A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA EM BAGÉ
A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA EM BAGÉ:
28 DE SETEMBRO DE 1884[1]
Apresentação
Cláudio Antunes Boucinha[2]
Na medida em que se sucedem atitudes ou iniciativas que pretendem valorizar a etnia negra, resgatando a história do negro e da escravidão em nosso país, vale à pena lembrar a colaboração de Tarcísio Antônio Costa Taborda, em 1984, quando do centenário da Abolição da Escravatura em Bagé, com o artigo (publicado em forma de livreto) “A Abolição Da Escravatura Em Bagé: 28 De Setembro De 1884”.
A idéia é inserir a data de 28 de setembro (de 1884), no calendário de eventos culturais da cidade.
Nesse sentido, pretende-se que o dia 28 de setembro seja organizado em torno de uma programação, buscando parcerias com o poder público.
Para que se compreenda o processo de abolição que aconteceu em Bagé e região (visto que o mapa de Bagé atual – 2007 – não corresponde, nem de longe ao mapa de Bagé antigo – 1884 -; e muito menos com o mapa de Bagé do ano 1846, quando houve a primeira definição de seus limites), é preciso que se considere o contexto histórico da época, a conjuntura em que estava inserida a abolição no país, especialmente a partir da Lei do Ventre Livre, de 1871, que configurou um novo estatuto ligado a escravidão, o Funde de Emancipação de Escravos, que deu margem para que grupos organizados da sociedade civil, ou até mesmo movimentos espontâneos da população negra, buscassem o aprofundamento da crise do Estado e do escravismo que existia no Brasil.
A Lei do Ventre Livre
A lei n.o 2.040, de 28 de setembro de 1871, que ficou conhecida como a Lei do Ventre Livre, por conta do cabeçalho de seu primeiro artigo, tratava de aspectos diversos da escravidão e de maneiras de um escravo adquirir sua liberdade.
A Lei Rio Branco, como também foi conhecida, era um sistema complexo que visava a uma extinção gradual do escravismo, garantindo, contudo o interesse dos proprietários e a condição livre dos que nascessem dali em diante.
Além de garantir o ventre livre, ainda que em condições extremamente vantajosas aos senhores das mães, a lei reconhecia pela primeira vez o direito do escravo ao acúmulo de uma poupança, chamado pecúlio, para com ele comprar a sua própria liberdade.
Até então, a concessão de liberdade era prerrogativa do senhor, pelo menos no que tange aos mecanismos legais.
Considerada uma débil tentativa de abolir a escravidão, criticada pelos escravistas por ser uma tentativa e pelos abolicionistas por ser débil, a lei do Ventre Livre trouxe mudanças significativas ao escravismo do Brasil, por demonstrar um engajamento do próprio governo na erradicação do sistema e possibilitar novas maneiras de os próprios escravos, ou de outros agindo em seu benefício, buscarem modos de abandonar a condição servil.
Com todas as suas falhas e hesitações, é inegável que a lei de 1871 abalou profundamente o escravismo no Brasil.[3]
O Fundo de emancipação de escravos
A Lei 2.040 também instituiu um fundo de emancipação de escravos, a ser constituído nos municípios, e que receberia recursos do Império para classificar e alforriar escravos.
A iniciativa era uma tentativa do governo central de apressar a libertação no país, mas que obteve resultados muito fracos.
A historiografia que trata da abolição é curiosamente lacônica a respeito do fundo de emancipação dos escravos, e seria interessante analisarem-se as razões desse silêncio.
Certamente que todas as boas obras a respeito do assunto o mencionam, mas apenas como mais um mecanismo criado pela lei, cuja pouca relevância se explica pela pequena quantidade de escravos que libertou; sobretudo se comparado a outras modalidades de manumissão, ou mesmo como uma instituição pouco ambiciosa e que teria fracassado em seus objetivos.
Robert Conrad o descreve como não mais que
"um gesto humanitário, um instrumento de libertação menor ou uma prova de boa vontade. Na pior das hipóteses, foi um meio para os proprietários se desembaraçarem dos seus escravos menos úteis a preços muito satisfatórios”.
Destaque-se que o autor, utilizando preferencialmente fontes oficiais, tais como Anais do Senado, Relatórios do Ministro da Agricultura, além de jornais e livros sobre o tema, capturou com mais facilidade os problemas do fundo do que sua operacionalidade e seus processos bem-sucedidos.
Na documentação que utilizo nesta pesquisa, transcrita dos arquivos do Fórum Municipal de Florianópolis, os processos do fundo de emancipação permitem uma visão distinta da apresentada pelo brasilianista.
Esse suposto "fracasso" merece ser questionado.
De fato, o fundo deixou muito a desejar quanto à quantidade de escravos manumitidos (alforriados), por conta das pequenas verbas de que dispunha, e certamente foi abusado em diversas regiões e diversos momentos.
No entanto, a existência de uma instituição governamental visando à libertação de escravos era uma demonstração de que a escravidão já não era mais tolerada pelo Império como havia sido, a ponto de este alocar recursos para o seu combate.
Ademais, o fundo de emancipação afetou de alguma maneira a vida de escravos, senhores e libertos.
Na terminologia de Michel de Certeau, quais eram as táticas que lhes permitiam escapar à dominação de um sistema opressivo.
O tratamento dispensado ao fundo pela lei n.o 2.040 não ia além da descrição das fontes de recursos com que contaria.
Foi a Resolução n.o 5.135, de 13 de novembro de 1872, que regulou a classificação dos escravos para serem libertados pelo fundo.
A preferência para a libertação foi dada às famílias, especialmente quando pertenciam a senhores diferentes ou quando envolvessem escravos jovens e suas mães.
Indivíduos isolados eram preteridos em um primeiro momento, o que costumava significar, dado o baixo valor destinado ao fundo, que ficariam continuamente de fora da classificação. [4]
Campanha abolicionista
Em 1880, políticos e intelectuais importantes, como Joaquim Nabuco e José do Patrocínio, criam, no Rio de Janeiro, a Sociedade Brasileira contra a Escravidão, que estimula a formação de dezenas de agremiações semelhantes pelo país.
Da mesma forma, o jornal O Abolicionista e o manifesto O Abolicionismo, de Nabuco, e a Revista Ilustrada, de Ângelo Agostini, servem de modelo a outras publicações antiescravistas.
Advogados, artistas, intelectuais, jornalistas e parlamentares engajam-se no movimento e arrecada fundos para pagamento de cartas de alforria, documento que concedia liberdade ao escravo.
Em 1884, o Ceará antecipa-se e decreta o fim da escravidão em seu território. [5]
A Abolição no Ceará
Comparado com outros estados do país, o Ceará não recebeu um grande número de escravos (em torno de 35 mil, segundo dados históricos).
Vindos principalmente de Angola e Congo, seu preço era caro para a economia baseada em gado extensivo, atividade que não carecia de muita mão-de-obra e facilitava a fuga dos escravos para o sertão.
A crise econômica do final do século XIX, agravada por grandes secas, resultou na venda de escravos para outras regiões do país.
Numa tentativa de manter o sistema escravocrata no Norte/Nordeste, fazendeiros paulistas conseguiram a proibição legal dessas transações.
Com a medida, no entanto, tornou-se inviável sustentar escravos nas fazendas cearenses, o que acelerou o processo de libertação.
Desde 1868 já havia uma orientação e verba da Assembléia Provincial para libertar escravos, de preferência do sexo feminino; e recém-nascidos.
O próprio governo instituíra, em 1868, por meio da lei nº 1.254, um “fundo especial de 15 contos de réis por ano, para a manumissão de cem escravos que fossem nascendo e levados a pia batismal, de preferência do sexo feminino”.[6]
Maçonaria
Começaram a aparecer no Ceará sociedades civis de combate à escravidão, entre elas a loja maçônica Fraternidade Cearense e a Sociedade Perseverança e Porvir (1879).
Em 1880, surge em Fortaleza a Sociedade Cearense Libertadora, composta por 225 sócios que se reuniram sob o juramento “matar ou ser morto em bem da abolição”.
O jornal Libertador, mantido pelo grupo, denunciava em suas páginas abusos contra escravos e, organizando manifestações públicas, pregava o fim do comércio negreiro.
E as organizações libertárias, que foram se constituindo, cumpriram um papel propulsor, como a “Sociedade Perseverança e Porvir”, o “Centro Abolicionista 25 de Dezembro”, a “Sociedade das Senhoras Libertadoras”.
“Por sua vez, a ‘Sociedade Cearense Libertadora’, fundada em 1880, se propunha, com enorme audácia, libertar os escravos por todos os meios ao seu alcance”.
As Sociedades Libertadoras, além da pregação política, se entregavam à tarefa de obter a alforria de escravos, pela pressão social junto aos escravocratas, pela campanha para angariar fundos e comprar escravos, ato contínuo libertando-os, e pela articulação da fuga de escravos, dando-lhes guarida e defesa, inclusive transferindo-os de uma Província para outra.
O jornalista José Lino da Justa, na série de artigos “Vultos da Abolição no Ceará” (que remontam a 1938), revela quanto ousava a ação libertadora: “Aqui, em Fortaleza, chegavam até a arrebentar, de bordo dos vapores, escravos que em trânsito procediam do Norte”. [7]
Jangadeiros
Nesse contexto, não cabe estranhar que, a 27 de janeiro de 1881, os jangadeiros, tendo à frente Francisco José do Nascimento, tenham assumido a responsabilidade histórica de proclamar: “No porto do Ceará não se embarcam mais escravos!”. O governo, por todos os meios, tentou esmagar o movimento.
Mas tudo em vão: os jangadeiros haviam abolido de fato o tráfico de escravos no Ceará. [8]
Acarape[9]
Em 1881, a campanha abolicionista convenceu os jangadeiros a não transportar mais escravos de uma região à outra.
Sob o slogan “No Ceará não se embarcam mais escravos”, o movimento, liderado por Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, ganha apoio total da população.
A campanha se espalha pelo interior.
Abolição Em Uma Vila
A vila do Acarape torna-se, em 1883, durante a visita do abolicionista José do Patrocínio, a primeira a libertar seus escravos.
A “Sociedade Cearense Libertadora” decidira, num gesto emblemático, alforriar todos os escravos de Acarape.
Vale dizer - e aí a força do símbolo-, abolir a escravidão na pequena vila...
A comissão da "Libertadora", composta de João Cordeiro, Almino Affonso, Antônio Martins e Frederico Borges, que visitara Acarape em novembro de 1882 - incumbida da pregação-, empolgou a cidadania.
Assim, quando se instalou o ato libertário, a 1º de janeiro de 1883, com a presença de José do Patrocínio (que viera do Rio de Janeiro para o evento) e das mais significativas lideranças do Ceará, foram distribuídas as últimas cartas de alforria.
Assim, quando se instalou o ato libertário, a 1º de janeiro de 1883, com a presença de José do Patrocínio (que viera do Rio de Janeiro para o evento) e das mais significativas lideranças do Ceará, foram distribuídas as últimas cartas de alforria.
Na pequenina vila, que logo mais se chamaria Redenção, todos se tornaram homens livres!
Na verdade, rompera-se a cadeia da escravatura no elo mais frágil...
Não obstante as dimensões de Acarape, a repercussão política daquela manhã foi enorme.
Joaquim Nabuco, em carta da Inglaterra, arrebata-se:
"O Ceará é maravilhoso. Parece incrível que essa Província faça parte do Império. Acarape é mais do que um farol para todo o país; é o começo de uma pátria livre".
Raul Pompéia, o grande romancista, derrama-se em louvores:
"O Acarape começa. Vai nascer o futuro".
De volta ao Rio de Janeiro, José do Patrocínio denomina o Ceará de "Terra da Luz".
Desafio à ordem
Na verdade, Acarape[10] representou um desafio à ordem constituída.
E um exemplo a ser seguido.
Não tardou muito e Fortaleza, a 24 de maio de 1883, também ousou libertar seus escravos.
Pelo interior afora, a correnteza abolicionista já não é contida.
Cidade por cidade, todas se orgulham de lavar-se do opróbrio escravagista.
Até que, a 25 de março de 1884, o presidente da Província - dr. Sátiro de Oliveira Dias - declara solenemente:
"A Província do Ceará não possui mais escravos!".
Os canhões da Fortaleza de Nossa Senhora de Assunção reboaram, os sinos repicaram:
"É indescritível então o que se passou!".
Segundo Manoel Onofre os matutinos, em suas edições especiais, teceram
"homenagens aos vultos abolicionistas mais atuantes, notando-se o relevo dado à personalidade de João Cordeiro e à de Almino Affonso, entre os primeiros e outros denodados companheiros".
Raimundo Nonato, por sua vez, destaca a contribuição do combativo rio-grandense-do-norte:
"Fato que não padece dúvida é que toda a campanha abolicionista do Ceará teve na palavra de Almino Affonso um dos seus elementos decisivos, senão sua principal figura pelo entusiasmo com que empolgava a Terra da Luz".[11]
Imposto
A legislação foi fechando o cerco e, em 25 de março de 1884, o imposto sobre a propriedade de escravos tornou-se maior que seu valor de mercado, impulsionando o processo final de abolição.
Dados do Ministério da Agricultura indicam que, em pouco mais de um ano, foram soltos mais de 22.000 escravos.
A notícia se espalha por todo o país e renova o ânimo dos abolicionistas e escravos do Sul, que inclusive passaram a fugir para o Ceará, onde seriam livres. [12]
Acarape e Ceará
Figura 1 - Acarape: Fonte - http://www.ceara.com.br/imagens/Acarape.gif . Acessado em: 16 de maio de 2007. Hora: 11:34 h.
A Medalha (da Abolição) celebra o pioneirismo da Província do Ceará na libertação dos escravos, em 25 de março de 1884, antecipando-se à Lei Áurea, que só foi assinada no dia 13 de maio de 1888.
A Vila de Acarape, atual[13] Redenção, foi a primeira a libertar seus escravos, ainda em 1883. [14]
Efeito moral e político
Vale insistir: quatro anos antes da Lei Áurea, a Província do Ceará, pela vontade política e social de seu povo, tornou-se pioneira na abolição da escravatura.
Joaquim Nabuco em Paris, em 1900, fez justiça a essa raça de lutadores:
“A emancipação do Ceará foi o acontecimento decisivo para a causa abolicionista. O efeito moral da existência de uma Província livre, resgatada e desde então fechada para a escravidão foi imenso; o efeito político, imediato!”.
Ao impulso da maçonaria, fora organizada em Mossoró (RN), a Sociedade Libertadora Mossoroense, sob a liderança de Joaquim Bezerra da Costa Menezes, Romualdo Lopes Galvão, Miguel Faustino do Monte e Francisco Romão Figueira.
Ainda se ouviam as ressonâncias de Acarape e Fortaleza quando Mossoró, a 30 de setembro de 1883, também se engalanou para declarar-se livre da escravidão. Foram sete dias de festa.
Com a presença de Almino Affonso, que viera de Fortaleza para compartir com seus conterrâneos aquele momento de grandeza, o presidente da Sociedade Libertadora Mossoroense - Joaquim Bezerra da Costa Mendes - fez a declaração histórica: “Mossoró está livre: aqui não há mais escravos!”.
