficas da Tipografia e Papelaria CETUBA Ltda., Departamento de Litografia; s/d.
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SILVEIRA, Sandra Devincenzi da. "O Passeio que durou dezoito anos". CORREIO DO SUL. Bagé, 07 de fevereiro de 1973.
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CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE BAGÉ. Lei nº 1504; de 1968.
CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE BAGÉ. Lei nº 1663; de 1971.
CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE BAGÉ. Lei nº 1928; de 1977.
CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE BAGÉ. Lei nº 2014; de 1979.
CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE BAGÉ. Lei nº 2542; de 1988.
CORREIO DO SUL. "ISPEA - Orgulho do Trabalho Educacional". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 1º de maio de 1972.
CORREIO DO SUL. "Auxiliadora". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 14 de outubro de 1973.
.
MUSEU DOM DIOGO DE SOUZA. COLÉGIO NOSSA SENHORA AUXILIADORA - 1904-1984 - (CARTÃO). "Homenagem do Museu Dom Diogo de Souza, da Fundação Attila Taborda, na passagem do 80º aniversário do Auxiliadora". Bagé: MUSEU DOM DIOGO DE SOUZA, 1984.
CORREIO DO SUL. "Colégio e Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora". In: CORREIO DO SUL. Suplemento Especial - Centenário do Colégio Auxiliadora. Bagé, Sábado e Domingo, 16 e 17 de agosto de 2003.
CORREIO DO SUL. "Salesianos: Cem anos no Brasil e Setenta e Nove em Bagé". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 20 de novembro de 1983.
CORREIO DO SUL. "Construção da Igreja São Pedro vai se Concretizar: Início das Obras". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 14 de julho de 1973.
PARÓQUIA DE SÃO PEDRO. "Paróquia São Pedro". In: INFORMATIVO PAROQUIAL SÃO PEDRO. Nº 6. Bagé: Paróquia São Pedro, outubro de 1982.
CORREIO DO SUL. "Povo Novo: O Bairro que a Municipalidade esqueceu". In: CORREIO DO SUL. Bagé, 24 de julho de 1955.
CORREIO DO SUL. "A Igreja Matriz de São Pedro, que será inaugurada hoje, às 10 horas, no Bairro Getúlio Vargas"( legenda de uma foto da igreja).CORREIO DO SUL. Bagé, 20 de outubro de 1974.
Claudio Antunes Boucinha
Diretor do Arquivo Público Municipal
[1] Mons. Costabile Hipólito, um sacerdote napolitano. Fonte: http://www.capuchinhosrs.org.br/obras_view.php?id_atividade=11. http://www.paginadogaucho.com.br/pers/n-honorio-le.htm. http://www.jornalminuano.com.br/noticia.php?id=13936&data=&volta==.
[2]("A Vida Religiosa em Bagé". In: GUIA ILUSTRATIVO COMERCIAL, INDUSTRIAL E PROFISSIONAL DE BAGÉ. Bagé: EGIM (Editora Guias Ilustrados Municipais); impresso na Tipografia Minerva; 1937).
[3]("A Chegada dos Salesianos em Bagé". In: ABERTURA DO CENTENÁRIO SALESIANO-COLÉGIO AUXILIADORA (encarte); MINUANO, Bagé, Sábado e Domingo, 16 e 17 de agosto de 2003)
[4] Aparentemente, haveria equívoco na informação, visto que Peretto não era o Inspetor da Inspetoria do Uruguai. “O primeiro inspetor salesiano no Brasil, Pe. Carlos Peretto (1895-1908) incentivou as escolas profissionais, chegando a criar um espírito nos salesianos e marcar uma tendência que dominou a educação salesiana pelo menos até 1922”. (...) “Quase todas as casas fundadas - especialmente pelo primeiro Inspetor, Pe. Carlos Peretto - abrangiam os cursos profissionais ou o ensino agrícola (MARCIGAGLIA, 1955, p. 81)”. (...) “Durante o governo do 1º Inspetor, Pe. Carlos Peretto (1895-1908), este atendimento especial dirigia-se aos jovens de origens mais humildes”. http://pt.wikipedia.org/wiki/Inspetoria_Salesiana_de_Nossa_Senhora_Auxiliadora. http://www.db-piracicaba.com.br/dombosco/datas.asp. http://www.centrodombosco.com.br/cdb/historico.htm. http://www.inspetoriasalesiana.com.br/quemsomos/historico.php. www.valedoparaiba.com/terragente/.../Davi%20Coura%20Borges.doc. http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/artigos_frames/artigo_061.html. http://sdl.sdb.org/gsdl/collect/salesian/index/assoc/HASHb308.dir/doc.pdf. http://sdl.sdb.org/gsdl/collect/salesian/index/assoc/HASH01b5/e4928ca9.dir/doc.pdf. www.mamamargarita2006.com/vol_15cap1. http://sdl.sdb.org/gsdl/collect/salesian/index/assoc/HASHb858.dir/doc.pdf. http://sdl.sdb.org/gsdl/collect/salesian/index/assoc/HASH72da.dir/doc.pdf. http://bsi2.salesiano.br/isjbdocs/phl8_class_salesiana.pdf. http://www.salesianosuruguay.org/historia/album.asp.
[5] Aparentemente, foi o Pe. José Gamba que teria enviado padres para Bagé. P. José Gamba (1859- 1939). Nacido en el Piamonte, recibe la sotana de manos de Don Bosco, y, poco después de su profesión religiosa, parte para el Uruguay en la segunda expedición misionera. Es ordenado sacerdote en 1883 en Montevideo. Director desde muy joven, maestro de novicios, fundador del Colegio Sdo. Corazón y de Talleres Don Bosco, a la muerte de Lasagna es designado Inspector de Uruguay y Paraguay, donde recién se iniciaba la obra salesiana. Será inspector durante 27 años. En este largo período de gobierno, la obra salesiana se consolida con más de 10 fundaciones. Bondadoso, franco, comunicativo, sagaz. Amó mucho al Uruguay y cuando fue relevado del gobierno inspectorial pidió a los Superiores que lo destinaran a cualquier casa, pero quedándose en nuestra patria, que él hizo suya. Fonte: http://www.salesianosuruguay.org/historia/testigos.asp . Don Bosco crea la Inspectoría del Uruguay, el 8 de diciembre de 1881, poniendo a su frente al P. Luis Lasagna. La Inspectoría comprende las casas de: Villa Colón, Las Piedras, Paysandú. El 17 de marzo de 1893, en Roma, es consagrado obispo Luis Lasagna, será el primero de una serie de 12 obispos que saldrán de las filas de los salesianos de la Inspectoría. Lasagna morirá poco después en un accidente ferroviario y será su sucesor, como Inspector Salesiano, durante 27 años, el P. José Gamba. Fonte: http://www.salesianosuruguay.org/historia/album.asp .
[6] Juan Ilardia.
[7]("A Chegada dos Salesianos em Bagé". In: ABERTURA DO CENTENÁRIO SALESIANO/COLÉGIO AUXILIADORA (encarte); MINUANO, Bagé, Sábado e Domingo, 16 e 17 de agosto de 2003).
[8]("Colégio e Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora". In: CORREIO DO SUL. Suplemento Especial - Centenário do Colégio Auxiliadora. Bagé, Sábado e Domingo, 16 e 17 de agosto de 2003.
[9] “Aos nove de maio de 1937, o superior dos Salesianos em São Paulo, Pe. André Dell’Oca, fundou o Externato Santa Teresinha, escola paroquial para atender as crianças do bairro que acorriam, em grande número, ao Oratório Festivo”. FONTE: http://www.salesianost.com.br/colegio/historico. “Muitas vezes o Santuário [Santuário do Sagrado Coração de Jesus], assistido pelo Pároco P. André Dell'Occa e seus dois auxiliares Pe. Teófilo Tworz e P. João Grubber”. FONTE: “1948 - Coroinha no Liceu Coração de Jesus. O LICEU Coração de Jesus, em São Paulo, nos anos de 1948 e 1949. O FORMANDO Seminarista Jonas Abib, de 1949-1957. História do P. Jonas Abib de 1949, no Liceu até chegar a Lavrinhas”. http://wiki.cancaonova.com/index.php/1948_-_Coroinha_no_Liceu_Cora%C3%A7%C3%A3o_de_Jesus. “O Instituto Teológico Pio XI está completando hoje [Pe. Dr. Luiz Alves de Lima, sdb. São Paulo (Alto da Lapa), 07 de Março de 2006] 75 anos de existência. Fundado em 1931 no dia 07 de Março, então memória litúrgica de Santo Tomás de Aquino, no bairro de Santana (zona norte de São Paulo), transferiu-se para esta sede, no Alto da Lapa, em 1936. Além do Instituto Teológico, outras dimensões da obra salesiana, aqui sediada, também completam 75, tais como o Oratório Festivo, desdobrado depois em Paróquia São João Bosco e Centro Juvenil. No entanto, por falta de tempo, vamos aqui nos referir apenas ao Instituto Teológico Pio XI. Os salesianos do Brasil, até então, estudavam em Turim (Crocetta) ou em Manga, no Uruguai. O Pe. André Dell’Occa, Provincial na época, deu início a uma casa de formação, chamada estudantado teológico, no Bairro do Chora Menino, hoje conhecido com o nome de Santa Teresinha”. FONTE: http://www.pio.unisal.br/midias/75%20Pio%20XI%20-%20evoca%E7%E3o%20hist%F3rica%20-P.Lima.doc.
[10] O Pe. Ezequiel FRAGA nasceu em Paysandu, Uruguay, em 1875. Aos dez anos de idade, entrou no Colégio de Las Piedras. Em1891 era Salesiano. Enviado para o Mato Grosso, ordenou-se padre em Cuiabá, onde trabalhou vários anos. Esteve depois em Bagé, Niterói e Lorena. Voltando ao Mato Grosso, foi secretario de D. Antonio Malan. Quando este deixou a Prelazia de Registro do Araguaia, Pe. Ezequiel o substituiu na qualidade de Administrador da Prelazia, por dois anos. Nomeado o novo Prelado, seguiu para Petrolina, voltando a ser secretario de D. Malan. Faleceu em S. Paulo, em 1930. FONTE: http://sdl.sdb.org/gsdl/collect/salesian/index/assoc/HASH266e.dir/doc.pdf.
