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terça-feira, 13 de julho de 2010

HISTÓRIA DO GAÚCHO

 

Claudio Antunes Boucinha1

Introdução

Cerne Gaúcho

O designativo gaúcho era comum aos sul-rio-grandenses; generalizou-se e se arraigou, desde meados do século passado, a começar em Paris, pelo capitão inglês Hertz, que o lançou com esse conceito pela primeira vez. ( SALIS, 1959, p, 138).

Gaúcho.

Etimologicamente a palavra é desconhecida, surgindo na região platina (gaucho) e no Rio Grande do Sul (gaúcho) para designar o grupo de indivíduos gaudérios brancos, mestiços, índios e negros que primitivamente se reuniam nos acampamentos dos índios charruas e minuanos, marginalizados pela sociedade latifundiária e pecuarista. (Flores, 2001, p. 276).

Segundo Coni, o primeiro tipo surgiu em Santa Fé, em 1617, quando mozos perdidos, vestidos e agindo semelhante aos charruas, assaltavam as estâncias. (Flores, 2001, p. 276).

Em 1642, o cabildo de Buenos Aires registrou quatreros e vagabundos do campo que, à maneira dos moços santafesinos, roubavam o gado das estâncias. (Flores, 2001, pp. 276-277).

As cartas ânuas dos jesuítas registravam desde 1686 os termos vagos e vagabundos para designar os pilhadores das estâncias missioneiras. (Flores, 2001, p. 277).

Em 1700, esse tipo social aparece como changadores na Vacaria do Mar e, em 1705, como vagabundos e changadores perto de Montevidéu. (Flores, 2001, p. 277).

Em 1750, na Campanha rio-grandense, surgiram os termos gaudério e gaúcho , denominando os pilhadores. (Flores, 2001, p. 277).

Somente a partir de 1800, o termo gaúcho se generalizou pra designar o grupo social que perambulava pelos campos, sem registro em freguesia. Saint-Hilaire, em 1820, chamou de campeiro o que trabalhava nas estâncias e gaúcho o pilhador e ladrão que se engajava nos exércitos espanhol ou português apenas para saquear. (Flores, 2001, p. 277).

Nicolau Dreys, em 1839, caracterizou o gaúcho como pertencente a uma sociedade agine(sem mulher), formada originalmente do contato com a raça branca com a indígena, recrutando constantemente indivíduos com gosto pela vida fácil, sem ordem e sem destino. (Flores, 2001, p. 277).

Nos romances O Corsário, de Caldre Fião e O Vaqueano, de Apolinário Porto Alegre, o bom campeiro era chamado de monarca das coxilhas. (Flores, 2001, p. 277).

Oliveira Belo, no romance Farrapos, 1877, escreveu que o gaúcho era o mesmo monarca das coxilhas. (Flores, 2001, p. 277).

João Cezimbra Jacques definiu o gaúcho como uma classe de indivíduos nômades mestiços, especialmente com branco e índio, que outrora existiu valorosa, leal, hospitaleira e cheia de desprendimento até da própria vida, vivendo de estância em estância às lides pastoris e guerreiras e ao contrabando. (Flores, 2001, p. 277).

Depois passou a denominar-se gaúcho o habitante rural descendente desse tipo forte, destemido nas pelejas e nas ardorosas lides pastoris. (Flores, 2001, p. 277).

Literatos como Alcides Maya, Augusto Meyer, Simões Lopes Neto, Vargas Neto, Salis Goulart e poetas tradicionalistas deram continuidade ao mito do gaúcho. (Flores, 2001, p. 277).

Comentário.

Bagé está situada na Região da Campanha do Rio Grande do Sul, na fronteira entre o Brasil e o Uruguai, em que estão localizadas as nascentes do Rio Negro, um dos principais rios do Uruguai, embora essas nascentes não sejam mais que arroios, criando uma topografia sem grandes rios profundos, o que inviabilizaria o passo desses arroios existentes, daí o reconhecimento dessa parte da fronteira como um "caminho seco" entre o Uruguai e o Brasil, visto que o obstáculo de um rio intransitável não era conhecido, o que condicionava a possibilidade de ocorrências de invasões militares, de maneira estratégica, por esse caminho, fato que ficou constatado em vários episódios bélicos na história, tanto pelo lado dos portugueses, como pelo lado dos espanhóis.

As Impressões de Gastão de Orleans,

Conde D'Eu, em sua passagem pela região de Bagé,

em 15 de outubro de 1865.

15 de Outubro(I).

(I)1º aniversário do casamento do Conde D'Eu e a Princesa Isabel.

Na Segunda parte da marcha tornava-se o terreno mais acidentado.

Os pastos achavam-se em todo o esplendor da sua vegetação de primavera, e apresentavam admirável variedade de tons da sua verdura.

Passou-se, quase sem dar por isso, da bacia do Ibicuí para a do rio Negro ( a fronteira já aqui não é formada pelo divisor das águas), pois vamos pernoitar na margem esquerda do Pirahí, afluente do rio Negro, lindo rio que corre em leito de areia entre colinas de formas variadas e pequenos bosques, cuja cor verde brilha com deliciosa frescura(II).

(II) Na viagem de 1885, que foi feita de carro, foi, com o Estado Maior, demorado durante 36 horas pela enchente do riacho "Savaduí", pequeno afluente do Pirahí que não admitia vau.

Bagé: (Em 1883?) O Relato de João Cezimbra Jacques.

Comentário: Em relato possivelmente do ano de 1883, ou até antes de 1883,visto que Cezimbra Jacques esteve em Bagé, prestando serviço militar.

"Em 1882, depois de concluir o Curso Superior, foi transferido para o 5º Regimento de Cavalaria de Bagé. Dois anos após, (em 1884?), ele foi promovido a tenente e retorna a servir em São Borja".(TORRONTEGUY, 2000, p. 13).

"Com vista a adquirir habilitações para novas promoções, obtém permissão para cursar a Escola de Infantaria e Cavalaria em 1881, concluindo o curso no ano seguinte(1882?), retornando para a tropa classificado no 5º Regimento de Cavalaria de Bagé. Em 26 de agosto de 1884, é promovido a Tenente (1º Tenente), sendo classificado no 3º Regimento de Cavalaria em São Borja."(ARMANDO FILHO, 2000, p. 61).

"Neste mesmo ano (1882) é classificado para o 5º Regimento de Cavalaria de Bagé. Em 1884 é promovido a 2º Tenente e retorna ao 3º Regimento de Cavalaria na cidade de São Borja."(SOSA, 2000, p. 94).

"Em 1882 - Pela ordem do dia escolar de quinze de fevereiro consta Ter concluído o curso de Cavalaria e Infantaria, pelo que foi desligado da Escola Militar. Pela ordem do dia do Comando das Armas da mesma data foi mandado adir ao quinto Regimento de Cavalaria, a fim de ali, aguardar o resultado de uma petição que fez, solicitando permuta de corpo. (...). Por portaria do Ministério da Guerra de vinte e um de janeiro (de 1882) foi transferido para o quinto Regimento de Cavalaria por troca pelo que foi excluído do estado efetivo do quarto Regimento de Cavalaria. Em 1883. Matriculado na Escola Militar da Província do Rio Grande do Sul. Em 1884. Por decreto de vinte e seis de agosto foi promovido ao posto de tenente por estudos." (VELLOSO, 2000, pp. 128-129).

Bagé começou a formar-se ao entrar o século XIX. (JACQUES, 2000, p. 53).

Já muito antes de sua fundação, existiam moradores nas pontas do Rio Negro e no forte de Santa Tecla, feito pelos índios Tapes, de ordem dos jesuítas e mandado reconstruir pelo general Salcedo, quando pretendeu apoderar-se de Rio Pardo, os quais moradores do Rio Negro reunindo-se em Bagé construíram muitas casas e a igreja de São Sebastião. (JACQUES, 2000, p. 53).

Mais tarde foram também para ali alguns habitantes de Santa Tecla; de sorte que em 1812 já existia muita gente vivendo nesse lugar. (JACQUES, 2000, p. 53).

Acampando ali uma grande parte da força que compunha o exército do capitão-general D. Diogo de Souza começaram a aglomerar-se muitas famílias brasileiras; e assim foi que se formou uma freguesia e, como tal, foi reconhecida em 5 de janeiro de 1846. (JACQUES, 2000, p. 53).

Pela lei provincial nº 65 de 1846, recebeu Bagé o título de vila. (JACQUES, 2000, p. 53).

Depois destes acontecimentos continuando sempre a estacionar tropas nessa altura, foi a vila de Bagé assim alargando o seu comércio e ampliando a edificação; e em 15 de dezembro de 1859 alcançou as prerrogativas de cidade. (JACQUES, 2000, p. 53).

Bagé era uma das mais "simpáticas" cidades do Rio Grande do Sul, parecendo provir esse "atrativo sublime" da configuração de seu solo e naturalmente de serem os seus habitantes "muito hospitaleiros e afáveis". (JACQUES, 2000, p. 54).

Estava situada ao norte do Rio Negro, próxima ao Rio Negro, sobre o ribeiro Rio Negro, e abas de três cerros "gigantescos" que de muito longe se avistavam os seus cumes azulados, cumes que pareciam confundir-se "com o azul do céu". (JACQUES, 2000, p. 54).

Do lado oposto a estes cerros via-se desdobrarem-se as superfícies verdes das "campinas", elevando-se e abaixando-se desordenadamente, como se fosse "imenso véu daquela cor" desenrolando-se à mercê da brisa.( JACQUES, 2000, p. 54).

Deve ser observado que Cezimbra Jacques anotou o nome Rio Negro para o arroio que estava muito próximo da localização da cidade de Bagé. Tratava-se de uma anotação bastante original sobre o nome do arroio que, em várias obras literárias, chamava-se arroio Bagé.

O Gaúcho

Para fazer uma perfeita idéia do gaúcho desde o seu estado mais rudimentar, é preciso ver primeiramente o que dizia Dreys a respeito do gaúcho:

"Do homem da natureza ao gaúcho, a transição é fácil e somos(Nicolau Dreys) levados a dar aqui um esclarecimento sobre essa singular associação cujos membros são designados no sul por essa denominação, a qual todavia perdeu na sua aplicação alguma coisa do significado desfavorável que lhe era primitivamente inerente. "(DREYS, 1927, p. 180. Citado por JACQUES, 2000, p. 71).