Sem desmerecer a contribuição de tantas outras lideranças, os que se têm dedicado à história da Abolição em Mossoró são unânimes em reconhecer em Almino Affonso o condutor daquela jornada, sobretudo pela sua palavra dominadora.
Câmara Cascudo, por exemplo, na sua “História do Rio Grande do Norte”, interpreta esse fascínio coletivo:
“Almino Affonso surgia para a multidão como seu predestinado, um super-homem, um semideus”.
E linhas adiante:
“Na abolição de Mossoró, Almino, que fora para magna cearense, passara a fronteira e conquistara a idolatria com sua voz estentórica, reboante e vastíssima”.
A irradiação do movimento abolicionista também se antecipara na Província do Amazonas.
A Sociedade Emancipadora Amazonense, fundada em 1870, da qual foi presidente Terneiro Aranha, de longe cumpria o seu papel de proselitismo.
E o próprio governo, amparado na lei de 24 de abril de 1884,
“consignou a quantia de 30 contos de réis, num orçamento de 2.500 contos, para completar as alforrias, ao mesmo tempo proibindo a entrada de novos escravos na Província do Amazonas”.
A 1º de maio de 1884 fora constituída, em Manaus, a “Sociedade Emancipadora 25 de Março”.
Almino Affonso, que há pouco chegara do Ceará, incorpora-se à campanha abolicionista no Amazonas, ao lado de figuras proeminentes da Província, como Lima Bacury José Paranaguá, Leonardo Malcher.
A 24 de maio de 1884, Manaus libertou seus escravos.
Segundo Robério Braga, jovem e brilhante historiador amazonense, foi “da maior relevância o desempenho de Almino Affonso e Gentil Rodrigues de Souza”, inclusive na obtenção de recursos para alforriar os escravos que ainda restavam nas senzalas.
Por fim, a 10 de julho de 1884, o presidente da Província, Dr. Theodureto Souto, proclama a emancipação dos escravos no Amazonas:
“Ficando assim, e de hoje para sempre, abolida a escravidão e proclamada a igualdade dos direitos de todos os seus habitantes”.
Antecipando-se às demais Províncias, o Ceará, o Amazonas e o Rio Grande do Norte souberam plantar a sementeira da igualdade social, muito antes que a Lei Áurea ousasse fazê-lo. [15]
A Abolição em Bagé[16]
A primeira notícia[17] que conseguimos apurar sobre o movimento em Bagé é dada por uma nota oficial de número 62, da 5ª Diretoria[18].
Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.
Palácio do Governo de Porto Alegre, 18 de janeiro de 1884.[19]
Com o seu ofício de novembro findo[20], recebi acompanhada de cópias do termo da audiência desse juízo do dia 12 do mesmo mês[21], uma relação de escravos aí declarados livres[22] por conta do fundo de emancipação.[23]
...
Cumpre informar que a supramencionada quota foi de 6.706$968.
Deus guarde V.mcê.
José Julio de Albuquerque Barros.[24]
Sr. Juiz de Órfãos do Termo de Bagé[25]. [26]

Figura 2: http://www.pgr.mpf.gov.br/procurador-geral/galeria/p1b.jpg . José Júlio de Albuquerque.
O documento acima nos dá conhecimento de que a preocupação abolicionista nesta cidade é, na pior das hipóteses, de fins de 1883.
Em 31 de janeiro de 1884, o Sr. Martins Bidart Filho[27] preocupava-se, em carta dirigida ao ''Independente'' de Bagé, em ver organizar-se uma Associação Abolicionista nesta cidade, entusiasmado com o extraordinário movimento que se verificava em todo o Império, de sociedades fundadas e outras se fundando para tal fim.
Confessava não ter iniciado uma associação dessa ordem, por reconhecer a sua fraca posição e influência para colocar-se á frente de seus co-munícipes e obter a sua realização.
“Tendo, porém, boa vontade para esse fim, e julgando o mesmo nos demais, vem por este meio despertar o público bageense, oferecendo a quantia suficiente para a liberdade de um indivíduo, ou de 600 a 800$000, como iniciador de uma lista de sócios, que subscreverão com o que quiserem a fim de que no dia de sua instalação, caso leve-se a efeito a organização da sociedade, possa essa cidade ou município imitar ou acompanhar as outras localidades, libertando um bom número de escravos”. [28]
Mostrava também, em outra parte de sua carta, a conveniência de uma associação de tal ordem, “(...) firmada em boas bases e confiada sua direção a pessoas interessadas pelo desenvolvimento e prosperidade, podendo trazer muitos benefícios em favor da libertação total da escravatura”. [29]
Essa carta vem confirmar a saliência especial que lhe dá, na benemérita cruzada da abolição em Bagé, o historiador Souza Docca. [30]
É certo que foi criado a sonhada associação ou Clube do Sr. Bidart, pois se tem notícia que ocupou a presidência o Cônego João G. Bittencourt [31], mas não conseguimos reunir elementos para dizer quando isto ocorreu.[32]
O mesmo historiador nos afirma que a cidade ficou liberta no dia 28 de setembro de 1884. [33]
A Abolição Da Escravatura Em Bagé:
28 De Setembro De 1884[34]
Tarcísio Antônio Costa Taborda
Bagé não vivia os seus melhores dias em 1884. Essa é, pelo menos, a impressão que dá a correspondência enviada pelo vereador Feliciano Antônio de Moraes, Presidente da Câmara Municipal, ao Juiz de Direito da Comarca de Bagé, Doutor Vicente Alves Rodrigues d'Albuquerque.
Contrabando
Esse documento, datado de 13 de maio de 1884, retrata Bagé atravessando uma tremenda crise, quando nada significava progresso, pois o comércio, "se não definha conserva-se estacionário", pela concorrência que lhe fazia o contrabando.
Indústria
A indústria era representada por duas fábricas de sabão e velas, dois curtumes, dois moinhos, além dos ferreiros, sapateiros e carpinteiros, "como se vêem em todas as povoações, em maior ou menos escala".
Rigorosa Seca
Por sua vez, a pecuária se apresentava estacionária, com tendência a grandes prejuízos, pela seca rigorosa que se atravessava.
Estrada de Ferro
Havia uma grande esperança em torno da construção da estrada de ferro que, vindo de Rio Grande, se dirigia para Cacequi e daí atingiria a Capital e Uruguaiana.
Meios de Transporte
Enquanto isso, as carretinhas, carruagens, diligências e cavalos eram os meios usados para se ir a Porto Alegre, via Pelotas, usando, depois o Rio São Gonçalo e a Lagoa dos Patos, ou via pontas do Rio Pardo e Cachoeira, para seguirem pelo Rio Pardo ou pelo Jacuí.
População
Foi, pois, num clima assim, que Bagé, contando com uma população de cerca de 16.000 almas, ingressou na campanha pela abolição da escravidão.
Campanha pela Abolição da Escravidão
Primeira Manifestação
Em 16 de fevereiro de 1884, o jornal “Independente” publicava uma carta de Martin Bidart Filho convidando os bageenses para fundar uma sociedade abolicionista e oferecendo o valor de 600$000 a 800$000, valor de um indivíduo, para abrir a lista destinada ao fundo de libertação.
Era a primeira manifestação pública, a demonstração que o desejo de abolição da escravatura já fervilhava nas rodas e entre as lideranças da comunidade.
Clube Abolicionista de Bagé
Em seguida se aglutina o Capitão Rodrigo Nunes Galvão, José Bonifácio da Silva Tavares, Zeferino Gomes de Freitas e Manoel Dias dos Santos, para a organização do Clube Abolicionista de Bagé. [35]
Assim, no Domingo, dia 16 de março de 1884, na casa do Capitão Rodrigo Nunes Galvão, era fundado o Clube, com o apreciável número de 35 sócios. [36]
Na distribuição das tarefas coube ao Capitão Galvão, juntamente com Zeferino Gomes de Freitas e Jorge Reis, integrar a comissão que redigiria os estatutos da novel entidade, voltada para a grande tarefa de extirpar do solo bageense a mancha da escravidão.
Para angariar novos sócios foram constituídas outras comissões em que apareciam nomes como José Bonifácio da Silva Tavares, Viriato Vieira da Silva, Manoel Dias dos Santos, entre outros.
O jornal ''Cruzeiro do Sul'', de Jorge Reis, pôs suas colunas a serviço da causa abolicionista e en seu número de 03 de abril de 1884 publicava a seguinte nota:
''Clube Abolicionista - Devido aos esforços de alguns cidadãos patrióticos, foi instalado, se bem que com pequeno número de sócios, o Clube Abolicionista Bageense.
A civilizadora idéia da redação dos cativos, vencendo as maiores dificuldades, levanta-se com a impetuosidade do tufão, de norte a sul do Império, conquistando as mais legítimas e sinceras adesões.
Sempre triunfantes, ela, a mais legítima aspiração desta terra do Cruzeiro, comove a todos os corações, entusiasma a alma do povo, acende o patriotismo, e como movida por mágico poder agrupa em torno de si as simpatias públicas.
Já era tempo do Brasil trocar as algemas infamantes de centenares de escravos, pela bandeira abençoada da redenção dos cativos.
Assim o compreenderam as beneméritas Sociedades Abolicionistas que em toda à parte entoam hinos sagrados á liberdade.
A heróica Província do Ceará, a mártir dos horrores da fome e da seca, deu-nos a mais edificante prova do seu devotamento pela nobre causa da emancipação.
Parece que mesmo no sofrimento, entre as lágrimas e a peste que ceifou imensas vidas, os briosos cearenses não descuraram um só momento da grandiosa obra da civilização que é o seu pendão de glória e fará no futuro a felicidade da Pátria.
É completamente livre o Ceará!
Em seu solo não existe um único escravo!''
Logo a seguir, continuava Jorge Reis com esta outra proclamação:
''A Província do Rio Grande do Sul, que por espaço de dez anos desfraldou o estandarte o estandarte tricolor da liberdade, que se tornou respeitada e preponderante nos destinos do Brasil, não deve ficar aquém, temos certeza, da nossa irmã do norte.
Guarda avançada do extremo sul do Império, a primeira a chocar-se com o inimigo no campo de batalha, não pode, esta terra de heróis, deixar de acompanhar ativamente o movimento progressista da época, tudo enviando para a completa extinção do cancro da escravidão, que tanto nos humilha aos olhos do estrangeiro.
Bagé tem patenteando o seu espírito altamente abolicionista nas inúmeras cartas de liberdade generosamente concedidas, sendo certo, que a estatística escrava tem diminuído consideravelmente. Tudo isso devido á filantropia de seus habitantes.
Hoje[37] que temos um nascente, mas prometedor Clube Abolicionista, em maior escala serão concedidas manumissões.
É preciso, porém, que o Clube Abolicionista não se afaste de certa norma de conduta, deixando-se levar por condescendências que podem prejudicar os interesses da causa que representa.
Não temos nem nunca possuímos escravos, por isso não queremos que a malevolência diga que por essa razão depreciamos a propriedade alheia.
Como jornalista, humilde, embora sem mérito, temos o direito de manifestar nossa opinião a respeito de tão negro assunto.
Entendemos que um escravo, dos bons e morigerados, não pode valer mais que 500$000 rs.
Não compreendemos como certos senhores pedem por um escravo que dizem ser preguiçoso e de maus costumes, 1:000$000 rs.
É isto um abuso que não se conta.
O Clube Abolicionista deve ter muito em vista estas circunstâncias, não se sujeitando a exigências desordenadas, que vão onerar os fundos da associação.
Para a concessão da liberdade deve o Clube Abolicionista observar a mais rigorosa justiça e equidade, a fim de que de parte dos libertados não se levante a menor queixa.
Estão lançadas as bases o grandioso templo onde se hão de celebraros atos fervorosos á liberdade, que há de iluminar o céu da Pátria.
Mostre cada cidadão à grandeza de seu coração partindo as pesadas algemas que prendem os míseros cativos.
Avante!
Obreiros do progresso heróis dessa cruzada humanitária, que as bênçãos da posteridade cairão sobre vós''.
O ''Álbum do Bem'', onde seriam escritos com letras de ouro os nomes daqueles filantrópicos cavalheiros que ''movidos pelo seu espírito eminentemente abolicionista, acabam de conceder liberdade a seus escravos'', foi instituído pelo Clube Abolicionista, e era divulgado pelo jornal "Cruzeiro do Sul”.
Entre os nomes lavrados a ouro, estava o do Comendador Candido Xavier de Azambuja, que concedera liberdade a oito de seus dez escravos.
O Sr. Bento Gonçalves Azambuja e o Sr. Gaspar José dos Santos Menezes, também libertaram os seus escravos, da mesma forma que o fizeram o Presidente da Câmara Capitão Feliciano Antônio de Moraes, o Dr. Candido Dias de Borba, o Major João Pompilio Bueno, João Anacieto Goulart e José Izaias do Amaral.
Também se proclamavam os nomes daqueles que se quotizavam para conceder a liberdade de escravos alheios, como foi o caso da preta Maria, escrava de Francisco Ventura, que foi libertada pela coleta feita entre o Major Felipe Martins, que deu a metade de seu valor, e as contribuições do Dr. Pedro Osório Filho, Major Manoel Luiz da Rocha Osório, Neru S. Martins, Martin Bidart e Cornélio Vieira.
Ia, assim, ''a idéia abolicionista caminhando triunfante entre nós'', já em 24 de julho de 1884.
Faziam-se quermesses, rifas, tômbolas, leilões, tudo o que permitisse reunir dinheiro para a libertação dos escravos.
Sugestivos ''slogans'' eram divulgados por todos os meios.
A carta que Vítor Hugo escrevera a José do Patrocínio era distribuída em folhetos. Contos onde se pintavam os horrores da escravidão se espalhavam pela cidade e campanha.
A atividade do Clube Abolicionista ia num crescendo, como num crescendo vinham às adesões á sua campanha.
Quando chegou a Bagé a notícia de que no dia 7 de setembro de 1884 Porto Alegre havia redimido seus escravos, chegou também o apelo de Joaquim Pedro Salgado estimulando a população local a seguir o gesto benemérito.
Jorge Reis, pelas colunas de seu Jornal dizia: ''O Povo de Bagé se entusiasmou aos hinos de liberdade que soam por toda a Província''.
Para comemorar a data que dava o nome ao Clube local, resolveram os seus dirigentes, que a emancipação seria a 28 de setembro, quando a Lei do Ventre Livre completaria seu 13º aniversário.
Nesse dia o povo foi convocado para se reunir na Praça da Matriz, a fim de pedir á Câmara Municipal que proclamasse o fim da escravidão.
Naquele Domingo primaveril, Bagé estava engalanada. Ás 16 horas, a câmara se reunira extraordinariamente, a fim de receber o apelo do povo.
Toda Bagé, por suas mais ilustres figuras, por seus mais modestos filhos, se aglomerava na Praça.
Eram as sociedades recreativas e beneficentes, como seus estandartes, eram as colônias estrangeiras, com suas bandeiras, era o povo em sua roupa domingueira, que ali estava para ser testemunha de um grande acontecimento.
Quando os sinos repicaram, da casa do Padre Bittencourt, saiu incorporado o ''Clube Abolicionista de Bagé 28 de setembro''.