[11] Juan Ilardia. O Pe. Juan ILARDIA nasceu em Paysandu cm 1881. Conheceu os Salesianos em sua terra natal. Feito o noviciado, professou em 97. Padre em 1903. Trabalhou em diversas casas do Uruguay e na de Bagé, Brasil, que então pertencia à Inspetoria do Uruguay. Distinguiu-se pela calma com que enfrentava as situações mais difíceis e pela dedicação ao trabalho paroquia1. Foi um bom arquivista. Faleceu em Salto, Uruguay, em 1945. FONTE: http://sdl.sdb.org/gsdl/collect/salesian/index/assoc/HASH266e.dir/doc.pdf.
[13]("Salesianos Comemoram Cem anos em Bagé". In: MINUANO, Bagé, quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004). ( "Colégio e Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora". In: CORREIO DO SUL. Suplemento Especial - Centenário do Colégio Auxiliadora. Bagé, Sábado e Domingo, 16 e 17 de agosto de 2003).
[14](VIDA E OBRA DO PADRE ROBERTO GERMANO. Bagé: Oficinas Gráficas da Tipografia e Papelaria CETUBA Ltda., Departamento de Litografia; s/d.)
[15]("Salesianos: Cem anos no Brasil e Setenta e Nove em Bagé". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 20 de novembro de 1983).
[16] (VIDA E OBRA DO PADRE ROBERTO GERMANO. Bagé: Oficinas Gráficas da Tipografia e Papelaria CETUBA Ltda., Departamento de Litografia; s/d.)
[17](VIDA E OBRA DO PADRE ROBERTO GERMANO. Bagé: Oficinas Gráficas da Tipografia e Papelaria CETUBA Ltda., Departamento de Litografia; s/d.)
[18](VIDA E OBRA DO PADRE ROBERTO GERMANO. Bagé: Oficinas Gráficas da Tipografia e Papelaria CETUBA Ltda., Departamento de Litografia; s/d.)
[19](O DEVER. Bagé, 24 de fevereiro de 1904. - Pesquisa realizada pelo Núcleo de Pesquisas Históricas Tarcísio Antônio Costa Taborda -. Citada por: "Salesianos Comemoram Cem anos em Bagé". In: MINUANO, Bagé, quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004). O anúncio publicado no dia 24 de fevereiro de 1904, estava com assinatura do dia anterior, 23 de fevereiro de 1904, pelo Diretor do futuro colégio, padre André Dell'Occa. (1904-1984 - COLÉGIO NOSSA SENHORA AUXILIADORA (CARTÃO). "Homenagem do Museu Dom Diogo de Souza, da Fundação Attila Taborda, na passagem do 80º aniversário do – Colégio - Auxiliadora". Bagé: MUSEU DOM DIOGO DE SOUZA, 1984).
[20] (VIDA E OBRA DO PADRE ROBERTO GERMANO. Bagé: Oficinas Gráficas da Tipografia e Papelaria CETUBA Ltda., Departamento de Litografia; s/d.).
[21] ("A Chegada dos Salesianos em Bagé". In: ABERTURA DO CENTENÁRIO SALESIANO-COLÉGIO AUXILIADORA (encarte); MINUANO, Bagé, Sábado e Domingo, 16 e 17 de agosto de 2003).
[22] ("Salesianos Comemoram Cem anos em Bagé". In: MINUANO, Bagé, quarta-feira, 18 de fevereiro de 2004).
[23] (1904-1984 - COLÉGIO NOSSA SENHORA AUXILIADORA (CARTÃO). "Homenagem do Museu Dom Diogo de Souza, da Fundação Attila Taborda, na passagem do 80º aniversário do Auxiliadora". Bagé: MUSEU DOM DIOGO DE SOUZA, 1984). ("Colégio e Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora". In: CORREIO DO SUL. Suplemento Especial - Centenário do Colégio Auxiliadora. Bagé, Sábado e Domingo, 16 e 17 de agosto de 2003).
[24] (VIDA E OBRA DO PADRE ROBERTO GERMANO. Bagé: Oficinas Gráficas da Tipografia e Papelaria CETUBA Ltda., Departamento de Litografia; s/d.)
[25] (VIDA E OBRA DO PADRE ROBERTO GERMANO. Bagé: Oficinas Gráficas da Tipografia e Papelaria CETUBA Ltda., Departamento de Litografia; s/d.).
[26] ("A Chegada dos Salesianos em Bagé". In: ABERTURA DO CENTENÁRIO SALESIANO/COLÉGIO AUXILIADORA (encarte); MINUANO, Bagé, Sábado e Domingo, 16 e 17 de agosto de 2003).
[27] ("A Vida Religiosa em Bagé". In: GUIA ILUSTRATIVO COMERCIAL, INDUSTRIAL E PROFISSIONAL DE BAGÉ. Bagé: EGIM (Editora Guias Ilustrados Municipais); impresso na Tipografia Minerva; 1937.)
[28] . ("A Chegada dos Salesianos em Bagé". In: ABERTURA DO CENTENÁRIO SALESIANO-COLÉGIO AUXILIADORA (encarte); MINUANO, Bagé, Sábado e Domingo, 16 e 17 de agosto de 2003).
[29] ("A Chegada dos Salesianos em Bagé". In: ABERTURA DO CENTENÁRIO SALESIANO-COLÉGIO AUXILIADORA (encarte); MINUANO, Bagé, Sábado e Domingo, 16 e 17 de agosto de 2003).
[30] (ANUÁRIO DO GINÁSIO MUNICIPAL NOSSA SENHORA AUXILIADORA/1931. Bagé: s/ed., janeiro de 1932).
[31] (ANUÁRIO DO GINÁSIO MUNICIPAL NOSSA SENHORA AUXILIADORA/1931. Bagé: s/ed., janeiro de 1932).
[32] ("A Vida Religiosa em Bagé". In: GUIA ILUSTRATIVO COMERCIAL, INDUSTRIAL E PROFISSIONAL DE BAGÉ. Bagé: EGIM (Editora Guias Ilustrados Municipais); impresso na Tipografia Minerva; 1937.)
[33] ("Ginásio Municipal Nossa Senhora Auxiliadora". In: GUIA ILUSTRATIVO COMERCIAL, INDUSTRIAL E PROFISSIONAL DE BAGÉ. Bagé: EGIM (Editora Guias Ilustrados Municipais); impresso na Tipografia Minerva; 1937.)
[34] ("Ginásio Municipal Nossa Senhora Auxiliadora". In: GUIA ILUSTRATIVO COMERCIAL, INDUSTRIAL E PROFISSIONAL DE BAGÉ. Bagé: EGIM (Editora Guias Ilustrados Municipais); impresso na Tipografia Minerva; 1937.)
[35] ("Ginásio Municipal Nossa Senhora Auxiliadora". In: GUIA ILUSTRATIVO COMERCIAL, INDUSTRIAL E PROFISSIONAL DE BAGÉ. Bagé: EGIM (Editora Guias Ilustrados Municipais); impresso na Tipografia Minerva; 1937.)
[36] ("Ginásio Municipal Nossa Senhora Auxiliadora". In: GUIA ILUSTRATIVO COMERCIAL, INDUSTRIAL E PROFISSIONAL DE BAGÉ. Bagé: EGIM (Editora Guias Ilustrados Municipais); impresso na Tipografia Minerva; 1937).
[37] ("Ginásio Municipal Nossa Senhora Auxiliadora". In: GUIA ILUSTRATIVO COMERCIAL, INDUSTRIAL E PROFISSIONAL DE BAGÉ. Bagé: EGIM (Editora Guias Ilustrados Municipais); impresso na Tipografia Minerva; 1937)
[38] ("Ginásio Municipal Nossa Senhora Auxiliadora". In: GUIA ILUSTRATIVO COMERCIAL, INDUSTRIAL E PROFISSIONAL DE BAGÉ. Bagé: EGIM (Editora Guias Ilustrados Municipais); impresso na Tipografia Minerva; 1937.)
[39] ("Ginásio Municipal Nossa Senhora Auxiliadora". In: GUIA ILUSTRATIVO COMERCIAL, INDUSTRIAL E PROFISSIONAL DE BAGÉ. Bagé: EGIM (Editora Guias Ilustrados Municipais); impresso na Tipografia Minerva; 1937).
[40] (ASSOCIAÇÃO RURAL DE BAGÉ. Revista da Exposição (Revista de Bagé): Exposição Rural de Bagé, 1938. Porto Alegre: Of. Graf. da Liv. do Globo, 1938.)
[41] “Capela N. S. de Czestochowa. A colônia polonesa, radicada em São Paulo, possui sua capelania na Igreja Nossa Senhora Auxiliadora situada no bairro do Bom Retiro. A capela, dedicada a Nossa Senhora de Częstochowa - Padroeira e Rainha da Polônia, situa-se na lateral direita desta monumental igreja que foi erigida no lugar do antigo santuário de 1914, ao lado do Instituto Dom Bosco. A capela polonesa foi construída sob a direção do primeiro capelão polonês em São Paulo, pe. Teófilo Twórz da ordem Salesiana”. FONTE: http://www.consuladopoloniasp.org.br/publicar/view-not.php?id=452. “(...) É que o Padre Teófilo Twórz, um dos Párocos homenageados, que chegara à surdina e se sentara na platéia, em um cantinho escondido, havia sido então descoberto e era convidado a fazer parte da mesa. Como se não bastasse a presença do Padre Teófilo, que dirigiu espiritualmente o bairro do Bom Retiro de 1933 a 1940, fazendo lembrar em sua fisionomia todas as suas benemerências, levantou-se o Dr. Mário Marchese e, em belo discurso, as apontou uma a uma ao auditório”. Fonte: http://www.auxiliadora.org.br/historia/parocos.htm. “A Colônia Polonesa de São Paulo tem seu centro religioso no magnífico Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, matriz do bairro do Bom Retiro. Numa capela lateral desta monumental igreja, os poloneses, sob a direção do Padre Salesiano Teófilo Twórz, polonês da Silésia, construíram um artístico altar dedicado a Nossa Senhora de Czestochowa, Rainha da Polônia, Padroeira oficial da heróica nação polonesa. (...) Foram capelães, depois do Padre Teófilo Twórz, os Padres Salesianos Antoni Latka, Jan Kasprzyk, Stanislaw Lobaza, Jósef Slazyk e Wladyslaw Klinicki. Em 21 de dezembro de 1996, a Capelania passou a ser dirigida pelo Padre Miroslaw Stepien, da Ordem Sociedade de Cristo (SChr), Ordem que trabalha com os emigrantes poloneses em todo o mundo, possuindo atualmente no Brasil 36 padres”. Fonte: http://www.auxiliadora.org.br/capelania.htm.
[42] (MURARO, Honorino João (Pe.). "Padre Edgar de Aquino Rocha". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 26 de agosto de 1984).
