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terça-feira, 3 de agosto de 2010

EMÍLIO GUILAYN

EMÍLIO GUILAYN

O Nome de Emílio Guilayn provoca curiosidade. Por isso, vamos recuperar um pouco do passado de Bagé, com algumas informações iniciais. No caso, os relatos transcritos sugerem um produtor que se inseriu no mercado da América Latina e não só no Rio Grande do Sul ou em Bagé. As vinculações do PRR estariam evidenciadas nas correspondências trocadas com próceres do governo de Borges de Medeiros, de uma forma inicial, incipiente, visto que precisaria de mais pesquisa sobre o tema. Por outro lado, a constituição de uma firma conhecida como Buxton & Guilayn, ao que tudo indica, projetava ainda mais o nome de Guilayn para fora do país e no Estado.

Uma Pequena Biografia

“(...) E, assim, graças à iniciativa de poucos, mais de meia centena de comerciantes, surgiu a hoje prestigiosa e acatada centenária Associação Comercial e Industrial de Bagé, fundada em 13 de novembro de 1898 pelo empresário Emílio Guilayn, juntamente com um grupo de empresários. Guilayn encaminhou, em 24 de novembro de 1898, um ofício ao inspetor da Delegacia Fiscal nos seguintes termos: “O comércio local afetado em seus interesses, devido ao imposto cobrado de dez mil réis por cabeça de gado importado do Uruguai, solicita vossos bons ofícios, junto ao Ministério da Fazenda, para revogar dito imposto”. (...) Guilayn, espanhol radicado em Bagé, (...). Figura marcante na comunidade bageense, tendo contribuído para o desenvolvimento econômico do município, Emílio Guilayn atuou no comércio, na indústria, na pecuária e na política, onde foi eleito deputado estadual. Fundou a primeira casa bancária de Bagé, instalou a energia elétrica na cidade, adquiriu e modernizou o Moinho Bageense, organizou a Charqueada Santo Antônio e foi o primeiro presidente da Associação e Sindicato Rural de Bagé. Trouxe o primeiro automóvel que circulou na cidade, presidiu a Sociedade Espanhola, fez parte da direção da Santa Casa, da Loja Maçônica Amizade e do Guarani Futebol Clube. Teve ainda destacada atuação nos meios empresariais de Buenos Aires, na Argentina, onde fundou a organização Buxton Guilayn e Cia. Em Pelotas, instalou a usina elétrica, a rede de bondes elétricos e uma filial de sua empresa Argentina, que também teve sede em Bagé”.

Um bairro, em Pelotas

“Em Pelotas, “(...) El barrio Jardín Europa fue proyectado en 1930 por la Compañía Comercial Buxton Guilayn, de Porto Alegre, para la promotora Comercial e Constructora América S.A. propiedad de Luis Lorea (el propietario de las tierras), un descendiente de italianos con negocios comerciales e industriales en Pelotas y en la ciudad vecina de Rio Grande. En la ciudad de Pelotas, Lorea era propietario, con su hermano, de negocios de exportación de charque, sebo y arroz; de un ingenio de arroz, además de ser el representante de empresas de navegación”. (...) . “Luis Lorea llegó de Italia a Brasil en 1887, fijando residencia en la ciudad de Rio Grande. En 1914 constituyó su primera empresa individual. Mantenía negocios comerciales de importación y exportación; fábricas de cuerdas, estopas, aceites vegetales, de salga de pescado y un astillero naval en Rio Grande”. Paulo Roberto Rodrigues Soares . "burgueses inmigrantes" y desarrollo urbano en el extremo sur de brasil”. In: Scripta Nova. Revista Electrónica de Geografía y Ciencias Sociales.Universidad de Barcelona [ISSN 1138-9788] Nº 94 (78), 1 de agosto de 2001.

Cartas

GUILAYN, Emílio .06179. Carta. Porto Alegre, RS, 29/11/1915. 5 folhas. Acompanha carta de Emílio Guilayn a João Teixeira Soares, Porto Alegre, 23/11/1915. Descritores: Municípios, Política Regional. (Fonte: FUNDO BORGES DE MEDEIROS SÉRIE CORRESPONDÊNCIA SUBSÉRIE PASSIVA).

GUILAYN, Emílio . 06184. Carta. Porto Alegre, RS, 2/12/1915. 2 folhas. Descritores: Municípios, Funcionalismo. (Fonte: FUNDO BORGES DE MEDEIROS SÉRIE CORRESPONDÊNCIA SUBSÉRIE PASSIVA).

GUILAYN, Emílio .12068. Carta. Buenos Aires, Argentina, 26/4/1914. 2 folhas. Descritores: Política Regional, Partido Republicano Rio-Grandense. (Fonte: FUNDO BORGES DE MEDEIROS SÉRIE CORRESPONDÊNCIA SUBSÉRIE PASSIVA).

GUILAYN, Emílio .12113. Carta. Paris, França, 8/12/1912. 4 folhas . Descritores: Política Internacional, Partido Republicano Rio-Grandense, Economia. (Fonte: FUNDO BORGES DE MEDEIROS SÉRIE CORRESPONDÊNCIA SUBSÉRIE PASSIVA).

PEREIRA, Luiz .12122. Carta a Emílio Guilayn. Paris, França, 16/8/1916. 2 folhas. Descritores: Política Internacional, Partido Republicano Rio-Grandense. (Fonte: FUNDO BORGES DE MEDEIROS SÉRIE CORRESPONDÊNCIA SUBSÉRIE PASSIVA).