Á frente ia o próprio padre-vigário, seu presidente seguido pelos dirigentes, por senhores, senhoras e senhoritas associados ao Clube.
O cortejo da redação, com seu estandarte alçado pela mão da Srta. Lídia de Liano foi recebida sob intensa ovação popular.
Uma guarda, composta de oficiais e soldados do 5º Regimento, postada à porta da igreja, fez continência ao cortejo que se dirigiu para o Paço da Municipalidade, onde hoje está a Escola Monsenhor Costabile Hipólito e foi recebido pela ilustríssima Câmara.
O recinto estava apinhado, mas quando o Padre Bittencourt falou e explicou os anseios do povo, pedindo por fim a, libertação dos escravos que ainda havia no município, o silêncio foi quebrado por estrepitosas aclamações, como a mostra á Câmara que o Povo desejava ardentemente seu pronunciamento.
Cessados os aplausos, levantou-se o capitão Feliciano Antonio de Moraes - Presidente da Câmara - que, em breve discurso congratulou-se com o Povo, por aquele nobre ideal, e declarou que aquela corporação, pela unanimidade de seus membros, proclamava extinta a escravidão no Município, e para que aquele momento nunca fosse esquecido, a Praça da Matriz, que fora cenário de tão grato acontecimento, passaria a chamar-se Praça da Matriz, que fora cenário de tão grato acontecimento, passaria a chamar-se Praça da Redenção.
Como a completar aquelas palavras, bombas e girândolas de foguetes e repiques festivos dos sinos, encheram os ares, ao mesmo tempo em que os estandartes, e bandeiras, e chapéus, e lenços abanavam numa demonstração do contentamento pelo ''ato grandioso e nobre da libertação de Bagé''.
Reunidos na Igreja, foi entoado, em seguida, um Te-Deum, em ação de graças. Dali, uma grande passeata percorreu as ruas da cidade, dando expansão á alegria popular, rumando, após, para o Teatro 28 de Setembro, onde, outra vez irmanados povo e autoridades, desfilaram oradores: Freitas, José Batista Pereira, o Capitão Serafim Souza e Antenor Soares, Idelfonso da Cunha Ribeiro e José Teixeira.
A festa da libertação continuou até horas adiantadas, tendo havido um grande leilão, reunido meios para colaborar com outros municípios, na campanha da redação dos escravos, pois Bagé já libertara todos os pretos que viviam em seus territórios.
Sessão extraordinária comemorativa da redação dos escravos da Cidade de Bagé
Presidência do Sr. Cap. Feliciano Antonio de Moraes
Aos vinte e oito dias do mês de setembro do ano de 1884, no Paço da Câmara Municipal, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, reunida ás quatro horas a corporação da mesma, com os Senhores Vereadores abaixo assinados e assistências das autoridades, senhoras e cavalheiros, foi aberta a sessão.
O Senhor Presidente declarado que convocara a Câmara para comemorar a libertação dos escravos na cidade, propôs para solenizar de uma maneira perdurável o fato grandioso e patriótico que a Praça da Matriz passe a denominar-se - Praça da Redenção.
É unanimemente aprovada esta proposta.
Propõe também que se consigne na ata um voto de louvor ao incansável e patriótico Clube Abolicionista de Bagé, pelos importantes serviços já prestados á causa da humanidade e da justiça.
É também unanimemente aprovada.
Em seguida participa que vai convidar o mesmo Clube a dar entrada no salão, e nomeia para recebê-la uma comissão composta dos Senhores Vereadores José Bonifácio da Silva Tavares, Martin Bidart Filho e Domingos Fernandes de Mesquita.
Comparecendo o Clube perante a reunião da Câmara ofereceu uma relação contendo os nomes de todos os proprietários de escravos residentes na cidade com as liberdades concedidas, cuja relação foi lida pelo presidente do mesmo Clube, o qual nessa ocasião fez ciente que concluída que seja a emancipação no Município, serão então apresentadas á ilustríssima Câmara o livro das atas de seus trabalhos, e um livro especial em que constará a relação de todas as libertações conferidas com os nomes dos libertados e respectivos senhores.
Em ato contínuo, pelo presidente da Câmara Municipal, depois de uma alocução análogas, proclamou a redação dos cativos da Cidade, que em seguida foi à mesma anunciada a todos os habitantes com salvas, repiques de sinos, etc.
Após, o Senhor Presidente da Câmara levantou a sessão dirigindo-se todos á Igreja para assistirem a um solene Te-Deum em ação de graças pela extinção dos cativos.
E eu Joaquim do Amorim Carvalho, secretário, lavrei esta ata.
Feliciano Antonio de Moraes
Domingos Fernandes de Mesquita
José Bonifácio da Silva Tavares
Martin Bidart Filho
Gaspar Corrêa da Silva
Cônego João Inácio de Bittencourt
Felipe Martins
Serafim dos Santos Souza
Dr. Pedro Osório Filho
Antenor Cancio Lopes Soares
João M. Peixoto
Domingos Damé
José Rodrigues Crespo Candiota
José Francisco de Freitas
Francisco de Paula Sá
Plácido Germano
Pedro Gonçalves Rodrigues
Antonio Paulo Fontoura
Pedro Rodrigues de Borba
Valeriano José Lopes
Dr. Antonio Marques da Silva Pavão
Dr. José Francisco de Azevedo Penna
Cornélio Vieira da Silva
Dr. Nicanor Peña
Jorge Reis
Referências Bibliográficas
CONRAD, Robert. Os últimos anos da escravatura no Brasil. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1978.
CERTEAU, Michel de. A Invenção do Cotidiano. Volume 1 – Artes de Fazer. Petrópolis, Vozes, 2000.
TABORDA, Tarcísio Antonio Costa. A Abolição da Escravatura em Bagé: 28 de Setembro de 1994. Bagé: Museu Dom Diogo de Souza/FAT-FunBa, 1984.
[1] MUSEU DOM DIOGO DE SOUZA. FAT/FUnBa. Bagé: 1984.
[2] Diretor do Arquivo Público Municipal de Bagé. Mestre em História do Brasil (PUCRS).
[3] Fonte: DAUWE, Fabiano. A Escravidão E O Fundo De Emancipação De Escravos Em Desterro: 1872-1888. In: http://www.multiculturalismo.hpg.ig.com.br/txtFabiano.htm. Acessado em: 04 de abril de 2007. Hora: 22:07 h.
[4] Fonte: DAUWE, Fabiano. “A Escravidão E O Fundo De Emancipação De Escravos Em Desterro: 1872-1888”. In: http://www.multiculturalismo.hpg.ig.com.br/txtFabiano.htm. Acessado em: 04 de abril de 2007. Hora: 22:07 h.
[5] Fonte: http://www.unificado.com.br/calendario/05/abolicao.htm . Acessado em: 16 de maio de 2007. Hora: 11:18 h.
[6] Fonte: AFFONSO, Almino. “A Abolição antes da Lei Áurea”. São Paulo: Folha de São Paulo, 07 de maio de 2000. www.race.nuca.ie.ufrj.br/journal/a/affonso1.doc . Acessado em 16 de maio de 2007. Hora: 19:51 h.
[7] Fonte: AFFONSO, Almino. “A Abolição antes da Lei Áurea”. São Paulo: Folha de São Paulo, 07 de maio de 2000. www.race.nuca.ie.ufrj.br/journal/a/affonso1.doc . Acessado em 16 de maio de 2007. Hora: 19:51 h.
[8] Fonte: AFFONSO, Almino. “A Abolição antes da Lei Áurea”. São Paulo: Folha de São Paulo, 07 de maio de 2000. www.race.nuca.ie.ufrj.br/journal/a/affonso1.doc . Acessado em 16 de maio de 2007. Hora: 19:51 h.
[9] Acarape
Toponímia:
Na língua tupi “dos Acarás.
Variação Toponímica
De Acara pé, Caminho dos Acarás, Canal do Peixe ou Caminho das Garças.
Desmembrado de Redenção.
História
Poder-se-ia admitir Acarape como sendo nada mais nada menos que simples prolongamento urbano de Redenção.
Três quilômetros, apenas, separam os dois Municípios, guardando geologicamente as mesmas características de solo, assim como os mesmos referenciais hídricos, considerando para tanto as águas originárias do rio Pacoti e demais afluentes com represamento no Açude Acarape do Meio.
Evolução Política
Primitivamente o nome Acarape designava a sede do Município.
O então povoado chamava-se Calaboca.
Com o pioneirismo do Município subordinante, na libertação dos escravos no Ceará, houve-lhe por outorga honorária o nome de Redenção.
Ainda modesto, o povoado de Calaboca quis homenagear as suas maternais origens, passando a chamar-se Acarape.
Antes, porém, desse fraternal e justo acontecimento, a povoação de Calaboca recebeu do acaso a cota de benefício pelo qual foi responsável a Ferrovia Fortaleza-Baturité.
Esse benefício constou da Estação Ferroviária, construída pela Companhia e inaugurada a 26 de outubro de 1879.
O povoado, então, despertou do seu longo e marasmático pesadelo.
Pequenos comerciantes se estabeleceram.
Quando chegou o momento oportuno, os moradores se arregimentaram, requereram e obtiveram a elevação do povoado à categoria de Vila, tendo como instrumento de apoio a Lei nº 2.376, de 18 de setembro de 1926, ganhando, também, a mudança de nome.
Sua elevação à categoria de Município, já com a denominação atual, provém da Lei nº 11.308, de 16 de abril de 1987. Fonte: http://www.ceara.com.br/m/acarape/ . Acessado em: 16 de maio de 2007. Hora: 11:42 h.
[10] “Por ser uma região próxima do litoral tivemos desde muito cedo a presença do colonizador, que subiram no século XVIII o rio Pacoti em busca de terras férteis para produção de cana e pasto para o gado (pecuária)”.
“Chegando lá os missionários jesuítas, denominaram de caminho das garças ou Acarape, que na língua tupi quer dizer caminho do peixe (acara = peixe; pê: caminho).
Isso deu início a um período de escravismo colonial na região, com a instituição das fazendas e dos engenhos.
“Negros e índios eram escravizados para servir de mão-de-obra dos senhores da época”.
“Como em todo o Ceará, já no século XIX, os movimentos abolicionistas foram bem fortes na região, o que fez com que Redenção e Acarape, ganhassem a fama de ter sido a primeira região do Brasil a ‘libertar’ os escravos”.
“Entretanto, o fator mais importante desta ‘abolição’ era o próprio fato de que a produção econômica não requeria tanta mão-de-obra escrava e não dava tanto lucro aos senhores de engenho para que eles pudessem manter os custos da produção e da mão-de-obra”.
Chegava-se a ponto dos senhores de engenho em processo de falência venderem a preço de banana ou por sacos de farinha os seus escravos para outras regiões do país, inclusive para se safarem das dívidas que contraiam.
Na realidade essa "libertação dos escravos" foi apenas o reconhecimento de que não era lucrativo manter a escravidão no Ceará.
O município que hoje se chama Acarape era antigamente chamada de "Cala a Boca", demonstrando como as pessoas tinham que suportar todas as injustiças caladas.
A cidade que é hoje Redenção era a antiga Acarape, que ganhou este nome por ser considerada a primeira a "libertar" os escravos no Brasil. Fonte: http://www.nodo50.org/insurgentes/textos/autonomia/16dossie24abril.htm . Acessado em: 16 de maio de 2007. Hora: 11:47 h.
[11] Fonte: AFFONSO, Almino. “A Abolição antes da Lei Áurea”. São Paulo: Folha de São Paulo, 07 de maio de 2000. www.race.nuca.ie.ufrj.br/journal/a/affonso1.doc . Acessado em 16 de maio de 2007. Hora: 19:51 h.
[12] Fonte: http://www.santuarios.com.br/canoaquebrada/pagina.asp?pag=shs14 . Acessado em: 16 de maio de 2007. Hora: 11:13 h.
[13] Ano de 2007.
[14] Fonte: http://www25.ceara.gov.br/noticias/noticias_detalhes.asp?nCodigoNoticia=14458 . Acessado em: 16 de maio de 2007. Hora: 11:30 h.
[15] Fonte: AFFONSO, Almino. “A Abolição antes da Lei Áurea”. São Paulo: Folha de São Paulo, 07 de maio de 2000. www.race.nuca.ie.ufrj.br/journal/a/affonso1.doc . Acessado em 16 de maio de 2007. Hora: 19:51 h.
[16] MONTI, Verônica. O Abolicionismo: Sua Hora Decisiva no Rio Grande do Sul – 1884. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1985.
[17] Verônica Monti aponta a emancipação dos escravos em Bagé, um pouco antes do que registrou Tarcísio Antônio Costa Taborda.
[18] Aparentemente, informação que precisaria detalhes maiores.
[19] Correspondência originada em Porto Alegre, da Presidência da Província.
[20] Novembro de 1883.
[21] Dia 12 de novembro de 1883.
[22] Declarados livres em Bagé.
[23] O fundo de emancipação já estava em pleno funcionamento, em Bagé, em 1883.