[43] (MURARO, Honorino João (Pe.). "Padre Edgar de Aquino Rocha". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 26 de agosto de 1984.
[44] (MURARO, Honorino João (Pe.). "Padre Edgar de Aquino Rocha". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 26 de agosto de 1984.
[45] (MURARO, Honorino João (Pe.). "Padre Edgar de Aquino Rocha". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 26 de agosto de 1984.
[46] (MURARO, Honorino João (Pe.). "Padre Edgar de Aquino Rocha". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 26 de agosto de 1984.
[47] (MURARO, Honorino João (Pe.). "Padre Edgar de Aquino Rocha". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 26 de agosto de 1984.
[48] (MURARO, Honorino João (Pe.). "Padre Edgar de Aquino Rocha". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 26 de agosto de 1984.
[49] (MURARO, Honorino João (Pe.). "Padre Edgar de Aquino Rocha". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 26 de agosto de 1984.
[50] (MURARO, Honorino João (Pe.). "Padre Edgar de Aquino Rocha". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 26 de agosto de 1984.
[51] (MURARO, Honorino João (Pe.). "Padre Edgar de Aquino Rocha". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 26 de agosto de 1984.
[52] (MURARO, Honorino João (Pe.). "Padre Edgar de Aquino Rocha". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 26 de agosto de 1984.
[53] (MURARO, Honorino João (Pe.). "Padre Edgar de Aquino Rocha". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 26 de agosto de 1984.
[54] (MURARO, Honorino João (Pe.). "Padre Edgar de Aquino Rocha". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 26 de agosto de 1984.
[55] (MURARO, Honorino João (Pe.). "Padre Edgar de Aquino Rocha". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 26 de agosto de 1984.
[56] (CORREIO DO SUL. "A Magnífica Obra Salesiana de Caridade e Auxílio à Classe Pobre". In: Correio do Sul, Bagé, 09 de janeiro de 1953).
[57] (GOMES, Herculano. "O Velho... Povo Novo". CORREIO DO SUL, Bagé, 05 de junho de 1955).
[58] ("Instituto São Pedro de Educação e Assistência (ISPEA)". In: Correio do Sul, Bagé, 29 de junho de 1955)
[59] CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE BAGÉ. Lei nº 628; de 1955.
[60] (CÂMARA MUNICIPAL DE VEREADORES DE BAGÉ. Lei nº 689; de 1956).
[61] (ROTERMUND, Harry. "Um Bairro chamado 'Povo Novo'". CORREIO DO SUL. Bagé, 28 de junho de 1959.)
[62] (ROTERMUD parecia desconhecer os movimentos anteriores de construção do ISPEA, desde 1952)
[63] .(ROTERMUND, Harry. "Um Bairro chamado 'Povo Novo'". CORREIO DO SUL. Bagé, 28 de junho de 1959).
[64] "As Obras Salesianas em Bagé". In: ABERTURA DO CENTENÁRIO SALESIANO-COLÉGIO AUXILIADORA (encarte); MINUANO, Bagé, Sábado e Domingo, 16 e 17 de agosto de 2003.
[65] (ROTERMUND, Harry. "Um Bairro chamado 'Povo Novo'". CORREIO DO SUL. Bagé, 28 de junho de 1959).
[66] (ROTERMUND, Harry. "Um Bairro chamado 'Povo Novo'". CORREIO DO SUL. Bagé, 28 de junho de 1959).
[67] (ROTERMUND, Harry. "Um Bairro chamado 'Povo Novo'". CORREIO DO SUL. Bagé, 28 de junho de 1959).
[68] (ROTERMUND, Harry. "Um Bairro chamado 'Povo Novo'". CORREIO DO SUL. Bagé, 28 de junho de 1959).
[69] (ROTERMUND, Harry. "Um Bairro chamado 'Povo Novo'". CORREIO DO SUL. Bagé, 28 de junho de 1959).
[70] (ROTERMUND, Harry. "Um Bairro chamado 'Povo Novo'". CORREIO DO SUL. Bagé, 28 de junho de 1959).
[71] (ROTERMUND, Harry. "Um Bairro chamado 'Povo Novo'". CORREIO DO SUL. Bagé, 28 de junho de 1959).
[72] (ROTERMUND, Harry. "Um Bairro chamado 'Povo Novo'". CORREIO DO SUL. Bagé, 28 de junho de 1959).
[73] (ROTERMUND, Harry. "Um Bairro chamado 'Povo Novo'". CORREIO DO SUL. Bagé, 28 de junho de 1959).
[74] (Citado por ROTERMUND, Harry. "Um Bairro chamado 'Povo Novo'". CORREIO DO SUL. Bagé, 28 de junho de 1959).
[75] (Citado por ROTERMUND, Harry. "Um Bairro chamado 'Povo Novo'". CORREIO DO SUL. Bagé, 28 de junho de 1959).
[76] (ROTERMUND, Harry. "Um Bairro chamado 'Povo Novo'". CORREIO DO SUL. Bagé, 28 de junho de 1959).
[77] (CORREIO DO SUL. "Padre Honorino João Muraro". Bagé: Correio do Sul, 18 de outubro de 1959).
[78] (SILVEIRA, Sandra Devincenzi da. "O Passeio que durou dezoito anos". CORREIO DO SUL. Bagé, 07 de fevereiro de 1973.
[79] (SILVEIRA, Sandra Devincenzi da. "O Passeio que durou dezoito anos". CORREIO DO SUL. Bagé, 07 de fevereiro de 1973).
[80] (SILVEIRA, Sandra Devincenzi da. "O Passeio que durou dezoito anos". CORREIO DO SUL. Bagé, 07 de fevereiro de 1973).
[81] (SILVEIRA, Sandra Devincenzi da. "O Passeio que durou dezoito anos". CORREIO DO SUL. Bagé, 07 de fevereiro de 1973).
[82] (SILVEIRA, Sandra Devincenzi da. "O Passeio que durou dezoito anos". CORREIO DO SUL. Bagé, 07 de fevereiro de 1973).
[83] "As Obras Salesianas em Bagé". In: ABERTURA DO CENTENÁRIO SALESIANO-COLÉGIO AUXILIADORA (encarte); MINUANO, Bagé, Sábado e Domingo, 16 e 17 de agosto de 2003.
[84] ("Construção da Igreja São Pedro vai se Concretizar: Início das Obras". In: CORREIO DO SUL, Bagé, 14 de julho de 1973).
[85] ("Paróquia São Pedro". In: INFORMATIVO PAROQUIAL SÃO PEDRO. Nº 6. Bagé: Paróquia São Pedro, outubro de 1982).
[86] (CORREIO DO SUL. Bagé, 20 de outubro de 1974).
FRANCESCO ALGAROTTI: A HISTÓRIA DE UMA DÚVIDA E OS LIMITES DA OBRA DE NICOLAU DREYS
Introdução
Ao que parece, a figura de Francesco Algarotti renasceu das cinzas para iluminar discussões contemporâneas.
Qual o valor das afirmações de Nicolau Dreys sobre a figura do gaúcho?
O que desejava realmente dizer Dreys ao citar comparações de Algarotti?
O que é uma sociedade “agyne”?
O que eram os “tártaros zaporojos” ou “zoporojos”?
Quem era Francesco Algarotti?
Nesse intento, precisar-se-ia estudar as influências de Algarotti nas idéias de Nicolau Dreys.
Não cabe inferir se o gaúcho gostava ou não de mulher, se todos os gaúchos tem os mesmos gostos: ao fazer tal afirmação, o que se faz é apenas isolar um fragmento do pensamento de Nicolau Dreys e também do pensamento de Francesco Algarotti.
Nenhum povo, até agora, foi reconhecido como uma sociedade só de homens ou só de mulheres, ou só de eunucos, ou só de amazonas, ou só de assassinos, ou só de templários, ou só de cristãos, ou só de utopias.
A complexidade da realidade é mais fértil do que qualquer utopia.
Não é necessário um lugar ou tempo especial para compor a humanidade: a humanidade é a mesma em todo e qualquer lugar ou tempo, do ponto de vista de sua natureza.
A natureza da humanidade pode mudar?
Não se pode confundir o gaúcho, ou gaúchos, no plural, com o que disse Algarotti, com o que disse Dreys e o que disseram outros, posteriormente, como se fosse uma visão única, universal.
O fato de Dreys ter se utilizado de uma comparação, supostamente usada por Algarotti, não significa que seja verdade inteira sobre o gaúcho.
Aqui é preciso um pensamento fundamentado na complexidade, nas diversas variáveis que podem esclarecer a figura do gaúcho.
É preciso separar o que pensava, originalmente, Algarotti, depois Dreys como intérprete de Algarotti, e, posteriormente os intérpretes de Dreys.
O Discurso sobre os cossacos,
no Brasil, em 1822
Talvez a história sobre o discurso sobre os cossacos, no Brasil, possa ser delineada desde a independência do Brasil, em 1822, a partir dos interesses de José Bonifácio de Andrada e Silva, Jorge Antônio Schaeffer e, principalmente, Dona Leopoldina.
No entanto, as observações sobre os cossacos parecem construções mitológicas.
Existia idealização da figura dos cossacos.
Sonhava-se com camponeses domesticados sob o jugo do Império:
- “Para o então ministro José Bonifácio de Andrada e Silva, a questão da manutenção da unidade territorial da jovem nação era fundamental, e envolvia a formação de colônias agro-militares em pontos estratégicos do país.
Em carta datada de 21 de agosto de 1822, endereçada ao oficial Jorge Antônio Schaeffer, que partira em missão para a Áustria, Andrada e Silva fornecia as seguintes instruções:
“Depois de ter saudado as vistas da Corte de Viena e dos outros príncipes da Alemanha, e de ter procurado interessá-los a favor do Brasil, passará a outro ponto essencial de sua missão, que vem a ser: ajustará uma colônia rural-militar que tenha pouco mais ou menos a mesma organização dos cossacos do Don e Vral; a qual se comporá de duas classes:
1º) de atiradores que debaixo do disfarce de colonos serão transportados ao Brasil, onde deverão servir como militares pelo espaço de seis anos;
2º) de indivíduos puramente colonos, aos quais se concederão terras para seu estabelecimento, devendo porém servirem como militares em tempo de guerra. (...)”.
A iniciativa de angariar soldados e colonos alemães para formar as colônias agrárias militares havia partido de Dona Leopoldina pouco antes da oficialização da independência.
Por isso Andrada e Silva enviou Schaeffer à Europa.