"Os gaúchos nômades habituados nas margens do Rio da Prata, principalmente das campinas ao norte de Montevidéu, estendem-se igualmente em todo o território banhado pelo Paraguai, Paraná e Uruguai até o oceano, em todas as partes onde há estâncias ou Charquedas, em que servem de peões." (DREYS, 1927, p. 180. Citado por JACQUES, 2000, p. 71).

"Os gaúchos parecem pertencer a uma sociedade agine, como dizia Algarotti2, como viviam em seu tempo os Tártaros zaporajos3; pelo menos os gaúchos aparecem geralmente sem mulheres, manifestando mesmo pouca atração para elas, felizmente para os seus vizinhos, a quem sua multiplicação acompanhada de desejos tumultuosos, poderia causar desassossego; formados originalmente do contato da raça branca com os indígenas, eles se recrutam incessantemente dos mesmos produtos, e ainda de todos os indivíduos que nessa imediação nascem, sem ordem e sem destino, como o gosto tão geral de uma vida fácil e de perfeita liberdade." (DREYS, 1927, pp. 180-181. Citado por JACQUES, 2000, p. 71).

Comentário:

O termo agine talvez não seja apropriado para o gaúcho, visto que, embora certas atividades ou operações fossem de caráter exclusivamente masculino, não quer dizer que todas as atividades ou operações do gaúcho contassem com a ausência de mulheres. Seria preciso fazer um estudo antropológico sobre a mulher e o gaúcho, especialmente a mulher de origem índia.

"Sem chefes, sem leis, sem polícia, os gaúchos não têm da moral social senão as idéias vulgares e sobretudo uma espécie de probidade que os leva a respeitar a propriedade de quem lhes faz benefícios ou de quem os emprega, ou neles deposita confiança: entregues ao jogo com furor, esse vício, que parecem praticar como um meio de encherem o vácuo de seus dias, é a fonte dos roubos e às vezes das mortes que cometem. "( DREYS, 1927, p. 181. Citado por JACQUES, 2000, p. 72).

Comentário:

Considerando os avanços da ciência antropológica, afirmar que não há poder, leis, coerção, moral ou ética em qualquer sociedade, não passa de indicativo de falta de pesquisa sobre aquela sociedade.

Comentário:

A ausência de uma atividade rotineira, metódica, controlada pelo relógio, tipo trabalho em série, padronizada, não significa que não havia trabalho naquele tipo de sociedade em que vivia o gaúcho. A safra, a sazonalidade, certamente era parte da realidade da produção local, especialmente se considerada a charqueada como agroindústria mais importante daquela época. Considerando, do ponto de vista antropológico, a etnia dos índios, é bem provável que este "vácuo de seus dias" ficassem bem melhor explicado, visto que os índios possuíam uma visão de mundo bem diferente dos europeus, no que se refere ao uso do tempo.

“Joga o gaúcho tudo que possui, dinheiro, cavalo, armas, vestidos, e sai às vezes do jogo inteiramente ou quase nu; nessa posição é que o gaúcho se torna temível, pois que, perdendo tudo o que tem, não perde o desejo de desafiar outra vez a fortuna, nem a esperança de achá-la menos cruel; e por mais temível que ele se torne nesse estado, não de desesperação, mas de profunda mágoa, os movimentos interiores do gaúcho escapam aos olhos do observador; nunca se altera nele aquela superfície da impassibilidade que fez a parte mais saliente de seu caráter; ele diverte-se, sofre, mata e morre com o mesmo sangue frio”. ( DREYS, 1927, p. 181. Citado por JACQUES, 2000, p. 72).

Comentário:

Existia uma tentativa particular de Dreys em especificar o caráter do gaúcho, sua conduta perante a vida. O problema dessa tentativa de Dreys está no fato de querer generalizar tal comportamento para todos os gaúchos. A psicologia do gaúcho precisaria de maiores elementos, para estabelecer um comportamento padrão.

"Geralmente jogar as cartas e fumar o cigarro são os gostos dominantes do gaúcho; para jogar, no primeiro lugar onde se senta, mesmo no meio do campo, o gaúcho estende no chão o seu chiripá, o qual serve para receber as cartas, enquanto que a faca resta fincada em terra no lado direito de cada um dos concorrentes ou debaixo da coxa direita, para estarem prontos a qualquer acontecimento ou dúvida que possa ocorrer”. (DREYS, 1927, pp. 181-182. Citado por JACQUES, 2000, p. 72).

Comentário: A presença da faca, por ocasião do jogo, demonstrava, mais uma vez, que a cultura da faca estava sempre presente na vida do gaúcho, mesmo num momento de uma atividade lúdica.

Independente das cartas joga o gaúcho o tejo e a tava. (JACQUES, 2000, p. 72).

O tejo era jogado com moedas de cobre que atiravam sobre as costas de uma faca para esse fim fincada no solo dentro de um pequeno quadro; se acertava na faca o cobre e dentro do quadro, fazia-se um ponto; mas do contrário perdia o que atirava, e passava a atirar o adversário. (JACQUES, 2000, p. 72).

Quanto à tava, era jogada com um ossinho de perna de boi ou cavalo, o qual atiravam; se caía com a concavidade para baixo, perdia o que atirou e passava para o outro, que, se atirando, caía a concavidade do osso em sentido inverso, ganhava a partida. (JACQUES, 2000, p. 72).

No caso de ganhar dizem - suerte, e no caso contrário, culo.

Comentário:

Observando-se o vocabulário do jogo de tava, qual a origem das palavras suerte e culo, senão de origem espanhola ou derivada da língua espanhola? É impossível não fazer vínculos entre o gaúcho presente no Rio Grande do Sul e o gaúcho que vivia no Uruguai ou pelo menos na fronteira entre o Rio Grande do Sul e o Uruguai antigo.

"As armas do gaúcho são as que usam no Rio Grande: a faca, a espada, a pistola, quando a pode comprar e, sobretudo, o laço e as 'bolas'; estas duas últimas armas são às vezes as únicas que tem, e nunca o gaúcho é visto sem elas: verdade que é exímio em manejá-las; com elas assenhoreia-se do jaguar, da onça, do boi, do cavalo, da avestruz e vimos no Camaquã um rapaz matar, com as 'bolas', um abutre voando."(DREYS, 1927, 182. Citado por JACQUES, 2000, p. 72).

Comentário:

Considerando-se as 'bolas', como uma das armas, isto é, as 'boleadeiras', como são mais conhecidas, instrumento de origem indiática, torna-se evidente a presença da cultura dos índios locais na cultura gaúcha, para não dizer dos vínculos bastante próximos entre a cultura dos índios locais e a cultura do gaúcho. Dreys resgatou um exemplo de uso de 'bolas' por um 'rapaz', no rio Camaquã, ou seja, num local mais ou menos próximo da região de Bagé. Chama a atenção o fato de Dreys não identificar o 'rapaz' como um gaúcho, reiterando apenas a faixa etária de quem usou as 'bolas'.

"O gaúcho é ótimo cavaleiro: identificado aparentemente com o cavalo, nasce, vive e morre com ele; nunca o gaúcho recusou a montar qualquer cavalo, e nunca se importou com seus vícios ou suas qualidades."(DREYS, 1927, p. 182. Citado por JACQUES, 2000, p. 72).

Comentário: A afirmação de que o gaúcho era um 'ótimo cavaleiro', também serviria para designar o índio local, demonstrando, novamente, os vínculos culturais entre a cultura dos índios e a cultura dos gaúchos.

"Nas planícies imensas em que vagueia, quando o seu cavalo está estafado, ele o larga onde se acha e transporta seu grosseiro arnês para o primeiro que se apresenta e que o seu laço lhe submete; sobre o cavalo o gaúcho adota todas as posições e toma indiferentemente a que sua comodidade ou interesse de momento lhe sugerem; estando de vigia, deita-se à vezes sobre o flanco do cavalo que se acha encoberto do inimigo, de modo que, nessas campinas povoadas de animais selvagens, a vista não pode discernir, a curta distância, se o cavalo está pastando solto ou se o homem o acompanha; por isso é que na guerra contra Artigas todos os oficiais traziam geralmente a tiracolo óculos de alcance."(DREYS, 1927, pp. 182-183. Citado por JACQUES, 2000, pp. 72-73).

Comentário:

Essa 'criatividade' do gaúcho, com relação a seu modo de montar o cavalo, essa capacidade de 'invenção', demonstra, de novo, os vínculos da cultura gaúcha com a cultura do índio local, visto que o índio adaptou o uso do cavalo aos seus interesses, não necessariamente os mesmos de uma cultura européia.

"O gaúcho faz as mesmas evoluções no combate e procura sempre opor o cavalo à bala esperada; pouco lhe importa perdê-lo, pois tem sempre outros cavalos prontos para o suprir; em tudo o gaúcho brinca com o cavalo e parece desafiá-lo: em seus exercícios fá-lo pular de barranco em barranco, por cima de algumas dessas fendas profundas que não são raras no país; às vezes o cavalo cai no precipício e morre; mas o cavaleiro, erguido sobre os estribos, acha-se sempre pronto para aproveitar o derradeiro ponto de apoio, deixar a sela e lançar-se do outro lado”. 4

"Nas guerras precedentes, os gaúchos não combatiam em linha; a natureza de suas armas e seus costumes poucas facilidades lhes proporcionavam para isso: na presença do inimigo espalhavam-se em diferentes direções, sempre galopando, aproximando-se e afastando-se alternativamente com a mesma velocidade, evitando habilmente os golpes do adversário e hostilizando-o continuamente, ora com as armas de fogo, que correndo sabem carregar, ora com o laço e as 'bolas'”. 5

Comentário:

A estratégia de combate dos gaúchos, de novo, demonstra pouca relação com a estratégia militar tipicamente européia, isto é, em linha. Como não compreender essa estratégia de combate dos gaúchos como também um vínculo com a cultura dos índios locais?