[24] José Júlio de Albuquerque Barros. José Júlio de Albuquerque Barros, o barão de Sobral (Sobral, 11 de maio de 1841 — Rio de Janeiro, 31 de agosto de 1893) foi um político brasileiro. Filho de João Fernandes de Barros e Luiza Amélia de Albuquerque Barros, bacharel pela Faculdade de Direito do Recife em 1861 e doutor pela Faculdade de Direito de São Paulo em 1870. Foi secretário do governo dos presidentes da província do Ceará Lafayette Rodrigues Pereira e Francisco Inácio Marcondes Homem de Melo. Foi deputado à Assembléia Geral do Ceará na 13ª legislatura (1867 - 1870). Foi presidente da província do Ceará, nomeado por carta imperial de 09 de fevereiro de 1878, de 8 de março de 1878 até 2 de julho de 1880. Foi também presidente do Rio Grande do Sul, nomeado por carta imperial de 02 de junho de 1883, de 16 de julho de 1883 a 19 de setembro de 1885. Após a proclamação da república foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal, tomando posse em 28 de fevereiro de 1891. Por decreto de 03 de março de 1892 foi nomeado Procurador-Geral da República, exercendo o cargo até falecer. Foi agraciado com o grau de cavaleiro da Imperial Ordem da Rosa e os títulos do Conselho e de Barão de Sobral, em decreto de 19 de janeiro de 1889. Referência: BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. Diccionario bibliographico brazileiro. Typographia Nacional, Rio de Janeiro, 1893.
http://pt.wikipedia.org/wiki/José_Júlio_de_Albuquerque_Barros . José Júlio de Albuquerque. Nascido em 11 de maio de 1841, em Sobral, Província do Ceará, era o Barão de Sobral, filho do Dr. João Fernandes de Barros e D. Luíza Amélia de Albuquerque Barros. Recebeu o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade do Recife em 1861 e obteve o grau de Doutor em 16 de dezembro de 1870 na Faculdade de São Paulo. Exerceu os seguintes cargos públicos na cidade natal: Promotor Público, Diretor da Instrução Pública, Secretário de Governo dos Presidentes Lafaiete Rodrigues Pereira e Francisco Inácio Marcondes Homem de Melo e Diretor do Liceu do Ceará. De 1867 a 1870, foi Deputado à Assembléia Legislativa, na sua 13ª Legislatura. Exerceu, ainda, a presidência de duas províncias do Império: a do Ceará, para que foi nomeado por decreto de 9 de fevereiro de 1878, e exonerado a pedido por decreto de 4 de maio de 1880; e a do Rio Grande do Sul, nomeação datada de 2 de junho de 1883, cargo de que foi exonerado por decreto de 12 de setembro de 1885. Foi do Conselho de Sua Majestade e Comendador da Imperial Ordem da Rosa. Ao se exonerar da presidência da província do Ceará, assumiu a Diretoria da Agricultura da Secretaria de Estado da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, nomeado que foi por decreto de 1º de maio de 1880. Da mesma forma, ao deixar a presidência da segunda província, assumiu a Diretoria Geral da Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça, cargo para que foi nomeado por decreto de 10 de agosto de 1885. Prestou relevantes serviços nesta função, colaborando com o Ministro da Pasta, Manuel Ferraz de Campos Sales nas reformas que realizou, principalmente na organização judiciária e na elaboração do Código Civil. Proclamada a República e organizado o Supremo Tribunal Federal, foi dele nomeado Ministro pelo decreto de 12 de novembro de 1890, tomando posse a 28 de fevereiro de 1891 para, em seguida, 3 de março, ser nomeado Procurador-Geral da República, cargo que exerceu até 31 de agosto de 1893, quando faleceu no Rio de Janeiro. http://www.pgr.mpf.gov.br/procurador-geral/galeria/copy_of_biografia-de-jose-julio-de-albuquerque. JOSÉ JÚLIO DE ALBUQUERQUE BARROS, mais conhecido como “Barão de Sobral” filho do Dr. João Fernandes de Barros e D. Luiza Amélia de Albuquerque Barros, nasceu a 11 de maio de 1841, em Sobral, província do Ceará. Formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais na Faculdade do Recife, recebendo o grau de Bacharel em 1861; defendendo tese na Faculdade de São Paulo, obteve o grau de Doutor, no dia 16 de dezembro de 1870. Foi Promotor Público em Sobral, Diretor da Instrução Pública da sua província natal, Secretário do Governo dos Presidentes da província Lafaiete Rodrigues Pereira e Francisco Inácio Marcondes Homem de Melo, sendo exonerado, a pedido, em decreto de 29 de março de 1866, e Diretor do Liceu do Ceará, por nomeação presidencial de 14 de dezembro de 1867. Foi Deputado à Assembléia-Geral Legislativa, pela referida província, na 13ª legislatura (1867-1870). Exerceu a alta administração em duas províncias do Império: Ceará — nomeado Presidente, em decreto de 9 de fevereiro de 1878, tomou posse em 8 de março seguinte e foi exonerado, a pedido, em decreto de 4 de maio de 1880; Rio Grande do Sul — nomeado Presidente, em carta de 2 de junho de 1883, assumiu o poder em 16 do mês de julho e foi exonerado em decreto de 12 de setembro de 1885. Foi nomeado, em decreto de 1º de maio de 1880, para a Diretoria da Agricultura da Secretaria de Estado da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, e por outro, de 10 de agosto de 1885, Diretor-Geral da Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça, em cujo exercício se encontrava quando foi proclamado o regime republicano, prestando então relevantes serviços, muito colaborando com o respectivo Ministro, Manuel Ferraz de Campos Sales, em todas as reformas realizadas, principalmente na Organização Judiciária e Código Civil. Com a organização do Supremo Tribunal Federal, foi nomeado Ministro do mesmo tribunal, em decreto de 12 de novembro de 1890; tomou posse em 28 de fevereiro de 1891. Por decreto de 3 de março seguinte, foi nomeado Procurador-Geral da República, exercendo as funções até falecer. José Júlio de Albuquerque Barros foi agraciado, por D. Pedro II, com o grau de Cavaleiro da Ordem da Rosa, em decreto de 19 de outubro de 1867, e os títulos do Conselho, em decreto de 5 de agosto de 1882, e de Barão de Sobral, em decreto de 19 de janeiro de 1889. Era casado com D. Maria Francisca Gomes da Costa, filha dos Barões do Arroio Grande. Este fez parte da Sessão do Conselho de Estado em que a Princesa Isabel assina a lei Áurea, sendo que assina junto a monarca o ato abolicionista. Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 31 de agosto de 1893, sendo sepultado no Cemitério de São João Batista. Autor: Elenilton Roratto. Postado por Gemma Galgani às 13:53; quarta-feira, 20 de maio de 2009. http://sobralensedagemma.blogspot.com/2009/05/ha-168-anos-nascia-em-sobral-um-dos.html .
http://sobralensedagemma.blogspot.com/2009_05_01_archive.html .
[26] Diário de Pelotas. Pelotas, 25/janeiro/1884.
[27] A movimentação de Martins Bidart Filho também foi apontada por Tarcísio Taborda.
[28] DIÁRIO DE PELOTAS. Pelotas, 09 de fevereiro de 1884.
[29] Id. Ibd.
[30] DOCCA, E.F. de Souza. História do Rio Grande. Rio de Janeiro: Edição da ''Organização Simões'', 1954, p. 189.
[31] Id. Ibd.
[32] Dia 16 de março de 1884, conforme informação de Tarcísio Taborda.
[33] Id. Ibd.
[34] Taborda, Tarcísio Antonio Costa. A Abolição da Escravatura em Bagé: 28 de Setembro de 1994. Bagé: Museu Dom Diogo de Souza/FAT-FunBa, 1984.
[35] Fonte?
[36] Fonte?
BAGÉ: RUMO AOS DUZENTOS ANOS - OLHAR SULEAR, CONTEMPLANDO O MUNDO.
PRÉ-PROJETO
Por
Claudio Antunes Boucinha[1]
_______________________________
Pré-Projeto que visa encaminhar
O assunto sobre as comemorações
Que acontecerão no ano de 2011,
Quando Bagé fará 200 anos de existência.
Pretende-se que a Prefeitura Municipal
De Bagé seja uma das promotoras do evento
Público, que será apresentado
Ao povo do Município, de forma
Totalmente gratuita.
Maio, 2006.
CAPÍTULO I
17 DE JULHO DE 1811
Introdução
O texto que serve de introdução ao Pré-Projeto "BAGÉ: RUMO AOS DUZENTOS ANOS - OLHAR SULEAR, CONTEMPLANDO O MUNDO", foi produzido pelo eminente pesquisador Tarcísio Antônio Costa Taborda, que tão altos serviços prestou a comunidade de Bagé.
17 DE JULHO DE 1811
Apesar de João Antônio Cirne, o nosso proto-historiador, ter afirmado em seus “Apontamentos históricos de Bagé”, manuscrito datado de 1871, que a fundação desta cidade ocorrera a 17 de julho de 1811, quando Dom Diogo de Souza, depois de haver concentrado aqui o “Exército Pacificador” sob seu comando, rumou para Montevidéu, essa data ficou esquecida por largos anos.
Jorge Reis, ao publicar seus “Apontamentos históricos e estatísticos de Bagé”, em 1911, quando passou o centenário da Fundação de Bagé, deixou de registrar o dia desse acontecimento.
É a partir de 1951, em publicação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que aparece a data de 11 de junho de 1811, como sendo a em que Dom Diogo de Souza levantara acampamento e nomeara comandante do Distrito ao Capitão Ricardo de Mello.
Em sua memorável “História de Bagé” , Eurico Salis segue a mesma linha, que passa então a tomar consistência.
Essa divergência entre a informação prestada por João Antônio Cirne, e a introduzida pelo IBGE e seguida por Eurico Salis, obrigou a realização de uma pesquisa, na farta documentação de Dom Diogo de Souza , referente a esse período, para esclarecer o momento em que Bagé nasceu.
Walter Spalding, convidado para também estudar o assunto, em artigo divulgado pelo Correio do Povo de 20 de janeiro de 1955, mostrou que em 11 de junho Dom Diogo de Souza não se encontrava em Bagé, embora em viagem para esse Acampamento, e que sobre a nomeação do Capitão Ricardo de Mello, nada encontrara a respeito.
O pesquisador gabrielense Gastão Abott, pelo mesmo jornal, em 1° de maio do mesmo ano, confirmava a data anunciada por João Antônio Cirne, como a da Fundação de Bagé e informava que o primeiro comandante do Distrito e Campo de Bagé havia sido o Tenente de Dragões Pedro Fagundes de Oliveira, dizendo inexistirem documentos sobre a presença de Ricardo Antônio de Mello e Albuquerque nesse posto, uma vez que à época era paisano.
Quando aqui se reuniu, nas comemorações do Bicentenário do nascimento de Dom Diogo de Souza, um Congresso de História, apresentei tese no sentido de ser fixado o dia 17 de julho de 1811 como a data da Fundação de Bagé.
Face à documentação oferecida ao exame dos participantes do conclave, entre os quais estavam os historiadores Walter Spalding , Dante de Laytano, Félix Contreiras Rodrigues, Eurico Salis, Francisco Marques dos Santos, para citar apenas estes, foi aprovada por unanimidade essa data, pois os documentos apresentados eram irretratáveis.
Em verdade, na correspondência expedida por Dom Diogo de Souza, como Governador do Rio Grande do Sul e Comandante em Chefe do “Exército Pacificador”, há um ofício dirigido ao Tenente de Dragões Pedro Fagundes de Oliveira, datado de 17 de julho de 1811, no qual anuncia a sua retirada deste “Acampamento dos Serros de Bagé”, e nomeia para Comandante do Campo e Distrito de Bagé, removendo-o da Guarda de São Sebastião onde se achava.
O inverno rigoroso, com passos cheios, caminhos pesados, cavalos em mau estado, obrigaram Dom Diogo de Souza deixar no Acampamento de Bagé, não só os animais que deveriam se recuperar em pastagens que viessem após as chuvas e as geadas, mas principalmente , oficiais e soldados que permaneciam no hospital, munições de boca e guerra, que ficavam nos armazéns reais, além das famílias que haviam sido autorizadas a se deslocar para Bagé, com a finalidade de acompanhar os oficiais e soldados que estiveram aqui estacionados por quase um semestre.
Assumindo o novo comando, Pedro Fagundes de Oliveira dizia a Dom Diogo de Souza, sentir-se “responsável por este Acampamento e seu Distrito, como autorizado para a defesa desta Fronteira, enquanto V.Ex.a. não permitir esta autoridade a outra patente mais superior”.
Nasceu Bagé, pois da disposição de Dom Diogo de Souza em deixar aqui por força das condições climáticas , parte de seu exército, e da dedicação de Pedro Fagundes de Oliveira em promover o bem estar das pessoas que ficaram sob sua responsabilidade.
O dia 17 de julho de 1811, como bem assinalava há 112 anos João Antônio Cirne, é o dia da Fundação de Bagé , e sempre o haveremos de comemorar com chuva e frio, que esses rigores da natureza foram os padrinhos desse nascimento.”(TABORDA, Tarcísio Antônio Costa. Texto publicado no jornal CORREIO DO SUL de 17/julho/1983, p. 02).
CAPÍTULO II
OS FESTEJOS
Introdução
Neste capítulo, pretende-se fazer uma lista de eventos que podem acontecer durante os festejos de 200 anos da cidade de Bagé.
Nesse sentido, é preciso antes discutir qual a concepção que vai sulear, que quer valorizar a visão do hemisfério Sul, dos céus do Cruzeiro do sul - contrário de nortear, que quer valorizar a visão do hemisfério Norte, do céu visto pelos europeus - os acontecimentos futuros, durante os festejos, procurando um ponto de vista, uma das visões que se podem imaginar sobre o acontecerá.
A idéia geral é que possamos contemplar o mundo a partir do local em que nascemos e vivemos. Não uma visão restrita, petrificada, estanque, fanática, ortodoxa, de seita, egoísta, estreita, excessivamente limitada, somente conservadora, narciso, masoquista ou sádica; um pensamento sobre a morte, mas também um pensamento sobre a vida.
Todos os campos do conhecimento humanos devem ser contemplados, em todos os seus aspectos, seja no político, ideológico, sociológico, antropológico, filosófico, psicológico, pedagógico, histórico, geográfico, das artes e da cultura em geral.
No entanto, deve-se evitar qualquer tipo de preconceito, discriminação, seja de ordem moral, religioso, de etnia, de gênero, de idade, ou mesmo de cunho político-ideológico.
No entanto, do ponto de vista da democracia, não podem ser toleradas visões que queiram acabar com a própria democracia, o que seria intolerável, visto que atinge um dos pressupostos básicos da vida em sociedade na modernidade.
Nesse sentido, qualquer forma de totalitarismo, anti-semitismo, racismo, machismo ou fundamentalismo, seja de origem política ou religiosa, de qualquer tipo, devem ser enquadrados dentro das leis vigentes no país.
Cidade Isolada, Cultura Isolada?
Como analisar o progresso da cidade de Bagé, ao longo dos anos? De uma cidade cosmopolita, com a presença de grandes eventos de caráter internacional, uma cidade que ansiava em copiar as grandes metrópoles, para uma cidade de costas para o Uruguai, com o olhar em São Paulo, isolada da metade norte do Estado, com poucas estradas de comunicação com o exterior e com o próprio Brasil, com estradas de terra, consolidando uma cultura isolada, peculiar, própria.
Do ponto de vista turístico, uma cultura peculiar para mostrar para o mundo.
Alguns Temas
Como estamos no ano de 2006, caberiam algumas projeções sobre o que pode acontecer em 20011.
1º Tema: O Dia 17 de julho de 1811.
Nesse tema, a idéia é identificar notícias, relatos, providências, todas relacionadas especificamente ao dia 17 de julho de 1811.
2º Tema: A Utopia, a Cidade Moderna, o Território Mítico, a arquitetura:
Nesse tema, uma abordagem arquitetônica da cidade, como ela foi pensada, construída, seus dilemas urbanos, a própria urbanização, as malocas, as favelas, o centro da cidade, a luz elétrica, o saneamento básico, a pavimentação, a água potável, o telefone, o automóvel, a televisão.
3º Tema: Maquete da Cidade Antiga
Nesse tema, pretende-se a construção de uma peça que constitua um polo de atração turística, em exposição permanente, reconstituindo, de forma fidedigna, pormenorizada, a cidade de Bagé, de antigamente, em que os visitantes poderão confrontar a cidade de antes e a cidade atual através: a) sistema de navegação por referência com percursos livres; b) visualizar cenas históricas; c) cenas do cotidiano; d) animações 3D; e) Quiosques multimídia.
4º Tema: Cartas Antigas e Viagens
Nesse tema, pretende-se visualizar o correio, a correspondência, as cartas, os contatos com o mundo, a caligrafia, as amizades no mundo, as comunicações de antigamente; Como chegar a Bagé (a carruagem, o trem, o automóvel, o avião).
5º Tema: Museu da cidade:
Nessa tema, pretende-se a construção de um espaço, em que as diversas exposições serão realizadas, seja de forma temporária ou permanente, inaugurando novas formas interpretativas e de exploração do passado, usando materiais, técnicas, linguagens atuais, com recursos de tecnologia de informação.