Além de ser major da guarda civil, Schaeffer era secretário particular da imperatriz, com quem conversava em alemão.
O ministro concordara com a idéia por lembrar-se das “colônias agro-militares dos cossacos”, na Rússia e na Ucrânia, “cujos habitantes, sob a chefia de um oficial, eram, em primeiro lugar lavradores mas em caso de emergência se mostravam sempre prontos a defender as fronteiras contra agressões inimigas”.
Dona Leopoldina, por sua vez, também conhecia um sistema semelhante nas fronteiras húngaras, onde inúmeras colônias eram mantidas para defender o território da invasão turca. Além de manter intacto o perímetro nacional, a iniciativa contribuía para a expansão do regime da pequena propriedade e do trabalho livre.
As idéias de Andrada e Silva e da imperatriz influenciaram inclusive a fundação das primeiras colônias do Sul do Brasil, com imigrantes enviados por Schaeffer ”.[1]
O Discurso sobre os Cossacos, no Rio Grande do Sul
Nicolau Dreys, Robert Avé-Lallemant, Antônio Maria Pinto, tinham em comum o discurso que comparava os gaúchos com os cossacos:
- “Na Arcádia, de 1868, há muitos artigos de Antônio Maria Pinto sobre 'A invasão da fronteira de Jaguarão', em que o autor refere-se aos 'blancos' como 'Atilas da América do Sul' ou 'horda de salteadores', ou ainda, 'corso dos cossacos americanos de além Jaguarão que nada deixaram nas estâncias em que chegaram', que além de corroborar as explicações de Lacerda sobre as atrocidades cometidas pelos platinos, ainda contém a mesma associação entre gaúchos e cossacos, ou 'hordas bárbaras', conforme a percepção registrada pelos viajantes Nicolau Dreys (1839) e Robert Avé-Lallemant (1858)”.[2]
Robert Avé-Lallemant
Mais precisamente, Robert Avé-Lallemant sugeria que podia chamar os gaúchos como cossacos do Rio Grande, gaúchos-cossacos, tártaros do Rio Uruguai:
- “(...) Ave-Lallemant mostra uma outra imagem de centauro, uma imagem mais fantástica e que está vinculada ao nativo do Rio Grande do Sul, bem como a elementos de cunho negativo, tais como o grotesco, a violência, o banditismo. Vejamos como ele descreve a cena na qual dois gaúchos adentram um bolicho de campanha: 'Dois mestiços de índios, um par impressionante, ambos altos e vigorosos, de cabelos longos, espessos e negros, barba crespa, perfeitas fisionomias de índios, mas atrevidos, com pequenos ponchos e grandes esporas. Comportavam-se com desembaraço, mesmo atrevidamente e insultaram o brasileiro até que ele se esgueirou. Realmente horrorosos os dois homens, verdadeiros bandidos, e por isso mesmo me interessavam. Davam a impressão de fantásticos centauros, que tivessem amarrado seus corpos de cavalo à porta' (p. 176). Nesta citação nos deparamos com a imagem do gaúcho mitológico, um centauro fantástico, homem e cavalo constituindo um só ser, que ao mesmo tempo assusta e encanta o estrangeiro. A barbárie seduz o homem civilizado. As características exuberantes e o comportamento atípico do gaúcho (do mestiço) exercem um imenso fascínio, um poder de sedução incontrolável sobre o estrangeiro. A sedução é tamanha que a figura do gaúcho consegue suplantar, pelo menos por alguns instantes, os princípios de moral rígida que o povo civilizado cultua. Trata-se de algo muito especial, próprio do gaúcho mesmo, algo que os alemães – bem como outros estrangeiros - não absorvem nem expressam, porque é mais do que cultural: é identitário.
Em suas andanças pelo interior da província, Avé-Lallemant teve outras oportunidades de defrontar-se com a imagem que acima aparece descrita, dando-lhe ainda outras atribuições e outras designações, tais como: “vaqueano”, “camaradas”, ”cavaleiros” que “pareciam animais selvagens”, dotados de “uma certa originalidade”, “que eu poderia chamar de cossacos do Rio Grande”, “gaúchos-cossacos”, “cavaleiros da aventura”, “estes tártaros do Rio Uruguai não têm casa, levam vida nômade”, “estes semi-animais são nobres”, “são genuínos cavaleiros”, “são realmente típicos esses “gaviões”, como são chamados”, “os atrevidos fronteiriços” (p. 215)”.[3]
Nicolau Dreys seria um “flâneur”?
Nicolau Dreys seria um “flâneur”, quando descrevia o gaúcho?
Se a hipótese for correta ou parcialmente correta, poder-se-ia pensar a visão do gaúcho de Algarotti como uma visão de mundo urbana, quem sabe até dentro do horizonte das escolhas pragmáticas do sistema capitalista de então, vicejante na Europa, de onde Nicolau Dreys originava-se. Tal hipótese poderia explicar a tentativa de Nicolau Dreys em observar no novo (os gaúchos), o velho(os tártaros), como se tudo fosse o mesmo, genérico, sem especificidades ou reais novidades. Por exemplo, se Nicolau Dreys afirmava que os gaúchos não estavam submetidos a nenhum tipo de Estado, ou governo; poder-se-ia dizer o mesmo dos tártaros, com seus costumes rígidos e punições exemplares dos crimes da comunidade?
Os limites da Obra de Dreys
Costuma-se valorizar muito, na história do Rio Grande do Sul, o testemunho dos denominados “viajantes”.
Mas nenhum testemunho histórico é imparcial.
Ainda mais uma obra literária tipo “compêndio”, como a apresentado por Dreys. [4]
Agora, porque Algarotti, que não tem nada a ver com o gaúcho, entrou no centro de um debate sobre o gaúcho?
Dreys tinha dificuldades com o português: “Apesar de escrever o português com facilidade e relativa elegância”, notavam-se “por vezes algumas palavras ligeiramente adulteradas, aproximando-se muito do termo inglês correspondente” [5].
A “única obra cujo título no original” Dreys citou foi o “Journal of a Voyage to Brazil – London, 1824” [6], por “Milady Graham” (Maria Graham) [7].
E a questão é clara: Por que Dreys não citou outras obras no original?
Por que citou apenas os autores de certas obras?
O que Dreys queria esconder, não citando as obras no original?
O que Dreys queria demonstrar, não citando as obras no original?
Dreys também citou Thévenot[8] e o padre Verbiest[9]: “Thévenot encontrou o laço entre os povos da Índia, e o padre Verbiest o viu nas mãos dos guerreiros da Grande Tartária” [10].
Mas qual a obra de Thévenot que Dreys pesquisou?
Existem, pelo menos, quatro obras publicadas, em francês, no ano de 1664, no ano de 1674, no ano de 1684 (duas obras). [11].
Qual a obra de Verbiest que Dreys foi leitor? Existiam, pelo menos, em chinês, duas publicações: em 1673 e em 1678; em latim, um publicação, em 1687. [12]
É válida essa comparação entre a Índia sob o olhar de Thévenot (1665), a Grande Tartária (1683?) sob o olhar de Ferdinand Verbiest, e Rio Grande do Sul sob o olhar de Dreys?
Considerando o fascínio de uma visão única da história, uma história universal, com certeza que tais comparações entre tantas regiões parecem historicamente factível.
No entanto, para a ciência histórica, tais comparações não passam de retórica, carente de fundamento.
Na verdade, não são poucos os historiógrafos que se utilizam do recurso de fazer comparações tão díspares.
Daí a popularidade de tal empreendimento histórico.
Nicolau Dreys escolheu citar Francesco Algarotti, talvez por ser este uma referência intelectual importante, especialmente “confiável” na descrição de viagens, segundo o ponto de vista de Dreys.
Mas Dreys não citou Algarotti por ser uma “autoridade”, de reconhecido valor, no estudo dos gaúchos.
Quem foi Algarotti?
Algarotti (11 de Dezembro de 1712 - 03 maio 1764 – 1765? - ), italiano, filósofo e crítico de arte.
Não interessa para o estudo a vida íntima, os romances, de Algarotti[13], o comportamento de Algarotti nos relacionamentos sociais que estava vinculado[14], também expressão da sociedade européia dita civilizada[15] , embora seja de conhecimento público algumas cartas de Algarotti para pessoas que privaram da sua intimidade e que, por um motivo ou por outro, talvez por motivo nem tanto ético, nem tanto legal, jurídico, ou até mesmo nem tanto democrático, acabaram fazendo parte da história da vida privada da Europa no século XVIII.
Mesmo porque não leva para lugar nenhum ficar debatendo a vida privada de Algarotti visto que se perderia o foco do debate, entrando no campo das suposições, das especulações, desconhecendo todo o trabalho de Algarotti relacionado ao campo da filosofia, da arte, e, principalmente, de suas viagens pelo através dos mares do norte com a Rússia.
São essas viagens, principalmente, que interessam ao estudo, porque serviram de comparação para Nicolau Dreys, ao descrever o gaúcho.
Na verdade, Algarotti não escreveu sobre o gaúcho, nem sequer citou o gaúcho, nem pensou nem um minuto sobre o gaúcho.
Algarotti, portanto, até onde foi estudado, não tem nada a ver com o gaúcho.
O único estudo que poderia ser associado, sem dúvida, a América do Sul, foi um ensaio que Algarotti fez sobre os incas (“Saggio sopra L'imperio degl'Incas”) [16], e, ainda sim, não constava, no ensaio, nada sobre o gaúcho, ao que parecia.
Algarotti, portanto, estava alheio a vida do gaúcho.
Por outro lado, também é discutível o que Algarotti escreveu sobre os tártaros, visto que também não esteve na região dos tártaros zaporogos.
Algarotti fazia parte da elite européia culta e abastada, relacionada ao Iluminismo, que privava, por exemplo, com Voltaire (que chamou Algarotti de "Querido Cisne de Pádua"), com Lady Mary Wortley Montagu[17], e com Lorde Hervey.
O conteúdo das relações ou interações entre os Iluministas, que abarcavam um amplo leque de possibilidades, eram especialmente sobre ciência[18].
Com Montagu e com Hervey, ao que tudo indicava, Algarotti costumava dividir, talvez, um olhar que, no século XIX, Baudelier chamaria de “flâneur” [19]. Existem referências a presença do flâneur “antes do final do século XVIII”:
- “Será essencialmente na Paris do século XIX que a presença do flâneur se fará sentir de forma mais intensa. (...) Seria um equívoco (...) restringir a flânerie ao parisiense. (...)seria muito difícil tentar estipular uma data exata para o aparecimento desse personagem (...). Nos textos de Benjamin (...), encontramos referências que datam desde antes do final do século XVIII”; a maioria das referências “(...) remete ao século XIX, quando Baudelaire e Poe dão corpo à fantasmagoria do flâneur”. [20]
Considerando as obras de Francesco Algarotti, a que mais se aproximava do discurso de Dreys sobre os tártaros, era Viaggi di Russia, consistindo numa série de cartas que avaliavam, entre outras, o poder militar russo durante a campanha de 1736-39 na Crimeia[21].