"Dizem que recentemente apareceram com prática de evoluções mais regulares." 6

Comentário:

Essas 'práticas regulares' de evolução militar, por parte dos gaúchos, mais 'recentes', precisariam ser melhor definidas, tanto no que se refere ao 'regular', tanto no que se refere ao 'recente. Por 'regulares', pode-se compreender o estilo europeu de combate, em linha, o que poderia demonstrar uma reeducação militar do gaúcho, agora mais afeito e mais adaptado à cultura européia e não tanto à cultura do índio local. Por mais 'recente', deve ser considerado, em primeiro lugar, o ano de publicação da obra de Dreys, em 1839, no Rio de Janeiro, pela Typographia Imperial e Constitucional de J. Villeneuve & C. 7 Em segundo lugar, deve ser considerado que a Notícia Descriptiva da Província do Rio Grande de São Pedro do Sul, escrita por Nicolau Dreys, foi "resultado de vinte anos de estudo e observações sobre os lugares em que viveu"8. "Nicolau Dreys chegou à província (do Rio Grande de São Pedro do Sul) em 1817, por ocasião da guerra de Artigas, vendo-se, logo envolvido nas operações militares. Depois, levado por especulações comerciais e às vezes por amor à caça, percorreu grande parte da Fronteira, do centro e do território das missões, tendo residido alguns anos na cidade do Rio Grande. Escreveu, portanto, como testemunha de vista e as suas descrições são cheias de vida e de verdade."9 Os 'vinte anos' possivelmente passados na Província do Rio Grande de São Pedro do Sul, de 1817 até 1839, exatamente seriam 22 anos, sem considerar o tempo de preparação da edição de 1839, da obra de Dreys, no Rio de janeiro. Ou seja, numa conclusão preliminar, o 'recente" da obra de Dreys seria numa conjuntura de 22 anos, de 1817 até 1839. Não era casual essa mudança militar na estratégia dos gaúchos, visto que a maior parte dos índios, nessa conjuntura de 1817-1839, já haviam praticamente desaparecido do território gaúcho.

“A faca era arma particularmente usada nas questões que sobrevêm entre eles; tem uma sorte de duelo em que a faca não deve empregar-se senão cortando, e nesse caso, dirigem reciprocamente os golpes à cara; o ponto de honra exige que o inimigo fique marcado ostensivelmente, mas não ordena de o matar; às vezes, volvem em jogo esse costume bárbaro”. 10

Nesse caso, dizem eles indiferentemente em português ou espanhol: "ao primeiro sangue" ou "al primer sangre", jogo um patacão com quem cortar primeiro o nariz ou rosto um do outro. 11

Comentário:

O fato de usar dois idiomas poderia configurar uma cultura de fronteira, em que a aculturação acontece de lado a lado; também poderia configurar uma cultura única, a cultura do gaúcho, mistura de português e de espanhol; no entanto, considerando apenas o idioma, perde-se da análise a ontologia do gaúcho, a totalidade do gaúcho, em que a cultura do índio também era uma das partes constitutivas de uma análise séria.

Certo de seus mantimentos, em quanto o laço não lhe faltar, e não tendo vestido senão o estrito necessário, isto é, o chiripá, pedaço de baeta12 amarrado em redor do corpo, da cintura para baixo13; e por cima do chiripá, o cingidor14, espécie de avental de couro cru, destinado a receber a fricção do laço, quando o animal faz força sobre ele; uma camisa, se a tem; uma jaqueta15 sem mangas, um par de ceroulas com franjas compridas nas extremidades inferiores; às vezes um par de calças por cima; um lenço, quase sempre, amarrado na cabeça; um chapéu16 roto; raras vezes um ponxe17 completo, e em lugar deste, um pedaço de baeta vermelha: o gaúcho parece apreciar o dinheiro menos para suprir suas precisões, que são poucas, do que para satisfazer suas paixões ou alguns gostos instantâneos: ele quer dinheiro principalmente para jogar ou para adquirir a posse de qualquer brinquedo que, como nas crianças, excitou sua cobiça passageira; por isso pouco trabalha o gaúcho enquanto tem dinheiro; o tempo passa-se em jogar, tocar ou escutar uma guitarra nalguma pulperia18, e as vezes, porém, com raridade, dançar19 uma espécie de chula grave, que vimos praticar por alguns deles. 20

Comentário:

Um primeiro destaque, o lenço na cabeça, lembra o costume índio de usar enfeite na cabeça, seja uma pena, seja um laço ou tiara de algodão. Um segundo destaque, o pouco gosto pelo dinheiro, sugerido por Dreys, não concilia com uma atitude de contrabandista ou changador, atividades típicas do gaúcho. O terceiro destaque, de que o gaúcho pouco trabalha, acaba por sugerir que o gaúcho não trabalho ou que suas atividades não são economicamente significativas, o que reforçaria a idéia de uma economia marginal, secundária, subsidiária, dependente de uma economia mais organizada. O que desconsideraria, novamente, o valor produzido pelo gaúcho, em um campo econômico completamente tomado pela figura do gaúcho.

Quanto ao mais, pouca propensão parecem ter para os licores espirituosos, e a embriaguez é causa21 quase nunca aparecida22 entre esses homens cujas disposições taciturnas e apáticas pouco se conciliam com a loquacidade e movimentos desordenados da bebedice23. (DREYS, 1927, p. 185; JACQUES, 2000, p. 73).

O arnês do gaúcho é ordinariamente obra de suas mãos, e já demos algumas informações sobre seu modo de proceder24, cortando uma tira de um25 couro seco26, e puxando-a27 repetidas vezes pela apertadas aberturas de um pedaço de pau fendido2829, até conseguir, por esse meio e com bastante paciência, amolecer o couro e torna-lo flexível e próprio30 para servir aos mesmos usos que qualquer couro surrado. 31

O freio é feito de pau duro, ordinariamente de nhanduai32, embutido em cada uma de suas pontas um pedaço de chifre cortado segundo o seu comprimento: a rédea está presa na extremidade inferior daquele pedaço de chifre. 33

O barbicacho é uma guasca, é às vezes uma argola de ferro, quando se encontra.

Os estribos são formados de um rolinho de pau suspenso horizontalmente por duas guascas, de modo a descrever um triângulo em que entra somente o dedo grosso do pé.

As esporas do gaúcho tem uma roseta, de mais de mais de uma polegada de diâmetro.

Suas botas são, de ordinário, fabricadas da pele crua tirada inteira da perna de um cavalo ou de um boi, secada depois sobre uma forma grosseira e amarrada fortemente na extremidade inferior para formar a ponta do pé.

Todos os exercícios de manejo e de picaria dos mestres de equitação da Europa são familiares ao gaúcho, e alguns dos exercícios mais difíceis são mesmo entre eles divertimentos de crianças; um gaúcho nunca desce de cavalo34 para apanhar suas armas ou qualquer objeto que deixou cair; por um movimento rápido, ele se debruça do cavalo35 até a mão chegar ao chão, sem por isso retardar o andar do cavalo, seja qual for a velocidade de seu passo.

Em suma, o gaúcho a cavalo é homem superior, e essa superioridade ele a sabe avaliar; porém sua força é emprestada e procede toda do quadrupede a que vai associado.

O gaúcho a pé é homem ordinário36: em todas as categorias, a superioridade que se lhe reconhece é relativa; e, se ele sabe se aproveitar dela em certas ocasiões, e contra a quem outros hábitos recusam o mesmo préstimo, é verdade consagrada pela experiência, e vigente na sua própria convicção, que, em relação à dexteridade37, à força física, à impetuosidade e mesmo à constância, dificilmente pode competir com os filhos da população regular, cuja educação é a mesma e produz os mesmos resultados com a perfeição que procuram os cálculos do intelecto e o sentimento de uma excelência nata. 38

Cochilha Grande

A ramificação, que agora mencionamos pelo nome de Serra de São Martinho, prolongava-se ao sul por um terreno alto, denominado no país:

Cochilha Grande ou Albardão Grande, assaz desigual na sua elevação, e no qual se notam alguns picos dominando, de distância em distância, a convexidade horizontal; entre essas proeminências mais notáveis, sobressaem principalmente o Serro Largo, confinando com os limites da Provincia ao Sul; Pirajassé, perto das cabeceiras do Rio negro; o Aceguá, entre as fontes do Jaguarão e as do Arepey; e o Morro de Santa Maria, ponto de junção da Serra Geral com a Cochilha Grande. 39

A Cochilha Grande, principiando, como agora o dizemos, junto à Serra Geral, atravessava quase toda a provincia do Rio Grande, Norte ao Sul, dividindo as mais águas do Uruguai das do Rio Grande, e vai acabar na margem setentrional do Rio da Prata, onde o Pão d'Assucar de Montevidéu parece formar seu limite extremo.

Na extensão de sua passagem pelo meio da provincia, a Cochilha lança alguns braços a Este, como as Serras do Herval, do Jaguarão, e de Piratinim, que alimentam os rios do mesmo nome; a Serra de Bibaraquá, que reparte suas águasão Gonçalo e o Camaquam; e as Serra dos Tapes, que corre quase paralelamente à Cochilha, sobre o terreno que medeia entre ela e a Lagoa dos Pator, e cujas divergências a Este dividem as águas do Camaquam das do Jacuy.

Rio Camaquam

Rio Camaquam tem sua origem na Cochilha Grande, e corre perpendicularmente ela, e à Lagoa dos Patos, onde vai desaguar, depois de um curso, mais ou menos, de 30 léguas; banhava, como o Jacuy, um largo vale formado ao Norte pela Cochilha Babiraquá e a Serra do Herval, ao Sul pela Cochilha Piratinim e a Serra dos Tapes; engrossava-se de numerosos afluentes que descem desses terrenos montuosos. Suas margens oferecem o esplendor da alta e frondosa vegetação dos climas quentes, e sua embocadura, na lagoa, se acha encoberta entre os matos que se estendem sobre a costa da mesma: até o ano de 1824, o ponto de reconhecimento da entrada do rio, na lagoa, era indicado ao navegante por uma enorme figueira, cujas ramagens se estendiam no horizonte acima de todas as arvores da vizinhança. Seria pena que o tempo ou a incuria não respeitasse essa campestre atalaya. 40

O Rio Camaquam é, depois do jacuy, o maior tributário da Lagoa dos Patos; sua navegação é servida por iates; porém, não se estende a grande distância pelo interior, não havendo mesmo para isso maior necessidade; pois que os estabelecimentos de produtos, tais como plantações, Charqueadas, e fábricas de erva mate, se acham por ora quase todos reunidos na circunvizinhança da embocadura.