6º Tema: As Praças de Bagé:
Nesse tema, pretende-se resgatar o funcionamento, na cidade moderna, desse tipo de espaço; o cotidiano da cidade; a reconstrução da cidade; as intervenções urbanas; as zonas da cidade; os edifícios; as ruas, através de um roteiro turístico pela cidade, como também através de colóquios, conferências, seminários, edições e outras atividades.
7º Tema: A Cidade através da fotografia
Nesse tema, pretende-se mostrar a documentação fotográfica sobre Bagé, os fotógrafos, os eventos.
8º Tema: A Cidade através do Livro
Nesse tema, pretende-se mostrar o que se lia na cidade de Bagé, divulgando as obras clássicas, tanto as escritas por autores locais, como de outros autores do mundo. Encontros com os escritores locais e regionais, bem como de todo o país.
9º Tema: A História Militar de Bagé
Nesse tema, pretende-se organizar roteiros turísticos que valorizem a história militar de Bagé.
10º Tema: A História Legislativa do Município
Nesse tema, pretende-se resgatar a memória das leis que foram feitas em Bagé, no Rio Grande do Sul e no Brasil.
11º Tema: As grandes catástrofes que abalaram a história de Bagé
Os cuidados com os habitantes, a simulação dessas catástrofes, a defesa civil, os bombeiros,
12º Tema: A História da Saúde na Região
Os ferimentos, as doenças, os doentes, os desamparados, a morte, os hospitais, a medicina, as farmácias, os remédios, as epidemias.
13º Tema: Os Cemitérios:
A história dos cemitérios em Bagé, sua localização, os costumes, os comportamentos, os enterros, os mausoléus, mármores, catacumbas, registros, excentricidades, exotismo, transporte, religiosidade. O campo e a cidade.
14º Tema: A população marginal
Os roubos, os castigos, os ladrões, a segurança das casas, a segurança das instituições, a cadeia, a escravidão, as leis, os costumes, a alimentação dos presos, o transporte. O crime e a imprensa: os crimes que abalaram Bagé.
15º Tema: A História da Religiosidade em Bagé
Os Padres, as Freiras, a clausura, os bispos, as capelas, igrejas, catedrais, grutas, procissões, festas, espetáculos, música, encenações, religiões de Bagé, lugares místicos, o batuque, o espiritismo, os protestantes.
16º Tema: Os Movimentos Migratórios
Os emigrantes em Bagé: Espanhóis, Italianos, Alemães, Judeus, árabes, japoneses.
17º Tema: A Educação em Bagé
As primeiras escolas, os primeiros professores, os métodos, a tecnologia, os instrumentos, o mobiliário, os costumes, as avaliações, o colégio Nossa Senhora Auxiliadora, o colégio Espírito Santo, o colégio protestante.
18º Tema: Arqueologia na Região:
Os indígenas, os animais pré-históricos; flora, fauna, cavernas.
19º Tema: As Missões Jesuíticas na Região
O Posto de Santa Tecla e região.
20º Tema: O Império
O Conselho Municipal; os conselheiros; políticas públicas; as leis; a formação da cidade. As Invasões na fronteira.
21º Tema: A Escravidão em Bagé
Os primeiros escravos, a estância, o escravo campeiro, o escravo urbano, os avisos nos jornais, os costumes, os castigos, as fugas, as prisões, vestuário, o gaúcho e o escravo, as amas de leite.
22º Tema: A República
A instalação da República em Bagé; o republicanismo na região; governos e governantes; as políticas públicas; os relatórios dos Intendentes e Prefeitos.
23º Tema: Tertúlia Literária
Construções literárias sobre Bagé, no tempo e no espaço.
24º Tema: As Artes em Bagé
Gravuras, desenho, pintura.
25º Tema: A Família em Bagé
Os grupos familiares, as atividades, os costumes.
26º Tema: Os jornais em Bagé
Os diversos jornais de Bagé, no tempo. As mudanças. As grandes reportagens.
27º Tema: As rádios em Bagé
As diferentes rádios, o primeiro aparelho de rádio, os radialistas, a propaganda.
28º Tema: A Televisão em Bagé
A história da Televisão em Bagé: os aparelhos de televisão; a reprodução da programação; a produção; a história; os repórteres e reportagens.
29º Tema: A história da Banda Municipal de Bagé
A primeira banda municipal, músicos, músicas, partituras, ensaios, apresentações.
30º Tema: A Cidade Através da Música
Concerto Musical evocativo aos 200 anos de Bagé, com orquestras de todo o país.
31º Tema: A Música de Bagé
A Música de Bagé em seus 200 anos, seus intérpretes, letras, ritmos, melodias, composições.
32º Tema: A História do Futebol Bageense
Os atletas, os clubes, os estádios, as equipes.
33º Tema: Os próximos 200 anos: A Bagé do Futuro
Exercício livre de imaginação criativa.
COLÔNIA NOVA

Figura 1: 1. Gaspar Brandl, que trabalhava na sua profissão de ferreiro junto ao habitante do lugar, Sr. Adeodato Dutra; 2. Emílio Otte, carpinteiro e plantador ao mesmo tempo; 3. FRANCISCO KRENZINGER, a minha própria insignificância, auxiliada pelo meu laborioso cunhado Ernesto Beskow; finalmente ainda devo mencionar Alberto Schneider, cuja atividade aqui foi pouco depois encerrada com sua volta à Pelotas. (sem ordem definida, na fotografia; sem data; sem nome do fotógrafo; sem local definido). http://www.hulhanegra.rs.gov.br/imagem_pagina/112810262401_os3_primeiros.jpg .
A COLONIZAÇÃO ALEMÃ
A Formação da Colônia
FRANCISCO KRENZINGER[1]
Quem atualmente apreciar as lavouras verdejantes e os sítios circundados por jardins amenos, recostados nas coxilhas intermináveis, marginando a estrada de Bagé à Candiota, quem observar o trabalho ativo dos camponeses e suas famílias, acompanhado, desde alguns anos, pelo incessante roncar de muitos tratores, perceberá agradavelmente surpreso, que se encontra num oásis em meio da imensa campanha e sentirá a pulsação duma vigorosa colônia.
É neste recanto que mãos incansáveis empunharam o arado fazendo rasgá-lo a terra fecunda e mobilizando aquelas suas forças das quais, pelo simples e usual apascentamento, se poderia aproveitar somente uma pequena fração; é aqui que o homem modelou a paisagem.
Porém, aquele que ainda se lembrar da monotonia inóspita desta região dominada pela chirca, há 25 anos, involuntariamente deparar-se-á com a interrogação do quem, quando e como desta metamorfose; perguntará pelas causas e relações que conduziram a formação e a evolução desta nossa colônia.
Procurarei responder a estas questões, a seguir, da melhor maneira possível.
Confesso, no entanto, que dificilmente poderei dar um relato objetivo e não vejo outro meio que não seja o de relacionar a narração histórica com casos e impressões pessoais, ao menos no que concerne aos primeiros acontecimentos.
Nos anos anteriores a 1925 estive radicado como colono no município de Pelotas, onde o trabalho extraordinariamente árduo e rudimentar me satisfazia tanto menos quanto estava acostumado a condições tão outras como agrônomo europeu.
Sucedeu comigo exatamente o mesmo que acontecera a milhares de outros, e segui o fluxo dos imigrantes agrários que, desde há mais de cem anos, se dirigia à mata virgem, onde era e ainda é possível chegar lentamente a conquistar sua propriedade, com os menores e mais primitivos meios materiais.
O machado e a foice de roçar, a enxada e o picão, são estes os singelos utensílios do desbravador das matas; coragem e laboriosidade, persistência e sobriedade suas qualidades essenciais.
Só a severa renúncia a enumeras comodidades da vida, a frugalidade e uma saúde férrea poderão habilitá-lo a vencer os duros anos iniciais na mata virgem.
E isto é compreensível quando se considera que o único amparo do intrépido colonizador são as suas mãos calejadas e as simples ferramentas que empunham.
Quantos e quantos aportaram com fantásticos planos de derrubar e destocar grandes complexos de mato com possantes máquinas para cultivá-los posteriormente? –
Esforços vãos!
A rotina de trabalho nas selvas até hoje continua e certamente permanecerá a mesma enquanto se conhecer colônias de mato.
Em face das penosas e antieconômicas práticas de trabalho para arrancar o pão quotidiano das canhadas, por entre pedras onde nem sequer um arado podia ser aplicado, refleti e interroguei-me, naquela época, se de fato só mesmo nas zonas de mato do sul do Brasil se poderia exercer proveitosamente a agricultura.
Lembrava-me, então, da agricultura extensiva e altamente desenvolvida em terras de campo nos países vizinhos, Uruguai e Argentina.
Não se tinha desenvolvido uma sã agricultura naqueles campos?
Uma agricultura capaz de apresentar-se como concorrente no mercado mundial, sem que exigisse proteção alfandegária e sem ser condicionada às maléficas derrubadas de mato?
Seriam as condições dos solos de campo naqueles países tanto mais favoráveis que no Rio Grande do Sul?
Não restava dúvida ser os campos ao redor de Pelotas e também os de outras partes do Estado inferiores e nada animadores.
Em meio destas ponderações vieram-me as mãos o conhecido livro do Dr. Assis Brasil: "A Cultura dos Campos” [2], o qual condena a colonização de matas, apregoando, ao mesmo tempo as possibilidades de atividades agrícolas em boas terras de campo de modo tão convincente que se me tornou fácil tomar uma resolução.

Figura 2: http://assisbrasil.org/joaquim.jpg .
Lançando-me a procura de campos realmente férteis que, pela conformação topográfica, permitissem o emprego de modernas máquinas agrícolas e que estivessem situados em zona de fáceis comunicações, cheguei a Bagé em Abril de 1925.
Acompanhavam-me os amigos Luiz Maciel e Otto Mielke.
Onde quer que fosse, manifestavam-se geral simpatia pelo nosso projeto da fundação de um núcleo colonial.
Tanto a população como os poderes oficiais nos demonstravam seu vivo interesse no caso.
Por intermédio de nosso amigo Eugênio Oberst[3], infelizmente, já falecido, imediatamente estabeleceu contato com o operoso e previdente, Dr. Carlos Mangabeira, então intendente de Bagé, o qual logo nos conseguiu, desinteressadamente, ofertas de vendas de diversas glebas de terras.
Entre os terrenos e fazendas oferecidos decidi-me, desde logo, pelo campo do Sr. Miguel Bifano, com 549 hm² de área.
Motivou a escolha a boa qualidade de suas terras negras e sua privilegiada posição geográfica.
A propriedade era denominada "Santa Theodora"; fazia limite com a “Ponta do Banhado Grande", a cerca de 4-8 km, ao sul da estação ferroviária do Rio Negro, posteriormente denominada Hulha Negra.
Diga-se, de passagem, que esta mesma propriedade anteriormente já tinha sido oferecida pelo Sr. Bifano à Intendência Municipal para fins de colonização.
Todas estas démarches tinham sido bem sucedidas e absolutamente não me faltava ânimo para lançar o início da colônia planejada.
Havia, porém, um grave senão: faltava-me o mais importante, o dinheiro, bem como mais outro fator essencial ao sucesso: colonos imbuídos do mesmo ideal que estivessem dispostos a se estabelecer no local escolhido.
Meus companheiros de viagem representavam apenas certo apoio moral e eu pessoalmente nada tinha.
Ah! Como a gente de Bagé teria ficado surpresa se tivesse tentado revolver meus bolsos vazios!
De volta de viagem, desenvolvi propaganda tão intensa nas antigas colônias de Pelotas, como se tivesse descoberto o paraíso.
De fato, depois de poucos dias consegui dirigir uma "expedição" ao Rio Negro, composta de 12 agricultores, parte dos quais simplesmente atraídos pela curiosidade, outra parte, porém, constituída de elementos realmente ansiosos na procura de boas terras.
Mas a excursão iniciada tão auspiciosamente redundou num fracasso.
Como se o Todo Poderoso fosse contrário às nossas intenções, mandou abrir todos os diques celestes para uma chuva torrencial tão prolongada como nunca mais verifiquei outra igual.
Durante oito longos dias arrastamos nossa permanência num cubículo que se arrogava a denominação de "Hotel”, em Rio Negro, sem ao menos poder tentar um avanço de "patrulha".
Alfredo, nosso hoteleiro, nunca em sua vida tinha abrigado tantos hóspedes e por isso entregava-se a correrias nervosas, trazia cobertores, banha e cebolas e nos fazia a corte, cheio de reverência, tencionando angariar nossa simpatia.
No entanto, não havia o que nos pudesse confortar, matávamos o tempo com jogos de cartas e contando velhas anedotas, mas mesmo assim tornamo-nos presas duma irritação crescente, pouco faltando que mutuamente nos tocássemos para fora, a chuva interminável.
Finalmente, depois de longa e dura provação, reapareceu o sol, convidando-nos a iniciar a marcha para a "terra da promissão".
Havendo imensa dificuldade de progredir na estrada barrenta, caminhávamos pelo campo encharcado, saltando sobre sangas de águas crescidas; num destes saltos por obstáculos o velho Schnneider superestimou a força de suas pernas e se precipitou na água até a altura do umbigo.
Chegados à propriedade do Sr. Bifano todos puderam certificar-se da evidente fertilidade do solo, mas a maioria dos presentes insistia na volta imediata e isto, sem dúvida, era mau sinal.
Aquele que, da paisagem variável e atraente duma colônia do velho estilo, pela primeira vez chegar à solidão da campanha, nada mais avistando que a chirca cinzenta, sem querer se sentirá apossado dum sentimento de imenso abandono.
Dos doze esperançosos “conquistadores” por fim apenas três continuaram decididos a se empenhar com todas as suas forças na realização da colônia de campo.
Quando, depois de nova viagem de orientação, ainda só sobraram os mesmos três fiéis resolutos, convencionamos ultimar um contrato com o Sr. Bifano, contrato esse, que nos permitisse ganhar tempo a fim de arregimentar mais outros compradores dentro das colônias velhas.
Pelo contrato assinado em 28 de maio de 1925, redigido pelo notário bajeense Virgilino Antonio Flores, o curso de nossas idéias forçosamente entrava em forma mais concretas.
No citado contrato de arrendamento com opção de compra reza entre outras, verbalmente:
“... compareceram partes justas e contratadas de um lado como outorgante locador o Sr. Miguel Bifano, italiano, viúvo, proprietário, domiciliado nesta cidade e de outro como outorgados locatários os senhores Francisco Krenzinger, por si; e em representação na qualidade de procurador de Germano Bonow Primo, Francisco Beskow; e Carlos Schneider, todos casados, proprietários residentes na cidade de Pelotas...”
Resumindo para extrair somente o substancial e mais interessante do contrato, observem-se, ainda, os seguintes períodos:
“... O prazo do arrendamento é de seis meses consecutivos no máximo a contar do dia primeiro de junho próximo vindouro e terminar em primeiro de dezembro do corrente ano...”
“... Os locatários ficam com a faculdade e direito de lavrar as terras no dito imóvel, cada um dos quatro locatários uma área não superior a oito (oito) hectares, podendo, entretanto, arrancar toda chirca que quisessem...”
