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quarta-feira, 3 de junho de 2015

A FESTA DAS VELAS VOTIVAS EM BAGÉ - III


Cláudio Antunes Boucinha [Licenciado em História (UFSM). Mestre em História do Brasil (PUCRS)]

A Procissão Primordial

A religiosidade local marcou desde o início da povoação em Bagé, conforme a tese de doutorado de Bicca:

Ainda  sobre  ao  início  do  povoamento  do  município  de  Bagé,  Eurico  Jacinto  Salis (1955, p. 34 - 36) trazia a seguinte consideração:

‘No ano de 1812, desenvolvia-se o novo núcleo de Bagé, nascido de um acampamento    militar,    [...]    a    população    já    possuía    arraigados sentimentos religiosos [...]. Numa ação de profundo sentimento religioso [...]  e  em  procissão  transportam  para  a  nova  freguesia  a preciosa imagem de S. Sebastião, talhada em madeira, com olhos amendoados, estilizando    bela    feição    íncola    e    depositaram    em    um    rancho, característico   dos   pampas   sulinos,   dos   muitos   que   existiam   no acampamento  de  Dom  Diogo  [...].  Construíram  então,  no  local  onde  se acha [ 1951]  a  histórica  matriz  de  S.  Sebastião,  a  primeira  capela  de  grande dimensão,  feita  em  torrões  de  barro  e  coberta  com  capim santa-fé.  [...] em 1814, a freguesia foi elevada à condição de curato, [...]’. [ SALIS,  Eurico  Jacinto. História  de  Bagé:  ama  tua  terra  quem  bem  conhece.  Porto Alegre: Livraria do Globo S.A., 1955]

Percebe-se  através  deste  texto,  que  a  questão  da  religiosidade  foi  também  uma tônica  no  processo  de  formação  do  município  de  Bagé,  este  fato  pode  ter  relação direta  e/ou  indireta  pelas  características  adversas  vivenciadas  pelos  habitantes  da campanha neste período e pela preocupação com o estigma que se tinha do Gaúcho, um homem sem lei e religião, como afirma Gutfreind (2006); [Não  temos  como  objetivo  deste  trabalho,  historicizar  a  questão  do  gaúcho  e  suas  especificidades locais e/ou regionais, mas compreender o processo de formação do município de Bagé]: ‘habituados a uma vida independente   e   andarilha,   os   gaúchos   representavam   uma   classe   rebelde, responsável pelos crimes sociais para os proprietários de terra e do gado’. [ GUTFREIND, Ieda. O Gaúcho e a sua cultura. In: História Geral do Rio Grande do Sul. 1ª Ed. Passo Fundo: Méritos, 2007, v.1, Colônia. GUTFREEIND, Ieda. Rio Grande do Sul: 1889-1896: A Proclamação da República e a  Reação  Liberal  através  de  sua  Imprensa.  Dissertação  (Mestrado  em  Historia)  - Pontífice Universidade Católica, Porto Alegre. 1979. GUTFREIND,  Ieda. Historiografia  sul-rio-grandense  e  o  positivismo  comtiano. 1998, p. 50. In: GRAEBIN, Cleusa M.; LEAL, Elisabete (org.). Revisitando o positivismo. 1ª ed. Canoas: Editora La Salle, 1998, p. 47-58].

Ademais, a religiosidade sempre foi um traço importante no processo colonizador português desde os tempos do Brasil Colônia, este processo tinha o caráter educativo e  pedagógico,  além  de  ser  o  amálgama  dos  interesses  lusitanos  em  relação  à necessidade  de  civilizar  também  os  “selvagens”  da  Província  de São  Pedro  do  Sul. (Piccolo, 1992; Dreher, 2006 e Saviani, 2008)”.
[ PICCOLO, Helga. Vida política no século XIX. Porto Alegre: Ed. UFRGS, 1992.
_____________. 1893:  A  Revolução  além  da  Fronteira.  In: História  Geral  do  Rio Grande do Sul. 1ª Ed. Passo Fundo: Méritos, 2007. v. 3, República Velha (1889-1930). Tomo I.
______________. O processo de Independência do Brasil. In: História Geral do Rio Grande do Sul. 1ª Ed. Passo Fundo: Méritos, 2006. v. 2, Império.
______________. A   Política   Rio-Grandense   no   Império.   In:   DACANAL,   José Hildebrando;  GONZAGA,  Sergius. RS:  Economia  &  Política.  Porto  Alegre:  Mercado Aberto, 1979, pp. 93-117.
DREHER, Martin N. As religiões. In: História Geral do Rio Grande do Sul. 1ª Ed. Passo Fundo: Méritos, 2007. v. 2, Império.
SAVIANI,  Demerval  et  al. História  e  história  da  educação:  O  Debate  Teórico-Metodológico  Atual. Campinas, SP: Autores Associados: HISTEDBR, 2006. (Coleção Educação Contemporânea).
_____________. Educação:  do  senso  comum  à  consciência  filosófica.  7.  ed.  São Paulo: Cortez, 1986.
____________. Educação brasileira: estrutura e sistema. – 5ª Ed. São Paulo: Editora Saraiva, 1983.
__________. Sistema  de  Educação:  Subsídios  para  a  Conferência  Nacional  de Educação.                              2010.                              Disponível                              em:
__________. Escola e Democracia. 36ª ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2003.
__________. Pedagogia    Histórico-Crítica: primeiras    aproximações. 8ª    ed. Campinas, SP: Autores Associados, 2003.
__________. Breves  considerações  sobre  fontes  para  História  da  Educação.  IN: Fontes,  história  e  historiografia  da  educação.  Campinas,  SP:  Autores  Associados: HISTEDBR; Curitiba, PR: Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR); Palmas, PR:  Centro  Universitário  Diocesano  do  Sudoeste  do  Paraná  (UNICS);  Ponta  Grossa, PR:  Universidade  Estadual  de  Ponta  Grossa  (UEPG);  2004.  (Coleção  Memória  da Educação). Citado por:
 Alessandro Carvalho Bica. A ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO PÚBLICA MUNICIPAL NO GOVERNO DE CARLOS CAVALCANTI MANGABEIRA (1925-1929) NO MUNICÍPIO DE BAGÉ / RS. Tese  de  Doutorado  em  Educação apresentada como  requisito  parcial  e  final  para  obtenção  do título de Doutor em Educação. Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Programa de Pós-Graduação em Educação. Linha   de   Pesquisa:   Educação,   História   e Políticas. Orientadora: Profª Drª Berenice Corsetti. São Leopoldo, 2013.

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