O Jaguarão lança suas águas quase no meio da lagoa; ele está assinalado ao navegante por duas ilhotas monturosas, que se acham ao Norte. I/4 Norte. Este de sua embocadura, e por um montículo aderente ao continente do mesmo lado.

As embarcações do país sobem sem obstáculos até a vila do Serrito, edificada a seis léguas, mais ou menos, da entrada sobre uma eminência, na margem esquerda do rio.O Jaguarão formava o limite das possessões brasileiras deste lado; margem direita pertence já à República Oriental. 41

Geografia:

Na monografia das montanhas das montanhas fizemos ver quão fortemente delineadas estão as modificações da configuração geográfica do pais; sabemos já que, partindo da linha descrita de E. a O. pela volta da Serra Geral, todo o terreno ao S. apresenta-se como um plano inferior, composto de uma vasta extensão de planícies, alteadas somente no centro pelas eminências da Cochilha Grande, e de distância em distância por algumas convergências montuosas; agora cumpre notar que, do mesmo limite a N., existe uma Segunda ordem de planícies, talvez menos extensas, mas certamente mais notáveis por sua situação e distribuição.42

As terras argilosas, que da margem ocidental das lagoas se desenrolam a O. adiantam-se um pouco a E, no fim, e nos intervalos das lagoas, para unirem-se com a região das áreas, junção esta que se opera mais ou menos na direção do grande eixo das mesmas lagoas. 43

A diferença do solo se faz tão sensível pelas grandes ondulações do terreno, e sua cor avermelhada, como pela riqueza e variedade da alcatifa vegetal de que está revestida.

As grandes florestas, que se estendem no pais desde a Serra Geral até o paralelo do Camaquam, principiam a se rarefazer ao S. deste rio, achando-se o terreno entre ele e o Piratinim ainda coberto de alguns matos porém menos freqüentes, menos extensos, e já despidos daquele vigor pouco a pouco perdendo de seu interesse, e não se encontram já senão campinas ilimitadas, distribuídas em zonas mais ou menos abertas, por alguns capões, únicos matos que então aparecem, e para os quais o viajante dirige sua marcha no meio desse Saara americano. 44

Falamos do frio do Rio Grande; e com efeito, em certas ocasiões, no inverno, isto e, desde maio até outubro, bem que, as vezes, o termômetro de Reaumer desça apenas a zero, não há criatura humana que não estranhe o frio mais intenso das regiões européias.

É custoso, nesse tempo, viajar pelos campos do Rio- Grande, não tanto ainda pelo rigor da estação, como pelo fedor insuportável que exalam de todas as partes os cadáveres dos animais cavalares, que morreram a miúdo nos pastos ressequidos, donde se segue necessariamente, como sempre se tem praticado, a suspensão das operações militares, durante aquele intervalo de penúria.

Todas as vezes que, no inverno, o vento se declara da parte do S., o frio e sensível; mais pungente e ele pelo S.O (pampeiro), e ainda mais pelo Minuano, que e O. direto: em quanto sopra este ultimo, o céu fica limpo, o sol claro, mas a atmosfera e picante, como no Norte da Europa um dia de belo gelo; e também, nessas circunstâncias, chegada a noite, o gelo prende o pouco de água estagnante nos campos, e muitas antes de aparecer o sol, havemos sentindo o gelo se quebrar debaixo dos pés de nossos cavalos.45

Ornitologia

Independente dessas espécies cosmopolitas, inumeráveis bandos de pássaros sedentários recolhem-se perto e dentro das Charqueadas, e aparecem nelas como outros tantos agregados, que vivem de seus serviços.

Lá nascem, lá crescem e multiplicam; não diremos que lá morrem, pois que, naquelas miríades de aves, nunca aparece um morto: circunstância tanto mais admirável por isso que, supondo igual multidão de homens reunidos no mesmo lugar, a morte, cada dia, juncaria a terra de suas vítimas.

Tão acostumadas estão esses pássaros com a presença inofensiva do homem que nos campos em que vagueiam, o viajante passa no meio deles sem os afugentar, e mal se afastam dos passos do cavalo que, ás vezes eles perseguem com seus gritos importunos, e hostilizam com suas bicadas.

Com tudo, as aves são hospedes bem quistos das Charqueadas; o maior desgosto que se pode causar a um charqueador e matar uma delas, o que as vezes acontece aos estrangeiros inadvertido; e, com efeito, as Charqueadas devem as aves a maior parte de sua santidade; todos os dias o trabalho dos homens; eles devoram os resíduos das carnes que, sem eles se transformam em focos de putrefação; limpam os ossos e preparam o esqueleto com toda a nitidez do mais curioso anatomista, em quanto que os entomófagos limpam o solo dos vermes que se geram da mistura do sangue e das partes moles inutilizadas.

No inverno, quando nas Charqueadas cessa o trabalho, os animais que morrem nos campos por falta de alimentos, e sua salutar intervenção consegue também aniquilar esses elementos de peste, com mais lentidão, e verdade, atenta a massa enorme de carnes entregue á sua voracidade, mas sempre com bastante rapidez, para que não se sintam os males que semelhante mortandade podia causar ao pais. 46

Zoologia

Supérfluo seria demorarmo-nos na descrição das inumeráveis manadas, cujas gerações se sucedem e progridem na província de S. Pedro do Sul; o leitor, instruído pelos antecedentes, já tem feito idéia de uma vasta pastagem povoada de animais submetidos a excisões periódicas; eis o Rio- Grande.

A natureza lá está na plenitude de suas operações, produzindo e reparando incessantemente, á medida que o homem se esmera em consumir; felizmente, seus benefícios excedem ás crueldades não se praticam unicamente pela raça humana; o homem tem ali, em sua missão de destruição, um concorrente que as vezes, indiferente na escolha das vítimas faz recair sobre o mesmo homem o terrível abuso da força: é o tigre.

Os tigres são numerosos no Rio-Grande, como em todas as vastas planícies da margem setentrional do Rio da Prata, eles tem deixado, e verdade, as imediações das vilas; á medida que a população se adianta, eles recuam, como as tribos selvagens, dos indígenas; eles assim como estas, não cedem o terreno, senão passo a passo; rodeiam escondidos as habitações dos homens, e lançam-se, ás vezes, inopinadamente no meio deles, para surpreender e agarrar a presa.

Os matos e as altas macegas do Rio de S. Gonçalo, na sua parte mais meridional, encerram ainda numerosas famílias de tigres; muitas vezes, navegando por este rio, e parando a embarcação, como acontece quase sempre horas da noite, os estrondosos ruídos dessas feras corresponderem-se de um a outro lado do rio; porém, parecem ainda multiplicados nas planícies que se estendem do Jaguarão até Montevidéu; nesses desertos, temos achado mesmo alguns currais de paus á pique, edificados de propósito pela providência publica para o viajante poder-se fechar de noite, afim de se resguardar com sua comitiva da voracidade do tigre, o que não livra todavia do incômodo de ser visitado no escuro pelos mesmos tigres, que levam dos páos para agarrarem o que puderem.

Dizem que o fogo afugenta o tigre, não duvidamos que cause o mesmo que outros animais, uma primeira impressão de pavor; mas, se a ferida ou a morte não seguem imediatamente o terror, o efeito e logo perdido, e o tigre, desassombrado, prossegue nos seus ataques; tivemos o exemplo de um espanhol, a quem o fogo não livrou do tigre, dormindo no meio dos camaradas, em torno de uma fogueira bastante ativa, assim mesmo foi acometido por um tigre que não chegou a mata-lo, mas arranhou-lhe horrivelmente a cabeça toda, desde o coronal até o pericrânio.

É opinião constante entre os viajantes, que o tigre observa uma constante entre os viajantes , que o tigre observa uma certa graduação no impeto de seus apetites cruéis; dizem que, achando facilidade relativa, o tigre atirar-se a primeiro ao bruto, depois ao negro, e por último ao branco; se há muitas experiências, em que se fundamente semelhante distribuição, não sabemos; mas o que podemos afirmar e, que em nossas repetidas viagens através daqueles campos, era custoso determinar um negro a ir só cortar lenha no capão vizinho, alegando sempre aquela funesta preferência para ser acompanhado.

Geralmente, o tigre não é tão temível como se pensa; acontece com ele o mesmo que se nota no lobo na Europa: seu primeiro movimento é fugir da presença do homem, como o temos visto, exceto quando está apertado pela fome; pois, a fome, com as suas irresistíveis exigências, é um sentimento que predomina em todos os entes; também os homens do pais estabelecem, acerca desta condição, uma certa classificação daqueles horrendos carnívoros: um tigre sovado, segundo eles dizem, inspira receios maiores que as outras feras da mesma espécie, e eles entendem, por tigre sovado, um tigre envilecido na carnagem, já com poucas forças para segurar a sua vontade a ligeira presa dos campos, e por conseqüência esfaimado: um tigre neste estado nã luta a força aberta, ele não confia senão na casualidade e traição; esconde-se para se lançar de improviso sobre a presa, quando lhe parece que nada tem que recear da defesa.

Parece mesmo que o tigre, em presença do perigo inevitável, perde sua ferocidade natural, e não se lembra mais de sua força e de suas armas. Um destacamento de dragões voluntários, regressando das margens do Uruguai para o centro da província, passava pelas imediações de Bagé, nas fontes do Rio negro; ali os dragões fizeram alto, e espalharam-se em procura de caça; foram-lhe sucessivamente aparecendo bastante tigres, e ficaram estes tão espantados, procurando só fugir, que os soldados desdenharam fazer uso de suas armas, e atacaram as feras só a laço, a maior dificuldade foi de conter os movimentos do cavalo, sempre desordenados ao primeiro aspecto do tigre; todavia, neste dia se apanharam quatorze; nessa circunstância comemo-lhes a carne, e não lhe achamos muita diferença da de vitela.