“... O locador se obriga a vender aos locatários o imóvel e as benfeitorias que faz objeto este contrato pelo preço de quatrocentos mil réis a braça de sesmaria... a ele ou a quem eles indicarem... pagamento metade à vista e o restante sobre hipoteca do mesmo imóvel...”
“... Fica estipulado que os locatários deixam depositados na mão do outorgante Miguel Bifano a quantia de dez contos de réis para garantia do cumprimento deste contrato de cuja quantia descontado o arrendamento do tempo decorrido a outra parte restante entrará como pagamento para dita compra e ainda acrescida com os juros de seis por cento ao ano”.
Parece-me que a citação destas cláusulas basta para demonstrar o peso dos compromissos assumidos que na realidade só poderiam ser satisfeitos se achássemos mais outros companheiros dispostos a participar na compra do imóvel.
Portanto, havia sobeja razão para intensificar a propaganda em prol da nova colônia de campo.
Não posso deixar de mencionar o companheiro mais resoluto e confiante da jornada: nosso velho amigo Gaspar Brandl.
Ele, após ouvir as descrições da situação que nos esperaria em Rio Negro, não teve dúvidas em arrumar suas malas e, acompanhado de sua esposa, embrenhar-se na região para ele ainda desconhecida.
A ele cabe, portanto, a honra de ser o primeiro pioneiro.
Passado um mês, em julho, segui-o, acompanhado de Emílio Otto e meu cunhado Ernesto Beskow, a fim de iniciar o desbravamento da área a mim destinada.
Trazíamos toda a nossa mudança; carroças, arados e outras ferramentas agrícolas dentro de um vagão.
Relembro sempre, com certa satisfação, da cena que se desenrolou na estação de Rio Negro; quando, ao descarregar nossos utensílios, acompanhados pelas vistas curiosas dos locais, um deles assim se manifestou:
- ”Estes alemães trazem muitos tarecos, mas ainda hão de abrir os olhos! Não lhes dou mais de um ano para se sumirem daqui, mas então desacompanhados de sua mudança, de tangas!”
Em fins de outubro, tínhamo-nos organizado de tal modo que o campo arrendado pode ser definitivamente dividido e escriturado.
De nenhuma parte se fez uso do direito de hipoteca, e no dia 29 de outubro de 1925 adquiriram propriedade, mediante pagamento à vista, os seguintes agricultores:
- Francisco Krenzinger..............96 Ha
- Germano Bonow Primo...........75 Ha
- Francisco Beskow................... 65 Ha
- Ernesto Beskow.......................65 Ha
- Carlos Schneider......................65 Ha
- Frederico Leitzke.....................40 Ha
- Germano Schneider................. 25 Ha
- Carlos Schneider Filho........... 25 Ha
- Alberto Schneider.....................25 Ha
- Emílio Otte.............................. 10 Ha
- Otto A. C. Mielke…………… 8 Ha
Total 499 Ha
O Sr. Miguel Bifano teve conivência e compreensão suficiente para esperar pela venda da área restante.
No entanto, desta última já em 11 de dezembro foram escriturados mais os seguintes lotes:
- Theodoro Perleberg..................25 Ha
- Carlos Noerenberg....................25 Ha
Até ai os nomes e algarismos que, porém, só tem importância relativa quando se quer saber da participação e do mérito de cada um na fundação de nossa colônia, hoje florescente.
Seria mesmo uma falsificação histórica se quisesse inscrever com letras douradas na crônica os nomes dos primeiros compradores.
Havia entre estes também os que adquiriram terras por mera especulação ou, na melhor das hipóteses para auxiliar na obra; outros, com menos espírito empreendedor, ficavam a esperar os resultados obtidos pela primeira patrulha avançada, tencionando se transferir para cá, no caso de se vislumbrar o sucesso e ser o risco já menor...
Conseqüentemente, com a simples compra das terras ainda não se tinha criado uma colônia.
Apenas tinha nascido um organismo cuja vitalidade ainda estava em dúvida.
A garantia pelo posterior desenvolvimento e os alicerces duma sólida existência estava baseada, por um lado na fertilidade da terra, e de outro, em última análise, na capacidade, na energia e na persistência de todos aqueles que conseguiram sobrepujar as contrariedades imprevistas em épocas adversas; estes vitoriosos se tornaram os verdadeiros pioneiros.
Antes de continuar no meu relato sobre o labor destes bravos, permita-me lembrar que já antes de nossa chegada em 1925 aqui se praticava agricultura.
A qualidade deste solo humo-argiloso muito antes de nós já tinha atraído outros agricultores, como por exemplo, os "Canários", oriundos das Ilhas Canárias, cujos descendentes ainda hoje[4] aqui vivem do cultivo da terra, embora com menor sucesso.
Identicamente também alguns franceses, vindos do município de Pelotas, já tinham iniciado um movimento colonizador destes campos, mas poucas testemunhas desta obra pioneira aqui restaram.
Provam-no os nomes Martins e Pradiel, a cujos portadores foram legado aquele admirável espírito campônio com que participaram na formação da nova colônia.
Não por último, também várias famílias brasileiras locais, tais como os Soares, Garcia e Dutra, já se dedicavam, na época, a cultura do trigo e do milho, na qual aplicavam curioso método de trabalho: rasgavam mais do que lavravam o campo com sólidos arados puxados a boi e a semeadura era procedida de cima do lombo do cavalo.
O saco contendo a semente, seguro por uma mão na frente do lombilho, a outra espalhava a semente; para que o cavalo não se espantasse com os largos movimentos do braço e, ao mesmo tempo, para impedir que os grãos lhe penetrassem nas vistas e ouvidos, simplesmente cobria-lhe estes órgãos com um trapo velho.
A máquina de plantar milho e o arado capinador eram instrumentos até então desconhecidos e depois desacreditados.
Contudo, tivemos ensejo de aprender muitas coisas destes lavradores indígenas: enquanto eles comodamente lavravam o campo bruto com arados reforçados, nós nos detínhamos no ingrato e desnecessário trabalho de arrancar a chirca antes de introduzir o primeiro ferro.
No decorrer dos anos seguintes[5], sobretudo nos últimos em que o cultivo do trigo se tornou negócio rendoso, a participação puramente brasileira na evolução agrícola desta região era e continua sendo de tamanha importância que facilmente estaríamos inclinados a exagerar as delimitações da área ocupada pelo núcleo colonial.
Indubitavelmente não se trata aqui de dar ênfase à nacionalidade ou à descendência dos agricultores, mas sim da capacidade ética para uma profissão que habilita um homem a ser colono e o agrupamento destes colonos (desbravadores) em uma verdadeira colônia.
Neste sentido, e com justa razão, sempre poderemos falar de "uma colônia".
Com estas poucas digressões de meu relato tive em mente demonstrar a ativa colaboração que nos foi prestada pela população do município de Bagé, benevolente e sem preconceitos, em prol da fundação e da evolução da nossa colônia.
Apesar de terem sido escrituradas 13 frações de campo a agricultores pelotenses, logo no primeiro ano, o pequeno grupo de colonizadores que efetivamente se radicara era composto dos seguintes:
1. Gaspar Brandl que trabalhava na sua profissão de ferreiro junto ao habitante do lugar, Sr. Adeodato Dutra;
2. Emílio Otte, carpinteiro e plantador ao mesmo tempo;
3. A minha própria insignificância, auxiliada pelo meu laborioso cunhado Ernesto Beskow; finalmente ainda devo mencionar Alberto Schneider, cuja atividade aqui foi pouco depois encerrada com sua volta à Pelotas.
A estes se juntaram mais os seguintes em 1926 e 1927:
1. Reinhold Hollatz que provou ser camponês trabalhador e tenaz;
2. Otto Hoesel e depois Wendelin Langer com sua família numerosa;
3. Frederico Ebert, ainda solteiro naquela época. Todos eram alemães.
Com a posterior chegada das tradicionais famílias de colonos Beskow, Leitzke e Schneider tínhamos formado um ótimo núcleo de agricultores sem ilusões e sem pretensões.
A estes últimos acrescentaram-se, cronologicamente, Langmantel, infelizmente tão prematuramente falecido; as famílias Faulstich, Hauck, Macke, Kloppenburg, Grunwald, Oertel, Moerbaecher, Groeger, Pichler e outros.
Cada um dos aqui arribados representava então, verdadeiro batalhador por sua gleba e hoje podem ser considerados merecidos vencedores.
A princípio antepunha-lhes não só a maneira de trabalhar desconhecida de novo ambiente, obrigando-os a pagar pesado tributo de aprendizagem, como também havia falta de meios em toda a parte, pois geralmente tinham comprado maior área de campo do que seus parcos recursos restantes teriam permitido amanhar.
Ao contrario da colônia de mato, a de campo exige maiores despesas, as quais em geral eram subestimadas, tais como as instalações de casa de moradia, poço d’água, cercados para potreiros e outras mais.
Também os gêneros alimentícios que nas colônias antigas são produzidas em abundância, tiveram de ser inicialmente comprados, muitas vezes a preços escorchantes.
Não sendo de sua índole o viver de créditos, esta gente honrada passava inúmeros dias de dieta forçada, cheia de grandes preocupações, acontecendo, como realmente aconteceu serem, às vezes, forçados a vender objetos de valor pessoal, a fim de proporcionar-lhes a simples sobrevivência.
Logicamente não poderia brotar lá grande ânimo otimista no seio da novel colônia (lembro-me perfeitamente de quando a Sr.ª Kloppenburg teve de empenhar, em certa ocasião, um relógio de ouro, relíquia da família).
Lembre-se o principiante de hoje que naquele tempo ainda não se conhecia o crédito agrícola, atualmente concedido pelo Banco do Brasil, nem existiam variedades de trigo adaptadas e tão pouco dispúnhamos da experiência técnica agrícola que tão cara nos saiu, justamente para nós colonos do campo.
A impressão de desânimo geral por fim determinou a desistência dos que vinham afluindo de todas as regiões à procura de “terra da promissão".
Tínhamos escrito numerosos artigos em diversos jornais e anuários, exaltando sempre as possibilidades da atividade agrícola em nossa colônia de campo.
Só poucos dos atraídos juntaram-se a nossa empreitada, porém estes eram então, quase sempre homens possuidores dum nível espiritual superior ao reinante nas colônias velhas.
Tinham-se livrado do tradicional engano de que só seria possível a colonização de terras de mato e que não haveria probabilidade de existência para o colono onde não houvesse água corrente e espessas matas virgens; um falso dogma que aparentemente pressupõe que o homem vive do mato e não dos frutos da lavoura por ele organizada!
"As pedras fazem parte do solo, como os ossos do boi" é o que afirmavam os que estavam arraigados à suas colônias rochosas.
Já em 1928, tinha escrito as seguintes palavras no meu livreto intitulado "Vom Urwald zum Kamp" (Da mata virgem rumo ao campo):
"Mais ainda que os colonos das antigas zonas de colonização, o colono dos campos deverá ter maiores habilidades e conhecimentos que os comumente encontrados. Lá se depara com o quadro desolador das lavouras agonizantes, aqui com campos realmente ainda férteis, mas não com densas matas que pudessem ser maltratadas a enxada e fogo durante decênios”. Serão os colonos mais progressistas, certamente, que irão fundar seu povo na campanha”.
Neste sentido as necessidades, privações e misérias iniciais afortunadamente revelaram ser um fator, de sorte, porquanto os continuadores e a geração nova iam se compondo de elementos selecionados, ativos e resolutos que também nas épocas más não desistiram se seus intentos e assim garantiram a estabilidade da colônia.
Os méritos dos colonos aqui chegados em anos posteriores com isto absolutamente em nada são diminuídos, pois evidentemente também eles representam uma seleção de valores.
Basta citar os nomes dos Frantz, Mielke, Weis, Arns, Wechenfelder, Hamm, Schirmer, nomes estes, aureolados de virtudes e laboriosidade.
Todavia, o seu número é agora demasiadamente grande para que pudessem ser todos citados.
Os hábitos dos primeiros colonos eram caracterizados pelo seu pendor para a vida social, a qual se desenvolvia de modo intenso, embora houvesse tantos contratempos exteriores; sua expressão mais marcante se refletia em inesquecíveis festas acompanhadas de música, cantos e representações teatrais.
Era natural que estas festividades tivessem caráter germânico em virtude da nacionalidade ou descendência alemã de seus participantes.
Estávamos convictos do ponto de vista que prega ser imoral renegar a herança cultural dos antepassados e a repentina mudança da nacionalidade, tal como se muda de roupa.
Consideramos psiquicamente difícil esta transformação em brasileiros da gema, enquanto a voz do coração não no-la ditar, através de longos anos de colaboração e compartilha de sentimentos com o povo brasileiro.
Nossos filhos, porém, já são cidadãos completamente integrados na comunidade deste magnífico e futuroso país, ao qual nós os imigrados, agora expressamos nossa profunda gratidão pela maneira tolerante com que nos possibilitou a fundação de uma nova Pátria.
Não é possível detalhar estas resumidas explanações, citar todos os sucessos, acontecimentos e colaborações que contribuíram para a modelação do quadro atual da colônia, sobretudo os dos anos mais recentes.
O espaço é demasiadamente limitado para poder-se relembrar o auxílio altruísta a nós prestado durante decênios por um Álvaro Lopes Brasil ou seu irmão Dr. Jayme Brasil que aqui teve atuação destacada como agrônomo progressista.
Dever-se-ia citar também, e merecidamente, um Dr. Moritz e Dr. Beckman, bem como outros amigos da Estação Experimental.
Não se deveria omitir a família suíça Graf e de como prestou ajuda a tantos principiantes pobres, mas ativos, adiantando-lhes os meios para a formação de seus estabelecimentos que hoje florescem.
A família Graf era, por assim dizer, a antecessora da Carteira Agrícola do Banco do Brasil que atualmente financia plantadores grandes e pequenos agricultores por vocação e esporádicos.
É impossível cantar os louvores, em poucas palavras, merecidos pelos diversos administradores da comuna de Bagé entre os quais, não por último, nosso bom amigo Dr. Kluwe.
Agradecemos-lhes seu vivo interesse sempre demonstrado.
Deixaremos que outros, com melhores dons da palavra, enunciem o espírito e a incansável atividade dos Sacco, Deiro e outros, cuja operosidade à margem das atividades agrícolas, no comércio e na indústria, os fazem credores de nosso aplauso.
Antes do que a todos estes amigos, entretanto, as maiores honras cabem ao simples colono, ao desbravador, ao eterno criador do nosso pão de todos os dias e à sua inigualável esposa, sua fiel companheira no lar e na lavoura.
E por ser ele tão modesto de considerar uma graça de Deus o suor de seu nobre trabalho, por não fazer alarde de sua silenciosa atuação patriótica.
E por estas razões que com justiça o saudamos hoje, no dia em que a colônia completa 25 anos de existência, e lhe proclamamos: "Esta obra é tua".
Fonte: http://www.hulhanegra.rs.gov.br/php/pagina.php?id=73.
[1] COM TRADUÇÃO DO ALEMÃO DE GERD KORBERG.