Dreys citou Algarotti por que poderia ter lido a tradução francesa ou inglesa da obra “Viaggi di Russia”, originalmente escrita em italiano[22] [23] .
Ou até mesmo outras versões em francês [24].
Mas, como Dreys, por uma questão de escolha de método, não citou a obra original que serviu para análise, ou seja, não citou a obra que leu, se é que leu alguma obra de Algarotti, como chegar a uma conclusão justa?
Qual o valor da obra de Nicolau Dreys, do ponto de vista histórico-geográfico?
Em 1840, a obra de Nicolau Dreys foi oferecida para julgamento no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
O juízo foi feito por uma comissão de geografia formada por José Silvestre Rebello e Lino Antônio Rebello (doutor em matemática, lente no Colégio Pedro II, e na Escola de Arquitetos Medidores).
O juízo estava na Revista do IHGB, Tomo II, 1840, pp. 99-100[25].
A Comissão de Geografia não gostava de Nicolau Dreys.
Os defeitos que foram apresentados pela Comissão de Geografia relacionavam-se a obra e ao autor: o estilo de Dreys, “impróprio” e “empolado”, “pedante”, “esquisito”, “bombástico” perdia-se na “região das nuvens” e não se entendia o que Dreys escrevia.
O livro de Dreys, segundo a opinião da Comissão, serviria para divertir os leitores.
Não se tratava de um livro “sério”.
O estilo “impróprio” de Dreys serviria de “alerta” para as inexatidões dos dados fornecidos.
Não é importante para o estudo o julgamento em si do juízo da Comissão de Geografia do IHGB; se a Comissão tinha ou não condições de ter conhecimento dos assuntos que Dreys tratava ou até mesmo o acesso da Comissão as fontes bibliográficas citadas por Dreys.
O que interessa é que a obra de Dreys, em sua época, já era tratada com desconfiança. [26]
Quem eram os tártaros zaporojos ou zoporojos?
O termo “zaporojos”, em português, é desconhecido.
Mas existe uma citação de “Tartares Saporovi”, em 1757, em obra de Joseph de Guignes [27].
Também consta Zaporozhian Cossacks [28].
Mas a grafia que mais se aproxima do que Algarotti escreveu é a francesa: Zaporojie [29].
Em alemão, seria “Saporoger Kosaken” ou ainda, numa tradução, “Zaporoje cossaco”[30]. [31]
Se o estudo avançar em direção a “Zaporojie”, vai-se encontrar um tema interessante para se comparar com outras populações nômades do mundo[32].
Um quadro do pintor Ilya Repine[33] tinha o título “Les Cosaques zaporogues écrivant une lettre au sultan de Turquie” [34]: Repin concibió esta obra como un estudio en clave de humor, pero también pensaba que recogía los ideales de la libertad, la igualdad y la fraternidad; en pocas palabras, el republicanismo de los cosacos ucranianos. [35]
No entanto, o “republicanismo” dos “zaporogues” não parecia tão evidente assim. Os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, típicos da Revolução Francesa, final do século XVIII, no caso dos “zaporogues”, seria uma antecipação dos valores franceses defendidos em 1789, até mesmo uma visão utópica dos “zaporogues”, visto que as evidências não sugerem que tais valores eram sequer semelhantes aos defendidos pelos revolucionários franceses. No entanto, o quadro de Repin era extremamente útil para a reconstituição da sociedade dos “zaporogues'.
Observando-se reprodução do quadro de Repin, notava-se que não havia mulheres; todos estão armados, seja com lanças, seja um tipo de sabre (Shaska) [36]; seja com dois tipos de arma de fogo, mosquete (?) e pistola antiga[37]; a maioria está vestindo o que, no Rio Grande do Sul, chamar-se-ia (?) de “bombachas” [38]; em cima de uma mesa, cartas de jogo (?); um cão de caça (sighthounds? Husky? - chamava a atenção que, em uma das versões do quadro de Repin, o cão desaparecia), também estava presente; o aspecto geral da obra de Repin é de um acampamento militar; um instrumento musical, de cordas (bandura?) [39], está no colo ou do lado de um dos personagens da cena.
No entanto, em outra análise, um pouco mais profunda, do quadro de Repin, dos personagens que são representados, percebe-se que o “rigor” histórico de Repin de limites, visto que os tais personagens estão submetidos a uma outra lógica, não propriamente histórica, supostamente realista, mas transpassada de sentimentos humanos que permeiam o cotidiano de um artista, sentimentos não tão épicos, mas sentimentos simples, compreensíveis, representando personagens conhecidos por Repin[40].
Historia del Donbas
“La Cuenca carbonífera del Donets es una gran región minera e industrial en el borde meridional de la Europa oriental.
“Se extiende desde las colinas del Donets en el norte hacia el río Don, y en el sur a lo largo de las tierras altas del bajo Azov y la llanura costera del Mar Azov.
“La Cuenca del Donets se encuentra así rodeada por el medio y bajo Donets (afluente del Don) y el Mar de Azov.
“Su nombre ucraniano es Donets’kyi Basein, y el ruso, Donetskii Bassein, abreviados como Donbas y Donbass respectivamente.
“Geográficamente, la Cuenca del Donets es un área relativamente pequeña que cubre unos 23.000 Km2.
“La zona de explotación del carbón se conoce normalmente como el “Viejo Donbas”.
“Los yacimientos de carbón también se extienden al oeste hacia el río Dnieper y al este hacia el río Don en el Gran Donbas, cubriendo un área total de 60.000 Km2.
“El Donbas yace en la parte occidental de la Estepa euroasiática –un cinturón de praderas abiertas que se extienden desde Hungría en el oeste a través de Ucrania y Asia Central hasta Manchuria en el este.
“Desde tiempos prehistóricos esta amplia estepa – llamada por los eslavos orientales la “tierra salvaje” - formó una puerta de entrada natural a las sucesivas oleadas de jinetes nómadas del Asia Central.
“Desde principios del siglo XIII hasta finales del siglo XVIII, el sur de lo que más tarde comenzó a conocerse como el Donbas, y la estepa adyacente estuvieron dominados por la Horda Dorada Tátara y su estado sucesor, los khanates de Crimea (Khanate).
“Las áreas centrales de la Cuenca del Donets estuvieron bajo control de las comunas ucranianas y cosacas rusas (Zaporozhia y Cosacos del Don).
“Con la liquidación de Zaporozhia y la anexión de Khanate al Imperio Ruso en 1873, las poco pobladas tierras meridionales (lo que vino a llamarse Rusia Nueva o Novorossiia) fueron colonizadas por los foráneos de otras partes de Ucrania, así como por pequeños números de habitantes de Rusia, los Balcanes y Alemania”[41].
Os “Zaporogues” eram servos, condenados, agricultores, aventureiros de todos os tipos [42].
O termo “Zaporogue” parece ser um erro de transliteração do ucraniano ou palavra afrancesada de forma abusiva [43].
“Zaporogue”, Transliteração francófona do nome de um tipo de cossaco, esta palavra era geralmente encontrada nas traduções de literatura russas ou eslavas. O termo funciona tanto como um adjetivo ou substantivo .[44]
El término Zaporogo viene del idioma ucraniano "za porohy" que significa "tras los rápidos", y hace referencia a aquellos siervos que escapaban a la estepa de la presión feudal introducida por la "szlachta" — aristocracia polaca —. Fundaron la "Sich de Zaporozhia", su campamento, fuera del alcance del gobierno polaco, en los rápidos del río Dniéper[45].
“El origen de la palabra “cosaco” ha sido objeto de polémica. Mientras que para Portisch significa en tártaro “hombre libre”, para Yves Bréhéret la palabra “kazak” quiere decir - siempre en tártaro - “vagabundo”, “aventurero a caballo” (jinete) o, también, “hombre libre”. Para el historiador británico John Ure, los cosacos eran llamados originalmente por los turcos "quzzags[46]", término que fue evolucionando a kazaks, una palabra tártara que significa “jinetes”. En todo caso, para Portisch, en tiempos antiguos se llamaba “cosacos” a los siervos, campesinos y soldados que huían de la explotación de los nobles rusos, de los tártaros extranjeros y del servicio militar obligatorio, para dirigirse a las estepas del sur de Rusia, en particular hacia las regiones del Dniéper, el Don y el Volga, lugares a donde no llegaba el brazo de los grandes duques y desde donde se podía luchar libremente contra los tártaros”[47].
“O nome Cossaco, entrou no português através do termo francês Cosaque, que por sua vez, derivou do termo polaco de origem ucraniana Kozak, em vez da versão russa Kazak. Esta palavra deriva de um termo social utilizado na língua turca, qazaq, que significa ‘aventureiro’ ou ‘homem livre’. Este termo é, pela primeira vez, referido numa crônica rutena, datada de 1395” [48].
La composición del grupo era básicamente de siervos ucranianos y bielorrusos escapados. Cuando el rey de Polonia quiso controlarlos hizo un registro en el que a parte de nombres eslavos aparecen algunos tártaros, rumanos y de otras naciones e incluso la de un escocés. Aún así el grupo se desarrolló en torno al odio común a los "ráids" de pillaje de los tártaros de Crimea en busca de esclavos para los mercados turcos, y a los polacos y su explotación agraria, identificándose con la Iglesia Ortodoxa. Esta los consideraba como defensores contra las persecuciones de la Contrarreforma Católica — en todos sus campamentos y ciudades se erigieron iglesias de este rito y en su revueltas se perseguía a católicos y uniatas-católicos de rito ortodoxo a partir de 1595 —[49].