Existem no pais caçadores especiais de tigres, que não tem outra profissão; conhecemos dous caçadores desses , moradores dos matos que bordão o São Gonçalo; muita vezes obrigaram a fornecer-nos 50 peles de tigres por mês, e sempre cumpriram com o trato.47

Os charruas que ocupavam o Sul da Província desde a vizinhança da Lagoa Mirim até o Rio da Prata; os Minuano, em cujo poder estava o terreno de O. até as margens do Uruguai, acabarão nas fileiras de Artigas, em favor do qual tinham pegado em armas; os diminutos restos daquelas duas nações passarão o Uruguai e se estabelecerão no pais de Entre-Rios; todavia, alguns indivíduos talvez ficassem nos domínios de seus antepassados, incorporados com a população local.48

Bagé Serrito

Além da Cochilha Grande, da parte de O., a província compreende ainda a povoação de Bagé quase limitrofe á linha divisória, entre os nascentes do Ibicuy-Guazú, do Rio-Negro e do Jaguarão; mais abaixo desse ultimo rio, isto é, a 6 léguas mais ou menos de sua embocadura, na lagoa Mirim, ergue-se a freguesia do Espirito Santo do Serrito, no cume de uma eminência cujo declivo continua com suavidade até as águas do rio.

Ambos os lugares pouco tem de notável, fora da circunstância de sua posição na extrema fronteira que confina com os estados independentes do Sul América; a povoação do Serrito, a saber: a parte superior que encerra os quartéis, os armazéns e a casa do comandante, está fechada com estacas que podem servir para preserva-la das correrias de patrulhas inimigas. 49

A Campanha.

Ao sul do Estado do Rio Grande do Sul, desenvolveu-se a - Campanha -, região de terras baixas, suavemente onduladas de coxilhas e constituindo a transição para a planície platina ou pampa. Suas maiores cotas de altitude acusavam 390 metros em Arroio Grande; 420 metros em Pinheiro Machado; 214 metros em Bagé; 300 metros em Lavras; 140 metros em Dom Pedrito; 204 metros em Livramento; 100 metros em Quaraí. (LIMA, 1939, p. 26).

A Campanha.

A Campanha ocupava o sudoeste do Estado. Era uma vasta região ondulada ou plana, interrompida por coxilhas e serras. Atravessada pela Coxilha Grande, apresentava elevações variáveis entre 100 e 400 metros, seria portanto, em geral, mais alta que o centro do Estado. A leste era mais acidentada que a oeste. Predominavam os campos extensos, as imensas pastagens. ( SCHMITT, 1945, p. 36).

Altitude.

No Quadro "Alturas comparadas de diversas localidades do Estado", Bagé constava com uma altura de 209 metros. ( LIMA, 1939, p. 39). Bagé está situada ao pé dos Cerros de Bagé, a uma altitude de 207, 50 m acima do nível do mar. (MONTE DOMECQ', 1916, p. 585). Outra indicação afirmava altitude 223 metros acima do nível do mar, para Bagé. (IBGE, 1959, p. 47). Bagé estaria 214 metros acima do nível do mar. ( GUIAS ILUSTRADOS, 1937). Bagé, cidade tipicamente gaúcha, ficava situada a 214 metros de altitude. ( SALIS, 1955, p. 325). Bagé tinha uma altitude de 216 metros. ( IBGE, 1960).

Distâncias.

Posição relativa à Capital do Estado: rumo - W.S.W.; distância em linha reta - 316 km. (IBGE, 1959, p. 51). A sede do Município de Bagé distava da capital do Estado do Rio Grande do Sul, 645 km. (GUIA BEMPORAT, 1906, p. 43). Distava Bagé da cidade de Pelotas, 222 km. (GUIA BEMPORAT, 1906, p. 43). Distava Bagé da cidade de Rio Grande, 281 km. (GUIA BEMPORAT, 1906, p. 43).

Estradas de Ferro.

As estradas de ferro que cortam o Município eram: a do Rio Grande a Bagé e a que segue desta cidade a entroncar no Cacequy com a que segue de Porto Alegre a Uruguayana. (GUIA BEMPORAT, 1906, p. 43).

Viação.

As vias ordinárias eram: estrada do Viola, do Valente, do Mingote Marques, que vão até o Estado Oriental do Uruguay; a das Palmas, do Rio Negro, do Quebracho Grande, de Santa Tecla, de São Gabriel, de D. Pedrito a Livramento e a de Lavras. (GUIA BEMPORAT, 1906, p. 43).

Coordenadas Geográficas Com relação ao Rio de Janeiro.

As coordenadas geográficas de Bagé eram as seguintes: Longitude O. do Observatório do Rio de Janeiro 11° 2' 21" ; Latitude S. 31° 20' 50". (MONTE DOMECQ', 1916, P. 385). Outra informação declarava as seguintes coordenadas geográficas para Bagé: Aos 31° 21' de lat. S. e aos 11° 2' 21" de long. O. do Rio de Janeiro. (FARIA, 1907, p. 12).

Coordenadas Geográficas Com Relação a Gr.

Coordenadas geográficas da sede municipal: 31° 20' 13" de latitude Sul e 54° 06' 37" de longitude W. Gr. ( IBGE, 1959, p. 51).

Terreno.

O terreno era levemente ondulado e formava belas e férteis várzeas; a parte norte era muito mais acidentada. (MONTE DOMECQ', 1916, P. 385). Os terrenos eram constituídos de largos campos, de fraca ondulação. (COSTA, 1922, p. 491). O aspecto do município era mais ou menos ondulado. (GUIA BEMPORAT, 1906, p. 11). O Município de Bagé era essencialmente pastoril, e os seus campos eram de primeira ordem, prestando-se à criação de todas as espécies. ( COSTA, 1922, p. 493).

Vegetação.

Pouca vegetação apresentava o solo; uma parte a miúda gramínea, de um verde intenso nas baixadas, merecem menção os "xircaes"; desentolam-se os campos encoxilhados, recobertos dessa erva, antes semi-arbusto, de folhagens escuras, características de boas pastagens. (COSTA, 1922, p. 491). Nos campos de Bagé os rebanhos se reproduziam e se criavam com extrema facilidade, dada a grande quantidade de gramas excelentes, tais como: forquilha, cevadilha, alpiste nativo, azevém, crioulo e um consórcio variado de outros vegetais, além das plantas típicas da zona: flexilha e cebolim. (IBGE, 1959, p. 52). As pastagens naturais dos campos baixos ao sul da Serra Geral, eram constituídas pela flexilha, o trevo, o capim limão, o macachi, o junquilho, o barba de bode, a grama do banhado, o pé de galinha. ( LIMA, 1939, p. 88).

Clima.

A temperatura variava entre os dois extremos 2° e 35° a sombra; a temperatura era geralmente suave. (MONTE DOMECQ', 1916, p. 385). O clima do Município era um dos mais salubres do Estado, salvo no período das geadas, que originam algumas enfermidades. (IMPRESSÕES DO BRAZIL NO SÉCULO VINTE, 1913). O clima do município era temperado, variações térmicas ocorridas: média das máximas: 22,9°C; média das mínimas: 11,9°C; média compensada : 16,8°C, precipitação anual das chuvas: 1.076,8 milímetros. Geadas: ocorriam nos meses de maio a agosto. (IBGE, 1959, p. 52). O Clima do Município era, como no geral do Estado do Rio Grande do Sul, temperado e ameno. ( COSTA, 1922, p. 492). O Clima era ameno e saudável. Em Junho, Julho e Agosto, em geral, o frio é um pouco intenso; no verão fazia grande calor, principalmente nos meses de Janeiro e fevereiro. (GUIAS ILUSTRADOS, 1937).

Temperatura média em °C das máximas: 32,6 °C; das mínimas: 6,1 °C; compensada 182; precipitação anual, 1. 343 mm.( IBGE, 1960).

Salubridade.

Com relação a salubridade do Município, era considerado que não havia moléstias epidêmicas nem endêmicas. (GUIA BEMPORAT, 1906, p. 43).

Orografia.

A Orografia do Município estava representada pelos últimos contrafortes da Serra do Mar, denominado-se Coxilha Grande, mas que em seu desenvolvimento se chama Santa Tecla, ramificando-se para o oeste do município com os nomes de serra do Haedo e, para o sul, na fronteira uruguaia, com o nome de serra do Aceguá. ( COSTA, 1922, p. 492). As montanhas do Estado do Rio Grande do Sul pertenciam à Serra Geral ou do Mar, que se desenvolve no rumo geral leste-oeste, desde os limites de Santa Catarina até as margens do Uruguai. Destacava-se uma grande ramificação para o sul, com o nome de Albardão ou Cochilha Grande. A Serra Geral ou Cochilha Grande, como geralmente se denomina, ao atravessar este Estado, apresenta muitas ramificações, contrafortes e serras, em que podem ser dispostos em vários grupos, entre os quais o grupo da Serra dos Tapes. Depois de ter lançado para leste a serra do Herval, continua a Cochilha Grande para o Sul e no Município de Bagé lança uma ramificação, que segue o rumo geral de leste com as denominações de Santa Tecla, do Velleda, das Asperezas, do Canguçu, e da Buena, ligando-se a ela a Cochilha das Pedras Altas e os serros de Santo Antônio, do Baú, de Santa Maria, do Butiá, do Vigia, Pelado e outros. (GUIA BEMPORAT, 1906, p. 7). As serras deste município pertenciam ao sistema da “Serra Geral” ou do “Mar”, com a denominação de “Cochilha de São Sebastião”, até encontrar-se com a de “Haedo" e esta com a “Serrilhada”. (MONTE DOMECQ', 1916, p. 385).

Haedo.

A Coxilha Grande, tomando a direção S, recebe o nome de coxilha do Haedo, até encontrar o serro do Cemitério, penetrando em seguida, no território da República Oriental. ( FARIA & ALMEIDA, 1907, p. 54).