[2] JOAQUIM FRANCISCO DE ASSIS BRASIL. A CULTURA DOS CAMPOS: NOÇÕES GERAIS DE AGRICULTURA E ESPECIAIS DE ALGUNS CULTIVOS TUALMENTE MAIS URGENTES NO BRASIL. PRIMEIRA EDIÇÃO, PUBLICADA EM LISBOA, NO ANO DE 1898 E REEDITADA PELO GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL E PELA CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. A SEGUNDA E A TERCEIRA FORAM EDITADAS EM PARIS, EM 1904 E 1909, RESPECTIVAMENTE.
[3] Bagé e a Grande Loja. Ainda não foi inteiramente superado o cisma maçônico de 1927 quando dissentiram o Grande Oriente do Brasil, potência que agrupava vários ritos e o Supremo Conselho, onde se praticava o sistema escocês. Alguns ainda desconhecem que essa cidade foi o embrião de uma grande potência. É que o grão-mestre Otávio Kelly pretendeu avocar, também, a direção do Conselho, que era comandado por Mário Behring; e, resistindo, o último se desligou do GOB e cuidou de reorganizar as lojas; e como as do Rio Grande do Sul se vincularam à Grande Loja do Rio de Janeiro, receberam instruções para fundar seu próprio consistório. Sugeriu-se que a loja Fraternidade, de Pelotas, buscasse as tratativas prévias, junto à Rocha Negra de São Gabriel e Amizade, de Bagé. As reuniões foram aqui realizadas por razões geográficas e se desenrolaram nos dias 8, 12, e 23 de dezembro de 1929 sempre com cultas delegações, destacando-se, entre outros, o doutor Brenno Brandão Fischer, que seria venerável da histórica Rocha Negra. Concluídas as etapas preliminares, finalmente, em oito de janeiro de 1929, instalou-se, no prédio da Loja Amizade, o célebre congresso maçônico que deu gênese à Grande Loja do Rio Grande do Sul. Os trabalhos iniciaram pela manhã, sob a presidência do venerável da loja gabrielense e secretariados por Otávio Pires Coelho, de Bagé, estando os bajeenses ainda representados por Claudionor Borges de Abreu, Eugenio Oberst, Ciríaco Lopes Couto e Brenno Fernando. Então, foram fundadoras da Grande Loja, a Rocha Negra nº 1; Amizade nº 2, Fraternidade n° 3 e a Caridade Santanense nº 4, que se incorporara ao novo grupo. Determinou-se que a potência seria sediada em Pelotas, até que a adesão das lojas de Rio Grande e Porto Alegre; e sendo seus primeiros dirigentes Manoel Serafim Gomes de Freitas, Grão-Mestre, da Fraternidade); Egralo de Souza, Grão-Mestre adjunto, pertencente à Rocha Negra;Eugênio Oberst, 1º Grande Vigilante (Amizade); Alexandre Gastau, 2º Grande Vigilante (Fraternidade); Rubens de Freitas Weyne, Grande Secretário (Fraternidade); Silvino J. Lopes, Grande Tesoureiro (Fraternidade); e Jorge Souza Duarte, Grande Orador (Caridade Santanense), completando os demais cargos um grupo de maçons pelotenses.
Mesmo com constituições provisórias, logo se acostaram outras oficinas, como Alegrete, Cacequi, Uruguaiana, São Francisco de Assis, Porto Alegre, etc. No Congresso de Paris de 1929, apenas os companheiros de Mário Behring foram admitidos no Supremo Conselho Mundial. Em 1928 começam as divergências locais, e a saída de alguns irmãos da Loja Amizade enseja a fundação da Loja Sigilo nº 14; fraternos desacordos, mais tarde, determinam a retirada de maçons desta loja e surge a Estrela dos Magos, de onde se retirariam outros iniciados, também, para organizar a Loja Adonai. Recentemente, confrades da Estrela dos Magos fundaram a Loja Estrela do Sul nº 84, que se filiou ao Grande Oriente do Brasil; egressos daquela oficina criaram a Loja ‘Cavalheiros da Liberdade nº 193’; e maçons oriundos da Loja Sigilo instalaram a Loja Rainha a Fronteira nº23. Sublinhe-se que em todas houve incorporação de irmãos adormecidos ou provenientes de outras entidades. Hoje pertencem à Grande Loja as oficinas Sigilo, Estrela dos Magos, Adonai, Cavalheiros da Liberdade e Rainha da Fronteira; a Amizade já se desgarrara há tempos para afiliar-se ao Grande Oriente do Rio Grande do Sul; e a Estrela do Sul, que recuperou o nome de uma das primeiras lojas de Bagé, pertence ao Grande Oriente do Brasil. Embora a tradição local aponte que os pioneiros de cada entidade tenham emigrado de outras lojas, a pluralidade não obscurece a harmonia. Muitos lembram que no passado alguns entusiastas da fraternidade vigorante chegaram a imaginar um Grande Oriente de Bagé, tal a unidade e sadia convivência entre os irmãos, o que encantava o país. (José Carlos Teixeira Giorgis). Disponível em: http://www.jornalminuano.com.br/noticia.php?id=23482&data=&volta==. Acessado em: 26 de outubro de 2009.
HISTÓRICO SOBRE OS SALESIANOS EM BAGÉ
ARQUIVO PÚBLICO MUNICIPAL DE BAGÉ
CLAUDIO ANTUNES BOUCINHA
BAGÉ, 2004-01-12
SALESIANOS EM BAGÉ: ORIGENS E TRANSFORMAÇÃO

Figura 1 http://www.salesianosuruguay.org/historia/images/testigos/gamba.jpg.
A Chegada
A vida religiosa em Bagé se desenvolveu com a chegada dos reverendíssimos padres Salesianos de Dom Bosco a esta cidade.
Atendendo ao pedido do Cônego Bittencourt, então vigário da Paróquia de São Sebastião de Bagé, os Superiores Salesianos mandaram os beneméritos padres a fim de abrirem uma casa para educação e instrução dos filhos da terra de Bagé.
O Exmo. Cônego Bittencourt faleceu e veio ocupar o lugar vago, para dirigir a paróquia, o Exmo. Monsenhor Costabile Hypólito[1], em 1906. [2]
Os primeiros Salesianos vieram do Uruguai, uma vez que a Inspetoria mais próxima de Bagé era daquele país[3].
As autoridades municipais solicitaram ao padre Carlos Peretto[4] - Inspetor Salesiano do Uruguai[5] - e o mesmo enviou os padres André Dell'Occa; Ezequiel Fraga; Roberto Germano; João Ilardia[6]. [7]
Em 20 de outubro de 1903(?), no relatório à Câmara Municipal de Bagé, o Intendente Municipal, José Octávio Gonçalves, relatava o seguinte: Estava decidida a instalação, "a primeiro de março próximo vindouro", de um colégio dirigido por padres Salesianos.
Na quadra "ultimamente demarcada à Praça da Constituição", foi cedida para construção de edifício. [8]
Chegaram à Bagé, em 15 de fevereiro de 1904:
a) padre salesiano André Dell'Occa[9], primeiro diretor;
b) padre salesiano Ezequiel Fraga; [10]
c) padre salesiano João Ollardia[11];
d) padre salesiano Roberto Germano[12] ("que chegou a Bagé com pouco mais de 20 anos de idade e faleceu aos 94 anos de idade, sem nunca ter deixado a cidade");
e) clérigo Manoel Ferrando;
f) clérigo Jacinto Avellã;
g) clérigo Felipe Petrini;
h) coadjutor (irmão leigo) Marcelo Rato. Procediam de Montevidéu e Paysandu. [13]
Padre Germano
Em 15 de fevereiro de 1904, "em pleno carnaval", chegou a Bagé o jovem padre Roberto Germano, nascido a oito de maio de 1880, em Rincón de Francia, Departamento de Rio Negro, Paisandú, Uruguai, acompanhado por mais sete Salesianos uruguaios. [14]
Também existe a indicação do dia 14 de fevereiro de 1904, para a chegada dos padres Salesianos em Bagé. [15]
O padre Germano faleceu a 29 de janeiro de 1973.[16]
Padre Germano era filho de Félix Germano e de Maria Bássio Germano, naturais da Itália.[17]
Durante 15 dias (a contar de 15 de fevereiro de 1904), os uruguaios foram hóspedes do Cônego José Inácio Bittencourt, em sua casa, ao lado da Igreja São Sebastião; o então vigário de Bagé liderou o movimento pró-fundação do colégio, com o Intendente José Otávio Gonçalves.[18]
Em 24 de fevereiro de 1904, foi publicado anúncio do Colégio Salesiano, informando a abertura de matrículas para meninos, até o dia 02 de março de 1904, na casa do Reverendo Vigário e, depois, na própria escola, cuja sede provisória foi em um prédio na rua três de Fevereiro. [19]
Em 02 de março de 1904, era aberto o colégio Salesiano de Bagé, no prédio em que funcionou posteriormente o "Ginásio Professora Mélanie Granier", "em cujo porão dormia o Padre Germano. [20]
O Colégio teria funcionado no prédio da "Enfermaria Militar.[21]
No dia 3(?) de março de 1904, foi inaugurado o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora. Foi celebrada missa, em que também se apresentou orquestra dirigida por Bráulio Louzada. [22]
Na verdade, no dia 3 de março de 1904, foi publicada a notícia no jornal O DEVER, que se referia ao dia anterior, 02 de março de 1904: "Ontem (02 de março de 1904), às 9 horas da manhã", realizou-se a inauguração do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora.
A Escola funcionaria num "vasto edifício à rua três de Fevereiro, nº 88, onde antigamente esteve instalada a Enfermaria Militar".
Nas grandes salas, arejadas e ventiladas, foram instaladas as aulas e dormitórios. Numa pequena sala, foi instalada uma capela.
O Colégio foi "declarado instalado" após alocução do Cônego Bittencourt e do padre Dell'Occa, diretor do Colégio. [23]
Durante dois anos, (a contar de 02 de março de 1904?), o "Colégio dos Padres" permaneceu provisoriamente no primeiro prédio em que teria começado a funcionar, enquanto os irmãos Laranjeiras construíam o futuro Ginásio, na zona norte da cidade, em que existiam, em torno da lagoa, apenas duas casas pertencentes a um carpinteiro e a um comerciante, ambos espanhóis. [24]
O Ginásio Nossa Senhora Auxiliadora foi o primeiro da fronteira. [25]
No entanto, os Salesianos já marcavam presença na cidade de Rio Grande, e Bagé seria a Segunda cidade do Rio Grande do Sul a contar com uma Obra Salesiana. [26]
Com o aumento da cidade de Bagé, o Exmo. Dom Francisco de Campos Barreto, Bispo de Pelotas, a cuja diocese pertencia Bagé, dividiu a cidade de Bagé em duas zonas, criando a Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, entregando-a aos reverendíssimos padres Salesianos.
A Paróquia de São Sebastião estava na parte Sul da cidade de Bagé e ia até a Rua Marechal Deodoro, e, daí para o Norte era a paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora.
Criaram-se várias capelas, dada a extensão da cidade.
As da Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora eram as de São José, São Martin, de São Pedro e de São João.[27]
Em 08 de maio de 1919, o Bispo Dom Francisco Campos Barreto confiava aos Salesianos uma nova paróquia, que deveria funcionar na Capela Nossa Senhora Auxiliadora. [28]
Em 1919(?), trabalhavam 11 Salesianos, sendo sete sacerdotes, três clérigos e um irmão. Neste período, o diretor do Ginásio Auxiliadora era o padre Francisco Gayotto, também pároco da igreja Nossa Senhora Auxiliadora. [29]
Ginásio Municipal Nossa Senhora Auxiliadora
Dr. Heitor Schneider. Em 1931, o corpo docente do Ginásio contava com o Dr. Heitor Schneider, Arquiteto e Professor de Desenho. Era Arquiteto Salesiano, diretor das obras do Santuário Nossa Senhora Auxiliadora. "Presentemente” (em 1931?), achava-se em São Paulo, dirigindo as obras do grande Colégio Salesiano de São Bernardo. [30]
Escolas. "A Paróquia de Maria Auxiliadora mantém três Escolas Paroquiais gratuitas:
- (1) O curso noturno pra adultos, empregados no comércio, nas salas do Ginásio, sob a direção do Sr. Dr. Atila Taborda, coadjuvado pelo professor Djalma Coronel;
- (2) Colégio Santa Isabel, num esplendido edifício próprio, construído pela Associação de Damas do mesmo nome;
- (3) Escola São Pedro, numa sala própria junto à capela homônima. [31]
Em 1937, da Matriz de Nossa Senhora Auxiliadora, o vigário era o reverendíssimo padre Leão Muzzarelli, sacerdote Salesiano. [32]
Considerando o ano 1905 como de início das atividades do colégio dos Salesianos, afirmava-se que, "há 32 anos ininterruptos funciona nesta cidade, servindo a sua mocidade estudiosa e à de suas adjacências”. [33]
Em 1937, o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora mantinha os cursos Primários, Ginasiais e Comerciais. [34]
Em 1937, o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora atendia "cabalmente" as exigências das leis de Equiparação, possuindo os Inspetores Federais para os Cursos; Ginasial Seriado e Propedêutico com o Técnico de Perito Contador. [35]
Em 1937, nas várias seções em que o Ginásio se dividia (Internato, semi-internato e Externato), apresentava uma matrícula anual de 500 alunos, aproximadamente. [36]
Em 1937, o Ginásio Nossa Senhora Auxiliadora mantinha um Curso Noturno de preparação aos exames baseados pelo artigo 100 e um Curso gratuito de admissão ao Propedêutico Comercial. [37]
Em 1937, o Ginásio Nossa Senhora Auxiliadora mantinha, nas suas várias seções, matrículas gratuitas e reduções consideráveis, para os menos favorecidos. [38]
Em 1937, O Diretor do Ginásio Nossa Senhora Auxiliadora era o Reverendíssimo padre Octacílio Oliveira, "sacerdote de profunda cultura, de nobres sentimentos e de uma amabilidade sem fim". [39]
"Está instalado em um amplo prédio onde os alunos são acomodados em salas profusamente iluminadas e ventiladas”.
“Suas dependências destinadas a dormitórios dos internos apresentam todos os requisitos necessários para um repouso completo e saudável”.
“O refeitório também observa as condições indispensáveis para lugares adequados a isso”.