“Los cosacos de Zaporizhia, centrados alrededor de los meandros bajos del Dnieper, en el interior del territorio de la actual Ucrania, con la capital fortificada de Zaporizhian Sich, que llegó a llamarse Malorossia, la “pequeña Rusia”. Fueron oficialmente reconocidos como un estado, Hueste Zaporozhian, gracias a un tratado con Polonia en 1649. Los cosacos zaporogos del Dniéper vivían en una serie de islas[50] prácticamente inaccesibles, y sus ritos de iniciación eran más severos que los de las demás comunidades cosacas. Con sus embarcaciones, llamadas “gaviotas”, se dedicaban entre otras cosas a la piratería. A finales de la Edad Media, las poblaciones cosacas quedaron bajo el fuego cruzado de Polonia, Lituania y Rusia, y mantuvieron relaciones tensas con los rusos de Moscovia. Algunos cosacos llegaron a colaborar con los polacos, aunque las relaciones con éstos no fueran muy buenas: prueba de ello habría de ser la terrible persecución del cosaco Bogdan Jmelnitski. (Atamán de los cosacos y jefe de la sublevación ucraniana contra Polonia (1648). Responsable de defender los intereses de los cosacos, llevó a Ucrania a una sublevación general (1648). Se alió con el kan de Crimea y venció al ejército polaco, pero al verse sin escapatoria, firmó con Rusia el acuerdo de Pereiaslavl (1654), por el que Ucrania pasaba al Estado ruso, pero con gran independencia”[51].
Taras Bulba
O romance “Taras Bulba” de Nicolas Gogol, foi publicado em janeiro de 1835; uma versão ampliada será publicada em 1843 [52]. A história de Taras Bulba[53] é a história de um cossaco ucraniano. O pai, de Nicolas Gogol, era um antigo oficial cossaco [54]. “Taras Bulba”: no século XVI, no despovoado e selvagem território que hoje pertence à Ucrânia, onde Gogol modela esses alegres, violentos, sentimentais e bêbados, mas implacáveis cavaleiros cossacos lutando por sua independência em proporções verdadeiramente épicas. A novela foi publicada em 1835 e constituiu também um grande sucesso, rendendo grande popularidade a Gogol e solidificando ainda mais sua opção pela carreira literária[55].
- “Hijo, no escuches a tu madre, es una mujer y no sabe nada. (...)
- Cesa de aullar, vieja; un cosaco no ha nacido para vegetar entre mujeres. (...)
Séase porque se asustaron por la presencia de sus jóvenes señores, séase por no faltar a las púdicas costumbres de las mujeres, el caso es que las dos criadas echaron a correr lanzando fuertes gritos, y largo tiempo después todavía se ocultaban el rostro con sus mangas. (...)
¿Acariciar a mi mujer? (...)
La pobre mujer, acostumbrada desde mucho tiempo a semejantes actos, miraba tristemente la obra destructora de su marido, sentada en un banco, sin atreverse a pronunciar palabra; pero al saber una resolución que tanto la afligía, no pudo contener sus lágrimas. (...)
La mujer era una criatura extraña y fuera de su lugar entre aquellos aventureros feroces. (...)
Pero, ¿en donde está la vieja? (así llamaba habitualmente a su mujer). (...)
La pobre mujer los abrazó, tomó dos pequeñas imágenes de metal y se las colgó del cuello sollozando. (...)
- Los amantes del bello sexo eran los únicos que no tenían nada que hacer en aquel sitio, pues ninguna mujer se podía mostrar ni siquiera en el barrio de la setch. (...).
- Sólo queremos quitar el kochevoi, porque no es más que una mujer, y es preciso que el kochevoi sea un hombre. (…)
- -¡Primeramente, colguemos a todos los judíos -exclamaron algunas voces- para que no puedan hacer guardapiés a sus mujeres con las casullas de los sacerdotes! (...)
- Se asesinaba a los niños, se cortaban los pechos a las mujeres, y al escaso número de aquellos que se dejaba en libertad, se les arrancaba la piel, desde la rodilla hasta la planta de los pies; en una palabra, los cosacos pagaban en una sola vez todas sus deudas atrasadas. (...)
Sin número de monjes, judíos y mujeres buscaron refugio en las ciudades amuralladas y que tenían guarnición. (...)
Hasta las mujeres tomaban parte en la defensa; piedras, sacos de arena, toneles de resina inflamada caían sobre la cabeza de los asaltantes. (...)
Sus largos cabellos, su cuello y su pecho medio desnudos, le revelaron que era una mujer. (...)
Cuanto más contemplaba las facciones de esa mujer, más encontraba en ellas el recuerdo de un semblante conocido. (...)
Entonces apareció de nuevo ante sus ojos una imagen de mujer con sus hermosos brazos, su boca risueña y sus magníficas trenzas de cabellos. (...)
-Tienes una mujer en tu compañía, y te aseguro que mañana te daré una soberana paliza. Las mujeres no te traerán nada bueno. (...)
Pero no era eso lo que el joven buscaba: volvió, pues, la cabeza a otro lado, y vio a una mujer que parecía haberse detenido al hacer un movimiento rápido: la joven se precipitaba hacia él, pero se quedó inmóvil; hasta él mismo permaneció clavado en su sitio. (...)
En otro tiempo había en ella algo incompleto, no acabado: ahora se parecía a la creación de un artista que acabara de recibir la última mano; en otro tiempo era una jovencita delgada, ahora era ya una mujer, y en todo el esplendor de su belleza. (...)
- Veo que eres una criatura de Dios muy diferente de nosotros, y que aventajas en mucho a las otras mujeres de la nobleza” [56].
O “sich” Dunavetska foi praticamente o mesmo que todos os seus predecessores sobre o Dnipro. Tal como antes, não havia nenhuma mulher. Como em Zaporizhia, todos Cossacks casados viviam em aldeias. [57]. Existia um tipo de “lei de celibato” que valorizava os solteiros[58]. O relacionamento com mulheres era punido tanto quanto a sodomia[59].
No “sich” não haviam mulheres por que era um empreendimento puramente militar, [60]
O que é uma sociedade “agyne”, sugerida por Nicolau Dreys, para os gaúchos?
Existe uma sociedade “agyne”, no Rio Grande do Sul, no Brasil, na América, na Europa, na Ásia, em outros tempos, outros lugares?
Qual a origem desse tipo de classificação sociológica?
Essa classificação sociológica proposta por Nicolau Dreys é de reconhecido valor, é formalmente reconhecida, é paradigma da ciência?
Qual o pensador que deu origem a tal classificação sociológica?
Foi Dreys o inovador, o autor, o criador da “sociedade agyne”?
Qual a aplicabilidade da teoria criada por Dreys, no que se refere a tipologia social fundamentada na “sociedade agyne”?
Considerando que a partícula “a” tenha o significado de negação, de ausência, uma sociedade “agyne” não comportaria, ou conteria, ou não possuiria, não escolheria “mulher”(gyne); qual o contrário, uma sociedade “gyne”, conteria, comportaria, possuiria, escolheria, “mulher”?
A idéia original de Dreys era fazer também uma distinção entre moral, amoral, imoral[61], logo, “gyne”, “agyne”, “igyne”?
Qual o idioma que Dreys utilizou quando escreveu a palavra “agyne”, francês, inglês, português?
Dreys, com a sociedade “agyne”, queria ressaltar o “voluntarismo” filosófico, algum tipo de doutrina “anarquista” , considerando a suposta autonomia dos gaúchos?
A liberdade dos gaúchos era total, sem limites, ilimitada, fora de qualquer padrão social conhecido?
A novidade da palavra “agyne” sugeria uma sociedade “nova”, revolucionária, utópica?
“Nicolau Dreys, na sua Notícia Descritiva da Província do Rio Grande de São Pedro do Sul (apud ZILBERMAN, 1985, P. 20)[62], aponta o gaúcho como 'um homem do campo, que veste indumentária característica e manifesta predileção pelo cavalo como meio de locomoção'. Esse gaúcho é diferenciado de outro, também por Nicolau Dreys, que se apresenta 'sem chefes, sem leis, sem polícia, tem da moral social, senão idéias vulgares e, sobretudo, uma sorte de probidade condicional que os leva a respeitar a propriedade de quem lhes faz benefício ou de quem os emprega, ou nele deposita confiança: entregues ao jogo com furor, esse vício, que parecem praticar como um meio de encher o vácuo de seus dias, é a fonte dos roubos e às vezes das mortes que cometem(...)'. Auguste Saint Hilaire (1987)[63] também aponta o gaúcho como 'estes homens sem religião, nem moral, na maioria índios ou mestiços, que os portugueses designavam pelo nome de garruchos ou gahuchos, que vagavam pelos campos em busca do gado chimarrão fugitivo dos primeiros povoamentos espanhóis e subsistiam da retirada e da comercialização do couro destas tropas'”[64].
Ou até mesmo Côrtes & Lessa (1975):
- O que foi citado por Côrtes & Lessa, sobre Nicolau Dreys, só ajuda a confundir a leitura do pensamento de Dreys, por que não era uma citação literal do que escreveu Dreys, mas uma interpretação do pensamento de Dreys, bastando comparar o que dissera Dreys e o que disseram Côrtes & Lessa.
