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quarta-feira, 3 de junho de 2015

A FESTA DAS VELAS VOTIVAS EM BAGÉ - II

Cláudio Antunes Boucinha [ Licenciado em História (UFSM). Mestre em História do Brasil (PUCRS)]

Antecedentes Históricos Locais


História da Igreja Católica em Bagé

Para a compreensão do que pensavam os antepassados, era preciso compreender a história da mentalidade da época, “zeitgeist”, na filosofia alemã,  o espírito do tempo, “l’esprit du temps”,  a visão do mundo, a maneira de pensar, a importância da tradição e da  religião durante o século XIX e XX. A religião católica apostólica romana consolidou influência marcante, conforme o texto de  Fidélis Dalcin Barbosapes_Fidel_20130524_173725.jpg:

BAGÉ - Em 10-12-1815, encontrando-se em Pelotas, o Bispo do Rio de Janeiro D. José Caetano da Silva Coutinho autorizou a ereção de uma capela em louvor de São Sebastião, com imagem transferida do oratórioFotos+Vimão,+Praia,+Motos+e+Aeroclube..jpg da Guarda de São Sebastião e do acampamento fundado por D. Diogo de Sousa.
Em 17-6-1818, o Cônego Antônio Vieira da Soledade elevava-a à condição de Capela Curada, sendo cura o Pe. Gervásio Antônio Pereira Carneiro, seguido do Pe. Joaquim Paulo de Sousa Prates.
A igreja foi concluída em 1820,recebendo os sinos em 1-2-1822.
Quando em 23-1-1827, o Gen. Lavalleja entrava em Bagé, os soldados do Gen. Alvear saquearam a Vila, depredaram a capela, rasgando os livros e levando as alfaias.
Durante a Revolução Farroupilha, retirou-se o Pe. Gervásio, sendo substituído, sucessivamente, pelos Padres Antônio Homem de Oliveira, Jerônimo José Espínola e Hildebrando de Freitas Pedroso.
Em 14-8-1843, o Vigário Apostólico Pe. Francisco das Chagas Martins Ávila e Sousa empossou o Pe. Lourenço Cazas Novas cura da Capela.
Em 15-11-1844, o Duque de Caxias, em vez do Te Deum programado pela vitória em Porongos, mandou celebrar missa pelos que tombaram no combate.
Em 25-6-1846, o Cônego Luís Tomé de Sousa criava a Paróquia, sendo nomeado como Vigário o Pe. Lourenco, italiano naturalizado brasileiro, que permaneceu no cargo até 1857, tendo sido eleito vereador em 17-7-1852.
Seu sucessor Pe. Cândido Lúcio de Almeida, ex-pároco de Vacaria e Encruzilhada, iniciou em 1862 a construção da nova matriz, a atual Catedral, que não pode inaugurar, porque veio a falecer em 27-3-1872, com 61 anos e 15 como pároco de Bagé. O arquiteto da nova Matriz foi o italiano José Obino, que faleceu em Porto Alegre em 1879.
O novo Pároco, Cônego João Inácio de Bittencourt (de 1873 a 1906), líder da extinção da escravatura (28-9-1884), entoou solene Te Deum pelo acontecimento.
Em 25-3-1883, presidiu a inauguração da Santa Casa de Caridade.
Em 1884, durante a viagem inaugural da estrada de ferro Bagé-Rio Grande, visitou Bagé o Bispo D. Sebastião Dias Laranjeiras, junto com o presidente da Província Cons. José de Albuquerque Barros.
Em 20-4-1891, houve visita pastoral de D. Cláudio José Gonçalves Ponce de Leão.
Ao Cônego Bittencourt, que faleceu em 31-10-1906, com 72 anos e 34 de paroquiato em Bagé, deve-se a fundação do Colégio Auxiliadora dos Padres Salesianos, e do Colégio Espirito Santo, das Irmãs Franciscanas.
Seu sucessor, Mons. Costábile Hipólito (1862-1956),governou a paróquia ate 1943, quando passou a ser administrada pelos Capuchinhos (Frei Bernardino, Frei Irineu, Frei Afonso, Frei Celestino e Frei Mário).
Ainda antes da criação da Diocese (24-6-1960), a paróquia tornou a ser dirigida pelo clero secular (Pe. Antônio Botton).
Os Capuchinhos assumiram então a direção da Capela de Nossa Senhora da Conceição, hoje paróquia criada por D. José Gomes, 1º Bispo, empossado em 16-7-1961.
A ele seguiu-se, em 1969, D. Ângelo Feliz Mugnol, falecido em 12-2-1982.
Seu substituto, D. Laurindo Guizzardi, Carlista, tomou posse em 25-4-1982.
A Paróquia da Catedral teve os curas: Pe. Firmino Dalcin, Pe. Antônio Botton, Pe. Fredolino Brauner e (1982) Pe. Dionísio Jesus Corrêa dos Santos. (Fonte principal: A Igreja de São Sebastião de Bagé, de Tarcísio Antônio Costa Taborda). . Fidélis Dalcin Barbosa . zanette@zanette.com.br . A IGREJA.