“(...) Em um salão próprio está anexo o 'Teatro do Ginásio', onde são em determinadas épocas levadas a efeito peças teatrais que ilustram e sirvam para despertar nos seus alunos o gosto por essa arte, dentro dos moldes artísticos e os mesmo tempo cristãos”. [40]
Quadro nº 1
Os Diretores do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora
| Ordem | Nome do Padre | Período |
| 1. | André Dell'Occa | 1904-1906 |
| 2. | Pedro Rotta | 1907 |
| 3. | André Dell'Occa | 1908-1911 |
| 4. | Carlos Peretto | 1912-1917 |
| 5. | Francisco Gayotto | 1918-1922 |
| 6. | Antônio Lustosa | 1923-1924 |
| 7. | Theofilo Tworz[41] Figura 2 http://www.auxiliadora.org.br/historia/paroco6.jpg. | 1925-1930 |
| 8. | José Luiz Valentim | 1931-1933 |
| 9. | Otacílio Oliveira | 1934-1940 |
| 10. | Edgar de Aquino Rocha | 1941-1946 |
| 11. | Érico Schmengler | 1947-1951 |
| 12. | Mário Ramos | 1952 |
| 13. | Silvio Sattler | 1953-1954 |
| 14. | Alfredo Bortolini | 1955 |
| 15. | Hugo Neves Ferreira | 1956-1959 |
| 16. | Alfredo Bona | 1960 |
| 17. | Tercílio Chiarelli | 1961-1964 |
| 18. | Dario Bertoldi | 1965-1968 |
| 19. | Lauro Venturi | 1969 |
| 20. | Guerino Stringari | 1970-1971 |
| 21. | José Jovêncio Balestieri | 1972-1974 |
| 22. | Lino Fistarol | 1975-1976 |
| 23. | Ervin José Conzatti | 1977-1982 |
| 24. | Theobaldo Heck | 1983-1987 |
| 25. | Tercílio Nardelli | 1988-1991 |
| 26. | Nívio Jesus da Silva Hammes | 1992-1993 |
| 27. | Faustino Chiamenti | 1994-1997 |
| 28. | Ir. Vanilson Pudell | 1998-2003 |
| 29. | Dácio Elisio Bona | 2003-2004 |
Quadro nº 1: "Os Diretores do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora". In: ABERTURA DO CENTENÁRIO SALESIANO -COLÉGIO AUXILIADORA(encarte); MINUANO, Bagé, Sábado e Domingo, 16 e 17 de agosto de 2003.
Padre Edgar de Aquino Rocha
O padre Edgar de Aquino Rocha nasceu em Juiz de Fora (Minas Gerais), no dia 18 de dezembro de 1899; em 1924, foi estudar Teologia, na universidade Pontifícia de Turim, doutorando-se em 1927; foi ordenado sacerdote em julho de 1927.
Em 1941, o padre Aquino Rocha foi enviado para Bagé, como diretor do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora.
Entre 1948 e 1969, o padre Aquino Rocha esteve nos EUA, na Califórnia, na cidade de Oakland.
Em 1968, renunciou ao cargo que ocupava nos EUA.
No dia 29 de novembro de 1972, o padre Aquino Rocha, faleceu. [42]
Em 11 de fevereiro de 1941, assumiu a Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, ema Bagé. [43]
Em dezembro de 1941, organizou a procissão luminosa em honra de Nossa Senhora Auxiliadora. [44]
Em nove de maio de 1942, inaugurou a gruta de Lourdes. [45]
Em 11 de fevereiro de 1945, inaugurou a Gruta de Lourdes, em São José. [46]
Em 24 de maio de 1946, organizou a "Lâmpada da Paz". [47]
Em 24 de junho de 1944, benção na Capela São João (construída pelo Sr. João Oliveira). [48]
Em 29 de junho de 1944, festa de São Pedro e São Paulo, na Vila Petrópolis. [49]
Em 19 de novembro de 1944, festa de Santa Isabel, na Capela de São José. [50]
Em 26 de novembro de 1944, festa em São Martinho. [51]
Em 29 de junho de 1945, o padre Aquino Rocha celebrou as "Bodas de Prata" da Capela São Pedro (1920?), reestruturando a Escola Paroquial. [52]
Em 18 de novembro de 1945, os vinte e cinco anos da Capela de São Martinho (1920?). [53]
Em 12 de agosto de 1945, inauguração da Capela São Domingos. [54]
Em 1º de março de 1947, inauguração da Capela Santa Leocádia. [55]
ISPEA
Em 1953, era mantido, em Bagé, entre outros, pelos Salesianos, o Oratório Festivo da Capela São Pedro, com 200 crianças.
Foram entregues 200 m. de fazenda para fazer roupas para as crianças do Oratório Festivo da Capela São Pedro.
Cada criança teria recebido, ainda, um brinquedo e um objeto útil.
A Escola Gratuita de São Pedro, sob a orientação do reverendíssimo padre Mário Ramos, que lecionava 200 crianças, ensinadas por seis professoras, funcionando nas dependências da capela. [56]
Em 1955, o ISPEA contava com mais de 200 crianças. A partir de uma planta elaborada por um engenheiro francês, Dr. Bruno, seria construído um salão de festas, com 37 m de fundos, com amplo palco para festas.
Também seriam construídas oito salas de aulas. [57]
Estatutos
O dia 29 de junho era considerado uma data festiva "máxima", para o ISPEA. O Instituto São Pedro de Educação e Assistência teria sido inaugurado e seus Estatutos de Sociedade Civil foram registrados. O ISPEA localizava-se no Bairro Petrópolis, 1º distrito de Bagé, Avenida Santa Tecla, nº 336; o bairro era conhecido como "Povo Novo", bairro tipicamente "operário". O registro nº 128 classificava o registro dos Estatutos do ISPEA.
O Instituto foi fundado em 09 de março de 1952.
O patrimônio era constituído pelos imóveis onde estavam edificados os prédios e pátios do "Instituto S.P.E.A.". O ISPEA pretendia ser mantido também por subvenções dos poderes públicos. Cabia ao diretor ou ao seu representante, receber subvenções dos poderes públicos, por si ou por outros, passando o necessário documento de quitação. Eram entidades anexas aos ISPEA, de acordo com os Estatutos:
a) Escola São Pedro;
b) Oratório Festivo de São Pedro;
c) Associação das Damas de São Pedro;
d) Clube Social São Pedro;
e) Cruzada Infantil São Pedro;
f) Grupo Dramático São Pedro;
g) Assistência aos Pobres São Pedro;
h) Outras organizações Educativas e Assistenciais oportunas. Em caso de extinção, patrimônios e bens, pagas as dívidas, passariam para o Colégio Nossa Senhora Auxiliadora.
Em 10 de março de 1955, o Diretor-Presidente do ISPEA era o padre Honorino João Muraro.
Ou seja, a fundação foi em 09 de março de 1952, mas os Estatutos foram registrados em 10 de março de 1955, três anos após a data de fundação. [58]
Em 1955, o poder executivo declarava e a Câmara de Vereadores reconhecia de utilidade pública o ISPEA. [59]
Em 1956, o poder executivo e a Câmara de Vereadores autorizaram a doação ao ISPEA de uma área situada na Vila Petrópolis, num total de 2.320 m² , "para a criação de uma Praça de Desportos", com os seguintes limites: Norte, rua IV; Leste, rua VI; Oeste, Avenida Santa Tecla; Sul, propriedade da entidade beneficiária e da sucessão Orvandil de Souza Luz. [60]
Povo Novo
Possivelmente em 1941, foi quando começou a idéia da construção de uma instituição que teria o nome de ISPEA, enquanto obra salesiana em Bagé.
Visitando o pároco da capela do Povo Novo, o padre Muraro teria sugerido a construção de uma grande obra de benemerência naquela região. [61]
Em 1955, o padre Muraro foi designado para a paróquia do "Povo Novo". Imediatamente procurou recursos e "deu início” [62] ao Instituto São Pedro de Educação e Assistência. [63]
O Instituto São Pedro de Educação e Assistência foi fundado no ano de 1955. [64]
Em 1959, o ISPEA já possuía personalidade jurídica e era considerada de utilidade pública pelo Município e pelo Estado.[65]
Em 1959, no ISPEA funciona o Grupo Escolar São Pedro, com 26 professores, com matrícula e freqüência em dois turnos, de 648 crianças, sendo o Jardim de Infância freqüentado por 32 alunos.
Cerca de 400 crianças era oferecido merenda escolar, bem como era prestada assistência à mais de 100 famílias pobres do "arrabalde". [66]
Em 1959, no Pavilhão Centenário de Bagé, inacabado, funcionava a Escola Profissional São Pedro, com curso de corte e costura; bordado à mão e à máquina, tricô, crochê, arte culinária e economia doméstica. [67]
Em 1959, a assistência religiosa era dada na Capela de São João, Capela de São Pedro, no distrito de Palmas e no distrito de Olhos d'Água. [68]
Também funcionava, "no edifício", o Cine-Teatro São Pedro, com uma lotação para 700 pessoas, com quatro sessões cinematográficas semanais e mais duas sessões cinematográficas gratuitas aos domingos.
A cabine do Cine-Teatro possuía dois modernos aparelhos de 16 m/m "Bell & Howell", mas por inúmeras vezes as sessões noturnas apresentavam prejuízos, pois os filmes eram rigorosamente escolhidos e, em geral, de aluguel elevadíssimo. [69]
"Para recreação da população", existia também o serviço de transmissão de alto-falantes, "A Voz do Povo Novo".[70]
"A educação física" era proporcionada pelo Grêmio Esportivo São Pedro, com seu “departamento” de futebol, basquete, vôlei, punhobol, bocha e educação física. [71]
Em 1959, encontrava-se em construção "a residência" para as Irmãs Salesianas Filhas de Maria Auxiliadora. [72]
Em 1959, o ISPEA mantinha as seguintes entidades anexas:
(1º) Escola São Pedro;
(2º) Associação das Damas de São Pedro, encarregada de efetuar a propaganda da instituição e cobrança das mensalidades;
(3º) Oratório Festivo de São Pedro;
(4º) Clube Social São Pedro;
(5º) Cruzada Infantil São Pedro;
(6º) Grupo Dramático São Pedro;
(7º) Assistência aos Pobres São Pedro;
(8º) De acordo com seus Estatutos, outras organizações educativas e assistenciais oportunas. [73]
Conforme balancete do ISPEA para o ano de 1958, o déficit do exercício foi de... Cr$ 1. 296.473, 60. [74]
Conforme balancete do ISPEA para o ano de 1958, o município não havia pagado o auxílio "concedido" em 1958, no valor de Cr$ 357.000,00. [75]
Considerando o Quadro nº 02, no que se refere às contribuições da Prefeitura Municipal para o ISPEA, para o ano de 1958, constava um valor bem menor ao valor que foi informado por ROTERMUND (1959).
Seria de interesse da pesquisa, buscar maiores e melhores informações sobre os dados informados.
Quadro nº 02
Contribuições Municipais (Assistência Social) para o ISPEA
| Designação da despesa | Ano | Subtotal (Cr$) | Total (Cr$) |
| 35 - Capela São Pedro para construção de uma escola | 1953 | 5.000,00 | |
| 33 - Capela São Pedro para construção de uma escola | 1954 | 5.000,00 | |
| 23 - Instituto São Pedro | 1957 | 35.000,00 | |
| 22 - Instituto São Pedro | 1958 | 85.000,00 | |
| 10 - Instituto São Pedro | 1960 | 50.000,00 | |
| 10 - Instituto São Pedro | 1961 | 80.000,00 | |
| 09 - Instituto São Pedro | 1962 | 40.000,00 | |
| 10 - Instituto São Pedro | 1963 | 30.000,00 | 330.000,00 |
Quadro 2 - Fonte: MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1953. Porto Alegre: Of. Gráficas da Livraria do Globo, 1953.
MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1954. Bagé: Tipografia Minerva, 1954.
MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1957. Porto Alegre: Of. Gráficas da Livraria do Globo, 1957.
MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1958. Porto Alegre: Of. Gráficas da Livraria do Globo, 1958.
MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1960. Porto Alegre: Of. Gráficas da Livraria do Globo, 1960.
MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1961. Porto Alegre: Of. Gráficas da Livraria do Globo, 1961.
MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1962. Porto Alegre: Of. Gráficas da Livraria do Globo, 1962.
MUNICÍPIO DE BAGÉ. Lei de Orçamento para o Exercício de 1963. Porto Alegre: Of. Gráficas da Livraria do Globo, 1963.
Em junho de 1959, o edifício do ISPEA ainda não estava concluído.
Ao que parece, o edifício do ISPEA seria concluído em dezembro de 1959. [76]
Onde estava sendo construído o ISPEA, era um "arrabalde de má fama".
Padre Muraro teria terminado com os bordéis e com as casas de jogo.
Padre Muraro teria nascido no dia 19 de outubro.
Em 1959, era professor no Colégio Auxiliadora e professor na Faculdade de Ciências Econômicas.
Padre Muraro estava "radicado há vários anos" em Bagé.
Padre Muraro era diretor do ISPEA, obra "construída sobre os destroços de barracos que serviam de covil a vagabundos, jogadores e maus elementos”.
Havia parcos recursos para liquidar os débitos do ISPEA e terminar o edifício que estava em construção. [77]
Para Silveira, o Padre Muraro chegou à Bagé no ano de 1955: Honorino João Muraro “aqui chegou a mil novecentos e cinqüenta e cinco". [78]
No lugar em que foi erguido o ISPEA, era antigamente uma "velha chácara". [79]
A "pedra fundamental" foi "lançada" no dia nove de março de 1952, pelo Bispo D. Zattera e pelo padre Érico Schmemgler (em 1973, Schmemgler estava radicado na Alemanha). [80]
Ao longo do tempo, foram surgindo as seguintes instituições junto ao ISPEA:
a) Associação das Damas de São Pedro;
b) Escola São Pedro;
c) o Profissional São Pedro;
d) o Clube Domingos Sávio de Assistência ao Menor;
e) o Ginásio São Pedro;
f) a Escola Técnica "Dr. Celestino Goulart";
g) Assistência Social São Pedro;
h) Paróquia São Pedro;
i) Grêmio Esportivo São Pedro (que já existia quando da chegada do Padre Honorino e que veio a sofrer reformulações).
Em 1973, em fase de desenvolvimento encontravam-se:
a) Centro Social Nova Esperança;
b) Centro Juvenil São Bernardo. [81]
O padre Muraro seria "Florence por nascimento" e que, em tenra idade, foi para a cidade de Ijuí. [82]
A Paróquia São Pedro seria obra do ano de 1963. [83]
No entanto, a construção da igreja de São Pedro, no Bairro Getúlio Vargas, seria iniciada em 1973.
O terreno estava localizado na Avenida Santa Tecla, esquina com a rua Santa Cândida, antiga chácara da família Loureiro.
"A aquisição do terreno foi possível com a venda à Prefeitura Municipal, por 50 mil cruzeiros, de outro terreno do ISPEA, à rua Dr. Freitas, esquina São Carlos".
"Graças ao apoio do Prefeito Antônio Pires", as obras seriam iniciadas na terça-feira, com a terraplanagem no local, por máquinas da Prefeitura. [84]
A paróquia São Pedro, fundada em 03 de março de 1963, teve como primeiro vigário o padre Honorino João Muraro.
Funcionou no Salão do Colégio São Pedro até o ano de 1974, quando foi construído, sob a orientação do padre Geraldo D'Ávila, o prédio próprio na Av. Santa Tecla, nº 500.
A nova igreja foi inaugurada em 22 de outubro de 1974. [85]
Existe a indicação da inauguração da igreja matriz de São Pedro para o dia 20 de outubro de 1974, conforme notícia de jornal, informando a hora da inauguração, às 10 h., no Bairro Getúlio Vargas. [86]
Referências Bibliográficas
ASSOCIAÇÃO RURAL DE BAGÉ. Revista da Exposição(Revista de Bagé): Exposição Rural de Bag