“Em 'Notícia Descritiva da Província do Rio Grande de São Pedro do Sul', Nicolau Dreys descrevia um 'gaúcho vulgar’, (...): 'Os gaúchos parecem pertencer a uma sociedade semelhante à dos antigos tártaros zaporojos. Geralmente aparecem sem mulheres e manifestam pouca atração para com elas. Sem chefes, sem leis, sem polícia, os gaúchos têm da moral social apenas as idéias vulgares e, sobretudo uma sorte de probidade condicional que os leva respeitar a propriedade de quem lhes faz benefício ou neles deposita confiança. (...) ele quer dinheiro principalmente para jogar, ou para adquirir a posse de qualquer brinquedo que (como as crianças) excitou sua cobiça. (...) o tempo passa-se a jogar, tocar ou escutar uma viola nalguma venda, e às vezes, porém com raridade, dançar uma espécie de `chula' grave, como eu vi alguns deles praticarem' (apud CÔRTES & LESSA, 1975, pp. 35-36.). [65] Este discurso do 'guasca', que não tem a dança como seu momento de diversão e que não gosta de mulher, (...)”. [66]
O mesmo erro de Côrtes & Lessa teria incorrido com Gustavo Reinecken:
- “Provavelmente, provém daí a noção do ‘gaúcho macho’, que não expressava o apego à família da mesma forma que os outros povos que lá estavam, e andava sempre em bando de homens, mantendo distância de outras famílias e mulheres – donzelas – filhas dos Senhores da Estância. Somado a isto, '... A certa altura, escrevia Nicolau Dreys: os gaúchos parecem pertencer a uma sociedade agyne...; Pelo menos os gaúchos aparecem geralmente sem mulheres e mantinham mesmo pouca atração por elas’” [67]. [68]
“Os gaúchos parecem pertencer a uma sociedade agyne, como dizia Algarotti, que viviam de seu tempo os Tártaros zaporojos; pelo menos, os gaúchos aparecem geralmente sem mulheres e manifestam mesmo pouca atração por elas, felizmente para seus vizinhos, a quem sua multiplicação, acompanhada de desejos tumultuosos, poderia causar desassossego” (Nicolau Dreys, 1839, citado por Meyer). Este fragmento segue por três páginas repletas de oposições semânticas (‘os gaúchos não têm moral social’ X ‘o gaúcho é ótimo cavaleiro’ ou ‘entregues ao jogo com furor’ X ‘evitando habilmente os golpes do adversário’), justificadas na introdução do extenso parágrafo com “Do homem da natureza ao gaúcho, a transição é fácil”. Nota-se que a ausência do tema “paixão romântica” na literatura gauchesca tem parte de sua explicação no aspecto social: um universo essencialmente masculino que a presença da mulher poderia desestabilizar (César afirma que, para figurar no contexto sócio-cultural “gaúcho”, a mulher sofreu uma masculinização temporária). [69]
Falando mal
José Feliciano Fernandes Pinheiro[70] nasceu em Santos, em 1774, em família abastada. Com 18 anos, partiu para Portugal, formando-se em Direito Canônico em Coimbra. Com as finanças familiares abaladas, estabeleceu-se em Lisboa, trabalhando como tradutor. Em 1800, viajou para a colônia brasileira, para ser juiz da alfândega das capitanias de São Pedro e Santa Catarina e auditor dos regimentos do Rio Grande. José Feliciano publicou em 1819-22, os célebres Anais da Província de São Pedro, tidos como primeira história orgânica do Rio Grande, escritos desde a ótica de um burocrata de destaque do império lusitano. Na primeira edição dos Anais, José Feliciano desanca literalmente a sociedade e o habitante sulinos. Define os rio-grandenses como "inertes e vários, e de natural ferino" e propõe que os "roubos, mortes e atentados" dominassem o interior, devido aos "poucos progressos" da "moral", das "leis" e do "espírito de sociedade" locais, ensejados pelo "ruim fermento" da população original, constituída pelo "enxurro da nação", ou seja, "degredados" e "mulheres imorais e banidas". Isso porque os poucos "casais" açorianos, de límpido sangue lusitano, teriam "emigrado" devido ao descumprimento das promessas públicas. O paulista enxovalhou igualmente sem dó a sociedade pastoril, ao anatematizar o churrasco, causa segundo o mesmo da "insensibilidade" com o "espetáculo da dor e da morte" do "estancieiro" e do "charqueador", que despedaçavam a "cada passo, uma rês". Para ele, os "devoradores de vianda em geral" seriam "mais cruéis e ferozes" do que o homem normal. Ao referir-se à fazenda pastoril, registrou afirmação intrigante. José Feliciano propôs nada menos que, devido à "inércia" da estância, o seu habitante conheceria a "moleza, a ociosidade e a devassidão", causas de "misérias" e, muita atenção, da baixa "multiplicação da espécie humana".
Inquisição: “Não apenas na época, sobretudo no mundo católico homofóbico ibérico, acusava-se a sodomia, ou seja, a homossexualidade masculina, como forma de "devassidão" responsável pela frustração da "multiplicação da espécie humana"”.
Advertência: Essa interpretação deve ser tomada em sentido hipotético, ao lado de outras eventuais leituras, devido ao caráter obscuro e sintético da afirmação de José Feliciano.
Porém, vinte anos mais tarde, um outro autor de narrativa muito conhecida do Rio Grande voltava a tocar, na mesma tecla, com ainda maior intensidade, sugerindo, assim, que a dupla fumaça poderia ser indício de um único foco de fogo.
“Nicolau Dreys[71] nasceu em 1781, na França. Funcionário público e militar bonapartista, viajou ao Brasil, após 1815, dedicando-se ao comércio. Conheceu diversas províncias, vivendo no Sul, na capital e no interior, em fazendas e charqueadas, de 1817 a 1827. Dreys publicou sua Notícia descritiva da província do Rio Grande de São Pedro do Sul, em 1839, no Rio de Janeiro, onde faleceu, em 1843. Sua narrativa traz rica informação sobre o gaúcho, sua gênese e principais características. Ao concluir seu valioso depoimento, propõe que o gaúcho literalmente não gostava de mulher, devendo-se a isso a sua baixa proliferação, para o francês, fenômeno positivo, devido à fereza daquele tipo social.
No me gustan las chicas!. 'Os gaúchos parecem pertencer a uma sociedade agyne [sem mulher], como dizia [Francesco] Algarotti, que viviam no seu tempo os Tártaros zoporojos; pelo menos, os gaúchos aparecem geralmente sem mulheres e manifestam mesmo pouca atração por elas, felizmente para seus vizinhos, a quem sua multiplicação, acompanhada de desejos tumultuosos, poderia causar desassossego [...]'.
Também a importante proximidade entre as propostas de José Feliciano e Nicolau Dreys não pode ensejar afirmações conclusivas, despropositadas e peremptórias. Não deve, porém, ser desconhecida e desconsiderada como ponto de partida para investigações mais detidas.[72]
Gaúcho desinteressado?
O francês Nicolau Dreys viveu no Sul em 1817-27. Em relato, anotou que o gaúcho não tinha “mulheres”, mostrando por elas “pouca atração” [sic]. Pesquisas históricas demonstrarão certamente que o gaúcho destemido do passado podia eventualmente ser um gay, por natureza ou necessidade.[73]
“Nicolau Dreys, em 1839, informou que o gaúcho já estava mudando, mas se reunia em grupos de pessoas sem moral e sem lei, formando uma sociedade agine (sem mulher). Afirmou que, para a felicidade dos povoados e das estâncias, os gaúchos não gostavam de mulheres”.[74]
LETTERA VII
Al medesimo[75]
Danzica, 13 agosto 1739.
(…)
E non ostante la piú esatta guardia bucarono in piú di un luogo, e fecero i Tartari su quel di Russia moltissimo bottino.
Tiran d’arco, e maneggian la lancia e la sciabla, che non han pari.
Ognuno di costoro mena seco due e anche tre cavalli.
Ne montano or l’uno or l’altro, fanno a un bisogno venticinque leghe per giorno.
Se un cavallo è rifinito, o lo ammazzano e ne regalan sé e i compagni, o lo lasciano ire pel deserto, dove lo trovan poi bello e rifatto.
Non portano con sé che il puro necessario; ché a gente avvezza a nutrirsi di carne di cavallo e di latte di giumenta, è quasi niente.
Del freddo sono pazienti a segno, che le notti piú rigide, per non iscoprirsi a’ nemici, non accendon fuoco.
Il mantello, steso sopra alcuni bastoncelli fitti in terra, è loro in luogo di tenda, e buon capezzale la sella del cavallo.
Nell’inverno i cavalli pascolan l’erba che trovano sotto la neve; e la neve è il lor beveraggio. (…) .[76]
TARTARES ou TATARS
(…) Les femmes sont habillées à la façon des paysannes de Russie, sur - tout depuis qu'ils sont soumis à cette couronne . (…) Ils sont toujours à cheval, en course, ou à la chasse, laissant le soin de leurs troupeaux & de leurs habitations à leurs femmes, & à quelques esclaves. (…) Les Tartares de la Crimée sont les plus puissans de ces trois branches ; on les appelle aussi les Tartares de Perékop, ou les Tartares Saporovi, à cause que par rapport aux Polonois qui leur donnent ce nom, ils habitent au-delà des cataractes du Borysthène. (…) Leurs armes sont le sabre, l'arc, & la fleche. [77]
I Cavalieri Cosacchi e Tartari.
I cavalieri del seguito sono chiamati "cavalieri cosacchi", equipaggiati come cavalleria media (czeremisy) o leggera e accompagnati da cosacchi.
Sono poi chiamati pancerni per distinguerli dai cosacchi di zaporog ribelli (1648).
I czeremisy sono equipaggiati con maglia di ferro, elmo o misurka (elmo di cotta), scudo, sciabola, nadziak, obuch o czekan (tre tipi di martelli da guerra spesso vietati dalla dieta tranne contro nemici esterni), arco (mantenuto come status simbol), poi archibugio o carabina, a volte di corta lancia.
I cavalleggeri sono privi di lancia, scudo e spesso anche di cotta di maglia.
Nel medioevo e nel rinascimento, in Lituania, ed in misura minore in Polonia, sono ingaggiati cavalleggeri tartari, circassi, cosacchi e petyhoriani, sia direttamente dal sovrano che dai nobili.
Sono inquadrati in bandiere di 60-200 uomini.
Sono di questo tipo i Lisowski o Lisowczyky, cavalieri e fanti irregolari ucraini impiegati sulla frontiera russa dal 1608, chiamati così per il loro fondatore Alessandro Lisowski.
Dopo l'inizio della Guerra dei Trentanni (1619) gli Asburgo ne arruolano 8-10.000 impiegandoli in Transilvania, Boemia, Slesia, Platinato, ma si dimostrano indisciplinati.
Sono in parte liceziati ed impiegati nell'esercito Polacco (dal 1621).
La dieta polacca stabilisce il divieto di servire in eserciti stranieri (1625) ma il re rinnova il trattato con gli Asburgo (1633) e ne stipula uno simile con la Francia (1637).
Cosacchi "Registrati" e Zaporog.
La prima menzione dei "cosacchi ucraini" risale al 1492.
Sul basso Dnieper si formano delle repubbliche militari (kosh) di Cosacchi ortodossi.
Il nome è dato loro dai tartari (quzzags, cavallerizzo, reso anche kazaki).
È loro affidata la difesa della dzikie pola (steppa selvaggia), chiamata anche Ukraine (terra di frontiera), riuniti in compagnie (verso il 1504) sotto la guida di starostas (signori di frontiera), i principali dei quali risiedono sul Don a Kaniev, Kamenets e Czerkask.
Poiché il sistema si rivela inadeguato, Ostafi Daszkiewicz, eroe di Kaniev nelle lotte contro i turchi ed i tartari, propone la realizzazione di fortezze sulle isole del Dnieper, con presidî di 2.000 uomini, alla dieta polacca (1533) che affida il progetto ad una commisione, ma non se ne fà nulla.
Il principe lituano-ucraino Dmytro Vyshnyvytsky fonda un centro amministrativo-militare fortificato sull'isola di Mala Khortytsja (1552), chiamato sich, che diviene la base delle sue scorrerie ai danni dei tartari di Crimea e dei turchi osmani.
Il sich restiste ad un assedio dei tartari di crimea (1557) che riescono però a distruggerlo l'anno seguente (1558).