Pontos Culminantes.

Os pontos culminantes eram Santa Tecla, a uma légua da cidade, com 573 metros, e “Aceguá", na fronteira, com 621 metros. (MONTE DOMECQ', 1916, p. 385). Entre as principais elevações existentes no território municipal destacavam- se as serras de Santa Tecla, Coxilha Grande, das Tunas, Cerro Agudo, Cerro Alegre e Candiota, com 378 metros ( a estação ferroviária de Candiota era o ponto mais alto da ferrovia, na região). (IBGE, 1959, p. 51).

Serras.

As mais conhecidas serras, em Bagé, eram: a de São Sebastião, Serrilhada, Tunas, Santa Rosa, Coxilha Secca, Olhos D'água, Bolena, Coxilha do Fogo, Santo Antônio e Bagé. ( COSTA, 1922, p. 492). Atravessavam o Município as serras de Santa Tecla, Cochilha Grande e a serra das Tunas. (GUIA BEMPORAT, 1906, p. 43).

Morros.

Havia muitos morros, mas de pouca elevação, tais como, por exemplo, o Cerro Partido, o Cerro de Bagé, o Cerro do Ouro, o Cerro Alegre, o Cerro de Aceguá, o Cerro do Aceguá Chico ou dos Quietos, o Cerro Agudo, o Cerro do Bahú, o Cerro do Caldeira, o Cerro do Candal, o Cerro da Mina, o Cerro da Vigia, o Cerro do Vigiadeiro, o Cerro do Malcreado. ( COSTA, 1922, p. 492).

Cochilha Grande.

Tinha este nome a série de elevações de terreno que, no Estado do Rio Grande do Sul, determinavam as bacias fluviais. A Cochilha Grande atravessava o Estado em rumo geral de norte-sul e dividia as águas de maneira que umas corriam para o rio Uruguai e outras para as lagoas dos Patos e Mirim, de onde se escoavam pra o oceano Atlântico. Passava depois( na região da Campanha) entre o Santa Maria e o Camaquã com o nome de Tabuleiro, sempre na direção geral do sul. Dividia as águas do rio Negro das do Jaguarão, deixava a oeste o cerro da Carpintaria e a leste o de Aceguá Chico (yaci-guá-chico, pequeno vale da lua), ambos na fronteira do Estado Oriental. (LIMA, 1939, p. 41).

Aceguá.

Serra; 621 metros de altitude, por cima da qual passavam os marcos divisórios da fronteira do Brasil com o Uruguai, no Município de Bagé. (FARIA & ALMEIDA, 1907, p. 01).

Serra dos Tapes.

Depois de ter lançado para leste a serra do Herval, continua a Coxilha Grande para o sul e no município de Bagé lançava uma ramificação, que seguia o rumo geral do leste com as denominações de Santa Tecla, do Velleda, das Asperezas, do Cangussú e da Buena, ligando-se a ela a cochilha das Pedras Altas e os serros de Santo Antônio, do Bahú, de Santa Maria, do Butiá, do Vigia, Pelado e outros. (GUIA BEMPORAT, 1906, p. 7).

Serra dos Tapes.

Entre as pontas do Camaquã e as do Vacacaí, dobrava-se a Serra do Herval em pronunciada curva de concavidade voltada para o oriente e desenvolvia-se com o nome genérico de Serra dos Tapes, tendo como função fisiográfica separar em tudo seu percurso a bacia do Camaquã da do Piratini. Começava com o nome local de coxilha do Tabuleiro e lançava as águas da vertente oriental para o Camaquã e as da vertente ocidental para o Santa Maria. Entre as pontas do Rio Negro e os formadores do Camaquã, chamava-se coxilha de Santa Tecla; ramificava-se para o norte na coxilha de São Sebastião, nas pontas do Camaquã Chico, e na coxilha das Tunas, paralela ao arroio Torrinhas, deixando perto da sua margem esquerda o cerro do Baú. Passava entre as pontas do Candiota e as do Torrinhas com o nome de Santo Antônio Velho; entre o arroio Grande (afluente do Camaquã) e o curso superior do Piratiní, com o nome de serra do Veleda lançando para o norte os contrafortes da serra do Passarinho e das coxilhas dos Porongos e do Inhame, com o cerro Partido e o cerro Chato; e, para o sul, os da coxilha de Pedras Altas, divisor das águas do Jaguarão das do Piratini; e continuando para leste com o nome geral de serra de São João do Erval, deixava perto do rio Santa Maria o cerro do Baú e o cerro Chato; chamava-se depois coxilha do Cerrito e apresentava os cerros de Maria Cunha e Rodeio Colorado. Continuando a serra do Veleda na direção do oriente, lançava para sueste o contraforte da serra das Asperezas, entre o rio Piratini e o Orqueta, vai chamar-se coxilha de Santo Antônio, nas pontas do Piratini; serra do Cangussú, perto da vila deste nome; e lançava pra o sul o galho chamado serra da Buena, com os cerros do Gerivá, Colorado e das Pombas. ( LIMA, 1939, pp. 36-37).

Cochilha de Sant'Anna.

Esta cochilha desenvolveu-se ao longo da fronteira com o Estado Oriental, desde as margens do Uruguay à serra dos Tapes, de que é considerada como uma ramificação, com as denominações de cochilha de Sant'Anna, Haedo e Serrilhada, ligando-se a ela as cochilhas do Pai-Passo e Japejú e os serros Jaráu, Chato, da Cruz, Palomas, Depósito, Sant'Anna do Livramento, Chapéo, Trindade, Itaquatiá e outros. (GUIA BEMPORAT, 1906, p. 7).

Cochilha de Santana.

Tinha sua origem, pouco mais ou menos, no cerro de Cunhataí, entre os municípios de Lavras, Bagé e Dom Pedrito, onde tinha o nome de Haedo. Já com o nome de Serrilhada passava entre as pontas do rio Santa Maria e as do Piraí Grande, tributário do Rio Negro, seguindo sempre em direção sudoeste, até o monte do Cemitério, nas nascentes do arroio São Luiz. Aquí muda a direção para noroeste, tomava o nome de coxilha de Santana e faz o limite natural do Brasil com a República Oriental do Uruguai; continuava no mesmo rumo, lançando as águas da encosta meridional pra o rio Quaraí e as da encosta setentrional para o Ibicuí; lançava para o sul a ramificação chamada Pai Passo, em direção à barra do Quaraí e, para o norte, a do Japejú, que vai fenecer na barra do Ibicuí. ( LIMA, 1935, pp. 37-38).

Rios.

Dividia-se o Estado em duas grandes bacias hidrográficas: a Oriental e Ocidental. À bacia Oriental pertenciam todos os rios que vão diretamente ao Oceano e os que desaguavam nas diferentes lagoas, especialmente na dos Patos e na Mirim. À bacia Ocidental pertenciam o Uruguai e seus numerosos afluentes.(GUIA BEMPORAT, 1906, p. 9). O Município dispunha de bom sistema hidrográfico, pertencente às duas bacias hidrográficas do Estado: à (grande parte) bacia Oriental e (pequena parte) à bacia Ocidental, pois que do sistema hidrográfico fazia parte a bacia secundária do rio Negro. (COSTA, 1922, p. 491). Na primeira bacia podemos citar o Camaquam e o Jaguarão, á segunda bacia pertencia o Rio Negro.(MONTE DOMECQ', 1916, p. 385). Principais cursos d'água: rio Camaquã, Jaguarão, Candiota, Negro, São Luis (limite internacional com Uruguai) e seus afluentes.( IBGE, 1959, p. 51). A circunscrição bageense era regada pelos rios: "Jaguarão", que nascia no antigo 5º Distrito Municipal, no lugar denominado "Santa Rosa", recebendo as águas dos arroios Candiota, Jaguarão Chico; rio Camaquam e seus tributários Camaquam Chico, Tigre, Palmas, Velhaco ou Torrinhas; o rio Negro, que nascia no 5º Distrito Municipal e recebia as águas dos arroios Quebracho, Quebrachinho, Pirahy, Pirahyzinho, Bagé, São Luiz. (COSTA, 1922, p. 491). Os rios que banhavam o Município eram: Camaquam Grande, Jaguarão, Rio Negro, Pirahy, arroio Candiota Grande, Velhaco, Jaguarão Chico, Mina, São Luiz, Quebracho Grande, Quebrachinho, Camaquam Chico, Tigre, Pirahysinho, Minuano, Santa Maria, Trahiras, Palmas e Bagé. (GUIA BEMPORAT, 1906, p. 43).

Jaguarão.

Nascia na serra de Asseguá, corria de norte a sul, dirigia-se depois para leste, servindo de divisa ao Brasil, a que pertencia a margem esquerda, banhando a cidade de Jaguarão, entre na lagoa Mirim, com o curso de 165 km. Seus afluentes eram: o Jaguarão Chico, o Candiota Grande, o Candiotinha, o Telha. (GUIA BEMPORAT, 1906, p. 11).

Rio Jaguarão.

Rio afluente da lagoa Mirim. Nascia na coxilha da Arvorezinha, no município de Bagé. Era navegável até a cidade de Jaguarão, numa extensão de 33 km. Junto ao passo das Perdizes, no rio Jaguarão, feriu-se, em outubro de 1801, combate entre espanhóis e rio-grandenses, ao mando estes de Manoel Marques de Souza. Os nossos ficaram vitoriosos, garantindo-nos para sempre a disputada fronteira de Jaguarão. ( VARELA, A . Citado por FARIA & ALMEIDA, 1907, p. 62).

Jaguarão.

(jagua-nharo, a onça brava), nasce na coxilha da Arvorezinha ou Arbolito; banha a cidade de Jaguarão, ponto até onde é navegável; serve de limite do Estado em todo o seu curso. Neste rio existem as ilhas brasileiras da Barra, das Ovelhas, da Areia, do Bráulio, de S. Rita, do Virgolino, do Chico Preto. Afluentes principais: 1)O Jaguarão-Chico, com o arroio da Mina, ambos limites sul; 2)O Candiota, com jazídas de carvão de pedra. (LIMA, 1939, 68).