Sobre a transferência da imagem do Oratório da Guarda de São Sebastião, Nerci Nogueira afirmava;


“Também não procede que os campos de Pedro Fagundes de Oliveira abrangiam o local da Vila e que destes campos teriam transladado a imagem de São Sebastião. Provam que seus campos não atingiam o local da já citada Vila, as cartas de sesmarias desta localidade. (Ver postagem deste Blog que traz como Título "A Sesmaria Perdida")”. (...) “Finalmente diante de todos os fatos e evidências demonstrados, me leva a afirmar e acreditar que não esta em Dom Pedrito a Origem do Primeiro Núcleo Populacional de Bagé, e nem o Oratório Original de São Sebastião. Acredito que foi no antigo Forte de Santa Tecla o local em que Patrício Correia da Câmara postou a Guarda de São Sebastião, após o ano de 1801. O que justifica pela proximidade o lento abandono do Oratório da Coxilha, situado na Fazenda de Pedro Fagundes de Oliveira”. http://nosprimordiosdebage.blogspot.com.br/2013/12/porque-as-origens-de-bage-nao-estao-em.html

Nerci Nogueira descrevia assim o Oratório: 

“O Oratório desta Guarda foi construído com paredes de leivas e coberto com capim santa fé, a imagem de São Sebastião talhado em madeira com traços de nativos missioneiros. Santo Padroeiro dos Militares, ancora segura no mar de aflição daqueles guerreiros que peleavam nos primórdios de Bagé. Alimento da alma daqueles que perdidos alcançavam a mão ao Santo para serem guiados para o Reino do Céu. No Oratório desta Guarda foi Batizada Anna Florisbela da Silva, em 27 de Setembro de 1806, filha do Alferes José Jacinto Pereira e de Genoveva Maria de Bittencourt. (Conforme as notas do grande Carlos Rheigantz - Título Jacinto, do Museu Dom Diogo de Souza)”. (...) “FONTE DE PESQUISA.  Anexos  ao Requerimento de Sesmaria de José Antônio Alves;
1 - Atestado do José de Saldanha -  ano 1795.
2 - Atestado de Patrício Corrêa da Camara - ano 1795.
3 - Contrato de venda de campo do Alferes Agostinho de Borba - ano 1797.
Assuntos Militares - Correspondências do Patrício Corrêa da Camara - Arqv.Histórico do R.G. do Sul.
TABORDA, Tarcisio Antônio da Costa - Igreja de São Sebastião de Bagé - p. 34 e 37, Notas 7 e 12.
SALIS, Eurico Jacinto Salis - História de Bagé - Editora Globo 1955.
NERCI, Nogueira - Nos Primórdios de Bagé - Anotações de Registros Históricos (1753-1870) - p. 40.
NERCI, Nogueira - Arquivo Pessoal”. Contatos: E-MAIL nercinogueira@gmail.com  e nercinogueira@hotmail.com “ .  http://nosprimordiosdebage.blogspot.com.br/2011/03/a-primeira-guarda-de-sao-sebastiao.html


BARBOSA, Fidélis Dalcin, em seu livro, sugeria a guarda de São Sebastião e o acampamento de Dom Diogo como lugares semelhantes ou convergentes, o que parecia um equívoco:

“Em 1815, o Bispo do Rio de Janeiro, D. José Caetano da Silva Coutinho autorizou a ereção de uma capela em louvor de São Sebastião, com imagem transferida do oratório da Guarda de São Sebastião e do acampamento fundado pelo comandante por D. Diogo de Sousa – sendo em 1818 elevada à condição de Capela Curada. [“Mappa Statístico da População da Província classificada por idades, sexos, estados e condições com o resumo total de livres libertos e escravos”. In: De Província de São Pedro a Estado do Rio Grande do Sul – Censos do RS, 1803-1850. Porto Alegre: Federação de Economia e Estatística, 1981, pp. 11-12; BARBOSA, Fidélis Dalcin. História Do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: EST, 1995, p. 164]”. ESTRUTURA DE POSSE ESCRAVA NA FRONTEIRA DE SÃO PEDRO (ALEGRETE E BAGÉ, PRIMEIRA METADE DO SÉCULO XIX). Luís Augusto E. Farinatti [Professor do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Maria. Doutor em História Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. lafarinatti@gmail.com ] & Marcelo Santos Matheus [Doutorando do Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro. msmportugues@hotmail.com ] . Texto apresentado no 7º Encontro Escravidão e Liberdade no Brasil Meridional, Curitiba (UFPR), de 13 a 16 de maio de 2015. Anais completos do evento disponíveis em http://www.escravidaoeliberdade.com.br/ .

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