Si susseguono i sich di Tomakivka (1564 c.a.-1593), Bazavluk (1593-1638, distrutto a seguito di una rivolta), Mykytyn Rih (1638, abbandonato verso il 1652) e Stara Sich (1652, diviene protettorato dei russi che lo distruggono nel 1709).
I cosacchi sono censiti dal governo polacco in un apposito registro (dal 1572) e pagati in cambio del servizio militare, radunati in stanitsa (tribù o comunità) con un proprio hetman (capo) eletto, che riceve dal re di Polonia il bastone di comando (bulawa) e lo stendardo a coda di cavallo (bunchuk) a conferma della sua elezione.
Risponde del suo operato alla obschaya shkoda (assemblea generale) e può essere destituito a seguito di sconfitte militari, impopolarità o condotta immorale.
Stefano Bárthory istituisce il primo reggimento di cosacchi "registrati" (1578), che affianca poi ad altri 5 reggimenti di 1.000 cosacchi "registrati", con quartier generale sull'isola di Hortica, a monte delle cascate del Dnieper.
I loro villaggi sono quindi chiamati Zaporoskskaya Syech (Villaggi sopra le Cascate).
I cosacchi non registrati sono invece chiamati Zaporozhians (Uomini sotto le Cascate) o semplicemente zaporog, conducono la guerra autonomamente e si distinguono contro i tartari ed i turchi (Età Eroica, 1613-1620).
L'esercito è organizzato in 8 reggimenti territoriali di 500-4.000 uomini guidati da palanky (colonnelli) nominati dal sich.
Ogni reggimento ha la propria bandiera, un trombettiere ed tamburo, ed è inquadrato in compagnie di 100 uomini, a loro volta divise in kurins (squadre) di 10 uomini guidati da un atman.
I reggimenti dispongono di artiglieria leggera trasportata su cavalli o carri.
Le armi comprendono sciabole, scimitarre, kilitch turche (a lama larga e fortemente incurvata) e le derivate karbela polacche (meno incurvate), picche leggere lunghe 3,5 m, a volte con la punta su entrambe le estremità, archibugi, sostituiti poi dai moschetti.
In battaglia si schierano su tre lava (linee incurvate), in formazioni aperte per diminuire l'efficacia del tiro nemico, e si appoggiano ad un tabir, fortezza di carri spesso circondata da un fosso.
Le Chaika Cosacche.
I cosacchi conducono scorrerie sul Mar Nero ai danni degli osmani, con flottiglie di Chaika (Gabbiani), imbarcazioni di 10-40 ton, lunghe 15-25 metri, larghe 2,4-3,7 m, per 20-70 uomini, 8-20 paia di remi e a volte 4-6 cannoni. Spesso sono rinforzate con fascine di canne.
La prima grossa scorreria è con 100 imbarcazioni e 2.500-3.000 uomin contro Caffa dove sono affondate 4 galee turche (1601).
È poi la volta di Trebisonda (1604), di Varna, dove sono affondate alcune galee ed un mercantile (1606) e contro i tartari di Crimea (1613).
L'hetman Sahajdaczny saccheggia i sobborghi di Istambul (Misevna e Arhioka) e respinge il contrattacco turco (1615).
A seguito delle proteste osmane, la dieta polacca vieta ai cosacchi di proseguire la pirateria nel Mar Nero (1619), promettendo in cambio un'indennità e 170 carri di vestiti ad ogni autunno, ma i termini non sono rispettati.
Una flottiglia cosacca è impegata nel Baltico contro gli svedesi (1635).
L'Artiglieria.
I cosacchi iniziano ad usare l'artiglieria verso il 1580, principalmente i cosacchi zaporog.[78]


[1] (Oberacker Jr., 1969, p. 223) ; a) SILVA, José Bonifácio de Andrada e. Instruções particulares para servirem de regulamento ao sr. Jorge Antônio Schaeffer na missão com que parte desta Corte para a de Viena da Áustria, e outras (1822c). In: CALDEIRA, Jorge (organização e introdução). José Bonifácio de Andrada e Silva. São Paulo: Ed. 34, 2002, p.158-162. b) OBERACKER JR., Carlos H. A colonização baseada no regime da pequena propriedade agrícola. In: HOLANDA, Sérgio Buarque de (org.) História da Civilização Brasileira – O Brasil Monárquico. Tomo II, vol.3. São Paulo: DIFEL, 1969. Citados por: Juliana Bublitz. ENTRE TRADIÇÃO E MODERNIDADE: DILEMA DO DESENVOLVIMENTO NO BRASIL. Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional – Mestrado e Doutorado – da Universidade de Santa Cruz do Sul, para a obtenção do título de mestre em Desenvolvimento Regional. Orientador: Prof. Dr. Sílvio M. de Souza Correa. Santa Cruz do Sul, janeiro de 2006. http://btd.unisc.br/Dissertacoes/JulianaBublitz.pdf .
[2] “Arcádia, jornal ilustrado, literário, histórico e biográfico”, revista literária que circulou em Pelotas e Rio Grande entre os anos de 1867 e 1870. PINTO, Antonio Maria. Apontamentos Históricos: A invasão da fronteira de Jaguarão em 27 de janeiro de 1865. In: Arcádia, jornal ilustrado, literário, histórico e biográfico. Rio Grande, 1868. 3ª série, p.30, 32 e 67. Fonte: Carla Renata Antunes de Souza Gomes. A última guerra entre a Província e a Corte é pelo poder de nomear. Associação Nacional de História – ANPUH. XXIV SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA – 2007. http://snh2007.anpuh.org/resources/content/anais/Carla%20Renata%20A%20de%20S%20Gomes.pdf .
[3] AVÉ-LALLEMANT, Roberto. (1953) Viagem pelo sul do Brasil (no ano de 1858). Trad. Teodoro Cabral. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro. Fonte: UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS. CURSO DE ESTUDOS DA LINGUAGEM. ÁREA DE TEORIAS DO TEXTO E DO DISCURSO. Imaginário sobre o gaúcho no discurso literário: da representação do mito em Contos Gauchescos, de João Simões Lopes Neto, à desmitificação em Porteira Fechada, de Cyro Martins. Por Verli Fátima Petri da Silveira. Orientação: Profª. Drª. Freda Indursky. Tese apresentada ao curso de Pós-Graduação em Letras – área de Teorias do Texto e do Discurso, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, como requisito parcial para obtenção do título de Doutor em Letras. Porto Alegre, 06 de maio de 2004. http://www.ufsm.br/corpus/txts_profes/tese_verli_petri.pdf .
[4] Fonte: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/3646/000390916.pdf?sequence=1 . AMARAL, Marise Basso. Histórias de Viagem e a Produção da Natureza: A Paisagem do Rio Grande do Sul segundo os Viajantes Estrangeiros do Século XIX. Tese de Doutorado apresentada como Requisito Parcial para a Obtenção do grau de Doutor(a) em Educação. Orientadora: Profª. Drª. Maria Lúcia Castagna Wortmann. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Faculdade de Educação. Programa de Pós-Graduação em Educação. Linha de Pesquisa: Estudos Culturais em Educação. Verão de 2003, p. 153,
[5] Fonte: RODRIGUES, Alfredo F. “Nota Preliminar”. Rio Grande, 13 de Março de 1927. In: DREYS, 1927, p. (6).
[6] Journal of a Voyage to Brazil and Residence there during Part of the years 1821, 1822, and 1923. — London, Longman, Hurst, Rees, Orme and Green, 1824, in-4. Fonte: http://objdigital.bn.br/acervo_digital/anais/anais_060_1938.pdf .
[7] Fonte: RODRIGUES, Alfredo F. “Nota Preliminar”. Rio Grande, 13 de Março de 1927. In: DREYS, 1927, p. (7).
[8] “Having visited the ruins of Persepolis , he made his way to Basra and sailed for India on November, 6, 1665 , in the ship "Hopewell," arriving at the port of Surat on January, 10 , 1666 . He was in India for thirteen months, and crossed the country by Golconda to Masulipatam , returning overland to Surat, from which he sailed to Bander-Abbasi and went up to Shiraz”. Fonte: http://www.answers.com/topic/jean-de-th-venot ; http://en.wikipedia.org/wiki/Jean_de_Thévenot
[9] http://muse.jhu.edu/journals/french_colonial_history/v003/3.1love.htm . “To this conviction he added personal experience of Tartary, having attended the Ch'ing emperor on two "hunting" trips north of the Great Wall in 1682 and 1683”. Fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_Verbiest ; Fonte: . "A Passage to China": A French Jesuit's Perceptions of Siberia in the 1680s . Ronald S. Love.
[10] DREYS, 1927, p. 161.
[11] http://www.brynmawr.edu/library/speccoll/guides/travel/asia.html
http://www.brynmawr.edu/library/speccoll/guides/travel/asia.html http://www.brynmawr.edu/library/speccoll/guides/travel/asia.html . “Publications: a) Relation d'un voyage fait au Levant dans laquelle il est curieusement traité des estats sujets au Grand Seigneur et des singularitez particulières de l'Archipel, Constantinople, Terre-Sainte, Égypte, pyramides, mumies [sic], déserts d'Arabie, la Meque, et de plusieurs autres lieux de l'Asie et de l'Affrique outre les choses mémorables arrivées au dernier siège de Bagdat, les cérémonies faites aux réceptions des ambassadeurs du Mogol et l'entretien de l'autheur avec celuy du Pretejan, où il est parlé des sources du Nil (1664); b) Suite du voyage de Levant, dans laquelle, après plusieurs remarques très singulières sur des particularitez de l'Égypte, de la Syrie, de la Mésopotamie, de l'Euphrate et du Tygre, il est traité de la Perse et autres estats sujets au roy de Perse et aussi des antiquitez de Tchehelminar et autres lieux vers l'ancienne Persepolis, et particulièrement de la route exacte de ce grand voyage, tant par terre, en Turquie et en Perse, que par mer, dans la Méditerranée, golfe Persique et mer des Indes (1674); c) Troisième partie des voyages de M. de Thevenot, contenant la relation de l'Indostan, des nouveaux Mogols et des autres peuples et pays des Indes (1684)”. 1 “Thévenot, Jean de, 1633-1667. Voyages de Mr. de Thevenot, contenant la relation de l'Indostan, des nouveaux Mogols, & des autres peuples & pays de Indes. A Paris, chez La Veuve Biestkins, M. DC. LXXXIV. DS411.5 .T5 1684”.
[12] http://fr.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_Verbiest
[14] http://goliath.ecnext.com/coms2/gi_0199-5786248/Transgendered-perspectives-on-premodern-sexualities.html