Santa Maria.

Importante rio, que nasce na junção da Coxilha Grande, com a de Santa Tecla, corre margeando a encosta setentrional da Serrilhada, volta-se para o norte, passa em Dom Pedrito e Rosário e é atravessado por uma importantíssima ponte; 240 quilômetros de curso. Recebe, pela margem direita, as águas dos arroios Santana, Taquarembó, Jaguarí, Suspiro, Cacequí; pela margem esquerda, as dos de Ponche Verde, D. Pedrito, rio Ibicuí da Árvore e arroio Saicã. (LIMA, 1939, 75).

Camaquam.

Nascia na Cochilha de Santa Tecla e desaguava na lagos dos Patos entre os baixios do Quilombo e Victoriano, por três barras: Grande, Funda e Falsa. Depois de correr até à barra do Camaquam Chico no rumo sueste, tomava a direção de leste até a sua foz. Banhava São José do Patrocínio.(GUIA BEMPORAT, 1906, p. 11).

Camaquam.

Rio que nascia por diversas vertentes, nas coxilhas do Taboleiro e São Sebastião, serras de Baberacuá e Acampamento. Encaminhava-se para Leste, desde as origens, sendo seu curso de 320 km. Banhava os municípios de Caçapava, Bagé, Cacimbinhas, Piratiny, Encruzilhada, São João de Camaquam, Cangussú e São Lourenço. Desaguava na lagoa dos Patos, a 31° 16' 10" de lat. S. e 51° 12' 50" de long. O . de Gw., formando em sua embocadura um grande delta e escoando suas água por três barras. Continha diversas ilhas; as terras de seu vale eram notáveis pela fertilidade. Era navegável somente em curta extensão de seu leito. (FARIA & ALMEIDA, 1907, p. 23).

Camaquã.

(Cama-quã, a ponta do peito), tem suas vertentes nas coxilhas do Tabuleiro e São Sebastião, serras do Acampamento e de Baeberaquá; estas vertentes chamavam-se Camaquã do Macedo, Camaquã do Jaques, Camaquã de Lavras, Camaquã Chico; é caudaloso, mas navegável em pequena extensão. O Camaquã lançava-se na lagoa dos Patos por três barras: Grande, Funda e Falsa; formadas pelas ilhas do Quebra-Mastro, das Três Bocas, do Martins, do Vianês. Tinha muitos afluentes, sendo, na margem direita, os principais: o arroio das Palmas com Traíras, o Velhaco ou Torrinhas, o Grande, o Barracão, o Camargo, o Pedregal, o Cará, o Sapata, o Santa Isabel; na margem esquerda: o arroio do Vargas, o do Cerro da Árvore, o da Maria Santa, o dos Foles, o dos Ladrões, o Subtil. (LIMA, 1939, p. 67).

Rio Negro.

Nascia na serra de Santa Tecla, percorria pequena porção do Estado do Rio Grande do Sul, no município de Bagé, penetrava no território Oriental próximo ao serro da Carpintaria. Era tributário do rio Uruguai. (FARIA & ALMEIDA, 1907, p. 76).

Rio Negro.

Nascia na coxilha de Santa Tecla e percorre uma pequena porção do Estado para logo atravessar a República do Uruguai. Afluentes principais:1) O arroio Bagé; 2)O arroio São Luiz, que serve de limite com o Estado Oriental, e cujas nascentes ficam na Serrilhada. (LIMA, 1939, 76).

Banhados.

Contava Bagé com os banhados Grande, Carneiros, Gabrieis, Lixiguana, Ivos, Bocarra. ( COSTA, 1922, p. 492).

Lagoas.

Dentre as várias lagoas destacavam-se as seguintes: Canários e da Estacada, no Quebracho; da Bomba, do Meio, do Salso, no Candiota; Formosa, no rincão de Anna Corrêa; Lagoão, Vimes, Molho, Dinarte, Éguas, Carpintaria. ( COSTA, 1922, p. 492).

Passos.

Os passos principais são: Viola, Igrejinha, Acampamento, São Luiz, das Tropas, dos Martins, Cassão, Três Passos, Real do Candiota, do Salso, das Mortes, Real do Quebracho, do Tigre, Valente, Carpintaria, Lageado, Jaguarão, Carros, Estação Rio Negro, Pinto, Santos, das Pedras e do Cemitério. ( COSTA, 1922, p. 492).

Arroios.

Regavam o Município de Bagé mais os seguintes arroios: Camaquanzinho, Ibirá-Mirim, Traíras, Mina, Cabeça Funda, Lixiguana, Caneleira, Seival, Estância Nova, FornoVelho, Meio, Pedras, Caboçu. (COSTA, 1922, p. 491).

Localização da Cidade, No Arroio Bagé.

A cidade de Bagé estava situada a oeste da cidade de Pelotas, à margem direita do arroio Bagé. (GUIA BEMPORAT, 1906, p. 43). A cidade estava assentada à margem direita do arroio Bagé. (FARIA, 1907, p. 12).

Geologia.

Geologicamente, o solo do município pertence, quase completamente, ao período primitivo; porém, é provável que certos terrenos, por exemplo os que marginam o arroio Candiota, sejam de formação posterior e pertençam á época primária e mesmo aos últimos períodos dessa época. (MONTE DOMECQ', 1916, p. 485). Os terrenos do município são em parte formação primitiva, tendo como base o granito e o grês; há também os terrenos de formação carbonífera, na bacia do Candiota.(COSTA, 1922, p. 491). Bagé era rica em mineralogia, com numerosas as jazidas em seu território, ressaltando em maior relevo e exuberância as carboníferas, mais abundantes nos 5º e 7º distritos, nos campos do Rio Negro, Santa Rosa e Candiota, abrangendo uma extensa zona. ( COSTA, 1922, p. 494). Nas margens do Candiota, do Quebracho, nos arredores de Bagé e em diversos pontos do Município, havia abundantes jazidas de pedra cal e que eram exploradas para o consumo local e para exportação pra Pelotas e Rio Grande. ( COSTA, 1922, p. 494). Existiam também, em Bagé: ferro, kaolin, turfa, cobre, cristalizações diversas, ametista, ágatas, grês, argila, granito. O cobre nas adjacências do Camaquam; a turfa, em Santa Rosa; o ferro, em todo o município, mas em abundância nas margens do Candiota; as ametista sobre o Jaguarão. Diversas minas de carvão já eram exploradas, algumas em regular escala. ( COSTA, 1922, p. 494). Encontravam-se jazidas de carvão, schistos betuminosos asfálticos, muito rico em betumes. A formação mais antiga é a de gneiss e a micaschistosa e que se encontrava em muitos e variados lugares, circundando o vale do rio Candiota e de seus confluentes. (COSTA, 1922, p. 491). Existiam neste município, seguindo o rumo dos rios Candiota e Negro, importantes depósitos de carvão de pedra: nas margens do arroio Velhaco, existe pedra calcaria em abundância. (MONTE DOMECQ', 1916, p. 485). Com relação aos minerais, existiam minas de carvão de pedra e cal; minas de cal em grande quantidade e quase todas exploradas; sobre as de carvão de pedra apenas foram feitas algumas tentativas de exploração. (GUIA BEMPORAT, 1906, p. 43). O solo do Município é abundante em riquezas minerais, possuindo minas de carvão de pedra, tais como a de Candiota e a de Rio Negro, e várias jazidas de mármore; entretanto, estas minas tem sido, até agora, pouco exploradas. (IMPRESSÕES DO BRAZIL NO SÉCULO VINTE, 1913). Encontravam-se igualmente neste município kaolim, ferro, turfa, cobre, ametistas, ágatas, mármores, argilas de todas as qualidades.( MONTE DOMECQ', 1916, p. 485). O subsolo era rico em carvão, cobre, caulim, ametista, ágatas, mármores, grés, argilas de várias qualidades e outros minérios. ( SALIS, 1955, p. 326).

Um Pouco da História

Bagé, em suas origens, na ocupação européia, estava localizada na parte meridional da Estância de São Miguel, em que estava localizado um posto da mesma Estância, o posto de Santa Tecla.

Na região de Bagé, possivelmente, houve tentativa de construção de uma redução, a redução de Santo André Guenoas, mas foi destruída pelos índios locais, não vingando a intenção de cristianizar os habitantes indígenas da região de Bagé.

Posteriormente, com a destruição dos Sete Povos das Missões, o governo espanhol mandou construir um Forte, o Forte de Santa Tecla, que foi destruído pelas forças portuguesas.

Embora a ocupação espanhola fosse definida pela construção de um Forte Santa Tecla, que deveria ser reconhecido como primeira denominação da região, tal não aconteceu, até mesmo pela derrota espanhola, ficando como referência básica o nome de Bagé, de origem polêmica.

O nome Bagé aparece geralmente vinculado ao nome de um suposto índio local, dentro de um discurso bastante confuso e incoerente, seja do ponto de vista histórico, seja do ponto de vista antropológico.

Ibagé.

Ibagé, nome de um velho indígena, segundo a tradição, deu origem ao nome de Bagé. Neste sítio existiu em fins do século XVIII, onde faleceu com avançada idade, sendo sepultado num dos cerros, a meia légua da cidade, como guardião insigne de uma recordação imortal. (GUIA ILUSTRADO, 1937).

Segundo informações possivelmente do ano de 1883, o nome de Bagé proveria de um índio assim chamado, o qual viveu neste lugar, no século XVIII. Achava-se ele sepultado em cima do cerro de Bagé, não longe da casa de D. Ritta, mãe do finado Capitão João Ritta, a qual constava que sabia o lugar da sepultura. Era, sem dúvida, esse primeiro habitante de Bagé, oriundo dos Minuanos, que se aliaram aos portugueses. (JAQUES, 2000).