Possidônio Mâncio da Cunha

“Outra importante empresa a operar na capital gaúcha foi a Companhia Força e Luz Porto-Alegrense (CFL). Incorporada em 1906 a partir da fusão de duas companhias que exploravam o transporte por tração animal por meio de trilhos em Porto Alegre - a Cia. Carris de Ferro Porto-Alegrense, uma sociedade anônima constituída em 1872, e a Cia. Carris Urbanos de Porto Alegre, fundada em 1891 -, tornou-se o maior empreendimento do capital sul-rio-grandense no setor elétrico. (...) Desde 1896 (seis anos após ter circulado o primeiro bonde elétrico do mundo, em Nova Iorque), já discutia-se a adoção deste sistema em Porto Alegre, quando então o interesse de alguns particulares inspirava a realização de estudos pela Intendência. (...) O principal idealizador (...)” (da CFL) “(...) foi Possidônio Mâncio da Cunha, grande acionista da Carris Porto-Alegrense. Influente político ligado às hostes do PRR, Possidônio também era um ágil capitalista, que na época integrava a diretoria de importantes empresas, como a Cia. Telefônica Rio-grandense (fundada em 1908), a Cia. Predial e Agrícola, a Cia. De Seguros de Vida Previdência do Sul, a Cia. Fiação e Tecidos de Porto Alegre (fundada em abril de 1901) e o Banco Comercial Franco-Brasileiro (este último fundado posteriormente, em 1913). Acompanharam-no na (...)” (CFL) “(...) seus maiores sócios nestas empresas, juntamente com investidores ligados a outras importantes empresas locais (muitos dos quais tendo igualmente ocupado cargos políticos pelo PRR), além de bancos, companhias de seguros e de imóveis. Tendo reunido uma expressiva parcela dentre políticos governistas e investidores do momento, a CFL foi um evento marcante no incipiente capitalismo sul-rio-grandense, constituindo-se numa corporação moderna, com capital aberto, contrariando a tendência de 'empresas familiares' do período. (...) Emílio Guilayn, diretor do Banco da Província, entre 1911 e 1914, sócio-fundador da casa bancária "Emílio Guilayn", de Bagé, e da firma de representação comercial "Buxton & Guilayn", também administradora das usinas elétricas de Pelotas, Bagé e Santa Maria; foi ainda deputado da 5ª à 8ª legislaturas; (...). Ver: Federação - 18.04.1901; 27.03.1908; 05.07/12.08.1910; LAGEMANN, 1985a, pp. 47 e 94; TRINDADE, 1980, p. 287-300; O ESTADO, 1915, pp. 120/1, 459/60 e 466; AXT & AITA, 1996”.

Terrenos em Porto Alegre

“O prolongamento até a esquina da Rua Dr. Sebastião Leão só aconteceu de 1911, quando a Intendência Municipal abriu a rua sobre terrenos do Cel. Emílio Guilayn e outros, loteadores das ruas Olavo Bilac, Lobo da Costa e Dr. Sebastião Leão”.

Fim da Buxton & Guilayn

“Decreto Nº 69.551 de 18 de Novembro de 1971

Revoga o Decreto nº 17.227, de 18 de fevereiro de 1926, que concedeu a empresa Buxton Guilayn y Compañia Limitada, Sociedad Anónima Comercial Importadora autorização para funcionar na República Federativa do Brasil”.

Uma Usina com a participação da Buxton & Guilayn

“Na cidade de Rafaela (Santa Fe) República Argentina, também teve influência da S. A . Buxton Guilayn y Cia. Ltda. : “Es en el acta de asamblea extraordinaria celebrada el 18 de noviembre de 1928 que se encuentra por primera vez nombrada la firma comercial con el número de acciones suscriptas, que ascendían a 100 contándose entre los mayores accionistas junto a Faustino Paviolo, SA Buxton Guilayn y Cía. Ltda. Esta última empresa de renombre fue quien instaló las maquinarias en la usina, convirtiendo a Rafaela en una de las primeras ciudades que cambió su sistema de corriente continua por el de corriente alternada”. COLOMBO, Marta I.. “Por la verdad histórica de la Usina”. Sábado, 17 de Febrero de 2007”.

Fontes:

http://www.sabado100.com.ar/portal/?p=1257

http://www.laopinion-rafaela.com.ar/opinion/2007/02/17/c721754.htm

http://www.direitonet.com.br/dn/lista?conf=41&p=681

http://www.ub.es/geocrit/sn-94-78.htm#29

http://www.aciba.org.br/historico.aspx

http://www.ihgrgs.org.br/inventario_bm/075_Porto%20alegre%2011.htm

http://www.ihgrgs.org.br/inventario_bm/142_Exterior.htm

http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/vivaocentro/default.php?reg=39&p_secao=17

http://www.ufpel.edu.br/ich/ndh/pdf/Gunter_Axt_Volume_04.pdf

AXT, Gunter. “A participação da iniciativa privada nacional no setor elétrico gaúcho – uma perspectiva histórica das maiores empresas (1887-1928)”. In: História em Revista, Pelotas, v.4, 63-94, dezembro/1998.

LAGEMANN, Eugenio (1985a). O Banco Pelotense & o Sistema Financeiro Regional. Porto Alegre: Mercado Aberto.

TRINDADE, Hélgio (1980). Poder Legislativo e Autoritarismo no RS (1891-1937). Porto Alegre: Sulina.

O ESTADO do Rio Grande do Sul (1915). Paris, Monte Domecq' & Cia.

AXT, Gunter & AITA, Carmen. Parlamentares Gaúchos das Cortes de Lisboa aos Nossos Dias (1821-1996). 2ª Edição. Porto Alegre: ALRS/Corag, 1996, 228 p.

FRANCO, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: Editora da Universidade (UFRGS)/Prefeitura Municipal, 1992

PIMENTEL, F. Aspectos gerais do município do Rio Grande. Rio de Janeiro: Imprensa Oficial, 1944, p. 448-450

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