Embora todo o esforço de Cezimbra Jacques, em 1883, de configurar um índio Bagé realmente existente, citando, para isso, o nome de uma família respeitável como fonte, que saberia o lugar exato do suposto túmulo, o fato era que já no tempo de Cezimbra Jacques os contornos do índio Bagé já eram contornos de um mito, visto a época em que teria vivido, no século XVIII, isto é, de 1701 até 1800, claramente um período muito longo; assim como o interesse inculcado no capitão que estava morto, um capitão que saberia o lugar exato do túmulo do índio Bagé, mas um capitão que conheceria supostamente só o túmulo e nada mais.

As melhores indicações para a origem do nome Bagé estariam naquelas que sugerem que Bagé deriva da linguagem dos índios do Tape, significando "Cerro", como assim foi proposto inicialmente por um General português que conversou com os índios locais, o General Saldanha, hipótese assumida por Mansueto Bernardi.

Estâncias.

As mais importantes fazendas, próximas às imediações do Rio Negro, Jaguarão, Bolena, Camaquam Chico e a margem esquerda do Rio Santa Maria, pertenciam às famílias Martins, Freitas, Barcelos, Couto Vaz e Jardim. ( GUIA ILUSTRADO, 1937).

Mais tarde, nas importantes fazendas, próximas às imediações do Rio Negro, Jaguarão, Bolena, Camaquam Chico e a margem esquerda do Rio Santa Maria, pertencentes às famílias Martins Freitas, Barcelos, Couto Vaz, Jardim e outras, tiveram início as atividades da vida pastoril. (PIMENTEL, 194?, p. 11).

Parque do Gaúcho

O Parque do Gaúcho em Bagé, necessariamente passa por uma discussão sobre a identidade do gaúcho no contexto da Região da Campanha, especialmente em Bagé, ressaltando os aspectos que podem ser considerados como dos “Gaúchos”, predominantes com relação a outros aspectos pertencentes a outras culturas.

Trata-se de forjar um gaúcho dentro de um processo histórico real, comportando suas diferenças em seus diversos contextos. (SANTOS, & BENTO FILHO, 1994).

Bem ao contrário do que sustentava DIAS (1998) e CHASTEEN (2003) e até mesmo FREITAS (1980), o gaúcho não era um mito.

Para uma ontologia do gaúcho, especialmente da região da Campanha, é preciso considerar a etnia dos índios: na origem da formação do gaúcho deve ser lembrado, o índio pampiano (charrua e minuano) que logo se adaptou ao cavalo (por volta de 1607). (BRAZ, 2002, p. 10).

"De automóvel vou de Bagé até o rochedo de Santa Tecla, àquelas colinas e campinas que viram nascer o gaúcho. " (HARNISCH, Wolfgang Hoffmann. Citado por MATTOS, 2003, p. 8).

É preciso considerar que, embora toda a discussão sobre se o gaúcho é lusitano ou espanhol, ocorrida na década de 1950 e 1960 e até antes, no Rio Grande do Sul, entre os intelectuais locais, principalmente entre Manoelito de Ornellas e Moysés Velhinho, resgatando aqui a premonição de Érico Veríssimo na sua obra O Tempo e o Vento, retirar as Missões Jesuíticas da história do Rio Grande do Sul é simplesmente retirar o índio do contexto social de formação do gaúcho no sul do Brasil.

Retirando o índio espanhol da formação social do Rio Grande do Sul, retira-se a ontologia do gaúcho na região.

Índio nas reduções jesuíticas contribuiu sobremaneira para a formação do gaúcho, embora não com exclusividade.

Do índio veio o gosto pela roda de mate-chimarrão, o gosto pela carne, até mesmo o gosto pelo cavalo, embora este não fosse originário da América do Sul.

Índio gostava tanto de carne que, algumas vezes, comia tal alimentação praticamente crua, embora toda oposição dos jesuítas.

O próprio cavalo, mesmo inicialmente um “monstro” para os habitantes do continente novo, tornou-se de tal maneira parte do cotidiano de charruas e minuanos, que se chegava a dizer que o melhor domador era o índio. (FREITAS, 1980).

Movimento Tradicionalista Gaúcho

Em 1935, o Rio Grande do Sul comemorou o primeiro centenário da Revolução Farroupilha. (URBIM, 1999, p. 41).

Em 1947, estudantes do Colégio Júlio de Castilhos formaram uma guarda de honra para os restos mortais de David Canabarro. (URBIM, 1999, p. 41).

Em 5 de setembro de 1947, houve o primeiro desfile de um piquete de cavalarianos no Estado; estava nascendo ali o que seria chamado de Movimento Tradicionalista Gaúcho que, em suas origens, estava o "Departamento de Tradições Gaúchas" do Colégio Júlio de Castilhos. (URBIM, 1999, pp. 41-42).

Em 1948, foram criados os primeiros Centros de Tradições Gaúchas. (URBIM, 1999, p. 41).

Centro de Tradição Gaúcha

A culminância de todo um processo de construção, no sentido de etapas, do gaúcho enquanto identidade regional em Bagé, foi a instituição de um Centro de Tradições Gaúchas, em 1952.

Movimento em torno da cultura gaúcha, em Bagé, não é, no entanto, do ano de 1952.

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1Mestre em História do Brasil. Diretor do Arquivo Público Municipal de Bagé.

2ALGAROTTI, (F.) Lettres du Comte Algarotti sur la Russie, Contenant l'état du Commerce, de la Marine, des revenus, & des forces de cet Empire: avec l'histoire de la guerre de 1735 contre lesTurcs, & des observations sur la mer Baltique, & la mer Caspienne. Traduite de l'Italien. A Londres, et se trouve à Paris, Chez Merlin, 1769. (4), 337, (1) pp. 12mo. Contemporary marbled calf, spine gilt in compartments, label with gilt lettering, a bit worn and rubbed. Kress 6601; Higgs 4560; Conlon 69:492; Garnier, Bibliographie de la Russie, 162; Catalogue Russica, i, A450; not in Goldsmiths; not in Einaudi; not in INED; not in Mattioli. First French edition, rare.

Francesco Algarotti (1712-1764) was an Italian poet, art and music critic, dandy and man of letters. The son of wealthy merchant, he became the darling of the European aristocracy. In 1733 he captured the attention of Émilie du Chatelet when he stayed with her and Voltaire (Voltaire called him his 'cher cygne de Padoue') to write Il Neutonianismo per le dame which was translated into English by Elizabeth Carter. Leaving France for London, he became the paramour of Lady Mary Wortley Montagu who was ready to sacrafice her reputation and move to Italy with him. But Algarotti fled with Lord Baltimore to Russia, a trip recorded in his Viaggi in Russia (1760). Algarotti later became a constant companion to Frederic of Prussia who ordered a monument to be erected at Pisa to the memory of Algarotti. Fonte: http://www.agerits.com/php/search.php3?CatTitle=Slavic&Subjects=Slavic . Acessado em: 03 de outubro de 2008. Hora: 22:00 h.

3Zaporogos.

4(DREYS, 1927, p. 183. Citado por JACQUES, 2000, p.73).

5(DREYS, 1927, pp. 183-184. Citado por JACQUES, 2000, p. 73).

6(DREYS, 1927, p. 184).

7(conforme afirmação de Alfredo F. RODRIGUES, autor de um "esboço crítico" ou "nota preliminar" que constava da reedição do livro de Dreys em 1927, em Rio Grande, p. 7).

8(conforme afirmação de Alfredo F. RODRIGUES, autor de um "esboço crítico" ou "nota preliminar" que constava da reedição do livro de Dreys em 1927, em Rio Grande, p. 7)

9 (Conforme afirmação de Alfredo F. RODRIGUES, autor de um "esboço crítico" ou "nota preliminar" que constava da reedição do livro de Dreys em 1927, em Rio Grande, pp. 7-8).

10(DREYS, 1927, p. 184; JACQUES, 2000, p. 73).

11(JACQUES, 2000, p. 73).

12 Em Jacques(2000, p. 73): "pedaço de pano".

13 Em Jacques(2000, p. 73): "(é passado entre as pernas)".

14 Em Jacques(2000, p. 73): "o tirador".

15 Em Jacques(2000, p. 73): "uma jaqueta, às vezes sem mangas...".

16 Em Jacques(2000, p. 73): "um chapéu às vezes roto...".

17 Em Jacques(2000, p. 73): "poncho".

18 Em Jacques(2000, p. 73): "polperia".

19 Em Jacques(2000, p. 73): "dançar (o fandango).".

20(DREYS, 1927, P. 185; JACQUES, 2000, p. 73).

21 Em Jacques(2000, p. 73): "é coisa".

22 Em Jacques(2000, p. 73): "apreciada".

23 Em Jacques(2000, p. 73): "bebedeira".

24 Em Jacques(2000, p. 73): a frase "... e já demos algumas informações sobre seu modo de proceder..." , foi suprimida na obra de Jacques.

25 Em Jacques(2000, p. 73): ""...um...", foi suprimido em Jacques.

26 Em Jacques(2000, p. 73): "...seco...", foi suprimido em Jacques.

27 Em Jacques(2000, p. 73): "puxando".

28 Em Jacques(2000, p. 73): "fendado".

29 Em Jacques(2000, p. 73): foi acrescido "...(sovador)...".

30 Em Jacques(2000, p. 73): "... e próprio aos mesmos usos que qualquer couro curtido.".

31(DREYS, 1927, P. 185; JACQUES, 2000, p. 74).

32 Em Jacques(2000, p. 73): "inhanduvaí".

33(DREYS, 1927, p. 185; JACQUES, 2000, p. 74).

34Em Jacques (2000, p. 74): “apeia-se do cavalo”.

35Em Jacques (2000, p. 74): “no cavalo”.

36Em Jacques (2000, p. 74): “homem comum”.

37Em Jacques (2000, p. 74): “à destreza”.

38DREYS, 1927, pp. 186-187.

39DREYS, 1927, pp. 4-5.

40DREYS, 1927, pp. 25-26.

41DREYS, 1927, p. 28.

42 DREYS, 1927, pp. 42 e 43.

43DREYS, 1927, pp. 54-55.

44DREYS, 1927, p. 55.

45DREYS, 1927, p. 67.

46DREYS, 1927, pp. 71-72.

47DREYS, 1927, pp. 76-80.

48DREYS, 1927, pp. 171-172.

49DREYS, 1927, pp. 127-128